As fantasias da cimeira União Europeia-União Africana. Enquanto o Ocidente discursa, a China faz obra

(Fórum da Escolha, in Facebook, 24/11/2025, Revisão da Estátua)


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Costuma dizer-se que Pequim avança em silêncio. Isso é falso. Avança tão ruidosamente que até os relatórios oficiais dos EUA gritam pânico — mas, como o Ocidente está demasiado ocupado a olhar para si próprio, não ouve nada.

No seu mais recente relatório, a Comissão de Revisão Económica e de Segurança EUA-China brada que a China representa “a ameaça mais séria à segurança nacional dos EUA”.

Tradução: eles estão a ganhar tudo enquanto nós organizamos mesas redondas. Enquanto Washington dramatiza, Bruxelas moraliza e Paris organiza uma comissão para criar uma comissão, Pequim implementa a sua estratégia africana como um rolo compressor.

📌 70% do 5G africano? Huawei.

📌 200.000 km de fibra ótica? Pequim.

📌 Data Centers? China.

📌 Segurança digital? China outra vez.

Onde o Ocidente promete, Pequim liga. Onde o Ocidente adverte, Pequim instala. Onde o Ocidente ameaça, Pequim cobra.

Mas, o mais corrosivo é que a China não está apenas a vender cabos: está a vender o sistema operativo político que os acompanha. A própria ONU observa, com resignação, que Pequim está a “moldar os padrões digitais africanos”. Em linguagem diplomática: o continente escolheu o seu fornecedor — e não somos nós.

Enquanto Bruxelas se encanta com o seu “Portal Global”, um magnífico projeto que nado-morto, soterrado pela burocracia e autossatisfação europeia, a China está a transformar África numa extensão tecnológica de Shenzhen.

A UE promete “uma alternativa democrática”. É lindo. Poético. Quase sol. Mas falta um pormenor: infraestruturas. Não se pode substituir a Huawei por comunicados de imprensa. Não se pode competir com a fibra ótica chinesa com um PDF de 146 páginas aprovado em trílogo. Não se pode contrabalançar um império digital com uma apresentação animada em PowerPoint.

Quanto aos Estados Unidos, abriram a carteira: 350 milhões de dólares para a tecnologia digital africana. Só que a Huawei gasta isso a levar a sua equipa para almoçar.

E depois África olha para o Ocidente. E vê:

  • Sermões.
  • Condicionalidades.
  • Conferências.
  • Ideologia numa caixa.

Depois olha para a China. E vê:

  • Cabos.
  • Portos.
  • Estradas.
  • Servidores.
  • Concreto.
  • Zero demoralidade.

A escolha não é difícil.

Enquanto o Ocidente gasta as suas energias a “defender a democracia” na Ucrânia, “contendo a China” em Taiwan e a “estabilizar” um Médio Oriente que tem vindo a destabilizar há 30 anos, Pequim está a construir o futuro do continente que dominará o século XXI.

Washington e Bruxelas estão a jogar Risk. Pequim está a jogar SimCity. E adivinha quem está a ganhar? A questão já não é: “África tornar-se-á digital?” Isso já está decidido desde 2018. A verdadeira questão é: “Preferimos uma África ligada à Huawei… ou uma África ligada a nada?” Porque, ao ritmo a que o Ocidente caminha, é o segundo cenário que se aproxima: uma África sem Ocidente.

Um Ocidente sem influência. E uma China que liga o planeta como quem liga um aspirador à tomada. A tomada já está ligada. Só falta ligar o interruptor. E não será o Ocidente que o ativará.

(@BPartisanss

7 pensamentos sobre “As fantasias da cimeira União Europeia-União Africana. Enquanto o Ocidente discursa, a China faz obra

  1. Ainda a propósito deste tópico, salta a vista a parcialidade e diferença de tratamento pela mass midia ocidental, influenciada pelas oligarquias e cúpulas dirigentes, e a dualidade de critérios jornalísticos e políticos ocidentais.
    Imagine-se que a China fazia ao largo de Taiwan o que os EUA estão a fazer ao largo da Venezuela e no Caribe – era o fim do mundo em cuecas, e justificaria todas as sanções, intervenções militares e até a acusação de “agressão não justificada” e “casus bellis”, ou seja, a Guerra nos mares da China, talvez a III Guerra Mundial.
    Assim, enquanto a marinha dos EUA assassina e destrói embarcações a seu bel prazer, em águas internacionais ou dos países da América Latina, os “defensores dos nossos valores e da democracia” piam fininho, nada dizem, ou, quando muito, mostram um certo desconforto para não parecer que são tão sabujos e servis como de facto demonstram ser, pelas suas acções e decisões de política externa. Aqui já não há “agressores” e “agredidos”, “invasores e invadidos”, “direito internacional”, “direitos humanos”, e tudo o mais. Há o patrão, o boss, o “Grande Irmão” americano e há o silêncio cúmplice, ou a simulação de indignação mal amanhada.
    Outro exemplo, em todo o lado se viu, no jantar da recepção na Casa Branca ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, o hiPOpoTamUS cor-de-laranja afirmar que decidiu que a Arábia Saudita passará a ser um aliado de peso (“major ally”) da NATO. Alguém ouviu o Mark Rutte (Ri-te) dizer alguma coisa sobre o assunto, ele que é o Secretário-Geral da NATO? E os “parceiros” (vassalos) europeus, alguém os viu dizer de sua justiça, pronunciar-se sobre essa “aliança” de um país banhado por outros mares e oceanos que não o Atlântico? E o Nuno Marmelo, o ministro do Ataque do Atlético Norte, já piou sequer, ou está a ver se passa entre os pingos da chuva para não ser humilhado quando também ele tiver ao beija-mão dos Al-Jolani e bin Salmans deste mundo, ele que vê (apoiantes de) terroristas na flotilha da sociedade civil que foi levar mantimentos aos palestinianos e foi interceptada, abordade e sequestrada pela marinha israelita em águas internacionais, em mais um acto de pirataria e terrorismo de Estado?
    É só para se ter a noção da hipocrisia destes “grandes líderes” ocidentais corruptos até ao tutano…

  2. O Ocidente está a perder a batalha ideologica contra o resto do mundo e por isso só lhe resta a guerra.
    A guerra e artifícios legais com muito de ilegal.
    E e provável que a guerra contra a China começa mesmo.
    Porque tal com na Ucrânia há muita gente naquela área geográfica incapaz de seguir em frente.
    Um desses países e o Japão agora disposto a juntar se ao país que despejou duas bombas nucleares e arrasou a sua capital matando num só dia mais de 200 mil dos seus habitantes para destruir o país que em tempos invadiu mas de onde teve de sair com o rabo entre as pernas.
    Austrália e Nova Zelândia fazem o que fizeram sempre. Seguidismo cego e uma incapacidade de fazer diferente.
    As Filipinas são outros que não se conseguem libertar das tutelas coloniais.
    Por lá opor se a deriva de oposição a China proposta por um filho de um antigo ditador pode simplesmente ser perigoso.
    Que o diga o antigo presidente do país mandado apodrecer atrás do Sol posto não por ter feito pior do que estão a fazer Bukele, com a sua prisão moedor de carne ou o que fez Bolsonaro e os seus helicópteros a matar a partir do ar mas por se opor a loucura de lançar este pais insular e tão sofrido numa guerra letal contra a China.
    As Filipinas nem sao signatários do malfadado TPI que parece ter sido criado para termos mais uma arma contra quem nos diz que não pois que os verdadeiros criminosos do Ocidente e Israel andam a solta.
    Mas isso não impediu Rodrigo Duterte, um velho de 79 anos de ser despachado para Haia.
    E e preciso não trabalhar num sítio frio como um corno para não perceber o que pode significar em termos de destruição física e psicológica rápida mandar um sujeito de uma região tropical para um sítio onde só o aquecimento pode manter alguém vivo.
    Por muito boas que sejam aquelas celas como alguns grunhos sem cerebro teem a pouca vergonha de dizer.
    Será que gostariam de lá ser enfiados?
    A última vez que apareceu o homem estava todo podre mas foi recusada a libertação por haver risco de fuga.
    Meus filhos de um comboio de putas selvagens de Babilônia, as Filipinas são um estado insular e o homem está todo podre, ia fugir para onde?
    Mas a ideia de que se pode ser preso e enviado para morrer longe de todos os lugares que foram nossos e de tudo o que conhecemos, sob ameaça de frio mortal pode levar muita gente a ter cuidado com a língua.
    Qualquer um que tenha andado na política pode ser acusado de qualquer coisinha.
    Qualquer sucessor político sem escrúpulos, sem honra e sem vergonha pode fazer o mesmo.
    E por isso muita gente vai simplesmente calar a boca porque a perspectiva de apodrecer lentamente atrás do sol posto pode ser mais assustadora que morrer de um tiro ou de um carro armadilhado.
    Putin tem em cima uma fatwa do TPI por ter tirado crianças de uma zona então sob forte bombardeamento do nazismo ucraniano.
    Esse pelo menos tem a vantagem de não ser de terra quente mas não daria um cêntimo pela sua pele se caísse nas unhas desta gente.
    Mas a verdade e que estas fatwas de um tribunal a soldo do Ocidente podem ser aproveitadas por um sucessor malévolo e disposto a livrar se de um antecessor que não se cala.
    Talvez essa fatwa tenha decidido Putin a concorrer a um terceiro mandato em vez de se fiar noutro.
    O que digam estes bandalhos o que disserem e sempre melhor do que simplesmente não convocar eleições a pretexto da guerra como fez Herr Zelensky. Mas continuamos a chamar ditador a Putin enquanto dizemos que Herr Zelensky e o presidente legítimo do seu país.
    O pretexto para guerra contra a China e a minúscula Ilha de Taiwan para onde fugiram os fascistas chineses.
    Que a China nunca anexou por ter um pais para reconstruir e ter mais que fazer.
    Mas o Ocidente sabe aproveitar as oportunidades e os herdeiros do sanguinário Chang Kai Chek são um motivo tão bom como qualquer outro assim haja nos países a volta muita gente incapaz de seguir em frente e outra com demasiado medo das consequencias para falar.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  3. A China alcançou a posição que tem sem uma única base militar no Estrangeiro !
    A China não dispara um único tiro faz já oitenta anos !
    A civilização vem do Oriente …

  4. A União Europeia é especialista em impôr regras de conduta que só os “grandes líderes” possam violar. Querem pôr os europeus a comprar carros eléctricos por causa da pegada carbónica, mas não há quinzena que não vão todos em jactos particulares reunir-se para fins de propaganda e marketing numa qualquer “coligação das vontades”, que também pode ser designada por “coalisão dos dispostos a tudo”. A Ursula fala nos “nossos valores e da democracia” como causas fundamentais, mas nem sequer é eleita por sufrágio, e sim pelos parlamentares dos partidos do “centro moderado”, e defende com o seu apoio o buraco negro do regime corrupto ucraniano “custe o que custar, dure o que durar”, e a guerra sem quartel na Europa oriental, que vai implodir a economia, o poder de compra, o nível de vida e os direitos da grande maioria dos europeus – todos, incluindo os ocidentais. Sobre a limpeza étnica e o genocídio em Gaza (e na Cisjordânia), e os ataques aos países vizinhos à margem do direito internacional, disseminando crimes de guerra hediondos, cometidos pelo regime sionista de extrema direita, a desculpa e: “Israel tem o direito a defender-se”. Pois, só os outros é que não têm direito a defesa, esses “terroristas”… e por falar em “terroristas”, na Síria foi colocado um no poder com o apoio dos “grandes líderes” ocidentais, com um currículo extenso de Al-Qaeda, Al-Nusra, ISIS e Hay’at Tahrir al-Sham. Esse deve ser um “estadista” feito à medida para tornar a Síria grande outra vez…
    E esta gente pensa que é com cimeiras que convencem o resto do mundo da bondade das suas intenções, e da verdadeira natureza das suas acções, ou seja, pensam que o resto do mundo tem a mente tão manipulada e martelada por propaganda e lavagens cerebrais como os pategos europeus que acreditam neles, e dizem amén a tudo o que a Comissão Europeia e o Conselho Europeu impingem e apregoam a partir de Bruxelas ou em qualquer outro lugar, mss já com a autorização e o carimbo de Washington D.C., de quem são sabujos vassalos.
    Esta gente vive dentro da sua própria bolha de desfaçatez, estupidez e mesquinhez, tão artificial ou mais que a inteligência superficial das máquinas, sem qualquer sensibilidade pelo mundo natural, pelas leis da vida, pela harmonia entre povos. Pensam que corrompem e compram todos como conseguem no Ocidente, que iludem o resto do mundo como iludem quem acredita neles.
    E claro que estão sempre a chocar de frente com a realidade, à qual querem dar a volta com artifícios cada vez maiores.

  5. Aplaudo o comentário anterir e o texto que o origina. Nao é preciso dizer mais, está tudo dito – o essencial – sobre um país que percebeu que tem de construir o seu futuro com as bases bem assentes na terrra, que procede cientificamente na análise dos problemas que deteta, e que procura resolvê-los, de acordo com os recursos e circunstancias materiais e culturais de que dispõe. Está na hora da esquerda, que preserva a sua reputaçao, se deixar de purismos – que só se encontram naqueles que nao têm de meter as maos na massa – de reconhecer a China e o regime que conseguiu implementar – socialismo com carateristicas chinesas -, como alternativa concreta e credivel ao capitalismo autofágico em que nos encontramos.

  6. O Ocidente está se nas tintas para os Direitos Humanos. Se assim não fosse não seriam cúmplices do sionismo nazi ou do nazismo ucraniano.
    Mas os Direitos Humanos são uma boa desculpa para não apoiar um pais ou castiga lo com sanções quando não se curvam aos seus desmandos e a sua exploração desenfreada.
    Ou para cortar o apoio, quando vêem que não dá o lucro esperado, a pretexto que o Governo do país não respeita os sacrossantos direitos humanos.
    Os Direitos Humanos teem sido desculpa para que o Ocidente bombardeie e arrase países como aconteceu na Somália, Iraque, Líbia, Jugoslávia, Servia e tantos outros.
    Mas enquanto isso teem bons negócios com os carniceiros israelitas ou com o regime saudita especialista em esquartejamentos em consulados.
    E não foi de certeza em nome da defesa dos direitos humanos que os Estados Unidos encheram o seu quintal da America Latina de ditaduras fascistas cada uma mais sanguinaria que a outra.
    Nem foi em nome dos Direitos Humanos que fecharam os olhos as ditaduras ibericas acolhendo Portugal como membro fundador da NATO.
    Os Direitos Humanos para esta gente sao uma desculpa para pilhar e descartar quando já não há nada para roubar. Nada mais que isso.
    Já a China faz negócio com lisura e honestidade e deixa as considerações morais para quem se quiser armar em moralista. Quando muitas vezes não teem água para se lavar.
    Como os Estados Unidos. Sem sistemas de saúde, sem apoios sociais dignos desse nome, com pena de morte, prisão perpétua, penas de duração indeterminada, regimes laborais de escravatura, querem dar lições a quem?
    Por isso a China e amada e respeitada no chamado Terceiro Mundo, mais recentemente Sul Global, enquanto o Ocidente e odiado.
    E por mim podiam todos os dirigentes ocidentais sem excepção ir ver se o mar da tubarão branco faminto, Kraken e megalodonte. Cardumes deles.

  7. É assim em África, e é também parcialmente assim na Ásia (excepto Azerbaijão, Japão, Coreia do Sul e Filipinas), na Oceania (exceto Austrália e Nova Zelândia), e nas Américas do Sul e Central (exceto a Argentina do Facho-Liberal Milei, e mais uns quantos vassalos em Repúblicas das Bananas).

    Está não será o século de África. Este já é o século da Ásia em geral e da China em particular. Uma China anti-imperialista, anti-fascista, pró-paz, e pró-Multipolarismo.

    E ainda bem que este é o século da China. Ainda bem que o Ocidente mete os pés pela mãos, e ainda bem que em particular a UE se auto-destrói. Será melhor também para nós assim, pois o sucesso dos estúpidos e monstros não traria nada de bom ao Mundo. Nunca trouxe.

    E que o modelo político da China (o milagre de um partido “único” que consegue ser mais representativo do seu povo do que a “democracia” Liberal ocidental, que só representa oligarcas e tresloucados neo-Colonialistas e imperialistas) seja também exportado ao lado do seu sucesso industrial e comercial.

    Nem é tanto pela questão do Comunismo, pois a China na realidade tem um modelo misto onde aproveita o que funciona bem quer no Socialismo quer no Capitalismo bem REGULADO.
    O importante é que o Facho-Liberalismo ocidental seja derrotado.
    Que lindo será, e que irónico, estes monstros serem derrotados depois da hubris que os levou a declarar o “fim da história”.
    Ah ah ah!

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