A BBC e as demissões – a ponta do iceberg?

(João Gomes, in Facebook,10/11/2025)


As demissões do diretor-geral da BBC, Tim Davie, e da chefe de notícias, Deborah Turness, não são um mero episódio administrativo. São o reflexo visível – a ponta do iceberg – de uma crise muito mais profunda no jornalismo ocidental contemporâneo.

O pretexto imediato foi a manipulação de um discurso de Trump, proferido a 6 de janeiro de 2021, durante o cerco ao Capitólio. O programa Panorama editou passagens distintas do discurso, sugerindo que o então presidente incitara os seus apoiantes a “lutar como demónios” e marchar com ele até ao Congresso. A frase original, contudo, tinha outro contexto e outro propósito. A distorção foi suficiente para acender o rastilho de uma crise que vinha fermentando há anos dentro da BBC.

Trump foi, portanto, o ponto-chave – o gatilho que tornou público um problema sistémico: anos de decisões editoriais marcadas por enviesamento, omissões e falta de pluralismo.

Um histórico de erros e tendenciosidades

As investigações internas e externas revelaram uma sucessão de falhas desde 2019. Durante o Brexit, a BBC foi acusada de parcialidade; na pandemia, de complacência com o poder político; na cobertura da guerra da Ucrânia, de reproduzir a retórica oficial de Kiev e da NATO; e, mais recentemente, de reportar o conflito em Gaza, com omissões graves. Paralelamente, surgiram denúncias de autocensura e militância disfarçada de neutralidade nas matérias sobre identidade de género, onde a pressão ideológica dentro das redações suplantava o rigor informativo.

Tudo isto configurou um padrão: não uma sucessão de falsidades absolutas, mas uma erosão progressiva da imparcialidade, substituída por narrativas moralmente confortáveis e politicamente convenientes.

O espelho de um problema maior

Seria ingénuo pensar que esta crise é exclusiva da BBC. Na realidade, ela reflete um fenómeno mais vasto, que atravessa praticamente todo o jornalismo ocidental. CNN, NPR, The New York Times, Le Monde, Der Spiegel – todos enfrentam o mesmo dilema: a transformação do jornalismo em instrumento de virtude, onde a “causa certa” substitui a busca pela verdade, e o contraditório se torna um incómodo.

As redações, cada vez mais homogéneas do ponto de vista cultural e ideológico, criaram uma bolha onde se confunde consciência moral com objetividade. As narrativas geopolíticas alinham-se com os centros de poder ocidentais; as causas sociais são tratadas como dogmas inquestionáveis; e o jornalismo perde, aos poucos, o seu caráter de mediação plural.

O resultado é uma erosão dramática de confiança: apenas 47% dos britânicos dizem confiar hoje na BBC – menos de metade do que há dez anos.

Entre a informação e a convicção

A imprensa parece ter esquecido a diferença essencial entre informar e convencer. Informar é expor os factos, ainda que desconfortáveis. Convencer é conduzir o público a uma conclusão pré-fabricada. Quando a notícia se torna instrumento de moralismo ou de poder, o jornalismo deixa de cumprir a sua função democrática e converte-se num púlpito ideológico.

A BBC, símbolo de credibilidade durante décadas, cai agora no descrédito por ter confundido imparcialidade com conveniência. Mas talvez o seu colapso seja útil: serve de alerta para todo o ecossistema mediático que insiste em ignorar os sinais de fadiga ética e intelectual.

O iceberg que emerge

A ponta do iceberg a emergir – o caso Trump -, apenas revelou o que já estava submerso: anos de jornalismo moldado por agendas, de redações isoladas da sociedade que pretendem representar, e de uma elite mediática que perdeu o contacto com o público comum.

O que se vê hoje na BBC pode ser o prenúncio de uma transformação mais ampla – ou, se nada mudar, o prenúncio do fim de uma era em que os meios de comunicação se julgavam guardiões exclusivos da verdade.

Porque quando o jornalismo deixa de ser espelho e se torna filtro, o público acaba por procurar a verdade noutro lugar.

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34 pensamentos sobre “A BBC e as demissões – a ponta do iceberg?

  1. E já agora, meu Adónis musculado, quando escreves “pareces estar cheio de Peninha do Trampas”, podias fazer a fineza de me explicar qual a diferença entre ti e os fiscais que chamam putinista a qualquer herege que mije fora do penico da NATO.

  2. Disseste uma vez que eu um dia ia ver me ao espelho e ver um chegano.
    Parece que tu sim estás a uma unha negra disso. Empatia não tens nenhuma e pareces estar cheio de Peninha do Trampas. Vai chamar mariquinhas ao raio que te parta e ver se o montado dá bolota.

  3. Se alguns vez tivesses tido os teus amigos a olhar te com lastima, a perguntar o que e que te aconteceu e a pensar certamente que tens alguns coisa ruim tinhas mais respeito e não ias chamar quem nem sequer entrou na conversa que abrisse com o Albarda-mos quando não havia necessidade.
    Porque o que aqui está realmente em causa e o poder de um fascista tresloucado para correr com quem lhe pisou os calos.
    Se tivessem feito o mesmo a Putin, Maduro, Lula ou outro daqueles que não agradam a esse traste ainda estariam no poleiro.
    E o Albarda-mos tem razão já agora pois que o Trampas não e parvo e sabia bem o que aconteceria se acusasse os seus adversários de fraude eleitoral e apelasse a manifestação dos seus apoiantes, gente muitas vezes ignorante, muitas vezes fascista, muitas vezes violenta frente ao Capitólio.
    O Trampas devia ter sido conveniente acusado e tornado inelegível como foi feito ao Bolsonaro desatando a fúria desse traste contra um país soberano.
    Mas como esse “farol da democracia”, “farol da humanidade”, “nação indispensável” e na realidade uma República das Bananas, dos esteróides e do fentanil o sujeito teve tempo de se voltar a candidatar outra vez perseguindo agora sem do nem piedade todos os que tentaram impedir que essa desgraça não acontecesse.
    Estamos metidos numa grande patranha e num grande sarilho e não vale a pena estarmos aqui a insultar nos.
    Mas se pensas diferente não há nada a fazer. Espero que ninguém perca a paciência e continue por aqui.

    • Touché. O mais ridículo disto tudo é que passa a ideia que a BBC é que deturpou o discurso do Trump e fez aqueles rednecks e Capitol HillBillys, MAGAs e Alt-Rights ficarem em ponto rebuçado e invadir, vandalizar, destruir e surripiar o Capitólio. Deviam estar todos a ver BBC, aliás nesse dia e nessas horas consta que o share da BBC foi aos 100% todos os “canais noticiosos” norte-americanos (que não são poucos) ficaram sem um telespectador que fosse, ou melhor, ficaram só com um, que viu a palavra “peacefully” ser pronunciada pelos lábios do hiPOpoTamUS cor-de-laranja. E a BBC até conseguiu truncar em directo e na hora o discurso, enquanto retransmitia para todo o mundo, inclusive a Pategónia, graças a editores de vídeo com um talento sobrenatural – e assim iam provocando um golpe de estado nos EUA e quiçá uma Guerra Civil, que a Velha Albion sempre suspirou por lançar o caos e apoderar-se de novo daquilo que outrora lhe pertenceu.
      Portanto, Trump bom, BBC má. Velha Albion, terrível. EUA, “farol do mundo livre e da democracia”.

  4. Ca para mim acho que também devem ter sido vacinas da COVID a mais.
    Mas já sei porque e que as ditas coisas me levaram um quarto do peso que tinha em cima em quatro meses e depois só o tornar me um cetaceo musculado permitiu que deixassem de olhar para mim como se já tivesse um pé na cova.
    Uma certa criatura a quem eu chamava peixe espada subdesenvolvido, afinal de contas o homem fez carreira no KGB, arranjou maneira de saber e devem me ter injetado um veneno mesmo a medida de me tirar a vontade de voltar a chamar tal coisa a alguém.
    Está explicado, os agentes russos estão mesmo por todo o lado.
    Agora a sério, presstitutos e comentadeiros que querem comer nos as papas na cabeça.
    Vão ver se o mar da um grande cardume de tubarões brancos cheios de larica.

  5. All of this is due to a media serving the bourgeoisie and imperialism in particular, because they have never been connected to the people, but rather to the existing bourgeoisie, which is only concerned with its own interests and its existing neoliberal parties, which over the years have served these same people, not to say scoundrels! And I won’t say more…

  6. Tudo isso (isto), se deve uma comunicação-social ao serviço da burguesia e do imperialismo em particular, porque nunca estiveram ligados ao Povo, mas sim a burguesia existente , que só se preocupa com os seus intereses e seus partidos neoliberais, existentes, que ao longo dos anos tem servido esta mesma gente , para não dizer canalhas! E mais não digo…

  7. Resumo das primeiras horas da manhã de hoje, 11/11/2025 na CNN Portugal:
    1 – Os russos introduziram agentes seus na Ucrânia e estes são os corruptos de que se fala. De qualquer modo este caso tem um aspeto muuito positivo:: para acabar de vez com a infiltração de agentes russos na Ucrânia é necessário acelerar a entrada da Ucrânia na UE, pois assim acaba-se com a corrpução, a qual é obra exclusiva dos agentes russos.

    2. Os fundos russos parqueados na Bélgica não são como deveriam ser roubados porque há uma mole gigantesca de agentes da Rússia infiltrados no espaço da UE, que estão a causar todo o tipo de problemas e entraves à cncretização desse justíssimo roubo.

    3. Temos é que ir atrás desses de milhares de agentes russos inflitrados pela Europa, traidores pagos por Moscovo, “isto é verdade, toda a gente sabe”, palhaço qualquer chamado coutinho dixit.

    4. Outro palhaço, cujo nome não recordo, afirma: a verdade é que já estamos em guerra e como tal temos de tomar as medidas que estados em guerra têm de tomar para combater o adversário e as pessoas têm de perceber isso mesmo, que estamos em guerra.

    Mais palavras para quê?

    • E o furúnculo que daqui a uns dias vai afectar o rabiosque de D. Ursula e a vai obrigar a dormir de lado vai ser obra de agentes russos infiltrados. E se o Tony Bosta continua a falar inglês como uma vaca espanhola é porque agentes russos lhe injectaram a língua com Novichok. E etc. Toda a gente sabe!

    • Outra vez a delirar, esses propagandistas inveterados? O que será que comem ao pequeno-almoço, donuts e manteiga de amendoim com um happy meal? Aquilo anda a fazer-lhes mal ap cérebro, mas a carteira deve andar recheada…

  8. A BBC passou os últimos quase quatro anos a espalhar verdadeiras fake news sobre a guerra na Ucrânia, denegrindo a Rússia, diabolizando os seus dirigentes, negando o fascismo na Ucrania e endeusando um traste como Herr Zelensky
    Fez uma cobertura verdadeiramente indecente do genocídio em Gaza absolvendo Israel na maior parte dos casos.
    Foi vilipendiada por por uma criança a falar das atrocidades impostas por Israel que por acaso era filha de um dirigente do Hamas.
    Quem melhor para denunciar a vileza, crueldade e perfídia israelitas que uma criança que era um alvo ainda mais privilegiado que outras por ser filha de uma gente que andava a ser caçada como cães e que estava marcada para morrer pelo “crime” de ser filha de um dirigente do Hamas.
    Caiu o Carmo e a Trindade mas não foi desta que ninguém foi para o olho da rua.
    Porque o que os sionistas querem o apagamento total dos seus crimes mas a BBC e um alvo demasiado grande e eles até sabiam que apesar de tudo estavam a ser tratados como não mereciam.
    E se calhar a BBC escolheu entre tantas crianças que podiam falar sobre o seu martírio uma que era filha de um dirigente do Hamas para torpedear as suas próprias denúncias, aquilo que não podiam mesmo deixar de dizer sobre o que se estava a passar em Gaza.
    Por isso, apesar de tanta gente ter sido já perseguida e demitida acusada do malfadado antissemitismo os cães sionistas ladraram para inglês ver, ou ouvir, mas a caravana passou.
    Mas agora o Tiranossauro está a exercer uma campanha implacável contra todos os que nos quatro anos antes da sua reeleição tentaram mete lo onde merece estar: na cadeia.
    Tivesse a BBC espalhado mentiras sobre a Rússia e a Ucrânia, glorificando muitas vezes os herdeiros dos que muitos ingleses morreram a combater na II Guerra Mundial ou culpasse apenas os palestinianos pelo que estava acontecer em Gaza, negando o genocídio e esses dois trastes ainda estariam nos seus poleiros.
    Porque com edição ou não todos sabemos que Trump instigou mesmo os seus apoiantes a fazer o que fizeram acusando abertamente os Democratas de fraude eleitoral e apelando a ação por todos os meios.
    O mais caricato disto tudo e que não havia necessidade de apimentar a coisa pois que o que existia era suficiente.
    O que fez muita gente aumentar ainda mais a percepção dos crimes de Trump foi o medo que uma sua eleição pudesse cortar a torneira do financiamento da guerra nazista contra a Rússia.
    A Rússia sempre foi o prêmio e agora andava este marmelo a dizer que acabaria com a guerra em 24 horas.
    Hoje já todos viram que os receios eram infundados, O Tiranossauro está disposto a escalar ainda mais a guerra, a Europa, a quem interessa mais ainda pilhar os recursos da Rússia porque não tem nenhuns nem mais lado nenhum onde ir buscar e que pode e vai ter de pagar mais.
    Mas o homem foi eleito e cobra vingativa esta ali.
    Se ele tem demitido e perseguido todos os seus detractores no seu país porque seria diferente na terra dos vassalos?
    Isto e arrepiante, não porque esses dois trastes não merecam o olho da rua por outros crimes mas porque da bem a medida dos tentáculos da censura no mundo que se diz livre. E do poder absoluto do Grande Irmão americano sobre todos nós.
    Que não admite qualquer dissidência.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  9. A vigarice foi, e vai ainda, muito além da BBC. Lembro-me perfeitamente de ouvir o Trampa, nesse discurso, apelar aos apoiantes para que se dirigissem ao Capitólio e se manifestassem “peacefully”. Quando o mainstream merdia de reverência entrou num frenesim de acusações de que o homem teria apelado à multidão para invadir aquela porqueira, inclusivamente com processos no Congresso e no Senado, que deram a acusação como provada, caiu-me o queixo. Porra, se o homem apela a que se manifestem junto do Capitólio (ou seja, cá fora) peacefully (ou seja, não violentamente), não basta isso para deitar completamente por terra a acusação de apelo à invasão violenta e à insurreição? Bastaria, se aquela merda não fosse uma “banana republic on steroids”, para falar a língua dos indígenas, ou seja, dos bananeiros.

    Mas, como digo, a vigarice vai muito além da BBC porque, tendo queimado tempo e pestanas à procura da palavra “peacefully” no discurso do homem, no YouTube e no Google, o resultado foi zero! Ou seja, o corte, a manipulação, foi geral, mundial, Nossa Senhora do Santíssimo Algoritmo nos valha! Não me lembro em que canal, português ou estrangeiro, ouvi o discurso não truncado, mas o certo é que nunca mais o encontrei. E desde então, nomeadamente nos canais portugueses, ouvi inúmeras vezes o famigerado discurso, alegadamente a ilustrar notícias em que o acontecimento era sempre qualificado como “apelo à invasão violenta do Capitólio e à insurreição”. E certo é também que, sempre que, com amigos ou conhecidos, disse que a palavra peacefully foi muito clara no discurso do homem, fui olhado como criptotrumpista ou mesmo como extraterrestre.

    • Claro que o superbully vigarista da Casa Preta não deixa por isso de ser uma besta, um ajudante e financiador de genocidas, um megabandido permanentemente à procura da mais pequena aberta para roubar tudo o que pareça roubável. Mas, para o criticar, recuso-me a empregar, ou alinhar com quem emprega, métodos que também ele não desdenha. É o que faz, por exemplo, com Nicolás Maduro e a Venezuela. Não desço a esse nível e lamento que, na minha trincheira, haja quem não perceba que enfraquece o seu campo ao fazê-lo.

    • Só falta virem dizer, se e quando “a nação excepcional” resolver anexar a Gronelândia, ou o Canadá, que Trump apelou a que o fizessem pacificamente, ou melhor, a que se sujeitassem aos seus desmandos pacificamente. E se não o fizeram, a culpa é deles…
      …alguém pensa que Trump incitou aquela “mob” de Capitol HillBillys para irem ao Capitólio, alegando fraude eleitoral contra si, para um protesto pacífico e ponderado? Então e as forcas que levaram consigo, seriam para pendurar quem? O fantasma dos natais passados? Um protesto pacífico é suposto exibir forcas?
      Não brinquem com coisas sérias nem queiram transformar esta manipulação em mais um caso misterioso de Mandela Effect, todos sabemos o que aconteceu e sabemos que Trump apelou e galvanizou essa mobilização de indefectíveis.
      Daqui a pouco estamos a dizer que Bolsonaro é um inocente político que não apelou a uma revolta popular nem tentou posteriormente um golpe de estado antidemocrático, fascizante…

      • No caso brasileiro, há provas concretas, como documentos escritos trocados entre os participantes na conspiração, explicitando os objectivos e as fases da operação, nomeadamente o assassínio de juízes e outras personalidades. Há testemunhos de alguns dos conspiradores que descrevem em pormenor reuniões e conversas em que o próprio Bolsonaro participou. No caso do Trump, há o famigerado discurso aos idiotas! Não há documentos, não há testemunhos de co-conspiradores ou outros, nada, népia, nicles pròs pickles, a ponta de um corno! Apenas o discurso, a arenga do mega-idiota aos infra-idiotas. Se o discurso era em si próprio tão claro, tão evidente, tão óbvio e incriminatório, fica por saber por que porra de carga de água foi preciso aldrabá-lo, para o transformar naquilo que não era.

        Ah, tá bem, “todos sabemos o que aconteceu”, decretas corajosamente! Como nos informa o Carlos Pimentel às 11:29, um palhaço qualquer chamado Coutinho disse, na CNN Portugal, referindo-se aos agentes russos infiltrados na Europa (vade retro!): “isto é verdade, toda a gente sabe”. Mas eu sou um excêntrico antiquado, pá, só sei aquilo que a realidade me mostra e recuso o método dos Coutinhos! Nas críticas ao megabully, mentiroso compulsivo, gangster e ajudante de genocidas da Casa Preta, se há coisa que não quero perder é a autoridade moral. E se para o criticar for preciso usar os métodos vigaristas de Rogeiros, Solérias e quejandos, prefiro dedicar-me à pesca. Felizmente, não é o caso, porque o javardão da Sala Oral oferece-nos, diariamente, material mais do que suficiente para podermos manter a integridade e a honestidade intelectual.

        Resumindo: comparar o caso Trump com o caso Bolsonaro é comparar a Feira de Borba com o olho do cu, penso eu de que. Mas vai-se a ver e sou mas é um bué da subversivo agente trumpista infiltrado no jardim oropeu!

        • Esse último parágrafo é completamente escusado, e ele sim próprio da argumentação dos Coutinhos, Rogeiros-a-Jacto e Sollérias de painel.

          É claro que são casos perfeitamente comparáveis, aliás, o que se passou no Capitólio em Washington foi depois reproduzido no Planalto em Brasília: invasão, agressões, vandalismo, escatalogia – bom, não vamos estar a comparar matéria fecal, mas o que é facto é que houve bosta e cagada a rodos! Se isto não é comparável, não sei o que será! A diferença é que o “farol das liberdades e da democracia” não tem mão nos seus oligarcas e “power-rangers”, já no Brasil é frequente ex-presidentes serem envolvidos em todo o tipo de processos judiciais, e alguns serem até condenados a penas de prisão! E se nuns casos é por corrupção (Lava-Jacto, Collor de Melo, etc), no último caso foi precisamente por um ditadorzeco wannabe ter ficado chateado por ter perdido as eleições – olha, que CUincidência! É praticamente fotocópia, não a preto e branco mas a cores! Se isto não é comparável, então não sei…

          Se referi a “tentativa posterior” (está lá bem escarrapachado) de golpe de Estado, foi para enfatizar que no caso brasileiro a situação descambou ainda mais após a invasão dos edifícios federais e centrais do poder político, a diferença é essa, e só não percebeu quem tresleu ou não quis perceber. Na situação norte-americana a coisa ficou-se pelo que se passou a 5 de Janeiro, nem eu sequer referi qualquer tentativa posterior de golpada, também só não percebeu quem tresleu ou não quis!

          E essa conversa que Trump apelou a uma manifestação pacífica e que a BBC cortou frases e sequenciou outras e deturpou o discurso do Trump é conversa para boi dormir, só os tolinhos acreditam nisso, sem ofensa.
          É o mesmo Trump cujo valor da palavra vale praticamente 0, e eu ainda sou do tempo, apesar de final, em que a palavra tinha valor, e tinha importância. Hoje está completamente desvalorizada, e por isso é que há tanta manipulação informativa, conversa para boi dormir e tentativas de deturpação, e esta é uma das mais insignificantes, e só lhe pegam para fazer de Trump o que não é: um homem de palavra. Não é hoje, e não é faz décadas. Daqui a pouco vão começar a propagar que Trump não profere patranhas, como as das sua útlima campanha eleitoral, por exemplo dizendo que os indicadores ambientais dos EUA foram os melhores de sempre durante o seu primeiro mandato, isto de alguém que não subscreveu os acordos de Paris, e nem quer saber desta COP30 no Brasil, despreza completamente energias “limpas” ou “renováveis” e tem uma compulsão por tudo o que é exploração de combustíveis fósseis, seja fracking seja oleodutos novos a passar em reservas indígenas, ecológicas e parques naturais.

          Isto é tudo uma grande hipocrisia e tentativa de lavagem de imagem, agora que ninguém pode falar mal ou criticar ou relembrar as diatribes do hiPOpoTamUS cor-de-laranja, essa criatura impoluta e e cheia de escrúpulos! E quem vai na onda vai de arrasto, hoje é picuinhas porque o senhor não disse para enforcarem quem estava no Capitólio, apesar de os manifestantes levarem forcas, mas quando o marido da Nancy Pelosi foi agredido em casa por um invasor politizado com um martelo, aí já o Trump esfregou as mãos de contente! Contem-me estorinhas de embalar para ver se eu caio nelas…

          E mentiras em processos judiciais é tudo o que Trump fez no interregno entre mandatos, uns mais válidos que outros, no meu entender. E sim, houve uma tentativa de acusação criminal pelo que fez a 5 de Janeiro, conseguiu é que fosse adiada até não ser mais possível que o condenassem por isso antes de ser eleito. É bom ter memória.

          O que estás a dizer é a mesma coisa que dizer que o Biden não teve responsabilidades no genocídio em Gaza, nem o Trump, porque nunca explicitamente disseram que era esse o objectivo, antes usaram falinhas “mansas” (ou “tansas”)…

          • “E essa conversa que Trump apelou a uma manifestação pacífica e que a BBC cortou frases e sequenciou outras e deturpou o discurso do Trump é conversa para boi dormir, só os tolinhos acreditam nisso, sem ofensa.”

            O apelo a uma manifestação pacífica (“peacefully” foi o que lhe saiu da boca) ninguém me disse. Ouvi com os meus ouvidinhos, não sou boi e não estava a dormir. Que “a BBC cortou frases e sequenciou outras e deturpou o discurso do Trump” foi o que a própria BBC admitiu agora e foi o que todo o mainstream merdia de reverência fez à escala planetária, incluindo neste merdoso satélite do império em que tu e eu vivemos.

            Quando dizes que “daqui a pouco vão começar a propagar que Trump não profere patranhas” (depreendo que o “pecador” seja eu), provavelmente (ainda que não sejas boi) deixaste-te dormir quando chegaste à parte em que, pela enésima vez, adjectivei o Donald como “megabully, mentiroso compulsivo, gangster e ajudante de genocidas da Casa Preta”.

            Mas, insisto, vai-se a ver e eu sou um bué da subversivo agente trumpista infiltrado! Por favor, não digas a ninguém! Pelize! Pelize! Pelize!

            • Não me vês a vitimizar-me com a comparação ao Coutinho, e olha que é bem mais ofensiva… se calhar é porque não penso que o mundo gira à minha volta, e dou a importância e relevância que esse truque retórico e infeliz merece. Só não lhe chamo escatológico, porque disso já expliquei a dimensão que tomou a 5 de Janeiro de 2021 na Colina Capitolina em Washington e a 8 de Janeiro de 2023 no Planalto em Brasília (há CUincidências do caraças, não é que até no signo zodiacal dos supracitados “protestos pacíficos”, um na América do Norte, outro na América do Sul)…

            • “”Os ataques, ou atos golpistas de 8 de janeiro de 2023,[13][14] também chamados de Intentona Bolsonarista[15], Festa da Selma[16][17], ou simplesmente de 8 de Janeiro, foram uma série de atos de vandalismo, invasões e depredações do patrimônio público em Brasília cometidos por uma multidão de bolsonaristas extremistas[7] que invadiu edifícios do governo federal com o objetivo de instigar um golpe militar contra o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva para restabelecer Jair Bolsonaro como presidente do Brasil.”

              Olha que aqui não lhe passam paninhos quentes, chamam-lhe mesmo intentona bolsonarista. O princípio do fim… mas na América sabemos que é tudo muito mais “sofisticado”… o “vandalismo, invasões e depredações do patrimônio público”… até a escatalogia…

              https://pt.wikipedia.org/wiki/Ataques_de_8_de_janeiro_em_Bras%C3%ADlia

        • E claro que a recente tentativa de Donaldo Trampa interferir com a justiça federal brasileira e apelar a que soltassem o Bozonaro também não passa de mais uma CUincidência! Afinal, eles são comparáveis em quê? Toda a gente sabe que o hiPOpoTamUS cor-de-laranja é um bondoso e generoso filantropo justiceiro que costuma indignar-se muito com as injustiças que acontecem por este mundo fora… ainda hoje recebeu o com pompas de Estado na Casa Branca o novo ditador de facto da Síria, “ex”-jihadista com um currículo repleto de militâncias, como na Al-Qaeda, Al-Nusra, ISIS e Ha’yat-Tahrir Al-Sham, vejam só! Tem tudo para ser um “Grande Líder” cuja referência é o “farol do mundo livre, dos nossos valores e da democracia”…
          É com exemplos de democratas-republicanos destes que sabemos que eles nunca fariam nada para alcançar e manter o poder, sejam quais forem os meios.

          Já agora, convêm ter atenção que a frase completa que escrevi (para quem é tão picuinhas com as edições de discursos da BBC, ou de outro orgão de comunicação social qualquer, como se isso não fosse mato e habitual, até “normalizado”) é:

          “todos sabemos o que aconteceu e sabemos que Trump apelou e galvanizou essa mobilização de indefectíveis.”

          Convém não tresler nem ignorar o conteúdo evidente e factual, ainda por cima à expressão coloquial (que não tem qualquer intenção retórica profunda e é apolítica) seguiu-se a concretização do que quero dizer com “todos sabemos o que aconteceu” – “Trump apelou e galvanizou essa mobilização de indefectíveis.” Se isto não é um discurso lógico, ou é uma lógica muito densa para ser captada e compreendida, então paciência…

          P.S. O que me parece é que mais uma vez estamos aqui a discutir “minudências” ou “pormenores”, quando as “evidências” são o mais importante, tal como no caso do título que estava mal traduzido e em vez de eurofóbicas devia estar russofóbicoa (como se a russofobia não fosse uma sub-categoria ou um tipo ou género de eurofobia)… se houvesse esses preciosismos todos para analisar os factos relevantes em vez de fait divers e manobras de distracção, ou simples gralhas…

          • Pois é, pá! Eu aqui, na minha parvidez, a pensar que falava português, e vai daí, sem saber como, parece que me ouviste em mandarim! Ou seria cantonês? Não vale realmente a pena! Fica lá com a bicicleta e vai “conversar” com o gabarola musculado, que eu vou ver se consigo voltar a expressar-me na língua pátria.

            • Sim, que aqui só tu pensas que falas (ou escreves) em português… os outros não pensam, nem falam, nem escrevem na língua de Camões. Isso significa o quê, mais uma interjeição retórica sem qualquer conteúdo?

            • Como recusas usar a bicicleta para me largar a fralda da camisa, aproveito para te dar uma informação valiosa: borrego não sou, pelo que pastores que escolhem para onde vão, o que devem comer e como devem pensar os borregos é coisa que não me diz nada. E menos ainda quando lhes dá para aplicar o carimbo de qualidade a uns borregos e não a outros. Por isso, assim como cago de alto no pensamento único dos reaccionários, também de alto cago no pensamento único dos sectários. Puros só os Havanos, para quem fuma, mas eu há décadas que me deixei disso.

          • Fait divers, manobras de distracção, gralhas e outras merdalhas:

            “Mike Pence is going to have to come through for us, and if he doesn’t, that will be a, a sad day for our country because you’re sworn to uphold our Constitution.

            Now, it is up to Congress to confront this egregious assault on our democracy. And after this, we’re going to walk down, and I’ll be there with you, we’re going to walk down, we’re going to walk down.

            Anyone you want, but I think right here, we’re going to walk down to the Capitol, and we’re going to cheer on our brave senators and congressmen and women, and we’re probably not going to be cheering so much for some of them.

            Because you’ll never take back our country with weakness. You have to show strength and you have to be strong. We have come to demand that Congress do the right thing and only count the electors who have been lawfully slated, lawfully slated.

            I know that everyone here will soon be marching over to the Capitol building to peacefully and patriotically make your voices heard.

            Today we will see whether Republicans stand strong for integrity of our elections. But whether or not they stand strong for our country, our country. Our country has been under siege for a long time. Far longer than this four-year period. We’ve set it on a much greater course. So much, and we, I thought, you know, four more years. I thought it would be easy.”

            Do discurso do Donaldo Trampa em 6 de Janeiro de 2021, na íntegra aqui:
            https://www.npr.org/2021/02/10/966396848/read-trumps-jan-6-speech-a-key-part-of-impeachment-trial

  10. Isto não passa de mais uma “power strugle” entre os anglo-saxões do velho mundo (ingleses) e os do novo mundo (norte-americanos), e é apenas mais um episódio da epifania trumpista, de imposição da sua narrativa, da sua reinterpretação dos acontecimentos e do seu próprio discurso político, mas desta vez a um órgão de comunicação social britânico, mostrando que os tentáculos do “atlantismo de excepção” não alcançam apenas e só os vassalos europeus continentais, e também conseguem manipular os “albionistas”, por assim dizer.
    A questão não é tanto se houve manipulação pela BBC do discurso de Trump nas horas anteriores à invasão da Colina Capitolina de Washington, o incitamento à revolta dos Capitol HillBillys (como assenta bem esta designação), dos MAGA insurrectos, e da Alt-Right que anda sempre a acusar os Antifascistas de desrespeito à ordem e subversão quando faz muito pior (tentativas de golpes de estado, vide os bolsonaristas em Brasília, que além do vandalismo e da pilhagem, ainda deixaram literalmente matéria fecal no Palácio do Planalto como evidência da sua essência escatológica), todos sabem que aconteceu e Trump deu o dito por não dito, como sempre faz, de acordo com as suas necessidades tácticas e as conveniências, e também com a sua hipocrisia habitual. Se não foi bem como reportou a BBC, e esta editou e manipulou as suas palavras, isso não passa de um pormenor, um subterfúgio para diluir as responsabilidades reais do (novamente eleito) hiPOpoTamUS cor-de-laranja, depois de não ter conseguido a reeleição no fim do primeiro mandato. Trump é um compulsivo e repulsivo mitómano e manipulador retorcido, com vasta experiência conhecida, inúmeros processos judiciais e vários lapsos freudianos e registos do seu passado indicam a sua tendência para a vigarice, a desfaçatez e a pesporrência e prepotência.
    Outra coisa é constatar que a Comunicação social ocidental tem todos os problemas e mais alguns que o autor do artigo (bem elaborado e redigido) refere. Está mesmo desvirtuada na sua função primordial (o auto-proclamado epíteto de “4.º poder” não pode dispensar a responsabilidade ética e deontológica que acarreta, e funcionar ao sabor de interesses e lobbys particulares como está agora formatada e controlada para fazer, ou promover 4.º pastorinhos, sobretudo porque é um poder não sufragado nem sob escrutínio do povo, logo nunca pode ter soberania alguma muito menos ser poupada a contraditório e ao confronto com a verdade e a realidade), que é importante para o equilíbrio da sociedade moderna.
    E isto é mais um reflexo de todos os condicionamentos que os ricos e poderosos, e as corporações e agências de inteligência e comunicação, sobretudo, exercem sobre os meios de comunicação social, que passam a vida a atacar cidadãos comuns (como ps sindicalistas e grevistas, por exemplo) sem que estes tenham sequer direito a defender-se ou de resposta, e quando contestam ou abrem processos judiciais perante deturpações e provocações de que são alvo, são ainda mais visados e atacados, sem escrúpulos e sem olhar a meios, em horas a fio de programação “vingativa” e “dirigida” ou “orquestrada”… portanto, não vai ser a BBC que me fará mudar de ideias quanto a Trump, seja para o mal ou seja para o bem. E manipulação informativa, às vezes contra minorias ou grupos sociais particulares, é o que não falta na CS- e Trump está longe, muito longe mesmo, de ser a maior vítima, e provavelmente tem a ganhar com estas ameaças que parecem estar a surtir efeito, quanto mais não seja condicionar a CS e ainda tentar apagar ou atenuar o que disse e o que fez com relação à insurreição e revolta dos seus apaniguados. No fundo, hipocrisia ao quadrado, fait divers e mais uma tentativa que se fale de tudo, menos do shutdown do Estado Federal, do que isso significa e das implicações que tem para os americanos e para os “Atlantistas” que vivem obcecados com a “grandeza” e a “opulência” da superpotência ocidental mais desregrada e insana do mundo, mas que apregoa uma ordem mundial baseada em regras e é intitulada o “farol do mundo livre, protector dos nossos valores e da democracia”…

  11. Bom texto do João Gomes. Palavras para quê, quando lemos melhores artigos no Facebook do que na imprensa, não é preciso dizer mais nada sobre o estado a que chegou o jornalixo ocidental. Comparem com cinco minutos de jornalismo feito na Índia, por exemplo, e descubram as diferenças (para além da jornalista, claro):

  12. A elite mediática perdeu o contacto com o público comum, porque o neoliberalismo transformou as democracias em plutocracias. Os merdia são propriedade das elites parasitas, assim como os dirigentes políticos são funcionários das mesmas elites. Toda esta gente está-se marimbando para o bem comum e preocupa-se exclusivamente com o seu próprio bem. O povo manipulado é roubado sem perceber sequer quem o rouba. Os chegasnos atiram-lhe com os ciganos, os pretos, os indianos e os muçulmanos, enfim, com os pobres ainda mais pobres do que ele, e ele, pobre ignaro, acredita e vira contra eles a sua ira. Os merdia são apenas um dos diversos instrumentos destas elites ladras e parasitas, que nunca têm que chegue.

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