Juventude Tea Party – o futuro do CDS

(Isabel Moreira, in Expresso Diário, 24/12/2016)

cintos-de-castidade

O CDS propõe que a educação sexual nas escolas seja orientada para a abstinência. O cinto de castidade é uma peça fundamental nessa estratégia e o CDS até já tem modelos aprovados. 🙂 (Imagem in Blog 77 Colinas, 23/12/2016)


A Juventude popular quer que a abstinência sexual seja incluída na educação sexual como forma de contraceção.

Onde é que já vimos isto?

Na doutrina da igreja católica, claro. A abstinência sexual como forma de contraceção foi e é responsável pelo drama das gravidezes não planeadas e da desigualdade de género. A abstinência sexual como forma de contraceção foi e é responsável por ciclos de pobreza que são particularmente dramáticos para mulheres e raparigas. A abstinência sexual como forma de contraceção foi e é responsável pela disseminação de doenças sexualmente transmissíveis.

A ONU esforça-se e vem conseguindo avanços em matéria de direitos sexuais e reprodutivos, a Amnistia Internacional esforça-se e vem conseguindo avanços. Os direitos sexuais e reprodutivos estão claramente definidos na Conferência Internacional de 1994 sobre População e Desenvolvimento, que teve lugar no Cairo, entre os quais se inclui o direito à informação, educação e aconselhamento sobre saúde sexual de forma a melhorar as relações pessoais e qualidade de vida.

Como está a acontecer em tantos lugares, desta vez, nesta época em que o obscurantismo e o reacionarismo está a vir ao de cima sem pudor, o futuro do CDS, os seus jovens políticos, mostram o seu modelo de sociedade: querem voltar a uma sociedade na qual a sexualidade não é vista como uma dimensão positiva e livre do bem-estar de cada uma e de cada um a todos os níveis. Querem voltar a uma sociedade em que a sua ideologia “é melhor não falar no assunto” se sobrepõe à dimensão da sexualidade como parte da nossa saúde. A Juventude Popular está pronta para dar cabo dos direitos sexuais e reprodutivos, contribuindo com o método mais eficaz para o atraso civilizacional.

Nesta era pós-Trump saltam as tampas todas.

A Juventude Popular, em modo Tea Party, ignora todas as convenções internacionais sobre educação sexual, todos os estudos reconhecidos sobre o tema, e está pronta para defender que o melhor que o Estado tem a fazer é explicar aos jovens que a doutrina da abstinência, que causou e causa tragédias ao redor do globo, é um esplendor a ser equiparado ao acesso a métodos de contraceção modernos, a cuidados de saúde materna e planeamento familiar essenciais para a redução dos casos de IVG, mas também para a prevenção de infeções sexualmente transmissíveis.

Todas e todos, independentemente do nosso género ou orientação sexual, temos direito a uma vida sexual saudável, consensual, segura, bem como o direito a controlar o nosso próprio corpo e a ter acesso à informação necessária para tomar decisões seguras.

O futuro do CDS está à vista. E ainda bem.

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7 pensamentos sobre “Juventude Tea Party – o futuro do CDS

  1. O CDS é um partido tão conservador que até é melhor ser considerado “retrogador”, palavra que apenas existe para descrever esta gente. Bom, bom era voltarmos aos cintos de castidade e ao sistema feudal da idade média, já agora. Porque é assim que esta gente pensa. É o nível da mentalidade destes sujeitos que, como se diz na minha terra, nasceram com o “rabinho virado para a lua” e acreditam que a capacidade governativa e o poder político deve ser proporcional ao número de sobrenomes.
    Nenhum partido me causa tanta apreensão e, bem, nojo, como o CDS. Não pelo partido em si mas pelas pessoas que o constituem actualmente. Se Portugal fosse um sistema democrático moderno, onde a maioria das pessoas votassem em consciência e informadas, o CDS estaria ao mesmo nível que o PNR, PM e aqueles partidos locais, ou seja, existem mais para nos mostrar os esquisitóides que temos pela nossa sociedade que outra coisa. Mas, como o dinheiro compra muita coisa e como são exímios em capturar os votos dos (infelizmente) ignorantes na nossa sociedade, o CDS não só tem uma base expressiva como até mete uns cromos no parlamento. E depois tem a orelha dos média que, apesar de irrelevante e ser mais base para anedotas que outra coisa, coloca a Assunção em 1 de cada 3 notícias políticas.
    Felizmente, como idiotas e retrógrados que são, é uma questão de tempo até mandarem umas alarvidades para os jornais. Que venham mais! Que digam o que verdadeiramente lhes vai na mente ao invés de andarem a fingir que se preocupam com o país ou que podem brincar aos políticos. Porque 2 submarinos a apodrecer num cais em Lisboa aparentemente não é suficiente para muitos portugueses…

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  2. É verdade que não concordo na totalidade com a teoria de “ensinar abstinência sexual” nas escolas. Mas se virmos bem, o CDS propõe aquilo em que acredita, assim como já o fez o BE, no extremo oposto, com os casamentos e afins entre indivíduos do mesmo sexo, por exemplo. Não me parece lógico este ataque, ou será que o autor também criticou as propostas referidas?
    Por outro lado, não entendi as referências que faz às consequências mundiais e sociais da abstinência sexual. Em que referências se baseou?

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  3. Estou muito longe de ser um conservador e ainda mais longe de votar no CDS, considero-me liberal e de centro-esquerda. Dito isto, não percebo qual o problema de apresentar a abstinência como opção, as desgraças de que fala Isabel Moreira, não derivam da existência desta opção, mas sim das situações em que esta é a única opção.
    Dizer a alguém que tem muitas formas de fazer uma coisa mas que também pode não a fazer, não retira a essa pessoa qualquer liberdade, amplia a sua liberdade porque aumenta as suas opções. As ideias valem por si, não são boas ou más consoante a cabeça de onde saem. O sectarismo tem ajudado a trazer o país e o mundo para o ponto em que está. E que bela m**** que está!

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