(Por Paul Craig Roberts, in Resistir, 26/11/2024)

Autorização de disparo de mísseis: uma declaração de guerra à Rússia.
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Os americanos que se consideram informados porque vêem a CNN, lêem o NY Times e ouvem a NPR, consideram os meus avisos sobre a guerra nuclear como desinformação, ou mesmo histeria. Dizem que os funcionários do governo dos EUA, como o secretário de Estado Blinken e o conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, não são estúpidos ou loucos.
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Realmente convenceram-se da sua superioridade, cá pelos lados do Ocidente, devido aos muitos séculos de dominação e abuso noutras paragens e continentes, com o caso extremo das Américas e Oceania (onde as Primeiras Nações foram destroçadas e chutadas para canto, praticamente arrendadas de qualquer narrativa do tipo da mítica Grande Substituição ou do assombroso Great Reset).
Este sentimento de falta de empatia e consideração pelo outro, de superioridade e impunidade total – que é, sem dúvida, um traço distintivo da psicopatia, basta considerar o comportamento dos inúmeros assassinos em série conhecidos – é hoje transversal a toda a sociedade de “iluminados”, ou seja, de todos os que se revêem nos actuais “grandes líderes” ocidentais e nas suas políticas de assédio, assalto e violência sobre os demais, que temem ser os próprios a sofrer, tornando-se assim também eles sociopatas por “osmose”. E andam nisto, já sem qualquer equilíbrio e completamente assoberbados, daí já falarem com normalidade dos patamares últimos de agressão bélica, para como situacionistas que são, continuarem a sentir-se senhores da situação e protegidos (tal como um psicopata).
*arredadas
O problema aqui e que, por parte de quem parece apostar em levar nos ao abismo não há estupidez, há psicopatia.
Depois os psicopatas quando escalaram a guerra que se combatia na Ucrânia desde 2014 tiveram um raciocínio que até tinha lógica. “Não interessa quantos anos os descartáveis (que para eles somos todos nós) sofram com o efeito boomerangue das sanções, quantos mercenários morram,quanto dinheiro gastemos, deitaremos para cima deles tantos engenhos de morte convencionais a partir da auto estrada das nossas invasões, que sempre foi o território onde hoje e a Ucrânia, que os ogres acabarão por se render. Nunca terão coragem de usar mesmo armas nucleares porque preferirão ser nossos escravos a sofrer a morte em massa de uma guerra nuclear. E preciso e ter paciência e esperar”.
Mas quando os mísseis começaram a falar sobre território russo acordaram para uma dura realidade.
A capacidade de a Rússia se defender destruindo tudo o que para lá mandamos.
E a capacidade de a Rússia nos poder destruir sem usar armas nucleares mediante um engenho convencional demoníaco que ninguém previu.
Resta por isso preparar os estúpidos para a inevitabilidade de uma guerra nuclear convencendo os de que sofrerão muito mas na sua maioria sobreviverão.
E que ninguém tenha dúvidas. De virmos cogumelos cor de laranja serão os psicopatas que temos a dar a cara como líderes a ordenar o seu lançamento.
Como se isso adiantasse porque, depois da destruição causada por bombas nucleares quem garante que finalmente conquistaremos a Rússia?
Provavelmente a Rússia e ate o país que estará melhor preparado para mitigar os efeitos de uma guerra nuclear pois que também se estava a preparar para tudo isto há muito tempo.
Mas não havendo maneira dos estúpidos acordarem não há muita coisa a fazer.
Boa sorte com os buracos no quintal, os enlatados, a água engarrafada e os comprimidos de iodo.
As leis fundamentais da estupidez humana, (Le leggi fondamentali della stupidità umana) um ensaio com piada absolutamente brilhante, circulou só entre entre os amigos do Professor Carlo Maria Cipolla antes de serem publicadas no livro chamado “Allegro ma non troppo” em 1988. Em forma de anexo ao citado livro lá estão escarrapachadas as 5 leis principais da estupidez humana. Confesso que na primeira leitura conclui que era uma brincadeira…infelizmente eu estava errado!
1ª Lei da Estupidez: qualquer um subestima o número de idiotas que o rodeiam.
2ª Lei da Estupidez: a probabilidade de uma pessoa ser idiota não depende das suas outras qualidades.
3ª Lei da Estupidez: um idiota é uma pessoa cujas acções levam a perdas para outros e que não o beneficiam, por vezes até o prejudicam.
4ª Lei da Estupidez: os não idiotas sempre subestimarão o potencial destrutivo dos idiotas.
5ª Lei da Estupidez: o idiota é o tipo de personalidade mais perigosa que existe.
A história confirma que um país se desenvolve quando há suficientes pessoas inteligentes no poder para conter os estúpidos no activo e impedi-los de destruir o que os mais inteligentes produziram. Neste oceano povoado por burocratas, generais, políticos, chefes de Estado e ilustres membros do clero encontramos uma quantidade cada vez maior (reproduzem-se como ratos) de indivíduos perigosamente estúpidos, cuja capacidade de prejudicar é mais temível devido à posição de poder que ocupam.
De facto parece que estamos a viver dentro da cabeça de um louco. Ontem, na antena aberta da Antena 1 (não apanhei todo o programa) estava um friso de “comentadores” – penso que um deles era o Vitor Ângelo, supostos especialistas nestes assuntos, discorrendo com a maior das levezas e como se estivessem a falar de um qualquer evento musical, acerca da possibilidade da extensão da guerra para além das fronteiras da Ucrânia, da construção de Bunkers um pouco por todo o lado e da utilização de ogivas nucleares. Tudo isto sem haver um único daqueles maduros (pelo menos na parte que eu ouvi) que fizesse a apologia da paz ou que frisasse que a utilização de ogivas nucleares nos mata a todos e que os bunkers no quintal não adiantarão nadinha. Estamos lixados.
Os líderes ocidentais não são estúpidos. Sabem perfeitamente bem os riscos que os seus povos correm com isto tudo mas simplesmente não querem saber das nossas vidas nem de quantos de nós teremos de perder a vida para que o complexo militar industrial norte americano continue a facturar rios de dinheiro num primeiro momento.
Num segundo momento o que se quer e a destruição da Rússia e a pilhagem dos seus recursos, seguindo se a submissao da China e o seu relegar ao papel que o Ocidente queria para ela.
A saber, reserva de mão de obra barata e consumidora dos nossos produtos de alta tecnologia pelas suas elites.
Uma China produtora dos seus próprios produtos de alta tecnologia, preferidos por boa parte da população que até agora comprava os nossos, muitos deles produzidos justamente na China para aproveitar as tais vantagens salariais e um pesadelo mas esta gente está perfeitamente determinada em acordar dele.
Da única maneira que sabe. Fazendo a guerra.
Foi sempre a única maneira que o Ocidente arranjou para resolver quando estava em situação de desvantagem com os que considerava inferiores.
A China foi atacada e pilhada para que fosse possível aos ingleses lá vender ópio, uma droga terrível.
Isto porque as vidas chinesas não interessavam.
Tal como também não interessavam as vidas dos soldados que morriam em todas as aventuras militares do império, que sempre eram alguns.
Agora, que ha riscos de a guerra chegar aos nossos territórios as nossas vidas também não interessam.
E como conseguiram enganar grunhos e menos grunhos sobre as possibilidades de haver uma guerra nuclear a que possam sobreviver isto vai continuar como tiver de continuar.
Enquanto uns ajeitam caves e bunkers e todos compram água, enlatados e até comprimidos de iodo.
A verdade e que as nossas vidas não interessam. Nunca interessaram.
Isto deveria ter sido logo visto na maneira cruel como foi “resolvida” a crise de 2008.
Criada pela especulação bancaria que campeava em todo o lado, os seus custos foram impiedosamente lançados sobre quem vivia do seu trabalho, sobre quem se levantava cedo, sobre quem enfrentava sois causticantes e chuvas torrenciais para ir e vir do trabalho.
No Sul da Europa, em particular em Portugal e Grécia, a maneira como a coisa foi “resolvida” foi simplesmente cruel.
Uma miserabilizacao impiedosa, que no caso grego fez o nível de vida da população recuar décadas foi imposta acompanhado de tudo quanto foi fake news e insultos puros e simples.
Esta barbaridade custou vidas, desde gente que se suicidou por não aguentar mais a gente que adoeceu muitas vezes por condições de vida degradantes e não teve acesso a assistência medica decente.
Na Grécia a rede de cuidados de saúde colapsou, em Portugal sofreu forte degradação mas tudo isto foi visto com total desprezo pelas nossas vidas tanto por políticos locais e europeus como pelas populações com muito de racista do norte abastado.
A mim custava a roer ver gente que sempre conheci por aqui, a apanhar porres homéricos, bebendo caneca atrás de caneca, dizendo que quem lhes servia as canecas e que não queria trabalhar.
O problema e que muita da nossa própria gente aceitava isso e de autoflagelava.
Como hoje, mesmo a Norte, todos parecem aceitar quase alegremente a degradação das suas condições de vida e a possibilidade de uma guerra total, em nome da missão sagrada de destruir a Rússia.
Os nossos líderes não sao estúpidos. Sao psicopatas. Sabem os povos que teem, sabem que a sua propaganda e eficaz e estão se nas tintas para as nossas vidas.
Estupidez está sim, do lado do civil português, alemão ou finlandês que acha que pode sobreviver incólume a um conflito nuclear metendo se numa cave, tomando comprimidos de iodo ou, se for mais endinheirado, fugindo para um país seguro dos da lista divulgada ontem por aquela peça de propaganda on line que e o Executive Digest.
Mas e isto que temos e e com isto que temos de contar.
E sim, isto tem tudo para correr mal.
Pelo menos a nova arma diabólica da Rússia parece ter calado os mísseis que falariam por si, segundo Herr Zelensky.
Mas não tardará muito até que tenham coragem para testar a ver se a Rússia tem mesmo mais brinquedos daqueles.
Isto tem tudo para correr mal mas e pela psicopatia dos nossos dirigentes. A estupidez, há que reconhecer, está do lado de quem há quase três anos aceita isto em nome da destruição daqueles malvados russos que marcharão no Terreiro do Paco se não forem destruídos.