(António da Cunha Duarte Justo, in PortgalNews, Facebook, 10/12/2025)

O Vírus da Guerra
Imagine a guerra não como um incêndio ocasional, mas como uma doença crónica que se instala no corpo da Europa. Com este artigo pretendo alertar para o facto de estarmos a normalizar o conflito. O rearmamento acelerado e a narrativa de que a guerra é inevitável não são só decisões políticas, são uma mudança profunda na nossa alma coletiva. A Europa está a trocar o seu projeto de paz por um colete blindado. Cega parece seguir os interesses de uma Europa dividida e determinada pela Europa dos três (UE-3).
O Antídoto Ético: Uma Paz que Desarma
No meio deste ruído de armas, surge uma voz rara e corajosa: a da Conferência Episcopal Italiana. Com a sua Nota Pastoral “Educar para uma paz desarmada e desarmante“, eles não propõem uma paz frágil, mas uma força ativa. É um apelo para desarmarmos os nossos espíritos antes de pensarmos em desarmar os exércitos. É o primeiro grande contraponto a uma cultura que está a adormecer para o horror.
A Amnésia Perigosa: A Alemanha Esquece as Lições
A Alemanha, outrora guardiã da memória dos horrores da guerra, tornou-se o principal motorista do rearmamento. É como se um ex-fumante, curado de um cancro, começasse a vender cigarros. Chama-se a Alemanha à atenção de uma “amnésia estratégica“: a sua verdadeira segurança sempre veio da cooperação, não das armas. Ao abraçar cegamente a lógica da NATO, Berlim está a desistir de pensar uma Europa autónoma e a empurrá-la para o abismo de um confronto sem fim com a Rússia.
Os Arquitetos da Divisão: NATO e Reino Unido
A NATO já não é só um guarda-chuva defensivo; tornou-se um professor que dita o que uma sociedade deve pensar e valorizar. A exigência de se gastar 5% do PIB na defesa é a receita para militarizar não só os orçamentos, mas também as nossas mentes. Paralelamente, o Reino Unido, após o Brexit, age como um “sismógrafo do caos“: para se manter relevante, semeia a divisão no continente, uma estratégia antiga das potências marítimas que deixa a Europa mais frágil e instável.
A Europa sem Bússola: Reagir sem Pensar
Aqui está a metáfora central: a União Europeia parece um barco à deriva, sem leme nem mapa. Reage às ondas (as crises), mas não sabe para que porto quer navegar. A UE movida pela UE-3 esquece um facto geográfico crucial: a Europa é uma península da Ásia. Tentar isolar ou humilhar a Rússia é como tentar separar o quarto da casa em que se vive. A verdadeira segurança só pode ser construída com o vizinho, nunca contra ele.
A Escravatura Invisível: O Neocolonialismo das nossas Mentes
O colonialismo de outrora roubava terras e corpos. O de hoje é mais insidioso: rouba o nosso pensamento. Através de uma informação centralizada e de narrativas simplistas e maniqueias, somos condicionados a aceitar a guerra como normal. É um “colonialismo mental” que nos escraviza desde a infância, fazendo-nos temer e odiar antes mesmo de podermos refletir. A guerra já não precisa de ser declarada; ela já venceu quando se instala no nosso inconsciente. E no neocolonialismo das mentes estabelece-se um regime sustentável das elites em que já não é a humanidade nem o humanismo que contam, mas o funcionamento da máquina. O argumento da guerra no seguimento do regime COVID-19 prepara os espíritos para a servilismo total.
Quem paga a Conta é o Povo. Quem lucra são as Elites e as Potências.
Uma verdade antiga e cruel: as guerras são decididas em gabinetes luxuosos, mas pagas com o sangue dos filhos das famílias comuns. Enquanto a indústria bélica e as elites políticas e financeiras lucram com o medo, a paz torna-se um perigo, porque exige justiça, transparência e cooperação, que ameaçam os seus interesses.
A grande Viragem seria investir na Paz como Estratégia
E se, em vez de gastarmos milhares de milhões em armas, investíssemos o mesmo numa “Cultura da Paz”? Seria de começar com essa revolução:
– Educação para o pensamento crítico.
– Diplomacia ativa e preventiva.
– Justiça social como a melhor política de segurança.
– Media diversificados e descentralizados mais conformes com um regime democrático.
– Cooperação global que leva desenvolvimento, e não apenas exploração.
Isto não é um sonho ingénuo; é o único plano realista de sobrevivência a longo prazo.
Conclusão: A Encruzilhada Final
A Europa está numa encruzilhada histórica:
– Caminho 1: Ser uma “Europa Armada”, rica em armas, mas pobre em consciência, subalterna, dividida e reativa.
– Caminho 2: Ser uma “Europa Pensante e Consciente”, que investe na paz como força civilizacional iniciando finalmente o processo de realizar o ideal cristão da irmandade entre todos os humanos e entre todos os povos.
A pergunta final do artigo é uma faca na consciência coletiva: Que tipo de humanidade queremos promover ? Financiar a guerra é fácil e dá votos a curto prazo. Construir a paz exige coragem, paciência e uma visão que vai além do próximo ciclo eleitoral. A verdadeira segurança começa no dia em que a guerra deixa de ser sequer imaginável.
Sintetizando A Europa está a adoecer da “normalização da guerra“, guiada pela amnésia da Alemanha, pela lógica divisionista da NATO/Reino Unido e pela sua própria falta de visão.
Estamos a trocar o projeto de união por um pesadelo de militarização e colonialismo mental, onde as elites lucram e o povo paga. O antídoto ? Uma audaciosa “Cultura de Paz”, financiada com a mesma verba que se destina às armas. A escolha é entre sermos um forte militar ou uma luz para o mundo.

E quando os nossos “grandes líderes” agem em conluio para nos esbulhar, reduzir os nossos direitos, a assistência e solidariedade social, aumentando as desigualdades e agravando os problemas conjunturais, transformando-os em sistémicos, o que fazemos se ainda por cima nos retiram liberdades e impõem a censura, o pensamento único e a repressão?
A Europa e que recusou o gás e petróleo da Rússia com as tais “sanções do Inferno”.
E depois de andarmos há quase quatro anos a armar nazis contra eles estavas a espera que a Rússia nos quisesse dar beijinhos?
Mas deixem de armar nazis que queriam fazer limpeza étnica no Donbass e Crimeia e pode ser que pelo menos não tenhamos de mais tarde ou mais cedo ver cogumelos cor de laranja.
E talvez a Rússia aceite voltar a vender nos o que precisamos pois certamente não querem beber petróleo.
Mas para isso é preciso estarmos dispostos a dialogar e parar de passar diagnósticos em psiquiatria a Putin e de lhe colecionar cancros.
E deixarmos de ter sonhos de conquista e eliminação física de Putin porque com qualquer outro estávamos exactamente onde estamos.
Porque qualquer outro que se sentasse de camarote a assistir aos nazis a limparem a Crimeia e o Donbass estava lixado com f muito grande.
Seria acusado por aquelas mortes todas.
E se a Rússia, por sermos uns traidores e termos tentado a sua destruição não nos quiser vender nem uma casca de alho isso não nos dá o direito de tentar a sua destruição.
Depois do que andamos a armar desde pelo menos 2014 a Rússia tem o direito de nos desligar o interruptor vendendo a quem tenha mais sentido de honra e mais vergonha no focinho.
Agora nos estamos começando por destruir no caminho todos os nossos sistemas de saúde e apoio social porque e preciso gastar em armas, armas e mais armas.
Ganhem vergonha no focinho.
E quando alguém quer desligar o nosso interruptor e apagar-nos a luz, o que fazemos ?
solicito o esclarecimento, sff.