Novo Ano

(Agustina Bessa-Luís, in ‘Caderno de Significados’, Guimarães Editora, 2013)

2017

Eu desejaria que o Novo Ano trouxesse no ventre morte, peste e guerra. Morte à senilidade idealista e à retórica embalsamada; peste para um certo código cultural que age sobre os grupos e os transforma em colectividades emocionais; guerra à recuperação da personalidade duma cultura extinta que nada tem a ver com a cultura em si mesma.

Eu desejaria que o Novo Ano trouxesse nos braços a vida, a energia e a paz. Vida o suficientemente despersonalizada no caudal urbano para que os desvios individuais não sejam convite ao eterno controlo e expressão das pessoas; energia para desmascarar o sectarismo da sociedade secularizada em que o estado afectivo é mais forte do que a acção; paz para os homens de boa e de má vontade.


Para todos os que me lêem e seguem aqui ficam também os meus votos de Bom Ano novo. Se não for pedir muito às divindades, melhor um pouco do que 2016. Pelo menos, tenhamos essa luz e essa esperança.

(Estátua de Sal, 30/12/2016)

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5 pensamentos sobre “Novo Ano

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