A guerra são os negócios por outros meios

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 15/07/2024)


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O atentado contra Donald Trump é uma comprovação. Os Estados Unidos são um estado cuja identidade é o negócio e, logo, a guerra. O bipartidarismo em que se expressa o domínio de uma oligarquia sobre outra é uma luta entre dois campeões de negócios. Tradicionalmente, os Democratas representam as oligarquias financeiras e os setores exportadores, especialmente as indústrias do entretinimento e a dos armamentos. Os Republicanos têm a sua base tradicional nas oligarquias associadas ao mercado interno, à agricultura e ao evangelismo.

O que está em jogo nas próximas eleições é a vitória da oligarquia que lucra com a imagem do capitão América nos cartazes e nos ecrãs de todo o planeta e com a venda de equipamentos militares e afins – a América que vive dos conflitos – ou a vitória da oligarquia que defende o mercado interno e depende dele, que joga pelo seguro de um mercado fixo de 400 milhões de consumidores, que se quer reindustrializar.

Biden representa a oligarquia de export e Trump a oligarquia que joga pelo seguro em tempo de crise: que se fecha sobre si para fazer a América grande antes de se meter em aventuras. 

Os financiadores da campanha de Biden necessitam da guerra na Ucrânia e sentem esse manancial de lucros em risco, com a derrota do seu campeão. O desespero é mau conselheiro. O atentado contra Trump seria sempre vantajoso para este. Mesmo que, com uma rebuscada teoria da conspiração, os democratas tentassem apresentar o ataque como uma habilidade à Bolsonaro, com a auto facada, os republicanos poderiam e estão a fazê-lo, passar a mensagem de que o atentado se deve à incúria, ao desleixo e até à cumplicidade das forças debaixo do comando dos democratas. Os democratas estão entre o fogo e frigideira: Trump vítima real é mais forte. Trump vítima fictícia também é mais forte.

Os europeus fazem em qualquer caso papel de papel higiénico. O que pode fazer a União Europeia e o Reino Unido para levar Biden a parecer vivo? Decretar mais sanções à Rússia? Incentivar Netanyahu a arrasar rapidamente a faixa de Gaza, e a enterrar os palestinianos que ainda lá sobrevivem para que a tragédia saia dos ecrãs das televisões? Assassinar o novo presidente do Irão? Lançar uma bomba nuclear tática na Crimeia? Provocar um incidente com um submarino russo no Mar Báltico? Convocar um grande conselho de estrategas portugueses com os doutores Nuno Rogeiro, Paulo Portas e José Milhazes, mais a doutora Ferro Gouveia e o general Isidro para decidir o caminho a seguir?

Se, como lemos, Hollywood retirou o pagamento e a propaganda a Biden, se a Lockeed Martin (fabricante dos F16 e dos F35) e a Boeing (fabricante de aviónicos) fizeram o mesmo, se Elon Musk está a equacionar desligar os satélites que tem sobre a Ucrânia a dirigir os seus misseis e antimísseis – se não há dinheiro, como manter o espetáculo da campanha de Biden no ar? 

Há duas américas, pelo menos. Os burocratas de Bruxelas e os mordomos ingleses apostaram as suas fichas no circo que anda em tournée e esqueceram-se dos rodeos.

Uma espécie de matrioska invertida

(António Gil, in Substack.com, 14/07/2024)

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 Cada absurdo, nos tempos que vivemos, parece esconder um absurdo ainda maior.

Alguns de nós ganharam esse hábito (ainda saudável, acho) de procurar explicações lógicas para os eventos. O problema disto é que de há algum tempo para cá, por insistência da elite e dos media seus lacaios, toda a lógica – parece ter sido abandonada.

E isto vale até para o que são os interesses da própria elite. Os donos desta parte do mundo perderam a noção do que devem fazer para manter seus privilégios? É pior que isso, muitas vezes parecem atuar – involuntariamente, decerto -contra seus interesses.Tudo se passa como se, tendo-se habituado a manipular a realidade, acabassem por acreditar nas suas ficções, tão ou mais que seus cegos seguidores.

É o caso – mais uma vez – da tentativa de assassinato de Trump. Acho que já podemos chamá-la assim porque houve fogo real, uma vítima mortal e feridos entre os o público e uma bala, pelo menos, passou demasiado perto da cabeça de Trump para ser um falhanço propositado.

A menos que se acredite que – mais uma vez e confirmando um padrão americano bem velhinho – foi tudo obra de um maluquinho agindo sem ajuda de ninguém – esta tentativa não é passível de nenhuma explicação lógica, porque não beneficiaria nenhum dos lados. 

Trump não precisaria, em princípio, de um tal golpe para se fazer eleger. E de resto, não morreu –segundo se diz – porque desviou a cabeça acidentalmente no instante decisivo, para olhar para o sector direito do seu público. Se o propósito era simular um acto falhado, jamais a bala passaria tão perto.

E os democratas? Arriscariam uma guerra civil ou, no caso de falhanço, reforçar o seu adversário como aconteceu? No início eu pensei que foi pura intimidação do deep state para lembrar Donald quem manda. Mas agora diz-se que há poucas dúvidas que o disparo era para matar. Será que quem puxa os cordelinhos desejava mesmo uma Guerra civil? Numa altura em que os EUA já têm problemas externos e internos de sobra?

Talvez, mas é muita loucura, se for verdade. E continua a ser muita loucura se os Democratas estiverem por detrás disto. Será ainda total maluquice se foi um simulacro levado a cabo pelos Republicanos. Mas o facto é que vivemos num mundo regido por doidos varridos e eles estão em todo o lado, todos os partidos, todas as instituições e mesmo entre os desalinhados.

Ainda não me habituei totalmente a essa realidade mas talvez tenha de considerar que há lógicas (muito cruéis e irresponsáveis) que talvez a própria lógica desconheça.

Fonte aqui.

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O atentado mais que previsível

(Raphael Machado, in X, 14/07/2024)

Era absolutamente previsível que tentariam matar o Donald Trump esse ano. É plausível que essa seja apenas uma das tentativas que ocorrerão nos próximos meses.

Em casos desse tipo, o culpado mais provável é sempre a CIA, que já possui experiência com assassinato de presidentes estadunidenses (aliás, o próprio Trump insinuou que acreditava que a CIA foi responsável pela morte do Kennedy e já comentou sobre revirar esse assunto quando voltasse à Casa Branca), ou o FBI, que teria interesses específicos na morte do Trump por uma promessa legislativa dele de desmantelar o órgão.

Em situações do tipo é irrelevante se a pessoa que dispara a arma sabe que está trabalhando para uma agência de inteligência. A realidade é que a maioria dos operativos diretos de agências de inteligência nem sabe que é um.

O caso aí nem é do tipo em que o Trump é “inimigo do sistema”, mas um no qual a tensão é tamanha e as apostas são tão altas que a estrutura oculta de poder já não aceita nenhum passo atrás ou tergiversação em seus planos.

Se pensarmos mais adiante, não importa que a tentativa de assassinato não foi bem-sucedida. É previsível que, mesmo fracassada, ela seja um estopim para uma reação violenta de setores radicais do trumpismo; e essa escalada pode ser funcional para o governo federal aumentar as restrições de liberdades políticas.

Bem, não são poucos os analistas que têm cogitado, já há algum tempo, um adiamento por tempo indeterminado das eleições dos EUA, recorrendo-se a algum truque ou medida de emergência por causa de uma “ameaça de terrorismo político”.

Há alguns meses, um relatório conjunto de todas as agências de inteligência dos EUA (analisado por mim), “previa” a proliferação da violência política nas vésperas das eleições presidenciais, e que isso teria que ser enfrentado com firmeza pelo governo federal.

Enfim, de uma perspetiva eleitoral, Donald Trump é genial em capitalizar em cima de tudo que o cerca, de vitórias a derrotas, de avanços a vitimizações. Bem, ele foi um cara que conseguiu viralizar o próprio “mugshot” e que o ressignificou como símbolo de orgulho de “perseguido político”.

Trump alvejado, com rosto ensanguentado, durante um comício político, com a bandeira dos EUA ao fundo, é um símbolo poderoso que ficará gravado no imaginário do seu eleitorado.

Se já era difícil os democratas levarem a sua avante, agora, com esse tiro, mesmo tirando o Biden fora e botando o Barack Obama (para nem falar em Michelle) a vantagem é toda do Homem Laranja, quase “martirizado” pelos “inimigos da América”.


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