Qual é o valor económico da Gronelândia e porque é que Trump a deseja tanto?

(In canal Geopolítca do Telegram, 09/01/2025)

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De repente, toda a gente fala da Gronelândia. Normalmente, a Gronelândia é um lugar que é largamente ignorado pelo resto do mundo, mas aparentemente Donald Trump está muito empenhado em adquiri-la.

Mas como é que isso seria? Se a Gronelândia se tornar o 51º estado dos EUA, terá tantos senadores americanos como o estado da Califórnia. Isso poderia ter implicações muito sérias para o equilíbrio de poder no Congresso. E como é que a Gronelândia votaria nas eleições presidenciais dos EUA? Alguém já pensou nisso? É claro que a Gronelândia poderia tornar-se apenas mais um território dos EUA mas, porque é que os cidadãos da Gronelândia quereriam tornar-se o próximo Porto Rico? Não me parece muito apelativo. E porque é que Trump está a dar tanta importância a este assunto? Cerca de 56.000 pessoas vivem na Gronelândia e 80 por cento do território está coberto de gelo. Então, porque é que Trump a quer tanto?

Claro que a verdade é que tudo se resume a recursos naturais.

  1. Petróleo

Estudos indicam que as águas ao redor da Groenlândia podem conter até 110 bilhões de barris de petróleo. Com os EUA consumindo cerca de 20 milhões de barris por dia, essas reservas poderiam atender às necessidades americanas durante anos.

  1. Elementos de Terras Raras

A Groenlândia abriga um dos maiores depósitos não desenvolvidos de terras raras fora da China, essenciais para tecnologias avançadas, como eletrónica, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.

3. Interesse Estratégico. Competição com a China:
A China já domina o mercado de terras raras, e o controle sobre os depósitos da Groenlândia poderia reduzir essa dependência e aumentar a autossuficiência dos EUA.

4. Posição Geopolítica:
A Groenlândia está localizada estrategicamente no Ártico, uma região cada vez mais disputada devido ao derreter do gelo e às novas rotas de navegação.

5. Implicações Políticas

Tornar a Groenlândia um estado ou território americano impactaria o equilíbrio político interno, com a concessão de novos representantes no Congresso e possíveis implicações em eleições presidenciais. Há também o desafio de convencer os residentes locais e o governo dinamarquês, que atualmente administra o território de forma autónoma.

Em suma, a Groenlândia representa um trunfo económico e estratégico, e o interesse de Trump reflete a crescente competição por recursos e influência na região Ártica.

Fonte aqui.

5 pensamentos sobre “Qual é o valor económico da Gronelândia e porque é que Trump a deseja tanto?

  1. Seguindo aqueles raciocínios pretensiosamente concretos mas que nunca são mais que abstracções ou divagações ao gosto chauvinista de cada um (em linguagem erudita “raciocinius pategus”), os Gronelandeses não deviam supostamente estar ansiosos para se tornarem “cidadãos americanos”? Nem sei como é que não emigraram todos para lá já, que aquilo é um fim do mundo, e os “amaricanos” são os mais maiores grandes e exemplares! Toda a gente quer ser “amaricano” e já ninguém quer ser gronelandês, canadiano, mexicano, panamiano… é mais ou menos isto… nem vão dar luta…

    • Por estes dias já devem ter saído à rua multidões de canadianos, vários milhares de panamianos e uns poucos milhares de gronelandeses, desfraldando as cores e bandeiras da União ao vento e marchando pelas avenidas e enchendo as praças gritando “quieremos ser gringos” uns, outros “Nous voulons être américains” ou “We want to be an american”, conforme a localização geográfica destas moles humanas em delírio no continente ou imediações próximas.
      Nos céus das principais cidades/povoações/lugarejos canadianos, panamenses, gronelandeses o fogo de artifício supera o das celebrações do Ano Novo.
      As bandeiras rapidamente foram substituídas nos parlamentos, edifícios administrativos, governamentais, municipais, e foram içadas as bandeiras alusivas ao Tio Sam, e até mesmo os discursos eufóricos das principais figuras de estado, todos foram em inglês.
      Isto meus caros amigos, é só para vocês verem a grandiosidade da nação excepcional e os efeitos da sua acção enquanto guardiã e farol do mundo livre, dos nossos valores e da demo-cracia.

      • Nos canais públicos de rádio e televisão, para além dos discursos oficiais, o hino The Star-Spangled Banner toca de hora a hora, e todos o cantam em coro, mal ou bem, à medida que o aprendem de tanto repetir. Mas já não é só no Canadá, no Panamá, na Gronelândia… agora também é na Pategónia (com André Ventura a liderar o coro dos mafarricos), na Áustria, na Alemanha, na Polónia, na Ucrânia… estranho…
        A Polícia Montada do Canadá publicou uma imagem do Chuck Norris com a legenda: finalmente vamos poder ter o estilo de um Ranger do Texas. Agora já só querem andar de pickup, suv ou 4×4 e nem querem saber de limpar bosta de cavalo.
        Nisto tudo, de repente, Marcelo, o Professor, acordou. Ainda confuso, estremunhado, percebe que afinal ainda está preso dentro de um sonho, que não é seu… mas de Joe Biden, que adormeceu durante a tomada de posse de Trump em Washington D.C (o Marcelo está lá a sonhar acordado). É o que dá entregar ao Grande Irmão a soberania, a auto-determinação e até os próprios sonhos…
        …já nem estes são autónomos…

  2. Entretanto o primeiro ministro da Gronelândia já veio pedir aos seus cidadãos que não entrem em pânico ao mesmo tempo que promete aos ianques toda a colaboração sem ser preciso que haja uma apropriação oficial do território.
    Não serei eu quem censure os gronelandeses por estarem em pânico pois que se lá vivesse também estaria a pensar para onde poderia fugir.
    Não lhes queria estar na pele.

  3. O jogo ainda agora começou, e os europeus vão ser esmagados como insectos no chão (efeitos colaterais inevitáveis), apanhados entre os BRICS+ e a sua vontade de destruir o dólar, e o frenesim territorial que acaba de se apoderar de Trump e da sua administração, uma vez que o fóssil Biden lhes deixou um registo catastrófico no Leste, e que é imperativo tomar o que deve ser tomado antes que seja tarde demais.
    Mas, se pensarmos bem, já é demasiado tarde. Os russos e os chineses são os mestres do xadrez e do go. A guerra é inevitável e os beligerantes estão a afiar as armas. Os europeus vão pagar caro, muito, muito caro!

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