Mais cabras nos montes e menos cabrões nas Instituições

(Raquel Varela, in Blog raquelcardeiravarela.wordpress.com, 30/07/2026)


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Foi uma semana rica no Absurdistão, em vários temas, exames, politécnicos, peles da Rússia e cabras no monte. Vejamos. O Governo paga 2,5 milhões à Deloitte para digitalizar papéis e 1 euro por resposta aos classificadores. Como os classificadores deram este trabalho gratuito, estes dados, à IA, durante este inesquecível mês de Julho – sem um dia de greve, um – para o ano esta tarefa será certamente feita por classificadores externos porque a Agência para a Gestão do Sistema Educativo – já não existe Ministério – é agora um Instituto público com possibilidade de contratar serviços privados, ou seja classificadores. Que aliás acabaram de receber ontem via Deloitte um aviso de contabilidade do tempo como o Sr que arranja a minha máquina da Mielle – “está em sua casa entre as 17:53 e as 17:55”. Kean Loach fez um filme sobre isto, Desculpem, passei aqui/esqueci-me de ti (um belíssimo trocadilho que a tradução não deu conta).

Vejam que nunca usei o termo educação nos exames – educação não são exames, de cruzes, muito menos um professor é um classificador. Tudo isto é transferência de impostos da educação dos nossos filhos e netos para as empresas de tecnologia. Tudo isto vem do PRR, da União Europeia, que diz que os helicópteros russos não podem apagar fogos, estão parados sem importação de peças, mas peles para a indústria de luxo Italiana estão liberadas, que eu vejo sempre Lagarde com os melhores vestidos italianos.

Há mais – o CEO da Agência, Fernando Alexandre, a quem ainda chamam Ministro, quando ele mesmo acabou com o Ministério – anunciou a criação de duas universidades…como? Não, a passagem de politécnicos a Universidades que a primeira coisa que fez foi um despedimento coletivo de dezenas de colegas nossos – porventura centenas – de professores que não passam de uma instituição a outra, não têm antiguidade, etc. Uma espécie de pacote laboral da função pública.

Seguem de vento em popa nas Universidades o despedimento de professores convidados, outro despedimento colectivo tratado apenas como mais um regular acto de gestão.

O Governo da Spinumviva anuncia que os pescadores de costa, os pequenos, muitos idosos, que têm margens de lucro de 2%, são obrigados a pescar o dobro de 12 mil para 24 mil euros ou então ficam sem licença…(vejam a belíssima reportagem em video e artigo do jornalmaio.org estivemos lá, eu mesma também, a ouvi-los, deixo o link nos comentários). Há mais:

Nunca subestimem o que a burguesia mundial faz para se manter no poder. Foi dito por esta gente que as casas do ciclone Kristin não estão reconstruídas “porque não há mão de obra”, mas que os investimentos em guerra em Portugal – com jovens a montar drones que matam em Gaza onde influencers se passeiam -estão de boa saúde – 5,8 mil milhões -o que daria para renovar 200 mil casas. Informação importante – a margem de lucro da indústria de guerra é 12%, não são pescadores de carapau.

Uma senhora num canal de Tv espanhola explicou que a serra de Madrid/Ávila ardeu como papel porque a gestão das aldeias e terras foi retirada às populações, com as leis da União Europeia de Rede Natura, protecção disto e daquilo, o que aconteceu foi a abertura para transformar o sul da Europa em minas de lítio e painéis solares. Ela termina, partilho aqui em link o vídeo, inimitável, zangada, furiosa, com uma frase que podemos guardar para o nosso querido mês de julho, queremos auto gestão democrática dos povos e “mais cabras nos montes e menos cabrões nas Instituições”

3 pensamentos sobre “Mais cabras nos montes e menos cabrões nas Instituições

  1. A Carvalhosa não precisa dizer nomes pois já sabemos que somos todos.
    Ora quando eu chamo porco ao Trampas ou cerdo ao Ben-Gvir só estou a ofender os porcos, como quem chama orca a Ferra Aveia só está a ofender as orcas.
    Mas se as sociedades de defesa dos animais não se pronunciam ninguém tem nada a ver com isso.
    Quanto a outro português vernáculo que se pronuncie um linguista. Ainda não chegamos aos Estados Unidos onde se pode apanhar uns longos meses a trabalhar de graça na cadeia por mandar uma car*lhada no quintal da casa. Isto e que vai aqui uma açorda.

  2. Bem a Raquel Varela, que não come da mesma gamela servida aos lorpas e pategos, que se lambuzam com a desinformação e propaganda dos agiotas e mestres de cerimónias de realidades alternativas.

    Lá vai A Carvalhosa, que não tem a coragem de dar nomes a quem quer silenciar, emulando os métodos de denúncia fascizóides tão em voga nas redes sociais controladas pelos Musks, Zuckerbergs e Thiels, autênticos corporativistas fascistas, chorar mais um bocadinho…

  3. Todos estes incêndios podem efectivamente ser uma “iniciativa” para limpar mato para instalar os malfadados painéis solares.
    Uma verdadeira praga em nome da tão falada transição energética e o raio que os parta.
    Esquecem se que os painéis solares destroem o arvoredo que tanta falta faz para reduzir os níveis de dioxido de carbono e inutilizam terras agrícolas. Alem de inviabilizarem ate a actividade turística pois ninguém vai ao campo para ver hectares de painéis solares.
    Em resumo, são sim uma catástrofe ecologica e, a prazo, económica.
    Começaram por querer reduzir o Sul da Europa a praias para turistas, agora querem reduzi lo a um gigantesco parque solar.
    Já passei por alguns, aquilo é feio que dói e simplesmente deprime.
    Não sou contra energias renováveis mas tem de haver meios termos.
    Em resumo, não destruir florestas nem terrenos agrícolas para criar megalomanos parques solares transformados numa monocultura e a única actividade permitida neste Sul tao massacrado pelos poderes europeus.
    Porque a verdade e que o Norte da Europa sempre nos viu com território a explorar. Por isso aqueceram as costas as ditaduras ibéricas. Por isso apoiaram na Grécia a sangrenta ditadura dos coroneis. Por isso nos afogaram em miséria nos anos da troika.
    As vezes vem me a cabeça uma teoria da conspiração.
    Que os poderes europeus querem mesmo criar nas pessoas o desespero e a descrença na democracia que leva a votar em fascistas.
    E depois resta nos viver numa realidade distópica, sem direito a nada, com vidas brutais e breves.
    Como aliás acontecia no tempo da Outra Senhora em Portugal em que a esperança de vida a nascença pouco passava dos 50 anos.
    Os poderes europeus nunca acharam que mereciamos uma vida decente.
    Sempre fomos considerados tão subhumanos como os russos pelo que está na hora de termos governos que nos ponham no nosso lugar. O de escravos sem direito a nada.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

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