Quem são os donos de Portugal que apoiam André Ventura?

(Redação, in Esquerda.net, 23/07/2025)


Do universo BES ao Banif. Do negócio das armas à aviação. Do imobiliário aos escritórios de advogados. Poderosos interesses têm-se sentado à mesa com André Ventura para apoiar o líder da extrema-direita portuguesa. Vários homens de negócios admitem financiar o Chega, revela Revista Visão.


Na luxuosa Quinta do Barruncho, nos arredores de Lisboa, um poderoso grupo de empresários e homens dos negócios e da alta finança juntou-se à mesa com André Ventura e o seu vice-presidente, Diogo Pacheco de Amorim, no passado dia 18 de junho. 

Entre os pratos fortes da ementa constava a disponibilidade dos comensais em ajudar André Ventura e avaliar as suas “necessidades”. A conversa sobre o financiamento do Chega não ficou, obviamente, fora do cardápio.

A organização do almoço ficou a cargo de João Maria Bravo, adianta a edição desta semana da Revista Visão. O dono da Sodarca, que conta com vários contratos milionários com de fornecimento de armas às forças de segurança e exército portugueses, e da Helibravo, que já faturou outros tantos milhões ao Estado português, até no combate aos incêndios, mobilizou vários dos seus contactos. É tido como um entusiasta do deputado de extrema direita e não faz por esconder as suas opiniões políticas, ou não entendesse ele “que o país se afunda desde 1974”

No artigo assinado pelo jornalista Miguel Carvalho, o milionário do armamento assume sem rodeios que “em termos de ajuda financeira far-se-á o necessário”. E que mobilizará os seus meios e contactos para fazer crescer André Ventura e o seu partido de extrema direita.

Na lista de presentes encontrava-se ainda Miguel Félix da Costa, cuja família representou durante 75 anos a marca de lubrificantes Castrol em Portugal, atual homem forte da Slil, uma sociedade gestora de participações nas áreas do imobiliário e turismo, e que conta ainda com interesses na agricultura e na criação de cavalos. Este empresário, que não esconde as suas simpatias por Trump, desfilou ao lado de André Ventura na recente manifestação racista organizada pelo Chega, em Lisboa.

Carlos Barbot, dono do império empresarial das Tintas Barbot, e Paulo Mirpuri, ex-dono da falida operadora de aviação Air Luxor, CEO da Mirpuri Investments e da Hi-Fly, recentemente contratada pelo Governo de António Costa para trazer equipamento de proteção médica da China, também não faltaram à chamada. Ao grupo somam-se ainda o advogado João Pedro Gomes da influente sociedade BSGG, com escritórios em Lisboa, Madeira e Rio de Janeiro e Francisco Sá Nogueira, ex-vice presidente da antiga holding do Grupo Espírito Santo para as atividades de agências de viagens e operador turístico, a Espírito Santo Viagens.

Os aliados do universo BES e BANIF

O nome do advogado Francisco Cruz Martins já estava associado aos escândalos do BANIF, BES,  Vale do Lobo, “Panamá Papers” e à elite angolana.

Desde há um tempo, o seu nome passou também a estar ligado a André Ventura. Não deixa de ser irónico que o advogado de negócios e com fama de testa de ferro e de “facilitador” justifique o seu apoio ao Chega com o facto de o deputado da extrema direita “abanar o status quo e atacar os compadrios políticos”. É que não há muitos escândalos financeiros recentes e histórias de compadrios políticos que não tenham feito emergir o nome de Cruz Martins.

Do Banif ao BES é um saltinho. Quem aproximou Cruz Martins de André Ventura foi Salvador Posser de Andrade que, tal como José Maria Ricciardi, é administrador da antiga empresa imobiliária do Grupo Espírito Santo. O também dirigente nacional do partido conta à “Visão” ter usado os seus contactos empresariais para promover André Ventura e arranjar dinheiro para o partido.

Muitos dos encontros de “angariação de fundos” terão decorrido no luxuoso Hotel Palácio, no Estoril. Entre os facilitadores estiveram ainda o histórico militante fascista Jaime Nogueira Pinto e Eduardo Amaral Neto, descendente de um destacado deputado da ditadura do Estado Novo.

Em relação ao futuro, Posser de Andrade é peremptório. “É natural que comece a aparecer mais dinheiro e alguns amigos possam ajudar-nos a tornar o Chega maior”. 

Fonte aqui

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6 pensamentos sobre “Quem são os donos de Portugal que apoiam André Ventura?

  1. Sim, agora é pior porque não e precisa tropa nas ruas. Todos os vencidos da vida, e são muitos, vão votar Chega porque não gostam de ciganos, não gostam de negros, não gostam de pobres, não gostam de muçulmanos, não gostam de homossexuais, não gostam de mulheres e gostavam de lhe poder dar umas bolachas sem serem incomodados, acham que o RSI lhe vai tirar as reformas ou até torceram um pé porque tropecaram numa pedra solta.
    E claro que os donos disto tudo aproveitam para terem uma oportunidade de tornar a vida destes pategos todos ainda mais miserável do que já e.
    Não tenho nenhuma peninha de quem vota Chega, o que me dá nojo e que vamos todos comer por tabela. Tudo porque são uns burros, ruins como as cobras e ainda por cima acreditam em tudo o que vêem na redes sociais.
    Como a besta de um carteiro que se saiu com esta “vou concorrer aos 900 euros que dão aos marroquinos a ver se me dão alguma coisa”. O que e que se faz a um bicho destes? Como e que se prova que o estúpido acreditou numa aldrabice? Como se alguém que recebesse um subsídio dessas andasse depois a estoirar se nas estufas, nos restaurantes, nas entregas, no raio que parta estás bestas todas.
    Estamos metidos num sarilho de todo o tamanho. Tudo porque para esta gente toda lixar a vida dos outros importa mais do que melhorar a sua própria vida. Porque acredita que a vida dos migrantes explorados até ao tutano, dos que vivem em barracas, dos que recebem uma miséria de RSI e melhor que a sua.
    E se lhes enfiar mos um haltere de mão de nove quilos pelos cornos abaixo para ver se acordam ainda somos nós que vamos presos e podemos ver nos a contas com um polícia que vota Chega porque sonha com a impunidade que lhes permitira enrabar nos com um cassetete.
    E quem os explora no supermercado ou na fábrica onde trabalham ri a bandeiras despregadas sonhando com o dia em que a sua burrice lhe permitirá impor lhes a jornada de trabalho que quiser sem sequer haver essa treta do banco de horas, pagar lhes para aí 500 paus de salários, talvez menos, e, com um pouco de sorte dar lhe uma sopa no refeitório da fábrica.
    Ou até oferecer um serviço de infantário para as fêmeas que aí trabalhem com “berços” que são caixas de papelão.
    Vão todos ver se o mar da cardumes de tubarões brancos famintos.

    • Tem toda a razão. Infelizmente o pensamento de Almeida Garret – «O país é pequeno e a gente que nele vive também não é grande.» – ainda hoje se mantém verdadeiro.

  2. Tudo a encher o Candidato Único (CU), AVentura em que lambem o cu uns aos outros… os areópagos do fascismo lusitano com cheta e muita treta para pategos e pacóvios, entre ela a dos militaristas, negociantes de armas, facilitadores de cambalachos, etc, a alinhar, a passar e a repetir o que dizem, para seu proveito exclusivo, nas câmaras de ressonância, imagem de marca do sistema fascista de padronização e uniformização, imposição do pensamento único e do autoritarismo de um CU, e constante reprodução das recorrentes lenga-lengas e lérias da propaganda típica dos interesses mesquinhos e egocêntricos desta gente, os “coordenadores” da “ditadura das elites”, qual “vanguarda da alta burguesia, das castas militares e da nobreza”, falida ou nem por isso… onde é que está a indignação dos libelinhas, sociais-democratas (os poucos que restam autênticos), socialistas (estes são parecidos aos anteriores, têm vergonha de serem o que são, mas talvez sejam um pouco menos reaccionários e seguidistas), até mesmo dos “centristas” democratas-cristãos (Freitas do Amaral, falecido, e alguns poucos ainda vivos, não estou a falar do Paulo Portais, do Abrenúncio, os Telmos Correias, Joões Almeidas e as Assunção Cristas, e demais criaturas da Opus Dei, Templários ou da Maçonaria Especulativa para gente fina e snob)?

  3. É. Infelizmente o fascismo aproxima-se. Como cantava o saudoso Zé Mário Branco “foi um sonho lindo que acabou” referindo-se ao golpe do 25 de novembro. Mas neste momento é bem pior….

  4. Claro que todos os grandes empresários apoiam a extrema direita e o fascismo.
    Só a extrema direita pode garantir a exploração dele limites dos trabalhadores.
    Sem direitos e com medo, muito medo, tal como no tempo do fascismo em que até tinham uma espécie de “direito de pernada” sobre as filhas dos trabalhadores, em especial nos campos do Alentejo.
    A muitas das grande famílias o 25 de Abril ficou atravessado e atravessado continua.
    Não suportam, por exemplo, ter de pagar um ordenado mínimo ficado por lei. Alguém se lembra de quando o Belmiro de Azevedo disse com as letras todas que o ordenado mínimo, então fixado em 485 euros, era muito elevado?
    Não engolem isso de ter de pagar ferias e subsídios de Natal aos trabalhadores, que haja horários de trabalho e limite de horas diárias e semanais que se podem impor sem pagar mais um tostão.
    O que essa gente quer e um regresso ao passado e por isso alimentam a extrema direita que lhes poderá garantir isso.
    Cabe aos bovinos acordar.
    Mas enquanto houver gente para quem lixar a vida aos imigrantes e aos mais pobres importa mais que a sua própria vida a extrema direita vai continuar a crescer.
    E quando chegar ao poder será tarde demais para evitar nova longa noite fascista.

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