(Por Nota Piccole, In observatoriocrisis.com, 30/08/2024, Trad. Estátua de Sal)

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A Terceira Guerra Mundial, a acontecer, “não se limitará à Europa”. Foi o que disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov. Um aviso cheio de significado porque, nos últimos dois anos, todos os analistas e políticos norte-americanos, ao falarem do risco de um confronto em grande escala entre a NATO e a Rússia (tanto para alarmar como para negar essa possibilidade), referiram-se sempre a uma guerra limitada ao Velho Continente.
Depois da Ucrânia
A crença nessa circunscrição geográfica do conflito, por parte dos americanos, tornou o seu apoio a Kiev cada vez mais descarado, forçando-os a aumentar progressivamente as apostas e a superar as linhas vermelhas indicadas por Moscovo no início do conflito, a última das quais é a inviolabilidade do território da Rússia.
Na verdade, um conflito em grande escala no Velho Continente poderia ser um preço que os Estados Unidos estariam dispostos a pagar para vencer o conflito em curso, uma vez que a perda dos aliados europeus, que seriam incinerados, seria compensada por uma destruição paralela da Rússia, restaurando-se assim a sua supremacia global: isolada e sem a força militar russa, a China seria forçada a capitular num curto espaço de tempo.
Por outro lado, tratar-se-ia apenas de estender a lógica do conflito em curso à escala continental. Foi atribuído à Ucrânia o papel de vítima sacrificial, lançando-a contra a Rússia numa guerra “até ao último ucraniano” (Strana relata que “homens entre os 17 e os 25 anos serão automaticamente forçados ao serviço militar”: não são alistados à força, pelo menos por enquanto, mas deverão servir como voluntários e não receberão passaporte…). A liderança ocidental poderia transferir esta lógica sacrificial para toda a Europa. Os seus líderes (ver as declarações de Borrell) não hesitariam em levar-nos ao desastre se tivessem o seu futuro assegurado por Washington.
Assim, a advertência de Lavrov, em vez de elevar o tom do confronto verbal que acompanha o campo de batalha, poderia servir para trazer os líderes americanos à razão, embora seja difícil ter esperança nesse ponto, uma vez que o Império é agora dominado por uma classe dominante que prospera com as guerras.
Guerra e partidos políticos americanos
Sobre este ponto, há um artigo interessante do ex-senador norte-americano Ron Paul, segundo o qual os dois partidos no poder competem “no seu apoio ao estado de guerra. Ambos têm políticas que levam à pobreza e à guerra, em vez de promoverem a paz e a prosperidade.”
“A julgar pelo seu discurso”, diz Ron Paul, “podemos assumir que a candidata Kamala Harris será uma apoiante entusiástica da guerra na Ucrânia e de outras aventuras militares dos neoconservadores. E como Trump diz que reabrirá as negociações com o presidente Putin, e acabará com a guerra assim que for eleito presidente, isso justifica o apoio de Kennedy Jr. à sua campanha.”
Ron Paul descarta, acertadamente, as palavras de Harris sobre os seus esforços de paz israelistas-palestinianos, considerando-as como um absurdo de propaganda, mas também nos lembra que Trump, como presidente, trouxe para a sua administração pessoas como John Bolton e Mike Pompeo, porta-estandartes de políticas neoconservadoras beligerantes.
“Há sempre a possibilidade de que estes erros se repitam – conclui Ron Paul – e nem Trump nem Kennedy Jr. parecem ser fiáveis quando se trata de favorecer o fim do massacre em Gaza. Por isso, as suas declarações não podem ser entendidas como um bilhete certo para a paz, mas pelo menos temos a sensação de que a paz está na ementa dos dois personagens.”
Os Neocons apoiam Harris
O que confirma o espírito belicista de Kamala Harris é o facto de os neoconservadores republicanos terem ficado do lado dela. Assim, o Washington Post afirma: “Mais de 200 colaboradores de Bush, McCain e Romney apoiam Harris”.
Mas Trump também deve ter cuidado com os neoconservadores que aparentemente permanecem atrás dele. Importante neste ponto é uma publicação sobre uma modificação da proibição federal do aborto […] . Ao propor esta mudança, Donald Trump sabe que mobilizaria os jovens eleitores democratas e perderia o apoio entre os conservadores: “Não podemos cometer o mesmo erro em 2024”, disse ele.
Há muita coisa em jogo nas eleições presidenciais dos EUA. Não é só o destino do Império que está em jogo, mas também a sua projeção no mundo. O America First de Trump , que propõe o neo-isolacionismo, contrasta com o outro America First, encarnado pelo seu concorrente virtual (porque Harris é apenas uma concha vazia), o do unipolarismo devastador.
Além disso, há que considerar que, se Biden encarnou uma presidência assertiva, anunciando na sua estreia “A América está de volta”, também é verdade que fez parte de um establishment que se mantém em contacto residual com a realidade, como ficou demonstrado com a guerra na Ucrânia.
Harris, dissemos, é uma concha vazia, um fantoche que responde inteiramente ao partido da guerra, que tem o seu terminal político no Partido Democrata de Hillary Clinton, que agora regressou fortemente ao primeiro plano.
É significativo que, pelo contrário, Tulsi Gabbard, que encarnou a alma mais pacifista do Partido Democrata, muitas vezes indevidamente associada à equipa de Bernie Sanders , apoie Trump.
A ofensiva neonazi em Kursk
Em relação à guerra na Ucrânia, há pouco a dizer além do que já foi escrito: a ofensiva em Kursk foi parada, tal como em Belgorod, e o avanço russo em Donbass está a acontecer mais rápido do que antes do ataque ucraniano ao território russo.
Um roteiro conhecido pela história é repetido. É o que diz Alastair Crooke : “’Kursk’ tem uma história. Em 1943, a Alemanha invadiu a Rússia na região de Kursk para desviar a atenção das suas próprias perdas, e acabou sendo derrotada na famosa Batalha de Kursk (23 de agosto de 1943 ). O regresso das forças militares alemãs às proximidades de Kursk deve ter deixado muitos sem palavras; O atual campo de batalha em torno da cidade de Sudzha é exatamente onde, em 1943, os 38º e 40º Exércitos soviéticos se prepararam para uma contra-ofensiva contra o 4º Exército alemão.”
. Fonte aqui.
Estou convencido de que o Pentagono e o complexo militar-industrial americano sao a quinta coluna da democracia americana. A sua sobrevivencia depende duma agenda beligerante crónica contra a Russia e China tendo-se afirmado como a maior ameaça à paz mundial na sua obsessão em criar novos inimigos. Impossivel de erradicar ou pelo menos reformar por Congressos/Senados obsequiosos e subservientes. Seria ingenuo contar com Kamala Harris. É lamentável que a Europa nao tenha ainda assumido a liderança decisiva que lhe compete para assegurar uma paz ireversivel e os seus proprios interesses geopoliticos. É imperativo que os politicos da Uniao Europeia sacudam a canga americana antes que seja tarde demais.
Para a Rússia, em especial para o provinciano Gorbatchev, a conversão ao capitalismo e a destruição da União Soviética parecia ser um bom negócio.
E tinha tudo para ser um bom negócio se do lado de cá não fossemos uma cambada de ladrões e não tivessemos do outro lado do mar uma nação violenta, belicista, a sonhar com o seu próprio reinado de 1000 anos sobre o mundo.
Com o fim da União Soviética a Rússia ficou com um território que ainda corresponde a um nono da superfície seca do planeta, cheia de recursos naturais e capaz de conseguir auto suficiência e capacidade de exportação alimentar, nomeadamente cereais.
Livrou se dos apendices que eram as republicas da Ásia Central que so tinham em termos de recursos petróleo e gás, que também não faltam na Rússia, mas dependiam da Rússia em tudo o resto tendo grandes defices em produção alimentar.
Sendo capitalistas também nos não teríamos motivo para os bloquear e tentar minar a sua ação em todo o lado.
Tinha tudo para correr bem mas não correu. E não podia correr.
Em primeiro lugar porque nunca a tal nação do outro lado do mar aprendeu a fazer negócios com honestidade.
Nas relações com os vizinhos do Sul sempre se pautou por simplesmente tomar pela corrupção ou pela força o que lhe interessava qualquer que fosse o regime que eles tivessem.
E para que o regime fosse amigo não se importavam em apoiar a criatura mais sanguinária que houvesse numa terra e até derrubar líderes democraticamente eleitos como Allende.
E foi esta receita que foi aplicada na Rússia quando conseguiram fazer eleger, por uma população pouco habituada a essas coisas do jogo eleitoral, um bêbado sem prestimo e sem capacidade para gerir nem o clube de setas de Papa Leitinho de Baixo, Boris Ieltsin de seu nome.
E durante esses anos foi a tripa forra e calculasse que três milhões de russos tenham morrido de fome e de frio.
A prisão do oligarca Kodarkovsky quando este se preparavam para vender a um consórcio americano o que hoje e o complexo Gazprom fez soar o alarme em todas as chancelarias ocidentais mostrando que o tempo do entreguismo e do saque poderia muito bem ter acabado.
Ai começou a diabolizacao da Rússia em geral e de Putin em particular até porque um pais desigual e cheio de contradições como os Estados Unidos cedo percebeu que precisava de um inimigo externo para unir o gado.
O problema é justamente este messianismo que os faz acreditar que teem de dominar todos os povos do mundo e que se para o conseguir tiverem de destruir todo o resto do hemisfério Ocidental não hesitarão em faze lo.
Por isso muitos sonham justamente com a destruição da Europa pela Rússia enquanto eles destroem a Rússia e assistem de camarote a nossa destruição.
A Rússia já garantiu que não se limitara a destruir a Europa se as coisas derem mesmo para o torto.
O que me arrepia nisto tudo e o facto de ainda haver tanta gente pro americana na Europa.
Que não perceba que aquela gente não e como a maior parte de nós que apenas quer ir levando a vida como pode.
Que é uma gente messiânica, em boa parte fundamentalista cristã, que sonha tal como Hitler num reinado de 1000 anos, não importa a destruição que isso custe.
Quanto as eleições americanas, estamos quilhados ganhe quem ganhar.
Kamala e uma belicista que se gabou que o seu país tem a força mais letal do mundo.
Por isso não há mais remédio a não ser prepararmos nos para o pior porque penso que já todos percebemos que para a Rússia aceitar a sua destruição sem que nos sofremos ou ter um entreguista e voltar a miséria negra dos anos Ieltsin não e opção.
E esta gente não decidiu de deixar de acreditar que com a força de Deus e das suas armas destruirão finalmente o demónio russo.
Isto tem tudo para correr mal.
Excelente. Vai para artigo. 🙂