Schaüble, o cínico

(Por Estátua de Sal, 15/06/2017)

schauble_cinico

Dizia o outro, o Portas, que quando a troika se foi embora Portugal tinha deixado de ser um protectorado e até tinha um relógio a contar os minutos que faltavam para dizer adeus aos capatazes. Pois bem, nada mais falso.

Tal é a nossa situação de dependência que até para pagarmos as dívidas temos que pedir autorização. Portugal quer pagar  antecipadamente 10000 milhões de euros ao FMI, de um total de 12000 milhões que ainda lhes devemos, porque os juros do FMI são bens mais altos que os da restante dívida. Para isso temos que pedir autorização á Europa, ao Eurogrupo, ao Schaüble e, pasme-se, a autorização tem que ser votada no parlamento alemão! Querem maior prova de dependência? (Ver notícia aqui).

Eu achava que a solidariedade europeia não precisava de ir a votos. Mas não é assim. A razão é que, pagando mais cedo ao FMI, a probabilidade de pagarmos mais tarde os empréstimos da Europa aumenta, e eles, coitados também querem receber o deles a tempo e horas. Percebe-se.

O que já é menos aceitável é o Schaüble apanhar a boleia deste pagamento antecipado para vir dizer que o resgate a Portugal foi um sucesso. Depois da queda do PIB em vários pontos percentuais, do desemprego em massa, da emigração forçada, da pobreza e da miséria a trepar, o macaco do Schaüble vem dizer que foi tudo um grande sucesso.

Só um cínico encartado poderia sair-se com uma tirada de tal estirpe. No fundo, a mensagem subliminar que ele quer passar é que o Passos e a Marilú, e o governo anterior que ele apadrinhou, governaram tão bem que até conseguimos pagar as dívidas antecipadamente.

Ou seja, quem quer pagar e enfrentar os credores de cabeça erguida deve seguir sem pestanejar as ordens do Schaüble. Logo, o Costa que se cuide e não levante muito a garimpa, sob pena do ministro alemão não nos permitir, não contrair novos empréstimos, mas sim pagarmos os que já contraímos!

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2 pensamentos sobre “Schaüble, o cínico

  1. Prezado amigo Estatuadesal,
    Essas coisas que agora lamenta e critica não serão obra do destino? O meu amigo há tempos atrás não mencionou algumas coisas a que estávamos (Portugal e os portugueses) sujeitos/condenados como coisas do destino?
    E o que espera ou estava a esperar de gentalha dessa de que mencionou alguns nomes?
    Ainda continua a ter dúvidas de que, se não acabar o capitalismo como sistema económico-social dominante, tendencialmente o 1% vai reduzindo e qualquer dia serão 0,xy (zero vírgula qualquer coisa por cento) e os 99 passarão para 99,li (noventa e nove vírgula qualquer coisa por cento)????
    E desconhece o amigo que a União (????) Europeia, em franca agonia também enquanto parte de um capitalismo já moribundo (vai para 10 anos sem soluções à vista, enquanto em 1929 passaram apenas 3 anos e já o Keynes tinha dado a receita), se caracteriza por só integrar “estados de direito”, de que, por exemplo, a Hungria é espécime absoluto, e que o “direito” referido é o direito burguês que aqui há umas décadas atrás o burguezote do KELSEN inventou e desenvolveu a partir daquilo a que designou por “norma fundamental”, um postulado por ele enunciado, tal qual os dogmas da ICAR- essa seita de malfeitores que sempre esteve ao lado do poder despótico – como “a TERRA é o centro do universo, é plana e o Sol gira”, para depois partir para o “corpus normativo” e com este salvar o capitalismo ????
    É que, inspirados nesses “corpus”, (também) os contratos de empréstimo têm “regras legais” contra as quais só o seu cumprimento???…ou então nega-se o tal dito cujo de direito. E uma dessas “coisas” de que o amigo Estatuadesal agora se queixa ou se admira, é o cumprimento dos prazos contratados pelas partes outorgantes. Assim como esse espécime absoluto de banqueiro que “o pai da nossa democracia” já finado (livrando-se assim de sr julgado pelo POVO contra quem tantos crimes cometeu, pois só os vivos se podem sentar no banco dos réus), mandou regressar do estrangeiro para onde se tinha pirado aquando da nacionalização da banca, e o reabelitou entregando-lhe o BES de mão beijada, esse espécime, escrevia eu, agora em prisão domiciliária ali mesmo em frente à boca do inferno numa casita assim parecida com as dos sem abrigo, onde o actual inquilino de Belém passou grandes tardes e noitadas (e agora anda a cheirar o suor desses sem abrigo que abraça calorosamente, faz selfes e até come com eles – as voltas que o mundo dá, mas para quem foi capaz de mergulhar no Tejo para tentar ganhar alguma coisa na política, estas pequenas acções são trocos, claro) de boémia, comezanas e festarolas como só as elites sabem proporcionar, o dito cujo quando lá no BES emprestava dinheiro, nos contratos eram estipuladas cláusulas pecuniárias para as eventuais antecipações.
    E porquê?
    Porque o banco tinha constituído certas provisões no balanço a contar com os prazos contratualizados e, antecipando os pagamentos, as “coisas” alteravam-se em consequência. Logo, o zépagante tinha que suportar mais uns débitos na conta e, obviamente, no final do ano os lucros do banco aumentavam, as acções na bolsa subiam, etc., etc., as ofshores criaram-se, as transferências manhosas faziam-se, bebo Zépovinho agora paga….E tudo isto legalmente. Ou não vivêssemos no dito cujo de “direito”. O tal kelseniano.Ou seja, o direito burguês e capitslista que refinou o direito dos costumes – o consuetudinário que já vinha desde a constituição das famílias aqui há umas centenas de milhares de anos atrás – e o sibstituiu pelo “direito positivo”, o tal que nasceu a partir de um dogma/postulado.
    E se assim é, onde está o espanto de as antecipações geringoncinas agendadas terem que se sujeitar ao direito positivo aplicável e em vigor????
    Mas o actual PM não deve estar muito preocupado, até porque ele quis assumir o leme da agremiação a que pertence e chefia, quando acusou o Zezito das Caldas (que de seguro só tinha o apelido) de “poucochinho”, para, segundo disse para quem o quis escutar, que estava ali “para continuar o legado do burguezote capitalista do bochechas” (estas do burguezote capitalista do bochechas são minhas, claro, e devem-se ao facto de eu ainda não conseguir escrever ou pronunciar o nome do dito cujo sem vomitar e eu comi há pouco tempo e como fiz anos há dias ofereceram-me um computador novo e não devo vomitar para cima do teclado).
    Óptimo final de feriado, e um abraço ao amigo Estatuadesal, desta vez especial para tentar acalmar o meu amigo, porque me pareceu deixar-se ferver em pouca água, porque tudo o que referiu tem tanto de verdade como de nojento, mas é a U(?)E que ainda vamos tendo, que os “democratas” nos impuseram sem referendo (porreiro pá, quem nao lembra), rtc., etc., mas que está em franca desagregação (graças a deus….ai se o Ilustre e habitual comentador aqui na Estatuadesal que gira sob a designação de NEVES, lê está coisa, lá bem logo criticar, rindo-se muito, de um anticapitalista ortodixo acreditar em deus….) e mais dia menos noite o TITANIC bate no iceberg e é o salve-se quem puder.
    Cordialmente, seu e ao dispor,
    aci

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    • Ó anticapitalista. Que grande e garborosa prosa. Eu mesmo quando me indigno é mais para transmitir a minha indignação aos mais distraídos porque já estou calejado com as manobras da p(m)afia de cá de dentro e da de lá de fora que comanda o barco. Um abraço. 🙂

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