De joelhos perante o todo-poderoso

(Pedro Marques Lopes, in Revista Visão, 30/10/2025)


Pior mesmo do que o caso das investigações a Ivo Rosa só a imensa cobardia dos nossos principais políticos.


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Sei como agora funciona a agenda mediática: as televisões exploram um tema durante 24 horas e convidam mil pessoas para abordar todos os ângulos do tema, organizam-se debates de preferência muito polarizados para termos o necessário berreiro e as redes sociais explodem de comentários. Mas no dia seguinte é como se nada tivesse acontecido porque há um outro tema que, agora sim, é de uma importância extraordinária. 

Curiosamente, o tema que insisto em trazer (ainda escolho as minhas batalhas e o Rui Tavares Guedes, o melhor diretor do mundo, deixa-me combatê-las) nem essa dignidade teve. As televisões não deram qualquer importância ao facto de o Ministério Público estar a atentar gravemente contra o Estado de direito e o princípio da separação de poderes ameaçando e intimidando os juízes na pessoa de Ivo Rosa. Ainda houve uns minutinhos de atenção quando se soube da investigação iniciada por uma anedótica denúncia anónima, mas quando o Expresso noticiou que afinal foram oito – e sete delas na sequência das decisões de Ivo Rosa na Operação Marquês –, foi como se estivesse sol em agosto. 

Os jornais e demais órgãos de comunicação social deram-lhe a relevância que, pelos vistos, o assunto lhes merece: umas palavritas numa página interior. Mesmo o ótimo trabalho do Micael Pereira no Expresso a expor o caso não teve grande destaque.

(Não abordo, por pudor, pasquins e televisões que, na melhor das hipóteses, fazem por venalidade a defesa de todas as falhas e ataques à Justiça por parte de alguns setores do Ministério Público). 

Normal. Quando há um tema tão relevante como banir a burca que ninguém usa, que importância poderá ser dada a essas coisas vagas que são a independência e a irresponsabilidade dos juízes? Se um fascista desbragado diz que quer três Salazares e que a Constituição não deixa punir a pedofilia (ai, as obsessões sexuais que vão na cabeça do dr. Ventura), que interessa essa abstração chamada Estado de direito? 

Pode ser que a esmagadora maioria dos cidadãos não queira saber do tema, que seja algo que lhes está muito distante, que princípios como a separação de poderes, a independência e a liberdade dos juízes lhes digam pouco. Que nem saibam que a mentalidade de justiceiro do regime que o Ministério Público exibe está instalada e que não faltam procuradores que adoram mostrá-la. Que desconheçam que esta instituição vital para a democracia funciona sem qualquer tipo de controlo e que chega ao limite de demitir governos e intimidar juízes sem qualquer outra razão que não seja exibir o seu poder.

Não há imprensa livre sem democracia. É assim fundamental que os média percebam que a liberdade traz a responsabilidade de defender e promover os princípios basilares da democracia liberal. Há direta ou indiretamente uma espécie de mandato de defesa do regime por parte dos média e jornalistas que acreditem na democracia.

Este ataque à independência dos juízes é um ataque à democracia, repito. Guiar-se por um suposto desinteresse das pessoas por temas tão essenciais não mais é do que contribuir para que as pessoas percam de vez a noção da importância vital destes temas para as suas próprias vidas. 

Mas por muito indignado que esteja com os média por praticamente ignorarem um caso de tanta importância para a comunidade, nada se compara ao que sinto em relação ao poder político. 

Como se explica que o órgão de soberania que garante o regular funcionamento das instituições assista a este evidente ataque direto e feroz e fique em silêncio? Que confiança podemos ter num Presidente da República que vê os juízes serem ameaçados por uma instituição com dignidade constitucional e fica mudo e quedo?

E o primeiro-ministro repetirá o disparate do anterior e dirá o brocado atentatório da democracia, o do “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça”? O homem que tem a responsabilidade de conduzir os destinos do País vê o Estado de direito ser ameaçado e nada diz, nada faz, nada reflete, nada questiona?

E José Luís Carneiro aonde anda? O líder do Partido Socialista ainda está preso ao caso Sócrates e treme de medo como os que o antecederam? Acha tudo isto normal?

Os mais relevantes políticos portugueses, em que incluo os candidatos à Presidência da República, nada dizem quando um juiz é alvo de oito investigações durante anos sem outra aparente razão que não seja a intimidação de toda uma classe e o castigo a um juiz que não seguiu as teses do todo-poderoso Ministério Público.

Se isto não é um problema político, o que diabo será um problema político?

O poder político está de joelhos perante o Ministério Público.

Quando se consagrou a tese de que uma simples investigação leva à demissão imediata de um cargo público, abriu-se a porta para a entrega dum poder desmesurado a um qualquer procurador.

Quando se tornou rotina a exibição de escutas e outras peças processuais para condenar na opinião pública o que não se consegue no Tribunal, entregou-se o poder de investigar, condenar e executar a pena ao Ministério Público.

Quando os maiores desmandos investigatórios, as acusações sem qualquer fundamento, o evidente desconhecimento do funcionamento das empresas e do Estado e a exibição gratuita de poder se tornaram evidentes, mas toda a gente olhou para o lado, deixou de haver limites à sua atividade. 

Os agentes políticos foram olhando para o lado quando eram os adversários a ser atingidos. O exemplo de como Luís Montenegro cavalgou a Operação Influencer e agora se sente muito ofendido com a Spinumviva é só mais um.

Já todos perceberam que não se pode deixar as coisas como estão, que não é possível alguém ter um poder tão desmesurado sem um mínimo de controlo. Mas há um medo – que é real – de qualquer pessoa poder ver a reputação destruída se puser em causa um poder absoluto que está a fazer abanar os alicerces do regime.

Pior mesmo do que o caso das investigações a Ivo Rosa só a imensa cobardia dos nossos principais políticos. 

O Ministério Público mostrou que pode derrubar um governo sem qualquer razão legítima e agora quer intimidar e condicionar juízes. Como cereja no topo do bolo e para mostrar que não há poder que o limite, até se recusa a dar a Ivo Rosa a possibilidade de saber porque foi sujeito a um inquérito e o que foi vasculhado.

A bênção é dada pelo Presidente da República, pelo primeiro-ministro, pelo líder da oposição e por todos os nossos representantes.

20 pensamentos sobre “De joelhos perante o todo-poderoso

  1. Compreendo quem cai na tentação de tentar justificar os votos num cafageste como o Quarto Pastorinho.
    As sondagens valem o que valem. Mas não deixa de ser arrepiante que na última, depois de o bandido ter radicalizado o seu discurso contra imigrantes e outras minorias, ter defendido a necessidade de três Salazares e renegado a democracia com as letras todas, garantindo que a sua candidatura não era uma candidatura de Abril, enquanto que o Almirante vacineiro contrapunha com moderação nessa matéria, um tenha descido nas intenções de voto e outro subido.
    Ninguém consegue entender o que faz cada vez mais gente como nos a abraçar um projecto terrível, abertamente fascista, de ódio e caos.
    A mim não surpreende. Cresci a ouvir em casa de tudo contra negros, ciganos, homossexuais e tudo o mais apesar de ter tido mãe e avós maternos com o coração do lado certo.
    Esses votos estavam nos estudantes de países africanos que se viam mais negros que a cara deles para alugar um quarto.
    Ou tinham familiares cá e eram mais um para encher a casa ou alugavam junto de estrangeiros a viver cá por vezes de países considerados bem mais racistas que o nosso como a Alemanha.
    Estavam nos construtores civis que só tinham mao de obra africana, que exploravam sem do nem piedade, mas garantiam que podiam estar descansados os potenciais compradores porque eles nunca venderiam a pretos nem indianos, muito menos ciganos.
    Estavam nos restaurantes da baixa de Lisboa cujos donos diziam para quem quisesse ouvir que não serviam pretos.
    Essas coisas sempre me ferveram as tripas talvez por o único membro da minha família que era fascista ser ruim como as cobras para mulher e filhos.
    Mas e desconcertante para muitos ver tanta gente disposta a repetir o erro brasileiro, estado unidense e argentino só para citar alguns povos que embarcaram em projectos de ódio nos últimos tempos com consequências terríveis não só para os principais alvos do ódio do javardo.
    E que nem percebem que se isso aconteceu em países ricos e com muitos recursos num país pequeno, periférico e pobre como Portugal será simplesmente catastrófico para todas as nossas vidas.
    A tentativa de arranjar culpados no sistema democrático e uma tentação que surge em muitos pois que e melhor que acreditar que há entre nós muita gente que simplesmente não presta para nada e que no limite podem ser mais de metade de nós.
    Quanto a corridas em osso senti algum alívio com a corrida de alguns como o homem dos Zzzz ou um tal de JgMenos, abertamente fascista e que desatou a insultar os outros comentadeiros por estes condenarem o genocídio em Gaza.
    Mas agora se alguém merece uma corrida em osso e sem dúvida um certo escravo que se diz alforriado e aqui anda a defender abertamente o CU.
    Mas por mil prefiro dizer lhe até que ponto e parvo.
    A ele e a um Manelito que nos últimos dias anda aqui a dizer que no tempo do Botas e que era bom.
    Pelo menos já sabemos em quem esses dois vão votar a 18 de Janeiro.
    Isto e que vai aqui uma açorda.

  2. E houve muitos mais atropelos. Quando Sócrates voltou de Paris e foi engavetado tinha a sua espera não só as autoridades como uma comissão de recepção do PNR.
    Esse partido de extrema direita teve acesso a hora a que o homem iria chegar e estava pronto.
    Quem lhes teria chibado algo que ninguém no público sabia?
    Mas talvez certa gente não tenha sido nunca vítimas do nosso MP.
    Porque pode acontecer a qualquer um.
    Pode se sair de casa para ir às compras e atropelar alguém que anda a caca de indemnizações e já e a terceira vez que se põe a jeito e depois tem durante anos o MP a so faltar dizer que o desgraçado e filho do Putin e não sabe e a insinuar que atropelou porque nesse dia queria matar alguém com o carro. Conheci um a quem isso aconteceu e já estava a pensar em pedir transferência para as ilhas dos Açores com tanta ameaça até recebeu.
    Porque um despacho de acusação daqueles desata a raiva das famílias e tudo pode acontecer.
    Ora ainda bem que há garantias. Porque a não ser assim talvez tivéssemos uma população carcerária ao nível de El Salvador.
    Prefiro que a “bandidagem”ande a solta porque há recursos que acabemos a enfiar gente no Centro de Confinamento de Terroristas de Bukele em versão portuguesa.
    Estado de Direito e Democracia sempre.
    E alguém ponha rédeas em bandalhos que divulgam a morada de um desgraçado que atropelou um familiar de gente perigosa e ligada ao tráfico de droga no despacho de acusação, só para citar um exemplo do que está mal.
    Porque se o desgraçado mais depressa levar uma facada ou um tiro a culpa morre solteira. Justiça de certeza não é isso.
    Por mim o MP, que muito contribuiu para estarmos nesta alhada pode ir ver se o mar da choco.

  3. Este país não é para honestos.

    «ainda escolho as minhas batalhas e o Rui Tavares Guedes, o melhor diretor do mundo, deixa-me combatê-las»

    O que é o Pedro Marques Lopes, numa só frase:

    – “guerreiro” anti-Ministério Público desde que o seu querido Pinto da Costa foi investigado por corrupção. E todos sabem que era culpado. E todos sabem que o Pedro Marques Lopes foi o paladino de um corrupto. E foi (e é) o agressor verbal de quem neste país tentou prender um corrupto, que toda a gente sabe que era corrupto, pois as PROVAS são públicas.

    – bajulador, engraxador, lambe botas, de quem leh dá poleiro e paga a avença. Já no Eixo do Mal era assim (há anos, quando eu ainda via). O sujeito A é “excelentíssimo”, o sujeito B é “meu amigo”, o sujeito C é “o melhor que existe”, etc.

    – um avençado da MainStreamMedia sem noção. É avençado de todos os grandes grupos de Media (aka é avençado de todos os grandes grupos económicos que controlam a nossa imprensa “livre”), mas eis que ele, o PML, a acreditar no que escreve e diz, é um “anjo” no meio dos malvados…

    – devido ao FC Porto, e exclusivamente o FC Porto e mais nada, o PML tem esta batalha. Quem se distrair até se deixa convencer que o PML “defende” o Estado de Direito, a Lei, a Constituição, os Direitos Humanos, da própria Democracia, da Liberdade, etc. Mas não. O PML é o adepto número um de quem viola tudo isso em nome do império USAmericano, da €uro-ditadura, do regime NAZI de Kiev, e do regime GENOCIDA de “israel”. É a favor da violação da NOSSA CONSTITUIÇÃO através da obediência à “norma” da UE que CENSURA canais de notícias Russos. É a favor de uma €uro-ditadura onde os povos foram proibidos de escolher a sua política nacional nas eleições. É a favor da prisão política de quem denuncia crimes dos regimes ocidentais. Etc.

    – esta “batalha” contra o Ministério Público até tem razão de ser, se vinda de outras pessoas. Mas vinda deste personagem, é somente ridícula. É apenas a fachada que ele mantém em público desde os tempos de “advogado” mediático de Pinto da Costa. O único elogio que tenho para PML é que tem sido coerente e consistente neste papel. Há aqueles que abdicam dos princípios nuns casos, mas os aplicam noutros casos. PML não. PML é coerente e consistentemente anti-Ministério Público e pró-corruptos, sejam eles o Pinto da Costa (apito dourado), o Sócrates (“fotocópias” e casa do amigo em paris), o Cavaco Silva (SLN/BPN), o Paulo Portas (submarinos), o Passos Coelho (tecnoforma), Catrogas e companhia (tudo quando foram negociatas e tachos distribuídos nas privatizações), agora também Montenegro (Spinumviva), e todos os corruptos que ainda estiverem por aparecer.

    Se um dia destes houver alguma investigação a sério por algum real e corajoso jornalista (sem amor à vida aqui no perigoso regime Ocidental), sobre a corrupção de Zelensky, Boris, Ursula, Rutte, etc, lá estará o paladino desta gente, o PML, de mãos no teclado disposto a atacar todos os Ministérios Públicos que “ameaçam o regime”…
    É uma coerência e uma consistência que devem até levar à revisão da famosa expressão sobre as únicas 2 coisas certas na vida: a morte e os impostos. Não! Afinal há 3 coisas certas na vida: a morte, os impostos, e o PML a defender corruptos e a atacar quem se atrever a investigá-los!

    Por fim, agora que já bati o suficiente no PML, é preciso fazer uma reflexão sobre o assunto de forma mais geral: porque razão é que se instalou no Ministério Público português uma tal forma “justiceira” de actuação? Essa é que é a pergunta para 1 milhão de €uros! Pois a resposta é uma resposta do caraças. Por pontos:

    1) investigadores frustrados por saberem que os corruptos, de cuja corrupção têm provas, ficam facilmente em liberdade em Portugal;

    2) procuradores que sabem como o poder político do centrão e sua oligarquia envolvente se protegem mutuamente, fazendo de propósito leis que dificultam que haja condenação de corruptos em Portugal;

    3) leaks para a imprensa de grupos económicos concorrentes, como única forma justa de pelo menos condenar em praça pública quem nunca será condenado em tribunal, e é levado ao colo pela imprensa de grupos económicos amigos;

    4) um sistema de justiça que é feito PROPOSITADAMENTE para os ricos e poderosos se safarem, com recursos e demoras atrás de recursos e demoras, até ao esquecimento ou prescrição final;

    5) a frustração das pessoas decentes em relação ao próprio português comum, tão tolerante para com o tráfico de influências, cunhas, favores, sacos azuis, pagamentos sem factura, etc;

    6) o facto de se saber que a Justiça é aquele órgão de soberania onde nunca houve realmente um 25-Abril, onde se mantiveram juízes com pensamento arcaico e até troglodita, amigos de “senhores de elevada reputação”, e só de pulso firme no martelo contra o pequeno prevaricador.

    Imaginem por um momento que são investigadores/procuradores nestas condições. Não durante um caso durante o tempo de leitura deste texto, mas durante N casos ao longo de décadas. A certo ponto, qualquer pessoa atinge o limite, revolta-se contra um sistema de justiça que savbe que PROPOSITADAMENTE é feito para não funcionar e para deixar corruptos à solta, e chega o dia em que um desses corruptos mais desavergonhados leva por tabela: “ai as escutas não são válidas em tribunal, então toma lá a publicação/leak das transcrições para o povo validar”, ou “ai não te lembras ou “não sabias”, então aqui vai um julgamento público para te avivar a memória e para todos ficarem a saber”, etc.

    E finalmente, pensem também neste ponto: é por a maioria do país saber isto (que a Justiça não funciona e os corruptos andam à solta), que está a via verde aberta para demagogos/justiceiros como André Ventura. O povo sabe que eles andam todos à solta, a rir-se do que roubam. Se por acaso a Justiça funcionasse, esse discurso do André Ventura não pegava. O povo que vive desgraçadamente ou à rasca ou pelo menos com medo do dia em que ficará à rasca, não tolera (*) mais Salgados “presos” em mansões, Berardos a rirem-se em frente às câmaras, ou Sócrates/Montenegros a rirem na cara das pessoas.

    * Se por acaso continuam alguns a votar nos partidos dessa gente, ou a pagar quotas nos clubes dessa gente, isso não se deve à tolerância para com o clima de impunidade, mas sim a outros factores, normalmente relacionados com uma cegueira causada pelo fanatismo partidário/clubístico. Cada lado só não tolera os corruptos do outro lado, e esquece/esconde os seus próprios corruptos. Mas, apesar disto, esta situação corrói tudo. A sensação/percepção de injustiça é generalizada. O regime está podre.

    Estarmos portanto a julgar e a condenar o Ministério Público por investigar denúncias, não é o caminho certo.
    E estarmos a elogiar o Ivo Rosa por cumprir a lei à letra também não é o caminho certo. Não, quando a lei é logo a raíz do problema.
    Na Alemanha Nazi e na nossa ditadura fascista e em todos os regimes coloniais e esclavagistas também havia lei, e havia juízes que a cumpriam à letra. Procedimentos inquestionáveis.
    O problema nos regimes podres não é quem tenta fazer justiça, mas sim quem comete injustiça cumprindo exemplarmente a lei de tais regimes.
    E, muito sinceramente e, claro, fazendo o devido distanciamento entre os problemas mortais dos regimes mencionados e o problema não-mortal da actual Justiça portuguesa, estamos claramente aqui numa situação dessas, em que a lei não serve, só é chamada de “estado de direito” por quem abusa dela para manter a sua própria corrupção impune, e as alegadas violações da lei (ou dos procedimentos) feitas por estes investigadores e Procuradores NÃO são um problema dessas pessoas, mas sim um sintoma da podridão do regime.

    Num país onde os bancos roubam e não são condenados, onde os supermercados roubam e não são condenados, as operadores de telecomunicações roubam e não são condenadas, os políticos roubam e não são condenados, os grandes grupos económicos roubam e não são condenados, etc, então o problema não são uns quantos investigadores que originam leaks/fugas, nem uns quantos Procuradores que fazem em público o que as “leis” (feitas pelos próprios corruptos e amigos/avençados dos corruptos) não lhes permitem fazer em tribunal: JUSTIÇA!

    Se não perceberem o que tentei explicar, e em vez disso continuarem a dar ouvidos aos Pedro Marques Lopes e Sócrates e companhia, então depois não se queixem quando 22% (ou mais) do povo vai a correr votar no político que lhes promete de forma demagógica “prender esses ladrões todos”… que de facto andam à solta!

    Se por acaso aparecer aqui um único comentador, trabalhador com o salário mínimo ou pouco mais, a dizer que também tem casas em Paris com as despesas todas pagas por amigos, ou a dizer que também recebeu avenças de milhares de euros de forma tão corriqueira que até se esqueceu disso e também se esqueceu de pagar a segurança social, ou a dizer que quase sem querer ganhou uns milhões com ações de uma holding, ou a dizer que vive numa mansão mas só é dono da garagem, ou a dizer que recebe viagens ao Brazil e putas de borla e jóias douradas em troca de um “mero trabalho bem feito”, ou a dizer que consegue evitar pagar IRS através de uma “optimização” fiscal via offshore, etc, então se uma única pessoa assim aparecer aqui, e provar o que diz, então eu admitirei estar errado.

    Para encerrar, lembro só este FACTO: há gente na Alemanha que foi CONDENADA POR CORROMPER no caso dos submarinos da Ferrostaal. Com as mesmíssimas PROVAS, a tal da “justiça” e “estado de direito” em Portugal NÃO condenou ninguém! Ou seja, um tribunal português soltou alguém que se sabe COMPROVADA E FACTUALMENTE que É CORRUPTO (i.e. que foi corrompido).

    I rest my case!

    Vou só deixar aqui uns hashtags só por acaso…
    #PauloPortas
    #MaisUmAmigoDoPedroMarquesLopes
    #MaisUmDaMesmaEstirpeDoSocratesEDoMontenegro
    #MaisUma”Vitima”CoitadinhaDa”Malvada”Procuradoria
    #MaisUmQueFoiSoltoPelosIvoRosasECompanhia

    • Tanta coisa e nem uma menção ao Ivo Rosa e ao que lhe fizeram, usando denúncias anónimas para investigá-lo durante anos em 8 processos, recorrendo a todo o tipo de vigilância e recolha de informação, sem que qualquer indício ou prova tenha sido produzido, e depois de arquivados os processos, nem o deixaram consultá-los! E fizeram isto a um juiz, mas ao Montenegro Spinumviva, por exemplo, já o avisaram de que seria aberta um inquérito preliminar, e ainda no outro dia a Polícia Judiciária anunciava que ainda estava à espera que o Primeiro Ministro entregasse documentação relativa às questões que estão a ser “preventivamente” investigadas!
      Portanto se apenas invoca o nome de Ivo Rosa para implicá-lo indirectamente no caso dos submarinos, não está nem a ser factual, nem a ir ao cerne desta questão, evitando-a antes se focando no mensageiro. Faltou também falar do Rui Rangel, do José Veiga, do Luís Filipe Vieira que ainda anda aí para as curvas, e toda essa podridão quevaté hoje ainda não produziu responsáveis e corruptores condenados a prisão. Mas depois vem a PGR com comunicados avulso e tratamentos de excepção quando lida com algumas aves raras, ou players draconianos. Também não deixa de fazer parte de todo este ritual de bailarico dos corruptos os advogados de nomeada, que vêm dar a cara pelos clientes no espaço mediático, quer nas reportagens à porta dos tribunais, quer nos estúdios. Assim vemos Nabais a defender Rangel, Rogério Alves a defender José Veiga e Álvaro Sobrinho, o “Messi, o Neymar e o Cristiano Ronaldo da advocacia” a defenderem o Luís Filipe Vieira e o Benfica, e por aí fora, em encenações e programações mediáticas quase à “americana”.
      Quanto ao CU (candidato único) só se esqueceu de dizer, perante tantos prognósticos de sucesso, que começou nesse meio como papagaio, cartillheiro e propagandista do Kadhafi dos Pneus na CMTV, um comentadeiro que amiúde tecorria à peixeirada e ao histerismo que ainda hoje caracteriza alguns dos seus discursos populistas. Só não tinha aindacera crises de refluxo esofágico e prisão de ventre em directo…

  4. Uma coisa, contudo, observo: violações do segredo de justiça e julgamentos na praça pública, com arguidos, por exemplo, a serem referenciados, não pelo nome próprio, mas por alcunhas ou a serem «sacudidos» em esquadras, sempre houve. Mas pertenciam à «populaça», assobiava-se, por isso, para o lado. Foi preciso ter chegado a vez de tal «clima» tocar, também, a alguma gente graúda, para se começar a ouvir clamar contra as perversões da justiça ou tida como tal! Em tais clamores, não faltará, pois, hipocrisia!🥸

  5. Sim, os chamados DDT fraudaram os contribuintes em milhões e nenhum foi preso, o Salgado até alegou Alzheimer e depois escreveu um livro de memórias.
    O único que se viu quente foi o Rendeiro porque roubou os ricos e não os imigrantes que se matavam a trabalhar e passar necessidades atrás do sol posto para enterrar no buraco do BES.
    Mas não foi o Espírito Santo malhar com os ossos na cadeia.
    Muito menos se assacaram quaisquer responsabilidades políticas a quem entregou os bancos que tinham sido nacionalizados a estes bandos de vigaristas que nos custaram muito caro.
    Mas tivemos um lawfare a brasileira que deu o pretexto para derrubar um Governo comsitos absoluta e estarmos hoje neste sarilho de ter um Governo que anda a reboque da extrema direita mais vil.
    Mas claro que sobre estes crimes e sobre os crimes do antigo regime não tem um saudosista do tempo da Outra Senhora nada a dizer porque argumentar a sério não é a praia dessa gente, apenas mandar bocas para o ar.
    Nesse tempo e que era bom, não havia esse coisa chata dos recursos e as medidas de segurança tratavam de ir esticando os tempos de prisão impostos pelos tribunais plenários onde o julgamento era praticamente sumário.
    Va ver se o mar da megalodonte.

    • Bom resumo do “estado da arte”. E agora há novas falcatruas relacionadas com a venda de propriedades do BES a preço da uva mijona (subvalorizados) para os “parceiros”, e depois até cônjuges foram parar às sociedades que os administram. Esperemos para ver quantos irão presos. Também os Rosa Casacos e outros esbirros do tempo da outra senhora nunca são mencionados por estes aduladores do Estado Novo.
      Por falar em Estado da Arte, esse é o nome do programa na RTPN onde encaixaram o Sarça Ardente e a Susana Peralta, com mais outros dois praticamente “desconhecidos”. Ontem por acaso reparei que estava a dar, à mesma hora do Eixo do Mal da SICN, e era o 3 º episódio, e ainda ouvi o que diziam a rapariga e o rapaz mas sem grande interesse, só para perceber o que exprimiam, mas quando vi o vazio de conteúdo e surgiu a cara de enfado do apologista de genocidas mudei logo de canal.

  6. Se a Constituição não deixa condenar pedófilo, isso eu não sei. Mas não deixou condenar: Melancia, Costa Freire, Zézé Beleza, Sócrates em crimes que prescreveram, etc. Existe uma coisa (artigos) chamada Fiscalização Concreta da Constitucionalidade que da maneira como é feita transforma o Supremo Tribunal de Justiça numa fraude. O Sócrates já vai em 40 recursos para o Tribunal Constructional e pode beneficiar de um recurso eterno.

    • E o Salgado, quantas vezes já se esquivou ao mocho? Entretanto tivemos um Luís Filipe Orelhas a candiatar-se à presidência do “clube mais maior grande do mundo”, o Rui Rangel que outrora fez o mesmo “opondo-se” ao Orelhas a ser cabeça de cartaz na Operação Lex, juntamente com este e com os Vaz Neves da vida… e o mau da fita é o Ivo Rosa que nem sequer o Rosa Casaco refere, assim como ainda não apresentou qualquer léria para responder quando o indaguei sobre o assassinato “supra-político” (não é meramente “político”) do General Humberto Delgado… que até rima com Salgado, o best friend de Marcelo II…

  7. A corja.
    Subscrevo na íntegra o texto que antecede. Há muito que digo que o Ministério Público entrou em roda livre. Muito arrependido deve estar o meu amigo e condiscípulo Dr José Narciso Cunha Rodrigues que foi Procurador Geral da República durante 14 anos e que foi um dos construtores da autonomia do MP. Nunca imaginaria que uma corporação que deveria ser a guardiã da legalidade se deixasse cair na latrina. Mas como é que se pode ser exigente com a conduta do MP quando PR que é o garante do funcionamento das instituições democráticas assobia para o lado e se entretêm com intrigas e mesquinhices a ajeitar a sua interpretação da Constituição aos seus interesses partidários e desígnios pessoais fazendo da chefia do Estado um lugar pouco recomendável.
    Porca miséria! ( como dizem os italianos)

    • Tribunal Alemão PROVOU que houve corrupção no caso dos submarinos da Ferrostaal. Ou seja, está provado factual e IRREVOGAVELMENTE que houve alguém em Portugal a ser corrompido.

      Mas a “Justiça” Portuguesa, com as mesmas provas, deixou esse corrupto à solta.

      Os únicos que estiveram bem em Portugal foram os Procuradores que acusaram esse corrupto.

      E isto não é caso único. É apenas um de MUITOS. E é aquele que, por envolver uma justiça estrangeira que funciona, se torna mais evidente e escandaloso.

      Aquilo a que vocês andam a chamar de “justiça” e “estado de direito” e “democracia”, é na realidade um circo onde reina a impunidade. É uma pena que vocês, Estátua de Sal incluída, tenham decidido fazer parte da palhaçada.

      Muito sinceramente pergunto: o que devem os Procuradores fazer quando sabem que têm em mãos corruptos que vão ficar impunes?

      Os julgamentos públicos, as fugas para os jornais, e a destruição da reputação e “bom” nome, muito sinceramente, é o MÍNIMO que estes homens devem fazer perante tal podridão!

      E se vocês, em vez de terem olhos na cara, continuarem a insistir em defender o problema, então vocês tornam-se parte do adubo do “justiceiro” André Ventura!

      Para o eleitor frustrado e zangado, a coisa é simples e um mero binómio:

      A) de um lado aqueles que chamam “democracia” e “lei” e “justiça” e “estado de direito” ao uma palhaçada onde CORRUPTOS COMPROVADOS ficam à solta;

      B) do outro lado um rapaz “anti-sistema” que lhes promete “preder a bandidagem toda”, e que isto está de tal forma uma bandalheira que “não era preciso um Salazar, eram precisos três Salazares”;

      Para já, são só 22%, a votar no animal, mas continuem a defender os Sócrates e a soltar os Portas e a publicar os PMLopes, que os 2% que depressa passaram a 12%, e que também depressa chegaram aos 22%, em breve passam a 32%, e depois a 42% e, como se sabe, na “democracia” portuguesa os 42% já são uma “maioria absoluta”… e quem chega a esse ponto, normalmente também chega facilmente às maiorias qualificadas para revisões Constitucionais… Imaginem só aquele animal com poder absoluto. Estão a imaginar? Agradeçam a vocês mesmos!

      • Parece-me que se há aqui alguém a “galvanizar as hostes” do CU (candidato único), não é a Estatuária, António Neto Brandão ou o Pedro Marques Lopes.
        Essa sua tese falha por completo em vários casos, como o de Oeiras, onde o ex-condenado pino Isaltino foi reeleito para mais um mandato, agora já não representando o PSD mas como independente. O Quarto Pastorinho ali não consegue arrebanhar os “justiceiros”, ou “o eleitor frustrado e zangado”, que preferiu continuar a votar na alínea A), e não na B).
        Nem tudo é tão linear como você pinta, e o que não falta são caciques locais, como o Valentim Loureiro, que até electrodomésticos oferecia, ou o falecido Avelino Ferreira Torres, a serem preferidos pelos eleitores. E também alguns nacionais, como Marcelo II, protectores encapotados do status quo e da inércia institucional, do compadrio e das cunhas, das preferências e protecções, etc…

      • Em tempos julguei que eras apenas um anarco-radical alucinado e infantil. Agora, como o teu discurso sobre a corrupção é igual, para pior, ao do Ventura, mudei a minha opinião. Os semelhantes atraem-se. Junta-te ao Chega porque eles também querem destruir o “estado de direito” que tu abominas e que acusas a Estátua de defender. Sim, a Estátua defende o Estado de Direito com frontalidade em oposição à barbárie e à selva que deve ser a tua praia. Defender as negociatas que o MP faz com os pasquins do burgo, violandp o segredo de justiça na prossecução das suas agendas ocultas, como sendo uma arma correcta na luta contra a corrupção é mais que uma opinião de um anarco-alucinado; é um escarro imundo sobre os principios mais básicos que suportam a civilização.
        Por isso, se para continuar a defender o Estado de Direito, a Estátua tiver que te calar de vez por estas bandas, acredita que o fará, ainda que desagradada. É que passaste a estar sentado no fio da navalha. A tolerância passou a ZERO.

        • Calma, apesar do estilo radical os comentários do Carlos Marques fazem mais falta na Estátua do que os escritos deste Lopes. Na minha opinião, claro.

        • Não é (ou até é) para me gabar, mas por acaso julgo que até fui eu que aqui chamei pela primeira vez a atenção para a comichão que este bicho me provocava. E foi já há um porradão de tempo. Aquela brilhante ideia do crowdfunding para comprar armas para os houtis não deixava muita margem para dúvidas sobre a verdadeira natureza do bicho.

          Post scriptum — E aproveito para lembrar, pela enésima vez, que eu é que sou o presidente da junta, o verdadeiro, autêntico, da Bayer, com certificado de autenticidade (em papel selado e com selo branco) passado por Aquele que tudo vê, tudo ouve, tudo sabe e tudo pode: O Alquimista Supremo Himself, Lui-Même, na Sua Transcendente e Luminosa Imanência! Caros companheiros de infortúnio, espero que as maiúsculas não vos deixem dúvidas sobre Quem me certifica.
          Oremos! Se nos der na telha, claro! Se não der, ninguém se importa! Nem Ele!

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