A Rússia é o nosso Rorschach

(Emanuel Todd, in A Tertúlia Orwelliana, 18/07/2025, Trad. José Catarino Soares) 


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Em Abril passado, quando fui entrevistado por um canal de televisão russo sobre a russofobia ocidental, tive um lampejo de inspiração. Respondi mais ou menos isto:

«O que vou dizer não será agradável de ouvir, mas a nossa russofobia não tem nada a ver convosco. É uma fantasia, uma patologia das sociedades ocidentais, uma necessidade endógena de imaginar um monstro russo.»

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3 pensamentos sobre “A Rússia é o nosso Rorschach

  1. E o “farol das democracias” EUA, líder dos “países liberais”, será o Teste Voight-Kampff? É que na “Terra dos Livres quase tudo é ficção, e na realidade têm a maior população prisional do mundo, além de que os crédulos do “american way of life” parecem autómatos movidos a propaganda sem conhecimento e cultura geral, tais os níveis acumulados de desinformação e artificialismo, dependências e degeneração física e mental.

  2. Ontem houve dois grandes terramotos ao largo da Península do Kamchatka.
    Houve alerta de Tsunami mas felizmente para os habitantes da região tudo não passou de um grande susto.
    Pois há bandalhos tugas a lamentar isso pois “os russos estavam a precisar de um bom banho de água fresca”.
    Talvez também tenham morto muitas aulas de história e ninguém se lembre do banho de água morna, pelo menos se comparada com a temperatura das águas ao largo do Kamchatka, que este país sofreu em 1 de Novembro de 1755.
    Da tragédia e da brutalidade que aquilo foi, não só a catástrofe natural mas o terror exercido posteriormente por um ditador insano.
    Ate criados que tentavam regressar às casas destruídas dos amos foram enforcados sob o pretexto de andar a pilhar, o Terreiro do Paço encheu se de forcas.
    Milhares de corpos foram enfiados em barcos e lançados ao mar para não terem o trabalho de os enterrar.
    Foi assim que esse bandalho enterrou os mortos e tratou dos vivos.
    Ainda hoje ninguém sabe bem quantas vidas aquilo custou em Lisboa e no Algarve.
    A última vez que um grande terramoto com tsunami atingiu aquela zona da Rússia cobrou 10 a 15 mil vidas.
    Esses “banhos de água fresca” custam vidas, muitas.
    E algo que já nos aconteceu e pode acontecer nos por isso não consigo entender que se possam dizer esse tipo de blasfémias seja contra quem for.
    Quando os indonésios cometiam atrocidades em Timor não passava pela cabeça de ninguém da minha família ficar contente ou desejar um grande terramoto na Indonésia.
    Toda a gente sabia que isso podia acontecer nos. Ninguém queria que isso acontecesse a ninguém.
    Sim, há realmente algo de patológico nesta russofobia que ninguém sabe muito bem de onde vem pois que a maior parte desta gente nunca viu um russo autêntico pela frente. Boa parte dos imigrantes de Leste que cá chegaram eram ucranianos e não russos.
    Na Alemanha toda a gente reconhecia que os russos eram menos dados a ser mafiosos que os ucranianos e eram gente de trabalho.
    Quando por lá passei conheci alguns.
    Mas já nos anos de 2019 e por aí antes havia bandalhos. Como um italiano que acabou com dois dentes fora da boca por ter provocado até ao limite um colega russo chamando lhe “Putin” e outros mimos.
    O russo não foi despedido porque os colegas alemães reconheceram que o russo tinha sido provocado até ao limite.
    Um alemão enorme e pouco lavado resumiu, “se esse sujeito me tivesse chamado a mim metade do que chamou ao russo não eram só dois dentes, eram todos”.
    E ainda hoje, apesar da russofobia lançada pelo Governo, boa parte do povo que trabalha e se vê mais a rasca para pagar contas não vai nisso.
    Agora por cá nunca sofremos com ocupação russa, nunca tivemos qualquer conflito directo com a Rússia, se calhar talvez a russofobia incutida por Salazar ajude a explicar.
    Ou então e mesmo patologia do Ocidente como diz o articulista.
    Uma patologia que nos pode sair cara. Ainda mais cara do que já nos saiu com esta inflação louca e o que andamos a gastar em armas para a Ucrânia sem esquecer aquela entrega directa feita pelo Costa a Herr Zelensky.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

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