Durão Barroso, o bode expiatório do bordel

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 23/09/2016)

Autor

                                 Daniel Oliveira

A Comissão Europeia e restantes instituições de Bruxelas estão no corrupio de castigos simbólicos a Durão Barroso. Até por onde entra nos edifícios está a ser estipulado. O choque com a decisão de Durão Barroso ir trabalhar para a Goldman Sachs foi tal e a possibilidade de castigo é tão pequena que as instituições veem-se obrigadas a ser muitas claras na censura pública. Só assim a União pode recuperar a credibilidade que o oportunismo de Barroso fez perigar. Estão a brincar, certo?

Quem veja este espetáculo pode pensar que o tuga, mal habituado, chegou a Bruxelas e fez o que era impensável. Só que Bruxelas é a capital do lóbi e, acima de todos os lóbis, o dos maiores grupos financeiros. Foi esse lóbi, aliás, que determinou muitas das decisões tomadas em relação a esta crise em geral e à da Grécia e de Portugal em particular. E continua a determinar. A Goldman Sachs está em casa e não precisa nem precisou de Barroso para nada. Aliás, o descaramento de o convidar logo depois de sair da Comissão nasceu de um à vontade que vem de longe. Só as críticas de uma imprensa francesa que nunca gostou de Barroso e que é crescentemente eurocética determinou esta reação.

Qualquer tipo de ingenuidades sobre este assunto fica resolvida com a lista de políticos com responsabilidades nas instituições europeias que passaram, antes e depois de ocuparem os cargos, pela Goldman Sachs. Já aqui escrevi sobre isso. Temos Otmar Issing, que foi um dos principais arquitetos do euro e da política monetária europeia e trabalhou com o que viria a ser o Grupo Europeu de Risco Sistémico. Temos Mario Draghi, atual presidente do Banco Central Europeu. Temos Mario Monti, que passou pela Goldman Sachs depois de ter sido membro da Comissão Europeia e nem por isso deixou de ser o nomeado por Bruxelas e Berlim para primeiro-ministro não eleito de Itália. Temos Peter Sutherland, ex-procurador-geral irlandês, que foi comissário europeu para a concorrência e teve um papel central no resgate à banca irlandesa. Temos Romano Prodi, que foi, como Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia e como ele foi primeiro-ministro do seu país. Temos Carlos Moedas, comissário da investigação. Temos Karel Van Miert, ex-comissário dos Transportes e também da concorrência. Uns foram da Europa para a Goldman Sachs, outros da Goldman Sachs para a Europa. E não é coincidência haver tantos nomes que passaram por aquele banco e por instituições europeias. Deixa muito claro quem mandou, manda e continuará a mandar.

Dirão: até pode ser grande a promiscuidade das instituições europeias com o poder financeiro em geral e a Goldman Sachs em particular, até pode haver muitos casos antes de Durão Barroso, mas por algum lado tem de começar a moralização. E ela deve ser aplaudida quando começa. E eu pergunto de volta: notam mais algum sinal de moralização? Notam que as ligações à Goldman Sachs tenham, nos últimos anos, sido impedimento para escolher seja quem for para o cargo? Se a resposta é não, há boas razões para acreditar que estamos perante uma encenação.

A encenação em torno de Durão Barroso cumpre duas funções. A primeira é simular, sem qualquer custo, que se estão a tomar medidas. Durão Barroso já não está em Bruxelas. Apesar de ter sido um capacho de Berlim, é uma carta fora do baralho. Ninguém, nem sequer o seu país ou a sua família política, o defenderão. Foi escolhido para presidir à Comissão Europeia pelo mesmo critério que os seus antecessores e o seu sucessor: era suficientemente fraco e ambicioso para depender de quem mandasse. E fraco continua. Excelente para ser o bombo da festa. Acalma-se o povo e, sem se ter de mudar nada, a Goldman Sachs, assim como todos os restantes poderes financeiros, podem continuar a tratar dos seus negócios em Bruxelas.

A segunda função é mais geral, num momento de enorme descrédito do projeto europeu.

Era costume dos judeus escolherem um bode para sacrifício. O sacerdote punha as mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel. Depois, o bode era entregue à sua sorte, e levava com ele os pecados de todos. Essa é a função de Durão Barroso, transformado em bode expiatório da Europa.

Tem as características ideias para isso: sem caráter, sem fidelidades, sem amigos e pronto para se vender. A humilhação de Barroso tem como única função atribuirmos-lhe todos os pecados de quem o condena. Mas é como castigar alguém por passear nu pelos corredores de um bordel.

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9 pensamentos sobre “Durão Barroso, o bode expiatório do bordel

  1. Excelente escrito de Daniel Oliveira. Mais um !!
    Este escrito deveria ser lido por todos os portugueses, sem complexos políticos.
    Grande pedrada no charco político que tanto fede !!!!
    Parabéns !

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  2. Visão cristalina e percepção verdadeira, do gosto e do cheiro, apesar da densidade e da turbidez do charco. Pena que pouca gente perceba que vivemos todos aprisionados num dos vários palcos desse monstruoso teatro, onde a peça, cada vez mais inacabada, parece não ter fim…
    Parabéns!

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  3. Oh DO, naturalmente estou de acordo com o essencial deste seu texto, porque se eu soubesse escrevê-lo assim, não tenho dúvidas que, onde escreveu
    “… sem fidelidades, sem amigos…”
    eu teria escrito
    «…sem fidelidades baseadas em sentimentos e deveres, sem amigos de estatura moral, ética e intelectual elevadas…»,
    e, por certo, também teria vertido algum vinagre no tinteiro onde molhasse a pena para escrever!…
    Explico-me:
    a) O cherne, como todo o burguês e até os burguezotes, baseiam o seu espírito de fidelidade as outros humanos em IDEIAS E INTERESSES, designadamente interesses materiais que envolvam o dinheiro que, desde há muito idolatraram, e todos, mesmo os que se reclamam do catolicismo, colocaram este seu novo ídolo – o dinheiro – até acima do seu (deles, claro) Deus, ou seja, criaram outro deus, o deus dinheiro que, na sua hierarquização, colocaram em 1º lugar, acima de tudo e todos, pelo que, em consequência, o 1º mandamento que, segundo a bíblia, era “Não terás outros deuses diante de mim”, [Êxodo 20:3-17 e sua repetição em Deuteronómio 5:7-21.], passou a ter a redacção seguinte: 1º “Não terás outros deuses diante do dinheiro)”, mandamento este que, posteriormente, a seita arregimentada na ICAR transformaria em “1º Amar a Deus sobre todas as coisas”, e, assim, os “chernes” que constituem o objecto deste comentário, passaram a enunciar o 1º mandamento com a nova redacção: “1º Amar o dinheiro sobre todas as coisas”. Se não, a este propósito da idolatria do dinheiro, oiçamos o Papa Francisco:
    [«Creio que vivemos num sistema mundial a nível económico que não é bom.
    No centro de todo o sistema económico tem de estar o homem, o homem e a mulher, e tudo deveria estar ao serviço do homem, mas agora, no centro, está o dinheiro. O deus dinheiro. E caímos num pecado de idolatria, a idolatria do dinheiro. E com esse afã de ter mais, de querer mais, toda a economia se move descartando – é curioso. Há uma cultura de descarte. Descartam-se as crianças, seja porque se limita a natalidade…
    Basta olhar para a taxa de natalidade que existe na Europa. É baixíssima. Um filho, 1, 2,…
    Nenhum povo sobrevive com essa taxa de natalidade.
    Descartam-se as crianças, descartam-se os velhos. Já não servem, não produzem. É uma classe passiva.
    E ao descartar as crianças e os velhos, descarta-se o futuro de um povo, porque eles são o futuro de um povo. As crianças porque são elas que vão dar continuidade e os velhos porque são quem nos dá a sabedoria, são os que têm a memória desse povo e têm de a transmitir às crianças. Isso é descartado. E agora também está na moda descartar os jovens com o desemprego. Preocupa-me muito a taxa de desemprego actual.
    Alguém me fazia notar … não tenho os números muito presentes, que, com menos de 25 anos, há 75 milhões de desempregados, só na Europa. É UMA BARBARIDADE!…»] (em: entrevista à SIC).
    b) O cherne tem, como sempre teve, amigos e inimigos. Lembro-me, quando ele militava no MRPP, de ter amigos que com ele roubaram alguns móveis da faculdade de Direito e os levaram numa carrinha para a sede do partido, e ainda dos que não se opuseram a que descarregassem os ditos e os colocassem na sede do glorioso movimento reorganizativo do proletariado português, “adequando” assim o mobiliário ao trabalho dos intelectuais revolucionários amenizando os efeitos do consumir as energias necessárias para educar a Classe Operária (esta só do Saldanha, santo deus, e o douto Arnaldo, vaidoso, embarcou e, depois caiu, a fazer lembrar a queda do António da calçada).
    Presentemente tem outros amigos de craveiras elevadas (seriedade, honestidade, ética, moral, profissional…) que seria fastidioso descrever aqui, mas que devo destacar os mais “top”, como, por exemplo:
    O Dr. Pedro Santana Lopes, que em 1980, enquanto Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, falava insistentemente com o “sr. Silva”, então PM, nas qualidades, inteligência e capacidade de trabalho do dito peixe de águas profundas.
    O “sr. Silva” que até correu logo a condecorá-lo antes que terminasse o mandato, quando o cherne terminou as gloriosas quanto ditosas funções de marioneta do capitalismo europeu eamericano, para já não falar do que ambos colaboraram quando foi criado o “monstro do estado” (lembremo-nos do que afirmou o outro correligionário Miguel Cadilhe que foi ministro das finanças do governo do “sr. Silva”, quando se começou a falar no “monstro do estado”.
    Também o Vidente de Massamá, mais recentemente cognominado de o IRREVOGÁVEL II, jamais deixará de ser amigo do cherne; nem o DOUTOR miguel relvas; nem o exemplo de empreendedor a seguir que gira sob a designação de dias loureiro; nem os senhores doutores reitores da Lusíada e da Católica.
    E, obviamente, o grandioso quanto ditoso Carlos da Silva Costa, beirão (litoral) de gema, com tangentes a tripeiro que, o não menos grandioso e ditoso e que dá muito nas vistas, José Sócrates, ilustre “injinheiro” diplomado a um domingo, nomeou para Governador do Banco de Portugal no ano da graça de deus de 2010, e que, nessa qualidade, admitiu para técnico do Banco de Portugal, sem concurso e sem que se conheça o salário, um cherne-filho.
    A fina e astuta raposa política (na terra dos cegos, quem tem….) que gira sob a designação de o IRREVOGÁVEL I, (ministro da defesa na governança do cherne, que, numa fragata de guerra da Marinha Portuguesa foi para o alto-mar ameaçar de afundamento uma embarcação holandesa que se dirigiu para esta zona a fim de patrocinar interrupções voluntárias da gravidez (abortos, portanto) às mulheres lusas que o desejassem fazer, uma vez que em Portugal era proibido por lei), por certo não deixou, nem deixará (olha quem….vai lá vai…até a barraca abana) de ser amigo do cherne.
    E tantos outros, todos pafistas, obviamente.
    E isto só falando domesticamente, porque na estranja, o que não lhe faltam são amigos; Aznar, Blair, Bush, gente esta, caro Daniel Oliveira, que, independentemente das intenções (boas, ou menos boas, e até as ruins) dos inquilinos de Bruxelas sobre o caso cherne/GS, eu ainda tenho esperanças de ver sentados no banco dos réus para, com o Barroso, serem julgados e condenados pelos crimes de guerra e contra a Humanidade que promoveram, mentindo e inventando, consciente e premeditadamente, ao mundo.
    c) Mas nem todas as pessoas gostam, e outras há que nem apreciam muito, de cherne. Por acaso eu gosto, e lembro-me que logo na Festa do Avante a seguir a aparecimento deste rasgo de intenção eleitoralista, saboreei uma excelente “Massada de Cherne”. Aqui, e agora, cumpre um esclarecimento: tenho muito interesse por tudo o que está relacionado com a cultura, assim como gosto de política, pelo que não posso faltar a um evento que considero a maior manifestação cultural e de intervenção política que, anualmente desde 1976 (excepto 1987), se realiza no meu país, se bem que, não vou lá porque me quero candidatar a qualquer coisa, e lembro-me de, em 2015, lá ter visto o actual PR que, acho eu, só lá foi porque, como ele nos confessou, “eu venho da esquerda da Direita” e, efectivamente, aquela Festa é uma “coisa” de esquerda…
    Assim, lembraria alguns dos inimigos (ou, não amigos), de sua excelência o cherne:
    O Grande Educador da Classe Operária, que ao ver a referida carrinha com o mobiliário roubado na Faculdade de Direito, ordenou ao pré-cherne que, de imediato, fosse colocar o furtado no sítio devido, tendo, a partir de então, o saudoso (gosto de rir, e acho que faz bem ao ego…) Dr. Arnaldo de Matos, jurista de formação e Director numa das maiores multinacionais da área do petróleo, iniciado uma autêntica “pesca ao cherne”, dentro do partido, e, depois de mais umas quantas ilicitudes cherneanas, o pobre do Zémanel foi expulso do partido por ser considerado um indesejado ilicitador, ou seja, que cometia ilicitudes que eram contrárias ao espírito e prática de um partido como o MRPP. Mas como tudo na vida é um tipo de moeda (tem cara e coroa, ou seja, duas faces), quem diria que o Grande Educador viria a merecer os agradecimentos e a maior amizade, estima e consideração do dito cherne?!?!?!?!…é que se não tivesse sido corrido do partido, provavelmente o camarada “zémanel” não teria tido a ascensão meteórica que teve. Pois é, toda a coisa contém em si, o seu contrário!…
    Todos os militantes da UEC eram então, como hoje são, e amanhã serão, inimigos (não amigos) do então marxista leninista maoista, ainda há pouco Presidente da CE,e agora assalariado bancário internacional, que gira sob a sigla de José Manuel Durão Barroso.
    Ouso supor que a maioria dos lusos votantes que constituem o chamado Zépovinho, também, se alguma vez chegaram a gostar, já deixaram de gostar de cherne.
    Uns quantos “camaradas burgueses e capitalistas” que mamam mais em Bruxelas, também estão a virar o bico ao prego e já dizem que, afinal, o cherne, para além de cherne, é lobista, o que, eu acho, não é de amigo. Mas cuidado, oh Zépovinho votante, olha que o CDS, o PPD e o PS, quando se apresentaram em 1975 ao eleitorado, todos tinham nos seus princípios programáticos o vocábulo “socialismo”, uns adjectivavam-no de “humanista”, outros de “reformista, personalista com carácter não-confessional”, e o partido dito socialista adjectivou-o de “em liberdade”. Por isso, cuidado com esta gente sem vergonha, pois, com mais de 92% dos votos expressos em 1975, todos estes “socialistas de boca” contribuíram para a elaboração de uma Constituição Normativa que, mesmo à luz das teorias de Kelsen (o pai e a mãe do “CORPO NORMATIVO” burguês onde assenta o Direito Positivo e caracteriza os pomposamente designados por “Estado de Direito”, sem lhe acrescentarem o “capitalista” e o “burguês”), constituiu-se na CR mais progressista do chamado mundo ocidental, CR esta que foi aprovada apenas com os votos contra dos 15 deputados do CDS, por defenderem o “socialismo humanista” e a dita LEI DAS LEIS explicitava claramente que a sociedade a construir em Portugal era uma sociedade socialista, sem graus nem adjectivações. Não obstante, logo no II Governo Constitucional, o grande democrata e socialista de m@rda que gira sob a designação de bochechas, para se manter no poleiro e ter acesso ao pote, meteu o socialismo na gaveta, deve tê-la fechado à chave e deitado estas ao mar, porque nunca mais ninguém abriu a dita cuja, nem, sequer, o bochechas-filho se preocupou em encontrar as chaves, preferindo ir sorvendo os inputs de cultura paternos que lhe permitem ameaçar jornalistas de lhes dar umas bofetadas, apreciar o marfim angolano… e aí temos o resultado bem evidenciado na dramática situação em que nos encontramos agora, e desde há uns tempos a esta parte.
    Por tudo isto, cumpre-me perguntar: Onde está estranheza de comportamentos deste tipo, se prevalece o capitalismo como sistema económico-social dominante (que, por sinal, o DO não ataca nem combate, convive bem com ele, tem amigos anti-tudo o que não seja capitalismo, com quem ajuda a adormecer o Zépovinho, em programas como o célebre Eixo, é colunista pago por um grupo que tem à frente um dos grandes “sociais democratas” e que também já teve oportunidade de viver bem junto do pote, etc., etc. )???
    Que podemos esperar de diferente? Mas será que os ocupantes de Bruxelas declararam guerra ao Durão? Será que mudaram de barricada? Será que viraram anticapitalistas? … Olhe que não, olhe que não, diria eu.
    Tudo isto é lamentável, e faz lembrar-me da quadra do meu querido e saudoso Barbosa:
    A vida é filha da puta,
    a puta é filha da vida!
    Nunca vi tanto filho da puta,
    na puta da minha vida!…

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    • Só um pequeno avivar de memória ao Anticapitalista Incorrigivel: lembras-te de umas celebres eleições para a Presidência da República em 1985,em que os camaradas,durante a campanha eleitoral utilizaram todo o género de insultos chegando mesmo à agressão ao “bochechas” a quem chamavam juntamente com Freitas do Amaral “os dois candidatos da direita”, E QUANDO CHEGOU A HORA DA VERDADE o camarada Cunhal suplicou-vos que fossem lá por a cruzinha e se não quisessem ver a cara do tal “bochechas” candidato da direita, tapassem a foto no boletim de voto, mas por favor vão lá engolir o sapo! Pois é, tinha chegado a hora da verdade….
      Outra verdade,foi o socialismo na gaveta,mas não tardou muito para a União Soviética,mais os restantes países da chamada Europa de Leste,o deitassem para o lixo,incluindo a China que à mistura com a famosa repressão comunista,criou um dos capitalismos mais selvagens que actualmente se conhecem. Haveria muito mais para dizer mas por aqui nos quedamos Sr.Anticapitalista Incorrigivel.

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  4. Brilhante análise, tem toda a razão, vc é um pouco excessivo às vezes, porque fala demais mas mas é um analista superior, um pensador de águas profundas.

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  5. Não posso estár mais de acordo com o Daniel. A maioria dos políticos são coniventes com os tachos e amiguinhos da corrupção ! Só uma ” Varridela total ” para restituir a verdadeira democracia a Portugal…

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