Transformar agressores em vítimas: A caça aos antifascistas em França

(Bruno Amaral de Carvalho, in Manifesto74, 19/02/2026, Revisão da Estátua)


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Não é assim que a história está a ser contada pelos órgãos de comunicação social mas há cinco dias um elemento fascista, Quentin Deranque, acabou morto, em Lyon, depois de uma tentativa de boicote contra uma conferência de esquerda. De seguida, a presidente do parlamento francês, Yael Braun-Pivet, proibiu a entrada no edifício de Jacques-Elie Favrot assessor parlamentar de Raphael Arnault, deputado da França Insubmissa, para quem o próprio governo pede também a perda de mandato, apenas porque no passado militaram na Jeune Garde, organização antifascista acusada agora de matar Deranque. 

Entretanto, grupos neonazis anunciam caçadas contra os “vermelhos”. No domingo, em Lyon, vários fascistas atacaram com barras de ferro membros do comité de solidariedade com a Palestina. Sucedem-se os ataques contra espaços de esquerda, com a sede da França Insubmissa, em Paris, a ser alvo de uma ameaça de bomba esta quarta-feira, num contexto em que a extrema-direita pede a proibição deste partido que, integrado na Nova Frente Popular, ficou à frente nas últimas eleições legislativas. A narrativa agora é a de que a “extrema-esquerda violenta” atacou “jovens católicos pacíficos”.

Para se perceber o grau de manipulação mediática e política é preciso recuar até sábado, 14 de Fevereiro, quando um grupo de mulheres de extrema-direita do Colectivo Nemésis se dirigiu de forma premeditada ao Instituto de Estudos Políticos, onde falava a franco-palestiniana Rima Hassan, eurodeputada pela França Insubmissa, com o objectivo de destabilizar a iniciativa. Quando alguns militantes de esquerda que estavam destacados para garantir a segurança da iniciativa tratou de afastar estas mulheres, apareceu um grupo de homens fascistas para se juntar à provocação e começaram as agressões.
É então que chegam mais antifascistas em socorro dos organizadores da conferência e conseguem fazer fugir os provocadores. É só a centenas de metros do local da iniciativa que, já sem a participação da França Insubmissa, se dão os confrontos mais duros, de que estão acusados alegados membros da Jeune Garde, e é nesse lugar que morre Quentin Deranque. Não num assassinato premeditado, mas como agressor num combate de rua com os agredidos. Não como um ordeiro jovem católico mas como alguém que começou os desacatos contra uma iniciativa política pacífica.

Há que recordar que Lyon tem uma longa história antifascista e que é conhecida como a capital da resistência pelo seu papel central na organização da luta contra a ocupação nazi.  Foi nesta cidade que Klaus Barbie instalou a sede da Gestapo e ficou conhecido como o carniceiro de Lyon. A filha de um dos líderes da resistência descreveu a história arrepiante do seu pai, a quem espancaram, arrancaram pedaços de pele ao seu corpo, mergulharam a cabeça em amoníaco e o queimaram vivo até acabar morto. Outras mulheres denunciaram que os alemães treinavam pastores alemães para morder e violar mulheres. Klaus Barbie foi directamente responsável por enviar 14 mil judeus e membros da resistência para campos de extermínio.

Durante meio século, o repúdio contra a barbárie fascista fez crescer o apoio às forças comunistas e de esquerda, assim como ao movimento sindical, e quando voltaram a aparecer grupos neonazis nas cidades franceses a juventude nunca deixou de os combater. Nos anos 80 e 90, apareceram organizações antifascistas em todo o país, muitas delas compostas também por imigrantes, incluindo portugueses, que enfrentavam o neonazismo nas ruas. Em 2018, surgiu em Lyon a Jeune Garde, nome de uma canção histórica do movimento juvenil comunista, e depressa se espalhou a outras cidades francesas. Três anos depois, um dos seus membros, Raphael Arnault, agora deputado, foi agredido por neonazis. Em Fevereiro de 2022, uma conferência antifascistas em Estrasburgo, com a participação da Jeune Garde, foi atacada por hooligans fascistas. Apesar da violência cada vez maior da extrema-direita, em 2025, os tribunais franceses decretaram a ilegalização da Jeune Garde.

Num tempo em que  organizações fascistas aparecem como cogumelos perante a indiferença dos Estados capitalistas, não pode haver neutralidade perante quem defende a discriminação racial, para quem defende a retirada de direitos às mulheres, para quem agride actores e pede a proibição de livros, para quem defende leis que perseguem sindicatos e aumentam a exploração laboral, para quem aplaude a repressão policial contra os bairros de trabalhadores.

Fonte aqui.

13 pensamentos sobre “Transformar agressores em vítimas: A caça aos antifascistas em França

  1. Uma coisa que se critica em relação a malta de esquerda e que nalguns casos e verdade.
    Tendem a atacar se uns aos outros quando as opiniões dos outros se afastam um bocadinho.
    Claro que a maior parte não são assim e eles sabem disso mas alguns casos justificam a caricatura pois também sabemos que generalizar e com eles.
    E assim que funcionam. Se um estrangeiro vende droga todos os estrangeiros são traficantes e assim por diante.
    Tu começas te a azedar a partir de um dia em que eu fiz um comentário azedo sobre o Putin.
    Noutro dia, a propósito de outra coisa levei com o primeiro enxovalho que até me levou a dizer que não valia a pena responderes me como quando respondiamos ao Menos antes de ele levar a corrida em osso que mereceu.
    E lá voltaste tu reescrevendo o dito comentário azedo. Percebi o que e que realmente te tinha moído mas o que e dito não pode ser mudado, se fica escrito pior ainda.
    E acredites ou não aquele comentário azedo e um que gostaria de não ter escrito embora continue a acreditar que o homem faltou de certeza a algumas aulas de história.
    A partir daí qualquer coisa que não gostes e asneira e vale acusações de tudo e mais alguma coisa e as vezes até comentares o meu comentário sobre o artigo em vez do artigo.
    Ora bem, opiniões diferentes quanto não viemos para aqui defender sionismo, fascismo, russofobia, genocídio, pilhagem, discriminação, bloqueios genocidas, violência contra mulheres e minorias em geral, sao apenas isso, opiniões diferentes.
    Que podem ser contestadas mas em termos.
    Sei que longe vai o ano de 2024 em que me consideravas amigo e dizias que eu tinha sempre razão.
    Mas pelo menos podíamos parar de dar orgasmos ao escravo que se diz alforriado e que acha muito giro que nos estejamos a bicar.
    E que elogia “ensaboadelas” pois que anda aqui a tentar converter nos a luz que nos tráz o quarto Pastorinho em vez de ir ver se o mar da baldes de choco.

  2. Querido, por acaso até te leio (tal como tu me lês, sem falhas), ou não saberia quando acertas e quando te dá para a asneira. Não gosto de falar sem conhecimento de causa, amor. Mas para avaliar o tamanho não é preciso ler, nem régua é necessária, até um zarolho consegue medir! Beijinhos!

  3. Se não gostas do tamanho das respostas que dou ao escravo que se diz alforriado tens bom remédio, não leias que ele provavelmente faz o mesmo.

  4. Vou dar-te uma informação valiosa, escravo: é completamente desprovida de rigor científico a convicção de que, quando as galinhas têm dentes, saem os pintos carecas. Mesmo quando essa tese corre, esforçadamente, atrás do próprio rabo ao longo de 500 quilómetros.

  5. E para vermos como a Comunicação social continua a fazer o frete a essa gente.
    O jornal Público, que dispensa apresentações quanto ao alimentar da narrativa da corrupção e dos gastos públicos sai se agora com os custos ao erário público que vai custar a decisão do Seguro de continuar a morar na sua casa em vez de se mudar de armas e bagagens para o Palacio de Belem.
    Dizem os senhores que duas viaturas e uma dúzia de agentes vao ter de se revezar para garantir a segurança.
    Pensarao que comemos todos gelados com a testa e que não sabemos fazer contas?
    Há muitas gente que não sabe e isso explica os votos no Chega.
    Mas ainda há quem saiba que os custos, não só em segurança mas em logística, pessoal diverso e tudo o que e necessário para manter um Palácio Presidencial a funcionar seriam muito maiores se o Seguro se fosse lá meter.
    E ninguém teria de se revezar para manter a segurança do homem no Palácio de Belém?
    As paredes do Palacio seriam suficientes?
    Mas esta gente terá noção das alarvidades que escreve?
    De certeza que tem e sabe que isso alimenta o discurso da extrema direita de gastos exacerbados e o pobre do contribuinte a pagar.
    O Seguro não e o primeiro a tomar a decisão de continuar em casa mas e o primeiro a ser acusado de gastar mais por tomar essa decisão.
    Enfim, uns vêem genocídio dos nativos europeus porque de vez em quando também as coisas correm mal para gente da extrema direita que agride e mata gente de esquerda e outros vêem gastos públicos exagerados porque um presidente eleito decide continuar em sua casa em vez de ir viver para um Palácio coisa que nem e a primeira vez que acontece.
    Ambos sabem que estão a mentir mas que interessa a verdade a essa gente?
    Afinal de contas, se o Trampas inventou um cartel de Los Soles e isso serviu para que toda a gente achasse normal o presidente de um país ser sequestrado e enfiado numa masmorra americana de onde provavelmente não sairá vivo ou sairá quando já não poder roer a água, também esta gente acha que pode inventar tudo.
    Cai quem quer.
    Valha lhes um tubarão branco cheio de larica.

  6. Escravo, se não queres fazer figura de idiota, não metas links de racistas idiotas para racistas idiotas! Mas quando essa garina escrever a obra-prima “The Whitening of Africa”, e odespois “The Browning of America” (para completar a trilogia), avisa o piçoal, qu’é prà malta propor a garina para o Nobel da Estupidez!

  7. Depois de ter visto hoje no site Petição Pública uma petição que há tinha sido assinada por mais de 1200 grunhos a pedir a ilegalizacao do PS já não me espanto com nada do que os fascistas façam.
    Mas o que e certo e que mais fácil e uns organização de esquerda ilegalizada do que uma urbanização que defende a discriminação e a violência contra imigrantes e minorias étnicas e a submissão total das mulheres.
    Por isso também nunca entendi essa coisa de mulheres de extrema direita.
    Uma das grandes bandeiras da extrema direita e justamente a submissão total das mulheres de acordo com a versão mais cruel do Cristianismo.
    Porque a verdade e que todas as religiões discriminam a mulher e também na Bíblia se prega a submissão da mulher ao seu marido chegando se a dizer que ele e a cabeça da mulher.
    Uma das grandes bandeiras da extrema direita e a volta da mulher ao lar e a descriminalização da violência doméstica.
    Por isso resta me perguntar se as senhoras serão masoquistas.
    Porque se são basta que comprem um bom chicote e boa sorte com a autoflagelação.
    Não precisam de nos meter a todos numa camisa de onze varas votando em gente dessa.
    Mas a verdade e que muitos governos que se dizem democráticos não se inportariam de viver em ditadura.
    O caso de França e típico. Já vai no segundo primeiro ministro nomeado pelo Presidente da República a revelia dos resultados eleitorais.
    Daí que alguém como Macron aproveite um incidente destes para acabar de vez com os partidos de esquerda. Porque com os de direita já ele mostrou que se dá bem.
    Quando jovens magrebinos são mortos pela polícia ou por militante de extrema direita ninguém pia.
    Na primeira vez que um desses sujeitos acaba morto e aquilo que se vê.
    A violência de extrema direita corre solta sem que ninguém saiba onde para a polícia.
    Decididamente vivemos tempos sombrios.
    E será mesmo o povo a ter de acordar sob pena de se deitar em democracia e acordar numa ditadura fascista.

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