Goldman Sachs – a escola de moderação de Carlos Moedas

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 18/01/2025, revisão da Estátua)

(Razão tinha o Ricardo Salgado quando aflito – com o BES a resvalar-lhe por entre os dedos para o abismo -, bradava, altissonante, para os seus colegas de infortúnio: “Ativem o Moedas!” 🙂 Ele bem sabia do que falava, mas nem o Moedas lhe valeu...

Estátua de Sal, 19/01/2025)


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Quem cospe para o ar corre o risco do cuspo lhe cair em cima. É o caso de Carlos Moedas e da acusação de radical à candidata do Partido Socialista às próximas autárquicas.

O Moedas encolheu-se todo, e disse muito fininho que era um moderadinho. Não tenham medo dele que ele era moderado em tudo. Exceto em aldrabar o seu passado radical.

A grande escola de Moedas foi o banco americano Goldman Sachs. O banco Goldman Sachs, a escolinha de moderação de Moedas é conhecido no meio financeiro como a “hidra”, “A Firma” ou “Governo Sachs” pela sua habilidade em infiltrar-se nas mais altas instâncias dos estados.

Políticos-chave dos Estados Unidos e da Europa trabalharam anteriormente para o banco. É o caso, não apenas do ex-presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, mas também de Mário Monti, Peter Sutherland (ex-diretor geral da Organização Mundial do Comércio), Petros Christodoulou (gerente geral da Agência de Administração da Dívida Pública grega, em 2010, e, em junho de 2012, eleito vice-presidente do Banco Nacional da Grécia); o português (falecido) António Borges, ex-vice-presidente da Goldman Internacional (unidade que dirigiu os swaps gregos entre 2000 e 2008), que assumiu a direção do FMI para a Europa, em outubro de 2010; Karel van Miert e Otmar Issing, entre outros.

“Colocar Draghi à frente do BCE é como deixar a raposa cuidando do galinheiro”, explicou o economista Simon Johnson, professor da MIT Sloan School of Management. Durão Barroso, ex presidente da Comissão Europeia e membro do clube Bilderberg e António Arnaut presidente da ANA são ex Goldman Sachs boys.

Nos Estados Unidos, o ex-diretor do Goldman Sachs, Robert Rubin, dirigiu o Conselho Económico Nacional criado por Bill Clinton (1993-1995), antes de se tornar seu Secretário do Tesouro (1995-1999). Sob a presidência de George W. Bush, dois outros ex-proprietários do banco Goldman tiveram papel político importante em diferentes áreas do governo e dentro dos dois principais partidos. Henry Paulson foi, de 2006 a 2009, Secretário do Tesouro (e principal arquiteto do bailout do sistema bancário americano), enquanto Jon Corzine foi eleito senador (democrata) por Nova Jersey em 2000 e governador daquele estado, entre 2006 e 2010. Stephen Friedman, antigo CEO do banco, estava a usar três chapéus no momento da crise financeira: era administrador do Goldman Sachs, chefe do President’s Intelligence Advisory Board, órgão consultivo do presidente para assuntos de inteligência, e presidente do Federal Reserve de Nova York, órgão que fiscaliza o Goldman Sachs.

Alguns títulos retirados do Google sobre as atividades da escolinha de moderação de Carlos Moedas ajudam a perceber de onde lhe vem tanta manha e desfaçatez.

  1. Ex-banqueiro do Goldman Sachs é condenado a 10 anos de prisão por caso de corrupção, notícia da Reuters em 09/03/2023: O Grupo Goldman Sachs fez um acordo com autoridades dos Estados Unidos, Reino Unido, Singapura, Malásia e outros países que inclui pagamento de mais de U$2.9 bilhões após admitirem violações ao Foreign Corrupt Practices Act (“FCPA”), legislação federal americana também conhecida como Lei de Práticas de Corrupção no Exterior, pioneira no combate à corrupção. O acordo inclui a retirada das acusações criminais contra o banco de investimentos norte-americano. A subsidiária do Goldman Sachs na Malásia teria pago subornos bilionários a funcionários públicos do alto escalão da Malásia e do Abu Dhabi para obter vantagens em negócios da empresa.
  2. O Goldman Sachs foi considerado como um dos principais atores na ocultação do déficit da dívida pública grega. Goldman Sachs esteve envolvido na origem da crise da dívida pública da Grécia, pois ajudou a esconder o déficit das contas do governo conservador de Kostas Karamanlis.
  3. Goldman Sachs no centro de escândalo financeiro internacional: O famoso banco de investimento norte-americano Goldman Sachs, o único dos grandes que sobreviveu à crise de 2008, encontra-se agora no epicentro de um enorme escândalo financeiro de desvio fraudulento de fundos e de corrupção política no sudoeste asiático.

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5 pensamentos sobre “Goldman Sachs – a escola de moderação de Carlos Moedas

  1. Para os neo/cons/liberais todos os que não se submetem à sua ideologia são radicais, sobretudo os da linha social-democrata (não confundir com o partido que tem esta sigla, o de Montenegro, que de social democrata não tem rigorosamente nada, aliás, nos antípodas da social-democracia.
    Moedas, que combina no nome e na ideia (radicalismo liberal) em absoluto com Goldman Sachs, não passará, nem com o seu timbre de voz efeminado, docemente quaresmado!
    Acorda, povo de Lisboa!
    Não deixes embalar a dor! (vem à memória, o enorme Lopes-Graça, um radical da defesa da dignidade humana).
    Sejamos radicais contra a miséria, a exploração, a exclusão! Sempre, sempre!…

  2. SIC – «Carros destruídos, casas danificadas por projéteis e cercas crivadas de balas, esta podia ser a campanha de uma agência de viagens que promove o turismo de guerra. Na Ucrânia, as ofertas multiplicam-se. São já 12, as agências de viagens que propõem circuitos por todo o país».
    Facetas da natureza humana!

  3. Para a “moderação” do Moedas nunca tive estômago, aliás, como para nenhum dos outros trastes que diziam que nos e os gregos mereciamos viver a alpiste.
    Era o tempo em que are nos ensinavam a fazer bifes de casacas de banana e sopas de talos de couve.
    Mas do zapping e dos cafés onde a televisão estava demasiado alta e “artilhada” em serviços noticiosos nem o santo protector dos cachalotes me livrava.
    O pouco que ouvi do Moedas levava me a acreditar que o homem era louco, ou psicopata, ou ambos, inclinando me mais para a terceira hipótese.
    Por isso me custava a acreditar que os lisboetas fossem tão bovinos que fossem votar em tal criatura para gerir a capital por muito ressabiados que estivessem com o Medina.
    Mas quem já teve o Krus Abecassis podia muito bem ter o Moedas e acharam mesmo boa ideia votar num ultra liberal com muito de passado dos carretos só porque ele lá veio com um discurso mais moderado e sem prometer coisas como despedir metade dos funcionários da autarquia e cortar por metade o salário dos restantes ou cobrar 10 euros por hora de estacionamento.
    A verdade e que foram mesmo suficientemente bovinos para votar no pouco recomendável sujeito.
    E provavelmente voltarão a ser suficientemente bovinos para lá votar outra vez especialmente os que não gostaram de migrantes, uns que ele garante que conseguira domar.
    Graças ao santo protector dos cachalotes não vivo em Lisboa e só lá vou a passeio.

  4. Só mesmo na Pategónia para termos “moderadinhos bem comportadinhos bons meninos” como um Moedas com vozinha de velhinha à frente da Câmara Municipal e a fazer-se à pista para chegar a primeiro-ministro ou coisa que o valha, e por outro lado “anti-sistemas radicais boçais e muito vocais para-anormais” como um Ventura que só sabe é fazer barulho com voz de altifalante tonitruante, à frente de uma seita de pategos que o elegem todas as vezes que ele se demite para efeitos práticos para novamente se recandidatar à liderança indisputada, a fazer-se à pista para primeiro-ministro ou ministro de governo e ao mesmo tempo a presidente da república!
    E a visão de um é supostamente a alternativa apresentada mediaticamente (ou pelos “senhores doutores entendidos” que vão “comentar” à rádio e à televisão) à visão do outro, isto quando não são complementares ou idênticas, mesmo com a diferença de “estilos”.
    Estes não são apenas “figurões”, estes são dois “campeões”!

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