A Ursula é tão corrupta como o Zelensky. Só que a lixivia de Bruxelas lava mais branco do que a da Ucrânia…

(In Fórum da Escolha, in Facebook,15/11/2025, Revisão da Estátua)


Dizem-nos constantemente que a UE é uma “comunidade de valores” e que a Ucrânia deve “erradicar a corrupção” antes de entrar para o clube. É verdade: em Bruxelas, a corrupção não é erradicada, é gerida através da comunicação de crise.

Desde 2022, tudo começou com um pormenor aparentemente inócuo: algumas mensagens de texto entre Ursula von der Leyen e o presidente da Pfizer sobre um contrato de vacinas no valor de mais de 35 mil milhões de euros. O problema? As mensagens desapareceram misteriosamente e a Comissão recusou-se a dar-lhes acesso, alegando a sua “natureza efémera”. A situação era de tal forma grave que a Procuradoria Europeia (EPPO) confirmou, em outubro de 2022, a abertura de um inquérito à “aquisição de vacinas contra a COVID-19 na União Europeia”.

Em 2024, uma pergunta escrita de um eurodeputado recordou a todos que o presidente estava a ser investigado por “conflito de interesses, abuso de confiança e corrupção” nos contratos de vacinas negociados por SMS. Em maio de 2025, o Tribunal Geral da UE proferiu uma dura reprimenda: considerou ilegal a decisão da Comissão de negar o acesso às ditas mensagens, sendo uma violação do direito de acesso aos documentos e da “boa administração”. Simultaneamente, um grupo no Parlamento falou abertamente sobre a “corrupção ao mais alto nível das instituições europeias” em relação a este Pfizergate e exigiu a criação de um órgão de ética independente.

Embora as mensagens SMS tenham desaparecido, o dinheiro continuou a ser uma realidade. Dezembro de 2022: “Qatargate”. Malas de dinheiro, no valor de 1,5 milhões de euros, foram apreendidas a autoridades eleitas, atuais e antigas, próximas do governo em Bruxelas, incluindo a vice-presidente do Parlamento Europeu, Eva Kaili, e o ex-eurodeputado Antonio Panzeri. A acusação: terão sido subornados pelo Qatar e por Marrocos para melhorar a sua imagem e influenciar decisões europeias. O Parlamento admitiu-o tacitamente nas suas próprias resoluções, falando da necessidade de reforçar “a transparência, a integridade, a responsabilidade e o combate à corrupção”.

Para agravar a situação, em janeiro de 2023, a presidente Roberta Metsola, com a mão no coração, prometeu que “a corrupção não compensa e tudo faremos para a combater”. Poucos meses depois, o mesmo Parlamento reconheceu, por escrito, que o quadro ético da UE apresentava “graves deficiências” por se basear na autorregulação. Daí a necessidade de um “órgão de ética independente” para tentar restaurar um nível mínimo de confiança. Quando é necessário recorrer a um organismo externo para verificar se os guardiões da virtude não estão a desviar dinheiros públicos, percebe-se que a situação é…preocupante.

Na Ucrânia, a história repete-se, mas é filmada com uma câmara frontal. A agência anticorrupção NABU publica comunicados de imprensa, números, documentos editados e gravações de escutas telefónicas. Em 2025, descobriu um vasto sistema de “gestão paralela” na operadora nuclear Energoatom: os contratados tinham de pagar 10% a 15% de cada contrato em subornos, ao ponto de “a gestão de uma empresa estratégica com mais de 200 mil milhões de hryvnias em receitas anuais ser realizada não por funcionários oficiais, mas por pessoas sem qualquer mandato”. Noutro caso, o NABU e a Procuradoria especializada desvendaram um esquema de corrupção nos contratos de drones e sistemas de guerra eletrónica: contratos sobrefaturados, subornos até 30%, envolvendo um membro do Parlamento, autoridades locais eleitas e oficiais da Guarda Nacional. Sob pressão pública e de Bruxelas, Zelensky foi forçado a restaurar a independência do NABU, que tinha tentado restringir, e a denunciar estes casos como “absolutamente imorais”, ao mesmo tempo que agradecia publicamente às agências anticorrupção pelo seu trabalho.

Por outras palavras: em Kiev, registam as transações obscuras, rastreiam os fluxos financeiros e divulgam as gravações telefónicas. Em Bruxelas, apagam mensagens de texto, elaboram resoluções sobre “transparência” e dizem à Ucrânia como se deve comportar à mesa das negociações.

Conclusão

De longe, a mensagem da UE é simples:

  1. Quando as pessoas próximas do governo ucraniano ficam com 10 a 30% dos contratos de drones e de energia, é um escândalo que ameaça “a perspetiva de adesão”;
  2. Quando o Presidente da Comissão negoceia dezenas de milhares de milhões de euros por mensagem de texto com um CEO e depois perde as mensagens, não é corrupção, é “boa administração, embora passível de melhorias”.

Exigimos um Estado de Direito cirurgicamente preciso a Kiev, controlado pela NABU, SAPO, EPPO, OLAF e pela sombra do Parlamento Europeu, enquanto, no “coração da Europa”, se acumulam sacos de dinheiro, as leis são revogadas e descobrimos, para nossa surpresa, que a autorregulação ética não funcionou propriamente.

Em última análise, o único crime real da Ucrânia aos olhos de Bruxelas não é a corrupção, mas sim a sua vulgaridade: Lá, roubam descaradamente, com agressividade excessiva e de forma muito ostensiva, com escutas telefónicas, revistas e fotos de malas. Cá, prefere-se a versão premium: contratos obscuros, mensagens de texto que desaparecem, grandes pronunciamentos sobre democracia… e uma frágil proteção moral.

A Europa exige “tolerância zero” à corrupção de Kiev. Talvez devêssemos começar por testar o conceito internamente antes de o tornar um critério de adesão…

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8 pensamentos sobre “A Ursula é tão corrupta como o Zelensky. Só que a lixivia de Bruxelas lava mais branco do que a da Ucrânia…

  1. È verdade, foi publicado em 30 do 06 de 2024, já lá vai algum tempo, há quem diga que o tempo não volta para trás, mas este texto mais abaixo, quer, quer, quer não continua na ordem do dia, mas também sei que alguns têm um ódio de morte aos membros do único partido de esquerda, marxista em Portugal e ilhas adjacentes, tem como título;
    António Costa, o Ungido!
    Como se vinha anunciando desde a queda do governo (11 de novembro 2023) a que presidia, e que jurara não abandonar para ir para a Europa, (“Já expliquei a todos que não aceitarei uma missão que ponha em causa a estabilidade em Portugal. Alguma vez eu poria em causa a estabilidade que tão dificilmente conquistei? – 26 de junho 2023), António Costa foi, afinal eleito, dia 27 de Junho, embora por maioria qualificada, presidente do Conselho Europeu, cargo que assumirá a partir de Dezembro e no qual se manterá, pelo menos, durante dois anos e meio.

    Portanto, até para António Costa era difícil dar o dito por não dito, sem perder a face. Por outro lado, todos nos lembramos de o presidente da República ameaçar com a interrupção da legislatura e novas eleições caso Costa aceitasse um cargo europeu! Contudo, António Costa ocupa um cargo europeu! E com o apoio expresso de Marcelo! Malhas que o império tece.

    António Costa diz que não acredita em milagres. Os comunistas muito menos!

    Então, o que aconteceu para aqui chegarmos?

    Convidamos os nossos leitores a revisitarem o artigo do Luta Popular no qual se apontam as várias causas que determinaram a queda de um governo PS de maioria absoluta afogado em situações opacas de corrupção, isolado do povo pelas medidas reaccionárias e anti-populares que tomou, desde a destruição do Sistema Nacional de Saúde até à negação do direito à habitação, impondo uma carga fiscal opressiva e que tornaram insustentável a vida dos trabalhadores portugueses, apesar dos milhões que diariamente entram em Portugal, no âmbito do PRR.

    O certo é que, sem condições para continuar a governar, com a queda do governo, Costa ficou liberto para atingir o seu objectivo e cumprir a sua missão na Europa e, assim, receber o prémio por ter sido o bom aluno das políticas europeias.

    Nos últimos meses, assistimos ao chamado quarto poder – a comunicação social – exercer sem limites e de forma despudorada a sua função de fazedor e manipulador de ideias, de criação de opinião pública a favor de Costa que praticamente é entronizado e levado em ombros para a Europa, enquanto os seus apoiantes lhe tecem as maiores loas, criando, de forma completamente provinciana, servindo alegremente o capitalismo europeu, o seu “herói” português, o tal “habilidoso” que é capaz de cozinhar as unidades mais difíceis, mas que não terá qualquer pejo em as desfazer sempre que estiver em causa a sua existência.

    E se os resultados das legislativas antecipadas não foram ainda os esperados para se constituir o parlamento favorável a um sector da burguesia, os resultados das eleições europeias, tanto a nível nacional como europeu obrigou a que certos sectores da burguesia se aliassem para se manterem no poder e dar continuidade à política em que a guerra é o único meio para resolver as gravíssimas contradições de um sistema em crise, de um modo de produção em falência.

    Hoje, alguém tem dúvidas de que esta eleição foi bem preparada? Como diz o próprio Costa, muita água correu para se chegar a este acordo de partilha de poder na União Europeia: aliança entre socialistas e conservadores que permitiu manter no cargo Ursula von der Leyen que também tem problemas para resolver com a Justiça e eleger Costa que nem sequer é primeiro-ministro!

    No país, assistimos a uma aliança semelhante, com o governo AD a apoiar António Costa, circunstância que tornará mais fácil estabelecer acordos futuros com o PS. Cavaco é que parece não estar a gostar desta circunstância e pede novas eleições antecipadas!

    Da operação Influencer pouco ou nada resta! Tudo indica que se vai desvanecer, devagarinho…

    Agora toda a atenção está concentrada à volta de Costa, do seu perfil, da sua eleição e quão importante é para os portugueses ter Costa no conselho europeu!!! Certamente que é importante para alguns, tudo o resto é mero nacionalismo populista.

    A vida do povo português não teve qualquer melhoria com Costa no poder, sozinho ou com as suas muletas. Não há razão nenhuma para o povo português se orgulhar de Costa como presidente de um Conselho Europeu de uma União Europeia, dominada por contradições e interesses em conflito, parte activa numa guerra a escalar vai para dois anos, e em que o objectivo de uma coesão social justa está cada vez mais longínquo, se é que alguma vez foi objectivo. Agora o aspecto principal é o bélico.

    O povo português conhece bem António Costa e, por isso, sabe que ele é o indicado para servir caninamente os interesses do capitalismo europeu e americano. Na realidade, Costa vai apenas cumprir o que já está decidido, como sempre fez.

    Mas não esqueçamos que tudo começou com a queda do governo, na sequência do famoso terceiro parágrafo, e que, segundo Costa, teria sido, o tal milagre que o colocou no Conselho Europeu. Mas como nem ele nem nós acreditamos em milagres, não podemos deixar de referir que dos três actores que intervieram como responsáveis pela queda do governo: o próprio António Costa, que apresentou a demissão; Marcelo Rebelo de Sousa, que aceitou a demissão e Lucília Gago, que supostamente escreveu o famoso terceiro parágrafo, apenas Costa beneficiou da situação, como é fácil de compreender. Lucília Gago está atolada no pântano que criou e em que se enredou e o presidente da República perdeu credibilidade e confiança, continuando envolvido em situações cada vez mais opacas, que lhe estão coladas à pele por mais que as tente sacudir.

    Razão tinha o camarada Arnaldo Matos – É tudo um putedo!

    Autor identificado

  2. Como é que vai buscar dinheiro? Na Dinamarca quem nasceu depois de Janeiro de 1970 já tem uma certeza, reforma só aos 70 anos, se lá chegar.
    Dizem que e a esperanca de vida a aumentar, mesmo que vejamos gente a ir cada vez mais cedo.
    Os países nórdicos que tinham sistemas de segurança social invejáveis, a ponto de serem chamados paraísos começam a transformar se em Infernos dos índios apache pois que só teem fartura e de frio.
    E a saúde e segurança social que se vai buscar em todo o lado o dinheiro para que estes trastes todos continuem a manter vivo o sonho de cumprir os sonhos de Napoleão e Hitler de derrotar a Rússia.
    Mas como os pategos continuem a acreditar que se assim não for a Rússia vai invadir esta desgraça de que precisa tanto como da fome toda a gente acha isto normal e teremos ainda muito que penar.

  3. Ainda não veio aí o propagandista escravizado, meio pateta meio patego, explicar como é que a UE que financia esta corrupção toda interna com quantidades exorbitantes de dinheiro e regras à Lagardère, e ainda tem outra fortuna para gastar na Ucrânia quase a fundo perdido, financiando um regime hostil à Rússia e corrupto até à medula, é afinal uma União Soviética?

    • Como sei que a União Europeia não é uma União Soviética, como apregoam alguns patetas e encantadores de pategos por aqui, e não só?
      Além das razões que já referi antes, noutros artigos publicados pela Estátua, que leio para me informar e aprender, uns melhores que outros, a resposta é óbvia e está contida na pergunta. A União Soviética nunca iria subsidiar um regime de supremacistas e ultra-nacionalistas com ideologia nazi-fascista, profundamente anti-comunistas e russófobos, que perseguem os russos e russófilos, proibem os partidos comunistas e de esquerda, como acontece no regime do fantoche corrupto, em que financiam os altos funcionários e as oligarquias do Estado e das corporações com esquemas de corrupção para lavar fortunas e as desviar para contas na Suíça ou para offshores. Além disso, Bandera e Shukhevych, entre outros, são as referências desse regime, cujo ideólogo original foi Dmytro Dontsov. E o dia da Vitória sobre o Nazismo, a 9 de Maio, dia em que Berlim capitulou e o III Reich foi desfeito, até já é apagado do calendário na Europa Ocidental, como uma data proibida. Por que o faria, se a UE fosse soviética?

  4. Não é só na Casa Branca que há um enorme pântano por drenar, na bacia estado federal profundo… parece que em Bruxelas a fossa também é grande e aumenta a cada dia… Se eles lá têm os hiPOpoTamUS a chafurdar, os “moderados atlantistas” deste lado do oceano têm uma URSulA! Qual deles mais podre e decadente… Simplesmente os de cá curvam-se aos de lá, que por sua vez também se curvam, mas para defecar em cima dos anteriores… assim vai o “mundo livre”!

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