(Carlos Esperança, in Facebook, 26 e 27/11/2024)

(Pronto. A política nacional também merece alguma atenção. No filme “O Pátio das Cantigas” quando o Sr. Evaristo (António Silva) vai para “termas” no Cartaxo, Narciso Fino, (Vasco Santana) atira-lhe a seguinte “pérola”: «Boa viagem. Vai e quando lá chegares manda saudades que é coisa que cá não deixas.» (Pode ver o filme na íntegra aqui e a frase é dita à 1h 29m).
O mesmo será de dizer a Marcelo Rebelo de Sousa, depois da sua atuação maquiavélica e vergonhosa no segundo mandato.
Estátua de Sal, 27/11/2024)
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Não penso que a minha opinião interesse a muitos e muito menos que consiga mudar a de quem quer que seja.
Dito isto, o que vier a escrever sobre o tema é a opinião do social-democrata que sou. E não me demitirei de intervir na política, como faço desde 1961, fora de partidos, se não considerar como partidária a militância no MDP/CDE, onde participei ativamente desde 1965 até 25 de abril de 1975. Até então o MDP/CDE foi uma frente democrática.
É minha opinião que não se ganham eleições presidenciais com um candidato que não seja apoiado pelo PS, pelo que votarei à segunda volta no candidato do PS, seja qual for.
Se esta posição pudesse ser acolhida por todos os social-democratas e democratas à sua esquerda, seria possível, na minha opinião, vencer o candidato da direita, seja quem for, e contrariar a geometria eleitoral que resultou das sucessivas dissoluções da AR.
A direita já deu alguns tiros no pé. O primeiro foi o do único ministro que Montenegro não pode demitir, sob pena de perder o pseudónimo AD que justifica o Governo. Nuno Melo, uma inexistência política, apesar de comprometido a apoiar o candidato do PSD, sonhou usar o almirante de camuflado na ressurreição do CDS. E criou um problema.
Até à clarificação não deixarei de mostrar as minhas simpatias e antipatias, e não serei demasiado cáustico para quem, na área do PS, me desagradar particularmente.
Assim, fiel ao meu ideário, posso desde já dizer que, mesmo entre os meus adversários, nunca me absterei. Se restassem apenas dois votaria em Moedas em vez do almirante, Marques Mendes em vez de Moedas e sempre contra Passos Coelho por não imaginar que este e a sua cria Ventura pudessem ser os únicos a disputar a segunda volta.
Espero que não haja opções que me obriguem a tapar o nariz.
A única coisa boa é saber que não teremos um PR pior do que Marcelo que, ainda agora, anda a atentar contra a democracia e a querer dissuadir o almirante de concorrer.
Apostila – A razão do voto contra Gouveia e Melo não é por ser militar, é por ter feito política como militar e tratado assuntos militares num bar e ter feito política fardado.
Apostia 2 – O facto do almirante fazer declarações políticas como militar não o denigre apenas a ele, envergonha o PR e o imbecil ministro Melo, que na cobardia do primeiro e desadequação ao cargo do segundo, suscitam nojo por não o terem demitido.
TAKE II
O tema das eleições presidenciais é o ruído que esconde a incompetência do governo do escrutínio dos eleitores, mas é inevitável, em país tão cansado de Marcelo e de eleições, a ânsia de votar em alguém que não as repita até obter os resultados que deseja.
À direita, é irreversível a candidatura de Gouveia e Melo tecida de camuflado durante a pandemia e laboriosamente preparada a partir da chefia da Marinha. As cumplicidades permitiram-lhe as aspirações. Já depois do golpe do PR/PGR foi à Câmara de Lisboa, convidado por Moedas, assistir ao seu discurso de extrema-direita do 5 de Outubro.
Marques Mendes, apoiado por Montenegro, apesar da indiferença do partido só desistirá se não surgir Passos Coelho a unir a direita, PSD/CDS, e a extrema-direita, IL e Chega. Passos é o lídimo herdeiro do cavaquismo, rude, pouco ilustrado e reacionário.
Marcelo é a antítese de Cavaco, culto, empático e requintado, o que o tornou mais eficaz na perversidade e imaginativo nas conspirações. O eleitorado, saturado dele, deseja agora um perfil oposto: medíocre, reservado e autoritário.
A geometria eleitoral que acabou por surgir face ao cansaço das sucessivas dissoluções da AR excita qualquer candidato de direita que sobreviva à primeira volta. Temo que o mais votado da esquerda não passe à segunda volta e Seguro não é entusiasmante.
Só dois nomes à esquerda garantiriam a vitória à segunda volta e nenhum disponível – António Costa e Guterres. Dos possíveis, António Vitorino, seria o melhor.
Se Vitorino não se disponibilizar, e à esquerda concorrerem dois candidatos do PS, corremos o risco de uma segunda volta entre Gouveia e Melo e Marques Mendes.
Portanto, o Esperança votou Marcelo em 2021…?
O Nuno MarMelo e o cara de Tamboril realmente fazem uma grande dupla. Com uma Defesa destas, quem precisa de Ataque?
Uma análise sem mácula! Assertiva em cenários não improváveis!!
Subscrevo integralmente.