O que têm Montenegro e a Solverde a ver com uma quinta e o novo traçado do TGV em Espinho?

(In ZAP/aeiou.pt, 08/03/2025)


A cada cavadela, a sua minhoca e a cada tiro o seu melro 🙂

O desabafo do presidente da Junta de Freguesia de Anta e Guetim, em Espinho, sobre o novo traçado ferroviário da Linha de Alta Velocidade (TGV) está a trazer um novo embaraço ao primeiro-ministro – tudo por causa de uma quinta que é poupada das expropriações.


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O autarca da Junta da União de Freguesias de Anta e Guetim, Nuno Almeida, lamentou que o traçado do TGV em Espinho, foi alterado sem aviso, estando agora sinalizadas para demolição casas antes indicadas como seguras.

A situação surpreendeu algumas famílias locais, que esta semana foram abordadas por uma empresa afecta ao projecto, e que ouviram dos seus profissionais “que as suas casas serão demolidas“, revelou Nuno Almeida que foi eleito pelo PS.

Quem se salva com este novo traçado é a Quinta da Gata, uma propriedade que inclui um picadeiro de cavalos e que pertence à empresa Violas Ferreira – Sic Imobiliária Fechada, conforme apurou o Correio da Manhã (CM).

O jornal assegura que esta empresa é “controlada pelos Viola Ferreira, familiares de Manuel Violas, dono da Solverde” e amigo pessoal de Luís Montenegro, conforme o próprio assumiu no Parlamento.

O Grupo Solverde tem a concessão pública da exploração do jogo nos casinos do Algarve e de Espinho e está no meio da polémica em torno da empresa da família do primeiro-ministro, que levou à actual crise política que pode terminar com eleições antecipadas.

Quem é, afinal, o dono da Quinta da Gata?

A Quinta da Gata que escapa às demolições no novo traçado do TGV na zona de Espinho levantou algumas dúvidas na comunicação social.

O Público começou por anunciar que o Grupo Solverde seria o proprietário. Mas depois retirou essa informação, apontando que “tal ligação não se verifica”.

O Expresso também fez eco da notícia, mas acabou por apagar a informação relativa ao Grupo Solverde.

Entretanto, o CM veio anunciar que a quinta pertence a “um familiar do dono da Solverde“, que integra o “ramo da família Violas Ferreira“.

Novo traçado “ainda não é definitivo”

A proposta inicial apresentada pela Infraestruturas de Portugal para a linha do TGV em Espinho, cortaria a Quinta da Gata a meio.

Mas o consórcio vencedor do concurso público internacional para a obra, a Lusolav, terá deslocado a linha da Alta Velocidade “para poente”, passando a “afectar a propriedade na zona lateral e não na central”, segundo o CM.

A Lusolav já veio assegurar, em comunicado, que “o traçado se encontra em fase de desenvolvimento de projecto” e que, portanto, esta nova proposta “não [é] definitiv[a]”.

O Ministério das Infraestruturas também sublinha, em comunicado, que “não teve, não tem, nem deveria ter conhecimento desse traçado final, pois, como referido, o mesmo é da responsabilidade do concessionário“.

Já o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, Carlos Fernandes, nota, citado pelo CM, que “a proposta de traçado do concessionário é diferente” da desta entidade, mas diz que “está dentro do corredor [definido]“.

Autarca socialista diz que “não é erro inocente nem descuido”

Mas em Anta e Guetim, sobra a revolta com a nova ideia de traçado. O presidente socialista critica a falta de respeito pelos direitos da população e acusa a Infraestruturas de Portugal de “continuar sem prestar qualquer esclarecimento formal”.

O autarca garante que “o traçado que está a ser alvo de levantamento cadastral e topográfico nunca foi discutido com as autarquias ou com os cidadãos”.

Nuno Almeida também lamenta que as equipas no terreno que foram “contratadas pelo consórcio que concorreu para a construção do troço Porto/Oiã”, estão a avançar “sem que o traçado tenha sido oficialmente aprovado ou apresentado às populações”.

“Na única solução que teve aprovação ambiental — a Variante “Vila Nova de Gaia” — este percurso simplesmente não existe“, garante ainda o autarca.

Insistindo que “esta mudança surge do nada”, Nuno Almeida atribui as alterações à mudança de Governo e diz que é “legítimo questionar se se está perante uma escolha puramente técnica ou se há novos critérios que não foram devidamente esclarecidos”.

“O que está a ser feito a Espinho não é um erro inocente nem um descuido“, atira ainda o autarca socialista, desafiando o Governo e a IP a explicarem a situação.

Entretanto, Nuno Almeida defende a “suspensão imediata dos levantamentos no terreno até que haja um traçado formalmente aprovado e validado”, e quer “garantias públicas de que as habitações, equipamentos e bens pessoais que antes estavam protegidos continuarão a ser salvaguardados”.

Fonte aqui.

3 pensamentos sobre “O que têm Montenegro e a Solverde a ver com uma quinta e o novo traçado do TGV em Espinho?”

  1. Quão actual é o “agora” no primeiro parágrafo? É da semana passada? Devemos acreditar que o Montenegro aproveitou o momento de aperto para mais esta malfeitoria? Se não, porque sabemos disto, neste momento? Porque a salvaguarda do “superior interesses das populações”, só agora, o exige? Ou será a decantada “ética republicana” a mandar enterrar o videirinho de turno para lá colocar outro? Isto será, mesmo, tudo um putedo? Olhem, que não…
    Tem a palavra, o povo.

    • Mas já sabes que vai haver eleições? E quem ganha? Não me digas que trabalhas para a Pitagórica, ou a Católica… ou que és um boy deste Governo tão sério e casto, tão sincero e transparente na hora dos esclarecimentos ao… povo. Logo se vê de que massa este povo é feito, caso haja mesmo eleições, porque a palavra dos políticos já se provou que não é de confiança, sobretudo os do governo e os que costumam por lá andar.

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