Ameaçar é barato, executar é caro

(Vns News Brasil, in Facebook, 29/01/2026, Revisão da Estátua)


Milhões de pessoas no mundo acompanham a tensão entre Irão e Estados Unidos e interrogam-se por que, mesmo com tantas ameaças, os EUA ainda não atacaram de forma direta. A resposta é simples: as guerras não começam por emoção, começam por cálculo. Para Washington, atacar o Irão agora teria um custo enorme — militar, económico e político — maior do que o custo de esperar.

Hoje, o que existe é uma guerra indireta. O Irão testa mísseis, fortalece as suas forças e atua por meio de aliados regionais. Os EUA respondem com sanções, presença militar e pressão diplomática. Ainda assim, algumas linhas não foram cruzadas: não houve ataque direto ao território americano, não houve mortes em massa de soldados dos EUA e não há prova confirmada de que o Irão possua uma ogiva nuclear operacional pronta para uso. Enquanto esses fatores não acontecerem em simultâneo, a guerra aberta é evitada.

Para que os EUA ataquem “de verdade”, alguns gatilhos seriam decisivos: um ataque iraniano direto contra bases ou cidades americanas, muitas mortes de militares dos EUA atribuídas claramente ao Irão, ou a confirmação de que o país alcançou capacidade nuclear militar plena. Esses cenários mudariam o cálculo político em Washington e tornariam a resposta militar quase inevitável.

Caso uma guerra começasse, o primeiro alvo dos EUA não seria uma invasão terrestre imediata. O foco inicial seria aéreo e tecnológico: bases de mísseis, sistemas de defesa, centros de comando, instalações nucleares e infraestruturas militares estratégicas. O objetivo seria enfraquecer rapidamente a capacidade de resposta iraniana.

Mesmo assim, o Irão não é um país fraco. Ele não precisa de vencer os EUA em poder militar — basta resistir e impor custos. O país possui um grande número de mísseis, forças bem distribuídas, instalações protegidas e aliados regionais capazes de atacar interesses americanos e desestabilizar o Médio Oriente. Isso elevaria o preço do petróleo, afetaria o comércio global e pressionaria as economias no mundo inteiro.

Por isso, comparar o Irão com o Iraque de 2003 é um erro. O Iraque tinha um exército fragilizado, poucas alianças, defesas expostas e isolamento total. O Irão, ao contrário, tem capacidade militar maior, influência regional, uma infraestrutura defensiva mais sofisticada e apoio indireto de aliados estratégicos. O Iraque caiu rápidamente; o Irão enfrentaria uma guerra longa, cara e imprevisível.

No fim, se a guerra acontecer, os EUA provavelmente venceriam militarmente, mas pagariam um custo altíssimo. O Irão sofreria danos severos, mas não seria eliminado facilmente. Quem certamente perderia seriam os civis, a estabilidade regional e a economia global.

A guerra ainda não começou não por falta de ódio ou ameaça, mas porque, até agora, o custo de atacar continua maior do que o custo da contenção.

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3 pensamentos sobre “Ameaçar é barato, executar é caro

  1. Chefe tens tu e já o admitiste.
    E o chefe deve ter te mandado estar ctivo neste antro de subversivos que não acorda para a beleza do fascismo luso e trumpiano.
    Claro que o Irao não tem vontade nenhuma que a brutalidade de um pais que nem os seus cidadãos respeita lhe caia em cima. Mas não me parece que tenha por onde escolher.
    Quanto ao martirizado povo iraniano vai continuar a ser.
    Como está a ser há muito tempo e em especial desde a infame Operação Ajax.
    Não duvido que muita daquela gente tenha o regime religioso pelos cabelos.
    Mas o que quer e um regime que seja laico ou lá perto e respeitador da dignidade humana. Como aquele que foi derrubado em 1953 e substituído por uma monarquia absoluta, sanguinaria e demencial. Mas o petróleo corria barato e para aquela gente era a única coisa que interessava.
    O que e que lhes interessava que o homem fosse um demente que se definia como “o líder dos guerreiros” e “a luz dos arianos” e se entretesse a ver filmes das torturas da Savak?
    O ponto iraniano não quer de certeza aquilo que o Trampas lhes quer dar. Um regresso simples a 1979. Uma nova monarquia absoluta, gerida por um homem sanguinário e demente, governando sobre uma pilha de cadáveres resultantes da guerra trumpiana e das execuções dos dirigentes do país que nao conseguirem fugir e de quem for tido como seu apoiante.
    Esse demente estava na calha no ataque israelita de Junho e teria sido imposto se fossem bem sucedidos. Por isso o assassino Netanyahu disse com as letras todas que Khamenei teria o destino de Sadam. Um julgamento com sentença pré determinada e uma execução brutal.
    Não foi por acaso que entre os objectivos dos incendiários se contaram mesquitas.
    O que se prepara no Irão e mais outra canalhice que toda esta cambada que pensa pela cabeça de um fascista louco de pelo cor de laranja arranjara maneira de justificar.
    No meio disto tudo foi pena que em 1979 os iranianos não tivessem conseguindo dar a família do xa o destino que os russos deram a do Czar.
    Sempre achei a coisa uma barbaridade por muitas justificações que me fossem dadas. La está. O pensar fora da caixa.
    Mas vendo aquela infame criatura que querem impingir ao Irão começo a perceber que uma família real exilada seria um grande sarilho para o país as voltas com uma guerra civil e invasão de exércitos europeus e tropas americanas.
    E hoje provavelmente as autoridades russas estariam as voltas com um neto ou bisneto de Nicolau II, que também não era muito certo em contas de cabeça, impingido por esta cambada como legítimo dirigente do país.
    Realmente, se um país quer ter paz e sossego e melhor não ter nada que esta gente queira.
    O resto e conversa para boi dormir.

    • Dorme lá descansado.

      Entretanto não leio ninguém a querer atacar a Coreia do Camarada Kim Jong Un, porque será?
      Por aquilo que um pacifista como tu, chama de militarismo.
      A posse da FORÇA, o poder na ponta da arma, neste caso nuclear.

      É mesmo caso para dizer que a tua conversa é para bovino dormir.

  2. Não acrescenta nada que não se saiba e que todos digam.
    Diz o autor: “A guerra ainda não começou não por falta de ódio ou ameaça … ” Talvez seja contabilista, o que explicaria o foco no custo.
    A Ameaça é o produto da Vontade pelos Meios

    Ameaça = Vontade X Meios

    Tem o Irão Vontade?
    Tem o Irão os Meios?

    Vontade duvido, mas isto sou eu daqui a imaginar, que não.
    Quanto aos Meios, tem alguns. Que como se viu recentemente, obrigou os americanos a darem a volta, não sem antes cantarem Vitória. Ao estilo da faixa que o porta-aviões exibia quando o bêbado Bush ali caiu: “Mission accomplished!”
    https://en.wikipedia.org/wiki/Mission_Accomplished_speech

    Quem tiver curiosidade deve ler isto, mas sem o fato-macaco da ideologia (posso usar esta indumentária com vocês que são brancos? obrigado por não se sentirem ofendidos na vossa “raça” não a há, mas às vezes dá muito jeito a alguns sacanas sem argumentos. Aiiiiiiiiiiii! que me você me ofendeuuu!)
    https://en.wikipedia.org/wiki/Millennium_Challenge_2002

    Vejam como é que se pensa fora da caixa ( TGEN Paul Van Riper), vejam como é que os Houthis trabalham recentemente, vejam como é o Sistema actua sempre, Eu é que sei, até parece aqui o Iluminado dos comentários É assim e ponto final).

    Isto que se passou aqui, é o que acontece em todo o lado, aqui.
    Chefe escreve as conclusões e depois o relator escreve o relatório, ou o Chefe coloca a fotografia do escolhido no concurso e o encarregado de gerir o concurso escreve os requisitos que o vencedor deve ter.

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