Assim vai o mundo

(Joseph Praetorius, in Facebook, 05/07/2015)

Joseph Praetorius

   Joseph Praetorius

Numa Weuropa posta a ferros (financeiros) testa-se hoje, na Grécia, a resistência política das soluções adoptadas, as que já falharam na América Latina contra a qual se lançam hoje as estratégias de sedução: os USA restabelecem relações diplomáticas com Cuba e Francisco de Roma inicia hoje a digressão que exibirá o seu sorriso humano em toda a América do Sul.

A África sub-sahariana tornou-se um objectivo, porque os chineses estão em toda a parte e a Weuropa em parte nenhuma; e aí temos Hollande rastejando em Luanda por mil milhões de euros que, de resto, conseguiu. Nessa mesma África porém, pairam as sombras do Estado Islâmico, prodigioso mistério da política externa americana, que estende a sua sombra ameaçadora da Argélia ao Afeganistão, passando pelo controlo territorial de vastas zonas do Iraque e da Síria, fazendo-se notar até nos Balkans e anunciando-se no Cáucaso.

Na margem noroeste do Mar de Azov prossegue o drama ucraniano, com uma retirada surpreendente das milicias em frente a Mariupol, parecendo hoje evidente que deixou de haver Ucrânia cuja unidade a ocidente e a leste possa manter-se a ferro e fogo na mais negra miséria.

A serena Rússia exibe à Polónia e aos baltas uma prefiguração do que seria a vida deles sem ela. E a UE ainda não se deu conta de que não pode arrostar com os custos de um confronto de que se imagina capaz estando, como está, integralmente dependente da compra de energia àqueles a quem imagina poder conter, se não mesmo vencer. A construção dos gazodutos para a China e para a Weuropa corre a bom ritmo. A Turquia e a Grécia descobrem assim interesses comuns que podem – já não era sem tempo – impor a paz entre ambos com fundamentos muito pragmáticos e isso não é pequena utilidade.

Ao FMI opôem-se soluções em alternativa que já começaram a funcionar, mas que dependem evidentemente da capacidade de resistência política dos países cooperantes dessas novas soluções. As conspirações estão ao rubro em todo o lado. Os serviços de inteligência trepidam e os seus agentes transpiram.

E neste curioso momento, a Grécia emerge da irrelevância do indigente e atnge a glória do nobre rebelde, ao alcance de cuja galhardia estão alguns pontos nevrálgicos do projecto de dominação em curso – mas em refluxo – e hoje, ao fim do dia, teremos ideias mais claras sobre a consistência das forças no terreno. Mas os confrontos atingiram uma fase onde se espera o desempenho de pessoas normais. Creio que acabou a fase das nobrezas palatinas de eunucos e das cortesãs mais envilecidas que envelhecidas. (E que curiosa fase, esta).

As direitas tradicionalistas (posição sobretudo moral) e as esquerdas liberais (outra posição sobretudo moral) convergem em atitudes comuns de resistência contra a miséria imposta pela especulação financeira e pela trama de corrupções que sustenta e onde se sustenta. Os estupores das velhas e os seus bandos de capões parecem já coisa passada. Assim o consinta O Clemente.

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Um pensamento sobre “Assim vai o mundo

  1. Não esquecer nessas metafisicas deambulações geoestrategicas a exemplar relação de cooperação entre dois nobres membros da Nato(Turquia e Grecia). Julgo que agora com o Tsipras é que a UE fica bem guardada dos perigos terriveis naquela vital região!!!

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