“O Goebbels desta mer**”. Bugalho apanhado a comparar-se ao ministro de propaganda de Hitler

(Adriana Peixoto, in Notícias ZAP, 29/05/2025)

Sebastião Bugalho na Universidade de Verão do PSD

As escutas da Operação Tutti-Frutti indiciam uma relação próxima entre Sebastião Bugalho e várias figuras do PSD, com o então jornalista a usar o seu trabalho para favorecer o partido e até a comparar-se a um ministro nazi.


Sebastião Bugalho, atualmente eurodeputado do PSD e antigo jornalista, foi apanhado em dezenas de escutas telefónicas da Operação Tutti-Frutti, entre 2017 e 2018. As conversas revelam uma estreita ligação com os ex-deputados sociais-democratas Carlos Eduardo Reis e Sérgio Azevedo, principais arguidos no processo que investiga crimes como corrupção, fraude e branqueamento de capitais.

De acordo com a revista Sábado, Bugalho e Carlos Eduardo Reis são ouvidos a tratar-se por “primo”, embora não tenham qualquer relação familiar. Apesar de Bugalho não ser arguido no processo, o Ministério Público considera que existiu “proximidade” e que o eurodeputado terá usado o seu trabalho como jornalista para favorecer os interesses do PSD.

Um caso emblemático ocorreu em 2017, quando Bugalho entrevistou Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela, também arguido no processo. A entrevista foi editada por Sérgio Azevedo, que chegou a apontar cortes e retoques favoráveis ao autarca.

Nas conversas telefónicas, Bugalho admitiu ter cortado elogios de Newton a António Costa porque este “até parecia um gajo do PS”. “Tás a ficar um profissional”, elogiou Sérgio Azevedo, que lhe prometeu o cargo de “ministro da propaganda” num futuro governo, ao que Bugalho responde com uma comparação com Joseph Goebbels, o ministro de propaganda do regime nazi de Hitler. “O Goebbels desta merda”, concordou Azevedo.

O nome de Sebastião Bugalho entrou na investigação logo no início devido à sua entrevista a André Ventura, então candidato do PSD à Câmara de Loures. Essa entrevista, também preparada com a ajuda de figuras do PSD, abordava as polémicas declarações de Ventura sobre os ciganos. Em conversa com Bugalho, Sérgio Azevedo afirma que criou “um Frankenstein” devido à popularidade de Ventura com eleitores de vários partidos.

As escutas também mostram Bugalho a dizer a Carlos Eduardo Reis para não responder às notícias sobre as suspeitas de a sua empresa ter beneficiado de contratos fraudulentos com a Junta da Estrela, incluindo negócios com a mulher do ex-ministro Miguel Relvas. “Ignora, senão levas com mais fogo”, aconselhou.

Outro episódio envolve Jorge Bacelar Gouveia, professor de Direito Constitucional. Sérgio Azevedo pretendia que Gouveia fosse nomeado Provedor de Justiça e articulou com Bugalho uma entrevista para o jornal Sol para promover a imagem do académico.

Os alegados favores de Bugalho ao PSD quando era jornalista contrastam com as declarações públicas do eurodeputado após as últimas eleições. Enquanto comentador na noite eleitoral, Bugalho considerou “humilhante para as televisões” o contraste entre as escolhas do eleitorado e as análises dos comentadores. Dias depois, no podcast Expresso da Manhã, Bugalho voltou a atacar a comunicação social e o seu “ativismo da investigação”.

Em resposta à Sábado, Bugalho garante nunca ter tido “qualquer relação profissional ou transacional com qualquer um dos visados” na Operação Tutti-Frutti.

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4 pensamentos sobre ““O Goebbels desta mer**”. Bugalho apanhado a comparar-se ao ministro de propaganda de Hitler

  1. A MERECER DESTAQUE NA ESTATUA DE SAL E PARA VER DO PRINCÌPIO AO FIM, EM ESPECIAL A PARTE FINAL SOBRE A ESQUERDA, OU CERTA DELA, FACE A GUERRAS HAVIDAS E SUGESTÂO FINAL DEIXADA DUMA UNIÃO DE FONTES DE INFORMAÇÃO INDEPENDENTES!

  2. A primeira vez que li algumas intervenções desse sujeito nem queria acreditar.
    Sei que há muitos jovens que votam na extrema direita, talvez por se agirem imortais e acharem que não precisam nem nunca vao precisar de coisas como assistência médica a precos que possam pagar, baixas por doença ou reformas.
    Mas parecia me impossível nos tempos de hoje alguém com uma mentalidade tão bafienta, santanaria, de uma religiosidade salazarenta e fundamentalista.
    Pensei que talvez este jovem tivesse tido uma juventude triste, sem idas a praia, sem namoros nas dunas, sem saidas a noite.
    Que deserto terá sido uma vida para alguém que ainda não completou 30 anos ter uma mentalidade destas?
    Parecia um padre de 70 anos,ver uma aldeia perdida de que ninguém sabe o nome. Ou um velho cardeal daquelas da ala radical.
    Mas ali estava um jovem perfeitamente normal na aparência, um jovem urbano, com a mentalidade de alguém muito velho, demasiado velho.
    Por isso nada que venha do Bugalho me espanta.
    Infelizmente, os resultados da últimas eleições mostram que há por aí muitos como ele.
    A sonhar com um tempo cruel que felizmente para eles nunca viveram.
    Quando leio ou ouço um jovem com uma mentalidade destas penso que alguma coisa falhou. Na escola, na família, em qualquer ponto da vida.
    Uma mentalidade destas simplesmente não é normal, fere a humanidade. Alguma coisa na humanidade falhou para que existam mentalidades destas. Dignas de Torquemada.
    Complicado isto.

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