(Carlos Esperança, in Facebook, 23/08/2026)

Informou o luminoso Sol, que o Luís veio em socorro de Nuno Melo, manifestando-lhe solidariedade no processo instaurado a “jornal online, André Ventura e Pedro Frazão”.
Interroguei-me sobre o que teriam dito o 4.º Pastorinho e o robusto líder parlamentar do Chega para enxofrarem o irascível Nuno Melo, líder do defunto CDS que o Luís levou a eleições para manter a marca AD. Afinal, lançaram suspeitas sobre o ministro da Defesa e o próprio CDS, sobre “negociatas” e “eventuais desvios de dinheiro” na compra das fragatas a Itália, com o insignificante custo de 3,9 mil milhões de euros!
Depois da compra dos submarinos por um ministro da Defesa, do CDS, com comissões de 1 milhão de euros, provadas na Alemanha, e cujo processo foi arquivado em 24 horas pela PGR Joana Marques Vidal, a dúvida percorreu todo o espetro político português, e Nuno Melo exigiu um pedido de desculpas ao partido com quem comunga ideias.
Para o atual CDS, o Chega é a sua referência ideológica. Por isso Nuno Melo se irritou, mas ao ver o Luís vir em sua defesa, com esta frase: «A lei e a decência pública deve-se [sic] aplicar a todos» não contive uma gargalhada, pelo autor, pela rudimentar gramática e pelo conteúdo. Nem o sorriso sonso e escarninho me irritou. O Luís tem um conflito tão insanável com a gramática, como com a ética.
Se algum leitor conhecer o Luís peço que lhe ensine a frase correta: «A lei e a decência pública devem-se aplicar a todos» ou mais elegante, seria exigir demais, «A lei e a decência pública devem aplicar-se a todos». Mas dito por ele, quem resistiria a uma boa gargalhada?
Quanto às fragatas, não é motivo para rir, é a herança que o Luís e o Nuno Melo deixam às gerações que começarem a pagar os juros e a amortizar o capital.
Se não fosse a gramática, se não me distraísse com a concordância gramatical, a pensar que a lei e a decência «devem» aplicar-se a todos, que a lei e a decência exigiriam que o verbo fosse conjugado na terceira pessoa do plural, se o autor da frase não fosse um singular calino, teria pensado que era uma confissão de arrependimento por um católico que foi a Fátima empunhar uma velinha na Procissão das Velas.
Se fosse uma confissão de arrependimento pelas violações da lei e da decência, não lhe faltaria um padre para o absolver depois da promessa de não mais pecar e de cumprida a penitência com a reza de um ato de contrição e uma novena.
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Não é que não me divirta um pouco com a jucosidade das prosas que proliferam por estas bandas. Aliás, os donos disto tudo merecem todo o escárnio e mal-dizer que os seus actos alimentam todos os dias. Veja-se os casos e casinhos do superministro sempre apostado em poupar dinheiro ao erário, usando carros de outros e que merece sempre a maior confiança do monte-escuro.
Mas quer parecer-me que a gravidade, acintosidade e abrangência dessa interminável parafernália de casos já ultrapassou em muito o que poderia ser aceitável. O negócio das fragatas então é o cúmulo da vigarice, da intrujice, até da estupidez por nem sequer saberem fazer o cambalacho bem feito, deixando um óbvio e enorme rabo de fora. E então que dizer do fernandinho-vai-ó-vinho e daquela inenarrável caldeirada dos exames, entre muitas outras bestialidades? A aposta é sempre a mesma. Destruir tudo o que é público, para sacar o mais possível e entregar os lucros aos privados e os prejuízos ao estado que somos todos nós. E ainda querem que eu respeite esta corja de abutres carniceiros? Phosga-se!!!!!!!!!!!!
A corrupção destes “democratas” é que vai dando argumentos à ascensão do extremismo de direita, ao qual passam a mão no pêlo para amaciar e conter, convergindo assim nos objectivos intermédios comuns aos direitolos.
E o que não falta são exemplos, se formos pela lógica da eco-“nomia” basta referir alguns “nomes”. Na Europa, Ursula von der Leyen, Federica Mogherini (uma espécie de Zita Seabra italiana), Kaja Kallas… em Portugal, o falecido PGR Pinto Monteiro, o actual PGR Amadeu Guerra, cujas acções servem para escudar da lei primeiros-ministros e ministros do executivo, fazendo com que a lei da República não seja igual para todos, e a isenção favoreça quem governa sobre os demais. Temos muitos mais exemplos e casos de corrupção, a todos os níveis, em todos os campos de actividade, escândalos de toda a ordem, passaria dias a fio referindo-os, mas vivemos com a ideia que somos exemplo para alguém, defensores dos valores e da democracia, dos direitos humanos e da liberdade, quando temos um sistema que compactua com guerras por procuração, limpeza étnica, genocídios, pirataria e pilhagem, tudo em nome do progresso, e apontamos o dedo à selvajeria e ao sub-desenvolvimento dos outros como justificação para os nossos comportamentos civilizacionais.
O Luís tem as costas quentes, quer que o PGR o deixe trabalhar e aos seus ministros sossegado, e ele assim faz, cooperativamente. Não troca de ministros nem que a vaca tussa, só o fez quando provocou eleições antecipadas para se esquivar ao escândalo da Spinumviva, quando na oposição passava os dias a pedir demissões ministeriais, para fragilizar o governo e assim ter as eleições antecipadas por que tanto ansiava. Ainda estávamos na altura em que, mediaticamente, não se penalizava quem o fazia. Hoje é tabu, a não ser que seja o Quarto Pastorinho a fazê-lo, esse tem entrevistas dia sim dia não nos “canais informativos”, onde expôe a sua doutrina dogmática anti-constitucional, no seu ritmo, no seu tom e conduzindo o rumo do monólogo.
Uma vez que nem o Luisinho nem o Andresinho conseguiram desfazer o governo, eis que lá tiveram a ex-procuradora e o ex-presidente da República entrar em acção, forçando eleições antecipadas ao manchar a honorabilidade e presunção de inocência do ex-primeiro ministro, repescado pela Ursula para o Conselho Europeu, depois de ter amadrinhado o Luís fazendo campanha ao seu lado nas ruas do Porto.
Se isto não é interferência e corrupção, não sei o que será. E é cá, a Ocidente da Europa, e não na Rússia, que se reflecte nas nossas vidas e corrompe e corrói as instituições supostamente democráticas.