A Troika 2.0

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook,10/11/2025)


Enquanto Lisboa exibe ao mundo o brilho do Web Summit, fingindo ser o palco do futuro digital, o país está a ser empurrado para a economia do século XIX — uma economia de salários de miséria, turnos intermináveis e gente exausta a sustentar os lucros dos poucos que chegam de Ferrari.

Chamam-lhe “Trabalho XXI”, mas é a Troika 2.0 , e nem sequer precisou de chegar de avião.

A AD escreve, a IL aplaude, o Chega distrai — e juntos compõem a mais violenta ofensiva contra quem trabalha desde o tempo da troika.

Prometem “modernizar”, mas o que trazem é exploração:

– 50 horas por semana, disfarçadas de “banco de horas individual”;

– contratos a prazo até 5 anos, para eternizar a precariedade;

– menos formação, para garantir uma mão-de-obra dócil e barata;

– despedimento livre pela porta do cavalo, onde até quem ganha em tribunal perde o direito de voltar ao trabalho;

– greves esvaziadas por serviços mínimos automáticos;

– outsourcing sem regras, para trocar trabalhadores com direitos por subcontratados descartáveis.

Tudo isto num país que cresce acima da média europeia, mas onde o crescimento foi para Ferraris, não para salários.

O trabalhador ficou com a inflação, a renda impossível, a casa vendida a fundos, a escola degradada, o hospital sem médicos.

E quando o povo acorda e protesta, chamam-lhe “incompreensível”.

Quando os sindicatos unem forças, chamam-lhe “greve política”.

Quando o povo se defende, dizem-lhe que “a precariedade não é má”.

Claro — a precariedade não é má para quem ganha 4000 € e troca de emprego com indemnizações douradas.

Mas é destruidora para a mãe que trabalha no retalho, para o operário, para a enfermeira, para o motorista.

O Chega cumpre a função de sempre: atira pobres contra pobres.

Inventam “invasões islâmicas”, “ciganos subsidiodependentes”, “imigrantes criminosos”.

Mas o objetivo é claro: primeiro precarizaram os imigrantes, impedindo-os de se legalizar para ficarem presos a intermediários e patrões sem escrúpulos; agora vêm precarizar os portugueses.

A Iniciativa Liberal embala o discurso com palavras bonitas: “flexibilização”, “escolha do trabalhador”.

Mas sem sindicatos, sem rede, sem alternativas, não há escolha — há chantagem. Aceita ou és substituído.

E a “flexibilidade” de uns é a servidão dos outros.

E no meio, a AD — que dizia querer “a economia a crescer como nunca” — apresenta um pacote que destrói tudo o que fez o país resistir à crise: reduz direitos, agrava desigualdades e abre portas a despedimentos em massa.

CGTP e UGT, unidas — até os sindicatos mais próximos do PSD — chamaram-lhe o que é: a lei final, o fim do trabalho com dignidade.

E enquanto o Governo legisla o retrocesso, o país distrai-se com eleições de clubes de futebol, reality shows e os espetáculos do populismo.

Cada vez que o Chega fala em “burqas”, em “criminalidade”, em “corrupção socialista”, um novo artigo da lei é aprovado para tirar direitos a quem trabalha.

Cada vez que a IL fala em “produtividade”, um novo trabalhador é despedido e recontratado como precário.

Cada vez que a AD fala em “modernização”, é mais um turno de 12 horas disfarçado de “escolha”.

Esta é a nova Troika.

Não vem da Alemanha.

Vem das bancadas da Assembleia da República.

E não pensem que isto fica pelo privado.

Depois de destroçarem o sector privado, irão atrás dos funcionários públicos, dos professores, dos médicos, dos enfermeiros.

Quem trabalha é o alvo.

O projeto é claro: um país obediente, cansado, barato, onde o Estado serve os poderosos — nunca os que trabalham.

Um ano e meio bastou.

Sem pandemias e sem guerras, rebentaram as finanças, travaram a economia, destruíram a coesão social, pioraram o SNS.

Um Governo de ilusões e diversões: o que estava mal, piorou; o que estava bem, mal ficou… só ganharam os que já estavam a ganhar.

Meus caros, votaram com medo de imigrantes, ciganos e burcas?

Agora que lhes deram o poder que queriam, o alvo são vocês.

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23 pensamentos sobre “A Troika 2.0

  1. Para mim o povo é mesmo ignorante e muitas vezes ruim como as cobras e invejoso, daí tantos votos em quem promete dar cabo da vida a alguem. Já o disse muitas vezes e já levei muito na cachola por causa disso.
    Mas aó contrario do MST e de outros não tenho nenhumas ilusões quanto às elites que muitas vezes estimulam mesmo essa ignorância porque não querem perder privilégios. Ignorância e coisas piores como exploração desenfreada e muitas vezes ditadura.
    Era ver o boazinhas que eram as elites no tempo da Outra Senhora ou, pior ainda, na Idade Média e outras épocas mais recuadas na história.
    O processo fez se muitas vezes justamente contra essas elites.
    Quando o povo acorda, o problema e que muitas vezes tem o sono demasiado pesado.

  2. «O diretor nacional da PJ mostrou-se hoje preocupado com o aumento da violência dos traficantes de droga contra as autoridades, notando que as redes de tráfico por via marítima já usam armas de calibre de guerra (…) Nos últimos anos temos vários homicídios consumados e tentados em Portugal, cometidos por sicários vindos do norte da Europa para aqui fazerem ajustes de contas porque a droga não foi entregue ao seu proprietário”.
    Será que tais armas poderão vir, nomeadamente, da Ucrânia, com a corrupção que por lá vai indo?
    Espero que a minha pergunta não ofenda e não digam que sou «putinista»!🥸

  3. Querem ver que ainda se acabará por reconhecer que o MST teria razão naquilo que escrevera e que aqui, dias atrás, tantas críticas merecera?
    «Não acredito no futuro feliz de uma nação em que o “povo” (…) se empenha numa batalha mortal pelo silenciamento das suas elites. São elas que fazem progredir os países, são elas que lançam as discussões que interessam para o futuro dos povos e para um mundo fundado na liberdade e na justiça. O povo, esse, está mais interessado e mobilizado em votar nas eleições no Benfica do que em votar para defender a democracia nas eleições políticas. E quando o povo ou os políticos obtêm êxito no silenciamento e afastamento das elites, triunfa a mediocridade, o oportunismo e a obediência de rebanho»
    🥸

    • O Miguel Sousa Tavares (MST) adora esta troika. O MST detesta estes sindicatos. O MST abomina o povo, e chama “progresso” a este tipo de leis. Portanto, o artigo do Eduardo Maltez Silva (EMS) não lhe dá qualquer razão.
      E o EMS é também um grande malabarista. Consegue escrever um texto inteiro sem atacar os rosinhas, que são quem apoia este governo laranja-azul, são que recusou reverter as leis (ataques) laborais da troika, e são quem governará de sorriso nos dentes após esta segunda troika deixar estas novas leis como herança. Ou seja, será a continuação a 100% do Efeito Ratchet na política, é só para isso que o P”S” (ou P sem S) serve.
      O EMS é mais um como o MST do que parece à partida, tal como acontece com o Carlos Esperança: faz parte do problema, nunca fará parte da solução. Em vez de usarem os olhos, só usam palas cor de rosa.

      A solução para este país, atacada pelo P”S”, pelo Carlos Esperança, pelo MST, e pelo EMS, etc, é aquele grupo de pessoas no PCP e BE que recusaram aprovar o orçamento do António Costa em 2021. São a Esquerda MODERADÍSSIMA a quem estes comentadores malabaristas chamaram (e continuam a chamar) de “radicais” e “extremistas” e “populistas” e “irresponsáveis”.
      Porquê? Porque o PCP e o BE pediam para negociar faseadamente um regresso aos direitos laborais existentes até 2011. Diga isro em voz alta na sede do P”S” ou sa UGT, e logo eles gritarão em pânico: “estalinismo”!

      Portugal é um país racista e fascista. Décadas de lumpenização de um povo, pouco mais que analfabeto, resultaram nisso. O vírus passou de geração em geração e passou a ser endémico. Está no sangue até de alguns (palhaços ou idiotas úteis) que todos os anos andam de cravo ao peito. E a tragicomédia é que com as novas gerações mais qualificadas de sempre, a máquina de propaganda do regime conseguiu-as convencer que este PFEC (Processo de Fascização Em Curso) é uma coisa toda modernaça, feita em nome do crescimento, progresso, investimento estrangeiro, e pagamento da dívida.
      Mas não é.

      No final do dia, a situação é assim: estas leis/reformas laborais apenas servem para atacar quem trabalha, concentrar riqueza nas mãos de quem não trabalha (capitalistas), enfraquecem economia real, aumentam total do dinheiro que sai de Portugal para as contas bancárias ofdshore dos ricos, transformam as áreas metropolitanas em parques temáticos gentrificados, amontoam trabalhadores na periferia, provocam a emigração de jovens (e sua substituição pelos miseráveis do Bangladesh e companhia, o que só agrava as condições onde o discurso xenófobo prolifera), e mantêm Portugal na rota para ter uma peste grisalha (ou um inverno demográfico) pois os jovens adultos ou não conseguem constituir família, ou na melhor das hipóteses têm só um filho por casal.

      A troika NÃO é a IL junto da AD e Chega
      A troika é o P”S” ao lado da AD e Chega.
      E quando digo AD e Chega, estou a falar de uma coisa que tinha um só nome entre 2015 e 2019: PàF – Portugal à Frente. Passos Coelho, Paulo Portas, e André Ventura, todos no mesmo curral.
      Esta troika é uma troika para a qual não há alternativa (TINA), caso contrário cai-nos a ditadura do €uro em cima, com mecanismos para nos impor à força o que tivermos recusado em eleições. Veja-se só o que fizeram à Grécia, recomendo o filme baseado no livro do Varoufakis: Adultos na Sala. Schauble chegou mesmo a dizer, sem oposição no €urp Grupo, que, e passo a citar: “os eleitores não têm o direito de escolher a política económica do seu país”!
      É para isso e só para isso que a Zona €uro serve. A ideologia EXTREMISTA e TRAIDORA do Europeísmo (versão especificamente europeia do Globalismo NeoLiberal) é a base na qual esta troika se apoia.

      E o paleio nacionalista do Chega é só isso: paleio. Se governarem, farão como a Mussolini de saias (Giorgia Meloni) em Itália: submissão total à mesmíssima m*rda Europeísta.
      Nesta troika, a IL, o PAN, e o Livre, são os minions e válvulas de escape dos partidos maiores. Mas todos os votos nestes partidos são votos que permanecem no sistema. Não são votos em alternativas.
      Na prática e no essencial, votar em Rui Tavares ou em André Ventura, vai dar no mesmo. Mudam só a retórica e os cartazes.

      O país com que o aristocrata snob MST sonha está a tornar-se real: as “elites” políticas continuam o PFEC (Processo de Fazcização Em Curso), a ditadura do €uro está lá em cima a garantir que o povo não se atreve a mudar, as Fake News (que lhe pagam a avença) fazem hoje a propaganda e lavagem cerebral para manter a lumpenização, e o povo ignorante e “sem valor” trabalha à jorna a troco de um pedaço de pão e, para que esta aristocracia snob tenha uma cidade mais “limpa”, esse povo é condenado a ir no trânsito ao fim do dia de volta para a sua humilde casa ou mesmo barraca na periferia.
      E se por acaso um desses montes de barracas incomodar a vista desta aristocracia/oligarquia snob, então viola-se a tal da Constituição “demasiado ideológica” e manda-se demolir essas barracas, que é para o pobre aprender a ir montá-las mais longe da vista…

      Este Portugal de PFEC já começou a ser esculpido nos anos 90, após o P”S” de Mário Soares ter preparado o terreno nos anos 80, com o Socialismo na gaveta e a chamada do FMI. Primeiro passo a passo, com Cavaco a assinar a capitulação de Portugal no Tratado ee Maastricht, e Guterres a aderir à ditadura do €uro sem referendo, e ambos a darem início ao desmantelamento faseado do SNS e das leis laborais.
      Depois, a troika de 2011, trazida voluntariamente por P”S” e PSD/CDS (e nessa altura os minions e os Cheganos já existiam DENTRO destes partidos, mas simplesmente ainda não tinham formalizado os seus “novos” partidos), foi o momento da aceleração do PFEC.
      E agora que os Cheganos perderam a vergonha, e a Geringonça (acidente de percurso deste regime) foi assassinada e cremada, o PFEC atingiu a velocidade máxima.

      Que o EMS autor do texto elogie a UGT, em vez de dizer que foi esta que assinou todas as agressões laborais da troika, só prova quem este autor realmente é.
      A UGT congelou o salário mínimo nos 405 €uros, assinou de cruz (ao lado do patronato fascista) a destruição dos direitos laborais que existiram até 2011, e numa recente notícia mostrou que é o cúmulo da falta de noção e de vergonha: festejou a “conquista” do direito ao salário mínimo para trabalhadores da Uber… Como se não tivesse sido exatamente UGT, em conluio com o P”S” e o PSD (e minions) a permitir que durante tantos anos os precários da Uber não tivessem direitos nenhums!
      E como se Portugal não fosse um país com leis, e uma multinacional tivesse o direito de aceitar garantir o salário mínimo só se lhe apetecer…
      Depois admiram-se que quem realmente defende os trabalhadores se vire para a UGT e chame os bois pelos nomes: União Geral de Traidores.

      E onde estava MST quando os escravos da Uber, sem contrato de trabalho, passavam por ele sem segurança social, sem TSU paga pelos patrões, aliás sem patrões legais (pois são meros donos de uma app para trabalhadores “independentes”), sem férias, sem 13° e 14° mês, sem direito a sindicalizarem-se, e sem sequer a garantia de um salário mínimo?
      Estava a escrever textos contra os taxistas, contra a CGTP, e contra a Esquerda “radical”, “extremista”, “populista”, e “irresponsável”. Quiçá escreveu algumas coisas enquanto um desgraçado pedalava à chuva para lhe entregar uma refeição encomendada via app. E a única queixa dele terá sido o tempo que o estafeta precário levou a chegar à porta da sua mansão…
      E o EMS e o Carlos Esperança? Estavam ocupados a escrever textos muito zangados por a Esquerda real ter recusado o ultimato do FASCISTA António Costa.

      Solução para isto? Um grupo de militares, com mais formação que o povinho comum, com noção do sarilho em que a NATO de Salazar e a UE de Cavaco e o € de Guterres nos colocaram, com noção da lumpenização em que as Fake News mantêm o povo, que forme novamente um MFA (Movimento das Forças Armadas) que se revolte contra este PFEC, e que pegue em tanques e artilharia e metralhadoras e aponte tudo isso contra este regime podre.
      Que se faça o restauro do 25-Abril, aquele sonho revolucionário popular democrático soberanista que estes fascistas rosa e laranja esfaquearam e assassinaram e que o Chega se prepara para enterrar de vez.

      Mas não basta a revolução. A revolução é só o primeiro passo, tal como em 1974. Depois é preciso garantir o sucesso da revolução e gatantir wue não é revertida poucos anos mais tarde. Para isso é necessário que se substitua o bordel de PRESStititas da RTP por uma TV realmente feita por jornalistas, que realmente diga a verdade, e que faça a pedagogia necessária para reverter a lumpenização deste povinho. É preciso uma TeleSUR portuguesa! É preciso uma RT no lugar da imperial mentirosa CNN “Portugal”. É preciso uma Avante TV no lugar da PSD TV (SIC), uma Constituição TV no lugar da Chega TV (CMTV), e uma Soberana TV no lugar da propaganda Europeísta que é feita via Euronews e programas da RTP (e não só) patrocinados com fundos da UE, i.e. dinheiro NOSSO usado por não-eleitos para nos manipular contra os nossos próprios interesses!

      É também necessário proteger este campo de batalha informacional do país em relação à interferência externa noutras plataformas.
      É preciso redes sociais sem algoritmos manipulativos, que substituam cada um dos instrumentos imperiais (EUA) de lavagem cerebral e espionagem: Facebook, Instagram, X, WhatsApp, YouTube, etc.
      É preciso substituir a verborreia da bola por uma cultura desportiva olímpica.
      É preciso substiui a morte cerebral que é a reality TV por documentários educativos.
      É preciso substituir a máquina de propaganda imperial de Hollywood/Netflix por canais e serviços de streaming com sétima arte do resto do Mundo, com realce para a indústria cinematográfica portuguesa que (e isto devia ser óbvio) deve receber muito mais apoio Estatal do que recebe actualmente, e promover muito mais o país com temas patrióticos.

      É ainda preciso substituir tecnologia que nos amordaça a quem não é bem intencionado, e nos condena a financiar ad aeternum a oligarquia que nos quer manter seus vassalos.
      Isto é, proibir importação de Coca Colas e abertura de McDonalds. Substituir Microsoft e Apple por software de código aberto. Ressuscitar a indústria automóvel nacional, e limitar a importação de carros franceses e alemães e anglo-americanos e japoneses. Etc.

      E, obviamente, é preciso tornar o nosso país imune as sanções e ameaças e TINAs.
      Como?
      Sair da ditadura monetária de Frankfurt, e voltar a ser um país normal com moeda própria (ex: Suécia, Noruega, Chéquia, Hungria, só para dar 4 de vários exemplos que ainda existem na Europa).
      Sair da ditadura da UE e voltar a ser um país normal como os que permanecem na EFTA (Noruega, Suíça, Islândia, Liechtenstein).
      Sair da NATO e voltar a ser um país normal, pacífico, neutral, como manda a Constituição, e como acontece na Irlanda, Suiça, Áustria, etc.
      Aproximar mais a países realmente amigos, como o Brazil, estabelecendo uma parceria com os BRICS+, e chamando investimento Chinês para a iniciativa Belt & Road, e acedendo a combustível bom e barato da Rússia (em vez de nos auto-açoitarmos com sanções ordenadas por Washington e Bruxelas).
      Fechar as embaixadas dos EUA e de “israel” em Portugal, e mandatar os serviços secretos portugueses para tudo fazerem de forma a evitar que os Mi6/CIA/Mossad voltem a tomar conta disto como fazem actualmente!

      A única coisa com que concordo em relação ao actual regime, é a vontade de diminuir a Dívida Pública. Mas só concordo com parte da teoria. Não concordo com o objetivo final (ficar nos 60% do PIB) e muito menos com a forma (austeridade permanente para o povo que trabalha e políticas pró-cíclicas).
      O foco deve ser uma descida dessa dívida de forma não dolorosa para quem trabalhada, a descida da Dívida Externa (com a ajuda da moeda nacional com um valor adequado à nossa economia, ao contrário do que acontece na €uro ditadura) e uma política protecionista q.b. dos nossos sectores estratégicos (sem criar hostilidade externa).
      O objetivo final devem ser os 0% de Dívida Pública (e não os 60%), o uso do dinheiro poupado (no que deixa de se pagar nos juros anuais) para reforçar sempre o investimento Público, não apenas nas infraestruturas e Estado Social (ex: hospitais e meios do SNS), mas também na criação e manutenção de uma poderosa indústria nacional (do Estado) que nos garanta algo que não temos hoje em dia: mais auto-suficiência. Só 3 exemplos: na produção de medicamentos e vacinas, na produção de maquinaria, na produção de chips. Respectivamente para substituir a dependência de importações das Pfizers e companhia, da maquinaria Alemã, e dos chips dos Países Baixos e de Taiwan.

      Se tudo isto acontecesse, Portugal teria futuro. E teria ainda a recuperação demográfica (i.e. jovens suficientes para substituir os velhos, ir a caminho dos 11 milhões ou mais, em vez de ir a caminho dos 9 ou menos, sustentabilidade da Segurança Social, portugueses sem vontade de emigrar) que permitiria ainda mais uma coisa essencial: o repovoamento do interior. Não em aldeias espalhadas ao longo de estradas no meio de pinhais (o caos trágico e insustentável actual), mas uma aposta que levaria ao crescimento das maiores vilas e das cidades em cada um dos distritos, com as zonas rurais transformadas em zonas de alta produção agrícola com vista à auto-suficiência alimentar do país!
      Em vez da actual situação onde isto é cada vez mais uma dupla de duas cidades-Estado (áreas metropolitanas de Lisboa e Porto) e onde o resto é cada vez mais só paisagem… de silvas e mato e ruínas e aldeias fantasma e vilas com perdas de 10% da população por década e cidades pequenas que parecem só um bairro de uma Lisboa/Porto cada vez mais monstruosas.

      Eu sou um patriota, sou sempre por quem trabalha, e tenho um sonho para o meu país. Mas a maioria ou está lumpenizada e portanto impedida de sonhar e convencida a aceiter submissa as imposições da oligarquia/aristocracia snob. Ou faz mesmo parte do problema e insiste no PFEC, ora pintado de laranja e azul (P”SD” e minions do CDS e IL), ora pintado de rosa e verde (P”S” e minions do PAN e Livre), ora pintado de cor de burro quando Chega.
      Mas quando, em vez desse sonho, olho para esta distópica realidade e vejo que até na direção traidora do BE há quem se coligue aos do PFEC nas autárquicas de Lisboa, quem abandona o vermelho Trabalhista e já nem defende sequer uma moderada Social-Democracia de Modelo Nórdico, e em vez disso se pintam de arco-íris woke LGBTPUTAQPARIU, defendem o militarismo do império fascista USAmericano (aka NATO) e, sem nunca terem ido a Havana apoiar anti-imperialistas, vão antes a Kiev apoiar nazis, e quando o próprio PCP, amansado e acovardado, tem medo de apoiar em público quem faz guerra contra nazis, e em vez de fazer uma Avante TV chegar a toda a gente, insiste num Avante em papel só para os militantes mais convictos (mais valia o partido comunicar em sinais de fumo…), então eu sei que este país está perdido.

      Sabendo quem e quando deu as facadas ao Portugal de Abril, quando e como isto ficou em estado comatoso, e sabendo que já estamos em plena procissão a caminho do enterro, tenho só dúvidas quanto à data exacta da morte. Terá sido quando convidaram um ditador nazi (Volodimir Zelenski) para discursar na Assembleia da República em plena semana do 25-Abril, ou terá sido quando morreu Otelo, herói máximo da Liberdade,.e não se decretou sequer um dia de luto (o que levou um Capitão de Abril, Rodrigo de Sousa e Castro, às lágrimas em frente as câmaras de TV), ou terá sido quando se chegou ao ponto de morrer um Capitão de Abril (Carlos Matos Gomes) sem isso ser sequer nota de rodapé dos bordéis televisivos aka MainStreamMedia?

    • É que num dia, para certos comentários que aqui se vão lendo, o «povo sabe o que quer», noutro é «ignorante e facilmente manipulável»! 🥸

        • Confesso que, na minha modéstia de Chico Ferrugem, sinto, por vezes, dificuldade em falar sobre ele, por dificuldade em defini-lo. Mas tu, certamente mais letrado do que eu, talvez me possas ajudar: quando falas em povo, a quem, exatamente, te referes? A todos os nascidos neste jardim à beira-mar plantado? Só os que são explorados, numa perspectiva marxista, pelo capital, seja ele grande, pequeno ou médio? 🥸

          • Outra vez a deflectir a responsabilidade de pensar e opinar com mais perguntas? E como
            tens tantas certezas que sou mais letrado do que tu?

            • Perguntar é a forma mais eficaz de resistir ao dogma. E quanto à tua superioridade letrada… não é uma certeza, é uma hipótese de trabalho.
              Só perguntei porque, ao contrário de alguns, não tenho o privilégio de saber instintivamente o que o “povo” quer, pensa e representa. Mas se tu tens, então ilumina-me!🥸

              • Tu não perguntaste, tu declaraste “certamente”… pelos vistos até tens certos “privilégios de sabedoria instintiva”, como tu próprio referes, para ter tais certezas. Também nunca compreendi tal obsessão frequente por aqui, em que sempre conclamas que as tuas letras são menos que as letras dos outros. Que letras são essas, ou se são meras tretas, tu lá saberás, “certamente”… penso que não é preciso ter muitas ou poucas letras para se ser inteligente, e não ter medo de emitir opiniões. E se forem sensatas, então a inteligência revela-se por si, com ou sem “literacias”, mais ou menos extensas…

                • Vejo que o “certamente” te inquietou mais do que o conceito de povo — o que, convenhamos, já diz muito sobre as prioridades do debate. Mas não te preocupes: não reclamo privilégios de sabedoria instintiva, apenas recuso o luxo da certeza absoluta, esse sim reservado aos iluminados de ocasião. Quanto às minhas letras, são poucas, é verdade — mas ao menos não as uso para escrever tratados sobre mim próprio. Dizes que não é preciso ter muitas letras para ser inteligente — e nisso estamos de acordo. Mas também não é preciso ter certezas para parecer sábio. Às vezes, basta falar com convicção e esperar que ninguém repare no vazio do conteúdo. Eu, por precaução, prefiro perguntar.🥸

                  • Sim, além das certezas que ora apregoas ter, ora renegas, sabe-se lá por que sábia razão, também és muito precavido. Nota-se também que entre o ser e o parecer, tu és “certamente” um sábio, pois o que dizes é pleno de humildade, um homem de tão poucas letras… Pelo menos, passou-te a fase das perguntas, só ainda não paraste de desviar o foco, talvez sendo esse o objectivo de tanto palavreado. Tu lá saberás…

                    • Vejo que a tua perícia retórica continua em forma — quase me convence de que pensar com prudência é um defeito. Quanto às minhas certezas, não as reneguei: apenas reconheço que, em política, a dúvida é mais fértil do que a convicção inflamada. E se pareço sábio, agradeço o elogio involuntário; se pareço humilde, é porque ainda não aprendi a gritar verdades como quem distribui folhetos. Quanto ao foco, não o desvio — apenas recuso o conforto das simplificações. Mas tu lá saberás… ou “certamente” saberás.🥸

    • Por favor, lá vem o Benfica à baila. Porquê? Pode-se estar interessado e mobilizado para votar nas eleições do Benfica e estar interessado -muito- e mobilizado -muito- para intervir politicamente contra a direita que paulatinamente vai tomando o poder. Aliás, vamos lá a ver se os clubes não vão servir no futuro para mobilizar os trabalhadores e reformados na defesa dos seus direitos, porque os políticos profissionais que andam por aí estão mais interessados na conta bancária. Ainda se vão lembrar do tipo que dizia: ” vamos lá a ver se não temos que os levar para o campo pequeno antes que nos levem a nós”, e nós estamos a ir na direção do campo pequeno sem nos mandarem. O que faz falta é acordar a malta (Zé A) porque a malta anda mesmo a dormir. Passar bem.

  4. E o homem não é saudosista desse tempo? Não o disse com as letras todas?
    E dizes bem, um sindicato para os bancários, para os manter contentes. Afinal de contas eram gente um bocadinho mais qualificada, uma gente que podia até por a boca no trombone pois tinham oportunidade de conhecer muitos podres e negociatas de um regime podre.
    Por isso era melhor dar lhes mais qualquer coisinha em vez de se fiarem que se manteriam calados e quietos por terem medo da PIDE como acontecia a maioria dos operários e camponeses que constituíam a esmagadora maioria de uma população activa a beira da indigência.
    Um serviço de saúde universal, que chegasse a todos e que não podia ser nada.
    Apenas qualquer coisa para uns quantos escolhidos. E ainda há quem ache isso normal.
    A AD e o Chega afinam pelo mesmo, saúde para quem a possa pagar por via de seguros de saúde, os outros que morram sem fazer barulho.
    Vai ver se o mar da tubarão branco faminto meu saudosista de um tempo de medo e miséria.
    Fascismo nunca mais.

  5. Sim, enganado ninguém foi. Agora tentam se desculpar quem fez esta burrada dizendo que a AD vendeu gato por lebre pois que na campanha eleitoral não falou nesta legislação laboral genocida dos direitos dos trabalhadores.
    Mas seria a primeira vez? Por acaso em 2011 a dupla Passos/Portas disseram que iam cortar salarios na função pública, congelar os do privado impedindo até qualquer subida do salário mínimo que na altura era uma miséria de 485 euros, congelar até as reformas mais miseráveis, aumentar estratosfericamente os impostos sobre o trabalho e impostos indirectos como o IVA?
    A subida do IVA da restauração fechou centenas de estabelecimentos e atirou milhares de trabalhadores da hotelaria para o olho da rua. Muitos dos ainda novos emigraram.
    O Portas dizia que ia acabar com o RSI para subir as reformas curtas, realmente cortaram se RSI e outros apoios a torto e a direito mas nenhuma reforma subiu.
    Houve idosos a morrer literalmente de fome. Conheci uma enfermeira do INEM, ainda nova, que emigrou para Inglaterra depois de, acudindo a uma chamada de socorro, ter encontrado um idoso morto transformado num esqueleto e não havia nenhuma comida na casa. Era um desses da reforma miserável. Simplesmente não aguentou mais.
    Não aguentava mais ver a miseria negra em que tanta gente estava a cair e sentir se impotente.
    Esta gente mentiu sempre, escondeu sempre a pedra, não viu quem não quis.
    Por isso agora temos mesmo de limpar as mãos a parede. O problema são todos aqueles a quem nunca passou pela cabeça votar nestes trastes, muto menos noutros piores ainda com medo a malta do turbante e por não gostar de ciganos.
    Conheco muitos, felizmente, e vamos todos comer por tabela por causa de gente burra e ruim.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  6. Tudo certo. Só que ninguém pode dizer que foi enganado, toda a gente conhecia bem estes crápulas há muito tempo. E muita gente quis isto, incluindo os tais funcionários públicos, professores, médicos, enfermeiros. A democracia não é só votar, assumir a responsabilidade e as consequências das escolhas também faz parte.

    A gerigonça é que era má, agora limpem as mãos à parede.

  7. Nunca concordei tanto com um texto. Isto é que e chamar os bois pelos nomes.
    Um povo ignorante e facilmente manipulável e agora o alvo somos todos nós.
    Ignorante e desmemoriado pois que só assim se explica que tenham votado no sujeito que um dia disse que a nossa vida não estava melhor mas o país estava mostrando a empatia de uma cobra cascavel.
    E só mesmo muita ignorância pode levar outros tantos a votar numa coisa como o Chega que se afirma saudosista do tempo do Salazar, de um tempo de miseria, corrupção generalizada e medo, muito medo.
    Tudo porque odeiam quem ainda e mais pobre do que eles.
    Gente que devia ser toda mandada para a Rússia pois que sendo aquilo tão grande sempre fariam falta para povoar território para saberem o Inferno dos índios apache que e para alguém do Brasil ou Bangladesh ter o azar de vir malhar com os ossos aqui.
    Para aquela gente uma manha de 15 graus e “uma manhã bem gelada”,;ouvi essa previsão meteorologia pela boca de um meteorologista da zona do Rio de Janeiro e fartei me de rir. A última coisa que precisam e de grunhos a atazanarem lhes ainda mais a vida.
    Depois houve ainda os que votaram Iniciativa Liberal por acharem que é mesmo possível viver sem pagar impostos e que assim vão ter dinheiro para pagar se tudo, mas mesmo tudo, for privado.
    E assim temos a grande patranha e o grande sarilho em que estamos metidos.
    Que pelo menos no dia 11 tenham tomates para fazer greve.

    • Tinha que aparecer o Salazar. O tipo lá do além há 55 anos ainda influencia que se farta. Naquele tempo houve um sindicato que criou um serviço de saúde para os seus associados que ainda existe.

  8. E tudo isto com o apoio democrático do voto.
    Os destinos de tantos, esmagados pela vontade de uma discutível maioria.
    Um povo que não lê, não questiona é amedrontada por supostos inimigos e permite sem qualquer consulta enviar milhões para guerras que nada lhes diz.

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