Como paramos esta loucura?

(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 13/03/2026)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Além da mortandade e destruição no Irão, o primeiro perigo da guerra lançada por Donald Trump contra esse país é a eternização do conflito.

Membros do Congresso norte-americano admitem já a possibilidade de enviar tropas norte-americanas para o terreno. É sempre assim que começam as guerras “sem fim”: primeiro prometem-se precisão e contenção, depois normalizam-se a extensão geográfica, a multiplicação de alvos e a diluição de qualquer linha vermelha.

O passo seguinte para o precipício global será a multiplicação de inimigos, a formação de alianças e a declaração de roturas entre países e, depois, o fim, ou seja, a guerra mundial, com armas nucleares à disposição. Com a insensatez a reinar esta é, infelizmente, uma previsão viável.

O segundo perigo é o choque económico global e já está aí.

O estreito de Ormuz, fechado pelo Irão, é uma artéria vital pois ali transitam cerca de 20 milhões de barris por dia, um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo. Também uma fatia muito relevante do gás natural liquefeito passa por esse corredor.

Com a guerra Washington decidiu libertar 172 milhões de barris da reserva estratégica e a Agência Internacional da Energia avançou para uma libertação recorde coordenada.

Para a Europa importadora de energia que também prepara as reservas de emergência (quanto tempo durarão?), para países pobres esmagados pela fatura externa e para famílias já pressionadas pela inflação a guerra de Trump transformou-se num imposto planetário sobre combustíveis, transportes e alimentos. Já começámos a pagar esta despesa que nos atirará para a miséria.

O terceiro perigo é o fim do Direito Internacional, que no passado poupou tantas vidas.

Quando a maior potência do mundo normaliza uma guerra preventiva de motivação variável, oferece aos outros uma licença moral para fazerem o mesmo. Com esta guerra, o mundo é empurrado para a selva do direito do mais forte.

O quarto perigo é, ironicamente, o reforço da proliferação nuclear.

Antes dos ataques havia negociações em curso entre Washington e Teerão, mediadas por Omã, e a própria AIEA preparava discussões técnicas adicionais em Viena sobre salvaguardas e verificação do programa nuclear do Irão. A guerra destruiu os mecanismos que permitiam saber o que os iranianos estavam a fazer. O sinal que muitos regimes retiram daqui é simples: quem não tem arma nuclear pode ser atacado, quem a tiver ganha um seguro de vida. Poucas ideias são mais perigosas para o século XXI do que esta.

E, entretanto, ganha força o propósito de que, para resolver o problema energético, é preciso construir mais centrais nucleares, mais “chernobis” e “fukushimas”, potencialmente letais.

O quinto perigo é político e civilizacional.

A guerra oferece combustível a todas as correntes autoritárias que vivem da humilhação, do ressentimento, da lógica de bloco, da xenofobia e do conflito fanático-religioso. No Médio Oriente, multiplica a radicalização. No Ocidente reforça governos que pedem mais despesa militar e menos escrutínio democrático. Na economia global cria condições para que Estados exportadores de energia e potências rivais capitalizem o caos. Na União Europeia dá espaço ao mando dos mais fortes sobre os mais fracos e ao fim da regra da unanimidade dos países-membros em questões centrais. Em Portugal o Governo coloca-nos como potenciais alvos militares dos inimigos de Trump.

Como paramos esta loucura?

4 pensamentos sobre “Como paramos esta loucura?

  1. Parar é difícil, dado o momento de inércia da sociedade actual, da ganância, do belicismo, do militarismo, do armamentismo, da brutalidade, do culto da superioridade racial, da xenofobia, da falta de escrúpulos… muito por culpa da comunicação social de massas funcionar como câmara de amplificação dos interesses nefastos para a Humanidade de alguns “grandes líderes” ocidentais ou “ocidentalizados”.
    Mas pode-se denunciar, expor, demonstrar e com isso reduzir gradualmente o seu momento de inércia em movimento e a sua brutalidade e indecência.
    O problema é que a CS, os partidos da direita, os lobbys da indústria do armamento, as instituições como a UE e a NATO estão pejados de lacaios servis e representantes sabujos, muitos deles escolhidos a dedo por sociedades secretas e obscurantistas, por cúpulas degeneradas e corruptas, que têm respaldo e suporte dos meios de difusão informativa, que transmitem a sua propaganda de forma quase totalitária. É preciso denunciá-los todos sem paninhos quentes, alertar as pessoas, libertá-las do jugo de ilusionistas, vendedores de banha da jibóia e encantadores de pategos, confrontá-los com as suas falácias, mentiras e disparates – e não conviver com eles como se fossem irrelevantes, relevando ou até encorajando esses comportamentos reles e sabujos, interesseiros e institucionalizados numa sociedade cada vez mais corrompida e podre.
    No fundo, é preciso chamar os bois pelos nomes. E sem hesitações. Sempre que possível, é preciso condenar, e não assobiar para o lado deixando a banda da guerra, da fome, da doença e da morte passar incólume e impune.

  2. Império ou banditismo? Qual e a diferença?
    Os antigos impérios visavam a exploração de recursos que pertenciam a outros povos, muitas vezes incluindo as próprias pessoas, reduzidas a escravidão.
    Matando quantos fosse preciso matar para conseguir isso.
    Isso era banditismo, era roubo.
    Por muita conversa da treta que houvesse sobre a intenção de “civilizar selvagens” ou salvar as suas almas mediante a conversão a única religião verdadeira, a deles.
    O que Trump e a sua horrenda criatura da Ásia Central fazem s exactamente o mesmo.
    Simplesmente são mais pornográficos.
    A horrenda criatura asiática diz claramente que quer a morte de todos os que ocupam as terras que lhes teriam sido dadas por Deus.
    Trump diz claramente que e sobre petróleo e que para ele e uma honra estar a destruir o Irão.
    E exactamente o mesmo dos antigos impérios que chegaram a gravar em pedra as suas atrocidades.
    Imperios e banditismo são a mesma coisa ou quando muito são irmãos gêmeos.
    Muitos dos antigos imperadores não morreram na cama.
    Esperemos que o mesmo aconteça a estes dois.

  3. ele anda um bocadinho deprimido, mas ele nunca falha…. ele aqui consegue fazer uma pergunta, apresentar uma ligação e dar um conselho aos leitores….. num só comentário, isto é fantástico…. até há quem diga que é possível que ele um dia apresente uma ideia.
    deixa-se aqui abaixo duas ligações que se gostava que ele comentasse:

    https://www.dnoticias.pt/2025/2/10/437628-ventura-nao-exige-saida-de-deputado-dos-acores-apanhado-a-conduzir-com-excesso-de-alcool/

    https://www.rtp.pt/noticias/politica/acusado-abuso-sexual-de-menor-ex-candidato-do-chega-volta-a-ser-proibido-de-dar-aulas_v1639362

Leave a Reply to RafaelCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.