(Prabhat Patnaik, in Resistir, 15/12/2025)

Todas as tentativas de “reformar” o capitalismo, tornando-o mais “humano”, estão fadadas ao fracasso.
É um facto bem conhecido que a teoria económica “mainstream” contemporânea, a única ensinada aos estudantes em grande parte do mundo, não capta a realidade do capitalismo. O que é menos reconhecido é que essa economia “mainstream”, não apenas nas suas encarnações existentes, mas independentemente das novas encarnações que assuma, é incapaz de captar a realidade do capitalismo. Vejamos porquê.
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Um dos problemas revelados pelo articulista e outros teóricos do capitalismo é que partem sempre do princípio errado de que só existe um capitalismo, o da produção. Isso poderia ser um pouco verdade no tempo de Marx (só um pouco), mas hoje nada tem a ver com os factos. Na verdade, o capitalismo da produção continua sim a existir, mas ocupa uma parcela cada vez mais ínfima da economia global. Os outros capitalismos têm-se agigantado sobremaneira: o capitalismo de casino e das jogatanas na bolsa, o extractivista, o militarista, o especulativo, o rentista, o da intermediação, o da IA, etc. A maior parte deles nada produz e vive de canibalizar os outros. Entretanto, a China já tem em funcionamento as suas mega-fábricas totalmente automatizadas com robots humanóides, máquinas-ferramenta, algoritmos sofisticados sempre a trabalhar 24h/dia, 7 dias por semana dia e noite, etc que não precisam de exércitos de reserva para nada. Assim conseguem dominar os mercados com baixos preços e alta qualidade. Experimentem ir ao TEMU, por exemplo. Enquanto isso, a velha Europa agita-se sem saber o que fazer, a não ser fugir para a frente de batalha, um suicídio colectivo, tipo Alcácer-Quibir.
Isso mais umas aulinhas de “literacia financeira” para pategos, e umas Novas Business School of Economics and Superior Institutes of Managing and “Gestation”, e a Pategónia vai ao sítio, para gáudio dos empreendedores e na defesa do empreendedorismo…
Estas carolas direitolas não páram…. e agora com a “ferramenta” da Inteligência Artificial, ui… é sempre a abrir…
Até fiz um lettering para realçar a vibe da energia positiva:
Tens que improvisar teu workflow
Para amealhar do que é bom
Olha como o Luís trabalhou
Tanto trabalhou que descansou…
Se o franchising não compensou
Tenta joint-venturing com o GreenSol
Dá-lhe no pacote de quem laborou
Literacia de stock market é tão bom
E se não tiveres bem do cashflow
Olha para quem um banco roubou
Os que não pagaram ninguém os levou
Paga o que deves que nem é bom
Acountability, outsorcing ninguém negou
O branding do país até melhorou
Se pinga do nariz também riscou
Bebe um cálice de licor ou de Porto
Bitches a “colaborar” no duro
Bosses a explorar quintas no Douro
O renting da habitação está no topo
Paga a tarifa e ajuda um filantropo
O rating da nação já disparou
A disparidade do income aumentou
Illegal Imigrants Exploitation decretou
A taxa de juro fixa até variou
Se não tens abertura o Spread a levou
Abre bem as pernas, assim Cotrim falou
Também tens o CU, então usa-o
E se ajoelhou, ao all seeing eye rezou
Por cá temos o Montepardo a dizer que não e o tempo oportuno para acabar com o pais desequilibrado e desigual que é Portugal.
Cabe perguntar quanto sera para ele o tempo oportuno e qual a razão pela qual pretende agravar essa desigualdade fazendo aprovar uma legislação laboral que visa simplesmente destruir o que resta dos direitos dos trabalhadores num dos países mais pobres e desiguais da Europa.
O que sempre me espantou no homem foi a candura com que diz atrocidades.
Estamos na presença de um psicopata encartado.
Cada vez me surpreende mais que tanta gente que vive apertada a espera do fim do mês tenha achado boa ideia votar num sujeito assim.
Valha lhe um burro aos coices em terra e um cardume de tubarões brancos famintos no mar.