(Lucas Leiroz, in S. C. F., 07/10/2026)

Lula falhou em atender às demandas do povo – e agora enfrenta as consequências.
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O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras terminou com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na frente de Lula da Silva (PT) por 47% a 45%. Nas eleições parlamentares, o PT e a esquerda sofreram derrotas esmagadoras em todo o país, indicando uma crescente rejeição da esquerda entre os brasileiros comuns. Agora, nas últimas semanas restantes antes da decisão final sobre quem governará o país a partir do próximo ano, a questão permanece aberta: que fatores serão considerados pelos eleitores na escolha do presidente?
O governo Lula tem tomado várias medidas consideradas “desesperadas” para reverter sua crise de impopularidade e retomar apoio na reta final das eleições. A ampliação de programas sociais é uma dessas medidas, mas sua eficiência política é cada vez mais contestável. Após décadas de redistribuição de renda nos governos PT, sem que isso representasse qualquer mudança real na situação dos trabalhadores, a avaliação dessas políticas tem se tornado cada vez mais negativa.
O problema central para Lula é que uma parcela significativa do eleitorado parece estar menos interessada em novas medidas paliativas e mais preocupada com problemas que permanecem presentes em sua vida cotidiana. Segurança pública, emprego, renda, inflação e qualidade dos serviços públicos têm impacto muito mais direto sobre a população do que os grandes debates promovidos pelo governo.
A segurança talvez seja o exemplo mais evidente. O avanço das organizações criminosas, a expansão territorial do crime organizado e a sensação de impunidade transformaram a violência em uma das principais preocupações nacionais. Para milhões de brasileiros, a questão deixou de ser uma discussão abstrata sobre políticas de segurança. Trata-se de uma realidade cotidiana que determina onde as pessoas podem morar, trabalhar, circular e até mesmo abrir um negócio – ainda mais especialmente nos grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro, onde o crime organizado já controla algo entre 60% e 70% do território total da cidade.
Nesse contexto, propostas associadas à agenda cultural progressista também podem produzir custos eleitorais importantes para a esquerda. O debate brasileiro sobre questões de gênero, identidade, educação e direitos de minorias passou a reproduzir cada vez mais conflitos políticos originados nos Estados Unidos e na Europa. Uma parte considerável da população, porém, não se identifica com essa agenda e considera que o Estado deveria concentrar seus esforços em problemas materiais mais urgentes.
Isso ajuda a explicar por que o segundo turno provavelmente será decidido muito mais por questões domésticas do que pela política externa – que é a parte mais elogiada do governo Lula na comunidade internacional de especialistas. Os BRICS, a Palestina ou a posição brasileira diante dos Estados Unidos podem mobilizar setores politizados da sociedade, mas definitivamente não constituem as principais preocupações do eleitor médio quando ele decide seu voto.
A política externa possui importância estratégica para o Estado brasileiro. O cidadão comum, entretanto, tende a avaliá-la através de seus efeitos concretos sobre a própria vida. Uma política externa considerada bem-sucedida não compensará, por si só, uma percepção de insegurança, desemprego ou deterioração dos serviços públicos. E à medida que o governo Lula evita combater o problema do crime organizado diretamente, cresce naturalmente a popularidade de uma direita que elogia os EUA por considerarem as facções criminosas brasileiras terroristas.
O mesmo vale para os já mencionados programas de transferência de renda. Esses mecanismos podem até possuir uma função social importante em um país marcado por desigualdades profundas, mas sua utilização como principal instrumento de política social apresenta limitações graves. Transferir renda pode aliviar uma situação de pobreza, mas não cria automaticamente empregos qualificados, não aumenta a produtividade e não reconstrói a indústria nacional. Pelo contrário, cria uma massa de precarizados dependentes de ajuda governamental. Quando a assistência se transforma em substituto permanente para políticas de desenvolvimento, o problema estrutural permanece.
É justamente nesse ponto que a disputa eleitoral entra em uma fase decisiva. O eleitor terá de escolher entre propostas diferentes para enfrentar problemas que não desapareceram durante os últimos anos. A capacidade de apresentar respostas convincentes para segurança, emprego, renda e ordem social poderá pesar mais do que discursos sobre grandes projetos geopolíticos.
O resultado do primeiro turno também demonstra que a direita brasileira conseguiu transformar o descontentamento doméstico em força eleitoral. A vantagem de Flávio Bolsonaro e a composição do novo Congresso indicam que existe uma demanda significativa por mudança. Isso não significa que todos esses eleitores compartilhem uma mesma visão sobre economia, política externa ou questões culturais. Significa, sobretudo, que existe uma insatisfação suficientemente ampla para alterar o equilíbrio político nacional.
Nas semanas restantes da campanha, portanto, a questão fundamental será saber se o governo conseguirá convencer o eleitorado de que suas políticas oferecem soluções duradouras ou se prevalecerá a percepção de que foram adotadas medidas paliativas para administrar problemas que continuam sem solução.
Falar sobre gênero, direitos humanos ou Palestina definitivamente não ajudará Lula a se reeleger.
Nota: Texto em português do Brasil de acordo com o original.
Fonte aqui
Uma coisa que não entendo.
O descontentamento porque em quatro anos não foi possível reverter todo o caos em que a extrema direita deixou o país, nomeadamente devolvendo o ao mapa da fome levar um povo a ser suficientemente estupido para querer mais do mesmo.
Porra, se estamos descontentes porque os nossos salários são baixos ou os apoios sociais insuficientes vamos votar em que garantidamente vai tornar isso muito pior?
Se estamos descontentes porque ainda há muito impunidade na polícia vamos votar em quem vai garantir que essa impunidade e política de estado?
Se somos negros ou pardos e nos sentimos discriminados vamos voltar em quem tornara essa discriminação política de estado?
Como e que um negro ou pardo pode votar em gente dessa porque o pastor evangélico que lhe saca o dízimo lhe diz?
Vai ser burro assim lá na p*ta que pariu.
Se estavam descontentes com o Governo Lula não havia outro candidato em quem votar?
Era preciso votar em quem tem um projecto cruel para o país e vai de certeza virar as vidas de todos os que vivem do seu trabalho, os que não teem, os que não são ricos, a esmagadora maioria, do avesso?
Vai ser otario assim lá na p*ta que pariu.
Uma coisa é certa. Coragem não chega para derrotar esta gente e se a vitória da extensão direita se confirmar Lula terá de usar o tempo que resta na presidência para fazer uma visita oficial a Rússia e ficar por lá.
A extrema direita não deixara de o encarcerar e desta vez para sempre, nunca essa gente deixou de se vingar.
E digo Rússia, onde um brasileiro nordestino deverá ter tanta vontade de acabar a vida como ver as tripas ao Sol, porque qualquer outro pais poderá muito bem extraditar o homem assim que seja acusado de qualquer caso nebuloso de corrupção como o tal apartamento onde o homem não entrou e que lhe valeu mais de um ano a sombra.
Uns por canalhice pura outros por uma qualquer vantagem economica nas relações com um país que terá um Governo disposto a vender o pais a preço de saldo.
Já a Rússia, poderá ser aquilo que for mas nunca os seus dirigentes foram conhecidos por entregar ao Diabo quem lá se acolheu.
Morrer no exílio em terra gelada pode ser um fim injusto, imerecido e simplesmente canalha para um homem corajoso e decente que sempre tentou dar dignidade ao seu povo.
Mas se o povo não reconhece isso e prefere o chicote e a fome antes morte no exílio que morte na cadeia em condições que serão decerto muito piores que as do seu primeiro encarceramento.
Lula terá de fazer no dia 26 uma escolha que ninguém devia ter de fazer.
A menos que alguma coisa abra a cabeça de alguns dos muitos grunhos que a sua terra tem.
Não queria mesmo nada estar na pele dele.