O Irão entregou aos EUA uma notificação de despejo

(Pepe Escobar, in Resistir, 11/03/2026)


Em poucos dias, o IRGC cegou os radares dos EUA em toda a Ásia Ocidental; transformou o Estreito de Ormuz numa arma, levando a economia global a uma espiral descendente; e entregou a Washington o que, para todos os efeitos práticos, equivale a uma intimação para se render.


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O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, 57 anos, escolhido pela Assembleia de Peritos, até agora não proferiu uma única palavra em público.

O IRGC está a falar por ele. Desde o início, Mojtaba era o candidato preferido para suceder ao aiatolá Khamenei, o homem que planeou meticulosamente como quebrar as costas do Império.

O IRGC está agora a mostrar a todo o planeta, especialmente ao Sul Global, o que estava por trás da «moderação» aconselhada por Khamenei durante anos.

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3 pensamentos sobre “O Irão entregou aos EUA uma notificação de despejo

  1. O Irão está a fazer História

    Marwa Osman (jornalista libanesa)
    @Marwa__Osman

    Três horas ininterruptas de mísseis a chover sobre Israel. Ao mesmo tempo, o Pentágono confirma discretamente algo que quase nunca admite: 141 soldados norte-americanos no Golfo Pérsico feridos, muitos em estado crítico, e nove já mortos.
    Isto acontece apenas algumas horas depois de Donald Trump ter ido à televisão dizer ao mundo que a guerra estava basicamente terminada.
    A resposta de Teerão na madrugada seguinte? O mais pesado bombardeamento de mísseis de toda a guerra.

    E não foram uns mísseis quaisquer… foram Khorramshahr, capazes de transportar uma ogiva de uma tonelada.
    Durante treze dias, a narrativa que saía de Telavive e de Washington era sempre a mesma: o Irão está a ficar sem mísseis.
    O ministro da guerra israelita gabou-se do maior bombardeamento aéreo da história de Israel.
    Marco Rubio apareceu diante das câmaras praticamente a anunciar a rendição do Irão.

    Pois bem… é assim que essa “rendição” se apresenta:
    Ogivas de fragmentação a espalhar submunições por dez quilómetros, arrancando colonos do sono e obrigando-os a correr para abrigos antiaéreos antes do nascer do sol.
    Agora pensemos na aritmética disto.
    Um país cujos sistemas de defesa aérea remontam a décadas atrás… a enfrentar de frente a máquina militar tecnologicamente mais avançada do Médio Oriente, apoiada pelo maior império militar da história da humanidade: os Estados Unidos.
    Um país que acabou de perder o seu líder de longa data.
    Um país cujos principais cientistas nucleares foram assassinados.
    Um país que enfrenta uma coligação que pensava poder eliminá-lo em poucos dias.
    E, no entanto, após treze dias de guerra ininterrupta… o Irão continua a disparar. Continua de pé. Continua até a revelar armas cuja existência aparentemente nem os serviços de informação norte-americanos conheciam.

    Os aliados de Trump disseram que os mísseis iranianos tinham acabado. Mas os mísseis continuam a cair.

    Disseram que as “cidades de mísseis” tinham sido destruídas. Mas os céus continuam a iluminar-se.

    Disseram que o regime colapsaria depois do assassinato do Imam Sayyed Ali Khamenei. Em vez disso, o Irão duplicou a intensidade do bombardeamento de mísseis, passando de trinta minutos para três horas contínuas. Ao ponto de até Washington estar agora claramente a esconder a verdadeira dimensão das suas baixas. Porque, se a história nos ensina alguma coisa, é que o exército dos EUA só diz ao público aquilo que é absolutamente obrigado a dizer.

    E os meios de comunicação de guerra israelitas?
    Como sempre, as perdas em torno de locais estratégicos simplesmente desaparecem da narrativa.

    Mas o que me fascina não são as armas. É a psicologia da resistência.

    O momento em que todas as potências globais nos dizem que a onda é demasiado forte e que devemos baixar a cabeça… e, em vez disso, nos levantamos dos escombros exactamente onde todos pensavam que já tínhamos caído. É isso que o Irão está a fazer neste momento.

    Todas as vozes colaboracionistas do mundo disseram que a rendição significava sobrevivência. Deponham as armas. Não podem lutar contra THAAD, Patriots, Tomahawks ou F-35.

    E, no entanto, aqui estamos.
    Um país sob cerco a dizer a toda a ordem geopolítica algo muito simples:
    Se fizerem uma guerra total contra nós, toda a região arderá connosco.
    Rotas petrolíferas, rotas marítimas e segurança energética… nada disso permanecerá seguro.
    É isto que parece uma civilização com milhares de anos quando se recusa a submeter-se.
    Vejam bem: o Irão não é um Estado nascido de projectos coloniais, como muitos dos seus vizinhos.
    É uma civilização que transformou décadas de sanções em infra-estruturas científicas e construiu uma rede de dissuasão capaz de atingir em todas as direcções.
    E, por causa disso, o chamado projecto do “Novo Médio Oriente” encontrou um muro intransponível.

    E o modelo que Washington vende à região? Só sobrevive através do medo.

    A “única democracia do Médio Oriente” (onde se pode receber uma pena de cinco anos de prisão se se filmar qualquer destruição causada por rockets iranianos ou do Hezbollah), que outrora se gabava de poder vencer qualquer guerra sozinha, teve de trazer os Estados Unidos apenas para enfrentar o Irão.
    E, ao fazê-lo, pode ter entregado acidentalmente a Teerão a narrativa mais poderosa que alguma vez teve:
    Ficámos sozinhos contra o ataque combinado do império mais poderoso da Terra… e não colapsámos. Pelo contrário, olhem para o sofrimento do nosso inimigo.

    O Irão está a fazer história!

    https://x.com/Marwa__Osman/status/2031569003798302794

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