DE INSUBSTITUIVEIS ESTÁ O INFERNO CHEIO…

(Joaquim Vassalo Abreu, 26/05/2018)

joanamarques

No fundo o que acaba por ditar o conteúdo de muitos dos meus escritos são, aparte dos assuntos que preenchem o momento, pequenas frases que leio ou vejo e onde consigo vislumbrar algo que diz respeito ou a um sentimento comum, por vezes, ou a uma tendência, outras vezes.

E hoje e agora, abstraindo-me do Congresso do PS, onde tudo o que for dito já era por mim esperado, dei por mim a ler um “post” do qual infelizmente perdi o rasto (apareceu, li, voltei a procurar e…nicles!) e que dizia, no essencial, que mexer agora na Procuradora Geral da República era provocar o caos e a confusão…Mais ou menos assim…

E eu perguntei-me logo: e substituir o Presidente? E o Primeiro Ministro? E o Líder da Oposição? E o que manda no Tribunal Constitucional? E se algum deles partir para outra ou falecer? Como é?

Pois é, concluo que quem manda são o interesse ou os interesses momentâneos. E o problema é que nunca ninguém se lembra, opinadores, jornalistas encartados, teóricos do momento, porta vozes arregimentados e muitos mais que, estando-se num cargo público, se cumpre uma missão e se interpreta a lei, mas nunca se é dono nem desta mesma lei nem do lugar que se ocupa!

E daí sermos forçados a concluir que um dos grandes défices da nossa Democracia é o da arregimentação de alguém para algum lugar onde é suposto cumprir os ditames de quem pela sua nomeação pugnou! Isto para ser assim a modos que benevolente…

E porque, na verdade, para mim que me considero um ingénuo e ainda estou convencido que quem é eleito ou nomeado para um qualquer cargo, a sua nomeação deriva da sua comprovada competência, do seu curriculum vitae e das suas qualidades de independência e probidade, custa-me acreditar que alguém defenda a continuação de alguém que exerce um cargo porque esta é precisamente acusada de parcialidade ou de inoperância.

Esse simples facto, para além de deixar em muitos a sensação de parcialidade, também convoca a ideia do exercício de um cargo que, alheio a todas as irregularidades (fugas ao segredo de Justiça, escutas indiscriminadas, Ministério Público em roda livre, Imprensa a substituí-lo, e tudo à luz do dia…) procura um desiderato ou a satisfação de alguém. Torna-se num cargo pré-destinado”!

Esta é a minha análise, que felizmente não é só minha, mas uma análise que a maioria dos políticos abjuram, mesmo sabendo ser esta minha análise válida. Não querem é confusões e o que unicamente desejam é nunca virem a ser incomodados por algum desses excrementos da Imprensa e de Jornalismo.

Mas porque raio de razão não pode ou deve ser substituída se todos neste mundo somos substituídos e, acima de tudo e em regra, quem nos substitui se mostra melhor que nós? É o receio da mudança?

No fundo é! Têm medo que as coisas mudem? Que os métodos se alterem? Que a impunidade instituída acabe? E que se faça Justiça, mas uma Justiça sujeita aos ditames presentes nas actuais leis (e se não concordam então mudem-nas…) e não na “vox populi” que promovem e que os albergam de mantêm nos cargos?

Definitivamente não, e um Procurador ou Procuradora Geral da República tem que ser alguém que, ao mesmo tempo que zela pela preservação das suas leis e do seu cumprimento, agindo contra quem, pelos seus actos prejudica a mesma República, seja independente de facções, de credos ou de interesses e plenamente equidistante de quem da sua postura se quer aproveitar.

Por isso, qualquer testemunho de apoio ou renega de quem se opõe, deveria ser liminarmente rejeitado e, não o lapidarmente sendo, carregará em si um sinal de inoperância e de manietação.

Donde: NÃO SERVE!  E, se faz o favor, deslargue, tá?

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O HOLOGRAMA DA MÚMIA!

(Joaquim Vassalo Abreu, 25/05/2018)

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A Múmia voltou e voltou sob a forma de um holograma, isto é, não se sabe bem de onde veio, em que sarcófago estava, nem o que estava ali a fazer, mas deu para notar que estava preso por pinças e por adesivos transparentes e translúcidos que lhe davam uma forma aparentemente real, mas a que faltava algo: substância e corpo!

A substância ou o conteúdo, que definem a oportunidade, não estavam presentes e o seu aparecimento, vindo de uma tumba qualquer, exalou um cheiro tão nauseabundo que até as palavras que proferiu, em tom de ameaça como sempre, como se o seu reaparecimento isso o fosse, se sentia estarem envolvidas em enxofre. Terá vindo do inferno mandatado pelo demo?

E o que ele disse, em suma, foi: se votarem a favor da Eutanásia eu não voto em vós…

Não fiquei incrédulo com o que disse, pois incrédulo apenas fiquei com o seu reaparecimento e mais até com a forma, como antes disse. O que ele disse é para mim completamente irrelevante, mas não é tão irrelevante a dita forma.

Se repararam, à sua frente na secretária de onde a custo retirou a cábula que leu, em voz grave e de um pretensiosismo ameaçador de fazer ir às lágrimas, estava visivelmente ostensivo um placard com o seu nome: Prof. Dr. Cavaco Silva!

Que terá passado pela sua já desfragmentada cabeça, ou na de quem o “ameaçou” para o fazer, ao colocar aquilo? Com o medo de, colocando lá assim à americana, um “Former President”, não ser reconhecido? Colocando um “Former Prime Minister” levar com ovos ou tomates? Só poderá para mim ter sido para, à semelhança do actual, ser lembrado como Professor! E Dr., é claro!

Mas eu pergunto, a ver se alguém me responde: mas alguém se lembrará dele como Professor? Quantos anos terá dado aulas? Que terá ele escrito de relevante para a ciência económica? Pois, mas ele quer ser lembrado, ou quer que se recordem dele, como Prof. Dr.!

Mas foi pior a emenda que o soneto! É que em ambas as situações tudo cheira a mofo, tudo cheira a podre e tudo cheira a enxofre! É que poucos o recordarão na nossa História pelo que académica e politicamente exerceu, mas a grande maioria pelo seu farisaísmo insanável, pelo seu reaccionarismo militante e pela sua vacuidade absoluta.

Como pode um ser de pensamento tão vetusto como o do regime que apoiou, vir-nos dar, ainda por cima em tom ameaçador (com o fogo dos infernos onde certamente habita), lições sobre a Nossa Liberdade Individual e o de que fazermos com a nossa Vida?

Disse ele, ainda, e em jeito de resumo da sua explanação, que “a Eutanásia é perigosa”! Assim como o Aborto, o Casamento Gay, a Mudança de Sexo, os Direitos das Minorias, a Igualdade de Sexos, a Lei da Adopção….etc e etc… são perigosos, perigosíssimos até, diria eu! Como doloroso é muitas vezes viver e ainda mais doloroso morrer-se em sofrimento.

Ser-se, em nome não sei de quê, contra a liberdade individual de se escolher partir desta vida sem sofrimento não adiando o inadiável, só de cabeças de mentes tão farisaicas e hipócritas como as das “madames” de antanhos que recorriam amiúde a “serviços externos”, em Espanha e não só, para fazerem abortos e depois apareciam a rezar contra o mesmo de cartazes em punho…

Vote lá no sua Cristas à vontade, homem! Estão muito bem um para o outro! Recomendo, sim senhor!

O (NEGÓCIO) FUTEBOL E OS TEMPOS

(Joaquim Vassalo Abreu, 19/05/2018)

futebol

Seria natural que antes fosse “espectáculo”, porque disso efectivamente se trata, e só depois um negócio. Seria, mas deixou de ser.

Mas antigamente o “negócio” era transparente e puro? Os anais dizem-nos que nem por isso e contam-se mesmo mirabolantes histórias!

Lembro-me de ouvir pela rádio em pequeno, no tempo dos transístores, que determinado clube precisava de ganhar por 28-0 (!) para não descer e, por artes de magia, ganhou por 29-0! Esse número ficou-me e lembro-me de há uns anos ouvir à entrada do estádio do Dragão um repórter perguntar a um espectador prestes a entrar qual o seu prognóstico para o resultado!

Eu estava atrás dele e com a minha resposta pronta se me interpelasse. Sorte a dele e azar o meu! É que se fizesse a mesma pergunta ter-lhe ia respondido: 28-0! Ele teria dito de imediato: Está a brincar? E eu responderia: Não, o senhor é que está a brincar comigo! Teria sido bonito…

Eram tempos surreais, tempos dos campos pelados, tempos de jogadores rijos e indomáveis e tempos das rádios! Tempos do “atenção Nuno, perigo no Barreiro” e das quase nulas transmissões televisivas. E tempo dos jornais também…E tempos da Capital possuir o unilateral mando! A Capital do Império…

Depois o “negócio”, que não o “espectáculo”, foi-se sofisticando, foram as leis se alterando, foi-se entretanto jogando e os vícios se aperfeiçoando…E veio a luta Norte Sul pelo seu domínio. É que antes o “negócio” quase só se circunscrevia à Capital, a Capital do Império…

E veio a Revolução e com ela um Pedroto disposto a deixar de ser “Andrade”, atravessar a ponte e conquistar a Capital, a ex- capital do ex-império.E com ele chegou um Pinto da Costa vindo do Boxe (estão a ver?), mas um tipo oriundo de boas famílias, de verve esfusiante, de piada fácil, acutilante e cortante e, acima de tudo, disposto a tudo fazer para mudar a Capital do “negócio” para o Porto! E com ele chegou a “fruta” ao  dito…

Entretanto uns puritanos verdes, de bigodinho curvo a pasteis de nata, olhavam para os seus umbigos e sentiam-se espantados com tanta desfaçatez naquele “savoir faire”!

Mas, mais tarde, já para os recentes tempos, veríamos ressurgir o outro da segunda circular, disposto também a recuperar o mando no “negócio”, pela mão de um tipo vindo ali de Alverca que, depois de uns falhados candidatos a “padrinhos”, assumiu com mão de maleável borracha, não tivesse ele vindo do negócio dos pneus, o comando da “empresa”. Radicou-se entretanto na Expo e, depois de fazer fortuna, para lá de um pequeno “furo” no BPN (17 milhões, que é isso?) espetou um autêntico “taco” ( há quem lhe chame “calote” e outros mesmo de “rombo”, no BES (Novo Banco) de mais de 600 milhões…trocos!

Mas isso comparado com o “furo” do Sócrates são apenas uns trocaditos, digo eu agora a tentar ter piada!

A diferença com o anterior descrito, o chamado “Rei” do Norte ou “Pinto Rei”, é que este ao menos sabe dizer Poesia, é de ironia fácil e não consta ter dado alguma vez “rombos” desses! Por favor, deixem-me pôr as coisas no seu lugar…é que este até gosta de Ópera!

Até que dos lados dos “viscondes” aparece um “paisano”, um pássaro de arribação impetuoso e de bico grave, um autêntico valentão. Sabe-se que também vem de boas famílias e que é perito em falir empresas (se os outros falem eu também falo, ora…). Diz-se que, com aquele célebre acordo com a Banca, terá salvado o Clube dos Viscondes da insolvência. Pois, mas voltou aos velhos hábitos e não consta que diga Poesia e piada não tem nenhuma! E faz-me, assim de repente, lembrar o célebre romance do grande GABO: “ O General no seu Labirinto”! Mas, será ele também contralto?

Mas é então esta gente que quer dominar, à força toda, o tal “negócio” do futebol, o tal que se deveria restringir ao “espectáculo”? Esta tal gente que noutros países já há muito foi banida, com o retorno do tal “espectáculo”? Na Inglaterra, primeiro exemplo, e até na insuspeita Itália. Em Espanha o presidente da federação foi preso e esquecido. E o “espectáculo” segue e os presidentes juntam-se, jantam, falam e vêm o “espectáculo” lado a lado. E os “teatros” estão sempre cheios, porque sem “espectáculo” não há assistências…torna-se um sítio cheio de lugares vazios…

Mas chegamos ao derradeiro tempo, o nosso tempo, o tempo da chafurdice, o tempo da impunidade e do nojo, o tempo de uma louca Justiça que ao invés de julgar esse nojo o protege e em que para a opinião pública devidamente demarcada já não interessam os crimes dos anteriores mas apenas os do último que, como sempre, se torna o fácil alibi para todos os outros. É o último, o desgraçado…

E os anteriores ainda vêm pedir justiça pois este os prejudicou…foi além do que devia, o desgraçado!

E depois há também o costumeiro “afinal são todos iguais…”quando, por falta de mais argumentos para defenderem os “seus”, se utiliza este velho refúgio que, no fundo e no essencial, quer dizer “ não se pode fazer nada, é assim e assim será e, apesar de tudo, eles continuam a ser os meus…”. E até dizem, estes ingénuos, que o clube é deles! Também estes são todos iguais, agora digo eu…

E neste degradante estado do “negócio”, um estado onde tudo isto estagna no pântano desse depravado sistema, há uma autêntica “tríade” procurando chefiar o “negócio”, ser o “padrinho”, é claro,  e chefiar todos os “capos” ao seu serviço…E nas Máfias estes matam mesmo…

E voltamos sempre ao mesmo: ao banditismo, às seitas organizadas e aos agentes procurando migalhas. Triste sina a deste “espectáculo”. E não se mudam os tempos?

Li algures que o Presidente da República, o seu melhor amigo o Dr. Eduardo Barroso, o deste amigo também Ferro Rodrigues, que é a segunda figura do Estado, o Dr. Sampaio que já foi PR, o seu irmão Daniel que nunca foi, mas é Psiquiatra, e mais uma série de viscondes, de barões e de  baronetes, e mais outros que usam bigode à pastel de nata e ainda outros “agro-betos” que por lá pululam, se sentem “constrangidos”, “desanimados”, “envergonhados”, ”apalermados”, “angustiados”, “embasbacados” e “preocupados”…

A mim só me surge dizer: “COITADOS”…