O 25 de Abril que Novembro traiu

(Manuel Duran Clemente, in Resistir, 07/04/2025)


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Os fantasmas de todas as revoluções derrotadas, ou desvirtuadas, ao longo da história, renascem sempre em novas experiências, assim como os tempos presentes foram engendrados pelas contradições do passado. Parafraseando Eduardo Galeano: “a História é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi anuncia o que será. A memória é subversiva por ser diferente, e também projecto de futuro”.

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49 anos para montar um espectáculo deprimente e parolo

(Por oxisdaquestão in Blog oxisdaquestao, 25/11/2024, revisão da Estátua)


(O 25 de Novembro já passou, mais as suas polémicas “comemorações”. Mas, devido à qualidade deste texto na descrição que faz do país e de como aqui chegámos, não hesitei em o trazer para aqui. Parabens ao autor, oxisdaquestao.

Estátua de Sal, 28/11/2024)


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Passaram 49 anos para conseguirem montar o espetáculo deprimente de louvor a um acontecimento que fez do país um espaço de submissão aos EUA, à CEE, à CIA e aos alemães que, com o tempo, desapareceram engolidos pela direita transatlântica.

Cantaram o hino que soou a Stars and Stripes, a Good Save de queen ou ao indicativo dos jogos da UEFA saídos pela televisão. É que somos ecléticos e sabemos escolher!

O salazarismo pós-Salazar, sem ele, e marcelista com o Marcelo de hoje, regozijou-se com a data e o que ela representou: Kissinger, Soares, Carlucci e os militares de direita tipo Jaime Neves cruzado com o heroico Eanes da chaimite ao vento, foram os autores do guião com o qual se prestou homenagem, numa reunião de ratas saídas do seu bueiro ao longo de 49 anos. Temos o fascismo connosco, visto e ouvido no nosso Bolsonaro de Xabregas, apoiamos com dinheiro, fardas e tanques de guerra os nazis a soldo da NAT, com capital em Kiev, Londres, Paris e Washington. Temos o nazi-fascismo no nosso meio e prestamos-lhe homenagem.

Deram-nos autoestradas para que comprássemos Mercedes e BMW’s e financiaram o negócio da importação de carros; deixaram os bancos ganhar o que puderam com a venda de casas; levaram-nos a indústria para que comprássemos no estrangeiro; deixaram-nos ser empregadas/os de mesa e camareiras dizendo-nos que o (all)garve é o nosso cú da galinha; deram as pescas aos espanhóis, com melhores barcos; produzimos as hortaliças e a pera rocha das nossas grandes superfícies mas não temos verdadeira soberania alimentar; descobriram-nos o lítio e Sines.

 Impuseram-nos um Primeiro-ministro bacoco e estão à beira de nos presentearem com um Milei fardado de almirante de deus-tomaz, como o outro; demos o escudo em troca de um euro que valia um marco e passámos a fazer contas em cêntimos que valem os nossos olhos da cara; a nossa riqueza passou a crescer 1,5% ao ano – quando calha de aumentar e não é comida pela inflação; não conseguimos criar mini empregos como a Merkel e por isso há quem trabalhe e seja pobre ou se sujeite a uma precariedade sem fim para ter algum dinheiro.

E mandam em nós através da dívida, conferem-nos os orçamentos e estão prontos a destinar os tais 2% ou mais para os negócios de armas que os gringos impõem aos otários com as suas guerras intermináveis por todo o mundo enquanto o SNS se esvai e o investimento público não existe.

Incapazes de terem uma qualquer manifestação de apoio popular, fecharam-se na AR e transmitiram pela televisão o que se não viu, nem podia ver nas ruas. Fradescos e hipócritas cantando a Portuguesa, mais desafinados que o CR7 e seus acompanhantes no início dum jogo da seleção. Não admira: deram-nos a TVI com todos os Gouchas e Big Brothers possíveis, a SIC com as suas intermináveis telenovelas de fancaria, os canais de informação onde é a desinformação e as merdices da NATO que imperam.

Ainda não eliminaram a Constituição de 1976 mas já a desfiguraram com códigos do trabalho escritos por lacaios e tipos da UGT, para os capitalistas e os seus lucros, os seus Teslas, os seus iates e mansões nas Rivieras dos vários continentes. É o que lhes falta e o tributo em dívida a Kissinger, Soares, Carlucci, Neves e Eanes. Sobretudo Soares, o da gaveta e das reuniões na embaixada ianque.

49 anos para aparecerem como ratas. Na AR, sem o menor pudor e com um discurso de mais um Marcelo das conversas em família, agora atualizado…

Fonte aqui

Não lhes pergunto onde estavam no 25 de novembro

(Raquel Varela, in Facebook, 25/11/2024)

Pacheco Pereira, Irene Pimentel, José Manuel Fernandes, Helena Matos

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É divertido ver hoje escrito por Pacheco Pereira, Irene Pimentel, José Manuel Fernandes, Helena Matos – e tantos outros, sem nunca citarem – a minha tese de doutoramento sobre o papel do PCP na Revolução.

Quando a defendi o júri foi, uma parte dele, duríssimo, como eu nunca tinha visto um júri. E a reação destes dois historiadores e dois jornalistas foi de um enorme incómodo, para ser delicada. O tempo é sábio. Foi publicada em 2011. Não precisam de me citar, vivo muito bem com o livro, o que lá está já ninguém apaga.

 Na inquisição das disputas políticas em geral ataca-se pessoas, ignora-se a sua existência ou finge-se que as ideias são novas. Um país com escassos quadros e todos dependentes do aparelho de Estado é assim. Os quatro apoiaram o 25 de novembro. Não porque, como alguns, foram perseguidos pelo PCP, mas, como o tempo o demonstrou, queriam estar ao lado do aparelho de estado.

Não, o PCP nunca quis fazer uma revolução em Portugal. Queria Angola e a reforma agrária. O 25 de Novembro foi o cerco à democracia popular com a desculpa – do PS – que era para evitar uma ditadura soviética.

O que acabou em 25 de novembro foram 19 meses de democracia participativa como nunca se viveu antes na história de Portugal. A contra revolução não nos “salvou” de uma ditadura soviética, impôs sim um regime de democracia formal nas eleições, e ditadura, cada vez mais severa, nos locais de trabalho, retirando a voz a quem nas fábricas, escolas, hospitais e serviços geriu ( com uma eficácia sem paralelo) este país por 19 meses mostrando que era possível viver de outra forma.

Não lhes pergunto onde estavam no 25 de novembro claro, já sabemos, mas onde estão hoje face à NATO e a Israel. Porque é isso que se debate na AR a propósito do 25 de Novembro. Onde estão, hoje, face ao rearmamento da Europa e ao genocídio em Gaza?