Projeto Global e Revolução Atual

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 29/08/2024)


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Ando a escrever sobre estes cinquenta anos do pós 25 de Abril e pós 25 de Novembro. Não sei se publicarei, muito menos onde e quanto. Mas a nomeação da comissária portuguesa para a Comissão da U E fez-me ir a este excerto que liga o Projeto Global de Otelo e o movimento popular do 25 de Abril com a situação atual. Aqui fica.

Em 1974 e em 1975 uma revolução que pusesse em causa o sistema de governo estabelecido na Europa Ocidental após a Segunda Guerra não era e não foi imprescindível à sobrevivência de Portugal, um dos mais pobres e menos desenvolvidos países da Europa, bastava aceitar a independência das colónias e instaurar um regime legitimado por eleições. A Comunidade Económica Europeia, a “Europa connosco”, no slogan de Mário Soares, o político que há cinquenta anos evitou a revolução, representava o porto de abrigo e a esperança de bom acolhimento sem os riscos de aventuras revolucionárias. Otelo estava fora do tempo. Por isso foi então derrotado e por isso é hoje votado ao ostracismo.

Entretanto muito mudou nestes cinquenta anos e hoje a revolução deixou de ser uma proposta extravagante e limitada a um país para passar a ser nos tempos que correm uma questão de sobrevivência da União Europeia.

A União Europeia não sobreviverá enquanto espaço de liberdade e de bem-estar se for um Estado vassalo de uma das superpotências, como território de confronto indireto entre os Estados Unidos, a Rússia e a China, um espaço que não merece a confiança dos BRICS, que corresponde ao antigo Terceiro Mundo, ou ao Movimento dos Não Alinhados, nem terá acesso às suas matérias-primas e aos seus mercados. A União Europeia não sobreviverá sem uma cultura e uma ideologia mobilizadora. Sem um projeto global!

O exuberante e envidraçado Edifício Berlaymont sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, onde se encontram o gabinete do/a presidente e os respetivos gabinetes dos comissários é um castelo de fantasia, dos reinos da Disney, ou do rei Ludwig da Baviera.

Tem a consistência de uma bola de sabão. Não possui alicerces que o cravem na terra da realidade. Em caso de ataque ninguém o defenderá. Dele sairão os funcionários, como ratos. Que poder projeta para o mundo o edifício de cristal quando comparado com a Casa Branca em Washington, o Kremlin em Moscovo, ou o Grande Salão do Povo, na Praça de Tiananmen em Pequim, a sede do Congresso Nacional e dos órgãos de poder da República Popular da China?

9 pensamentos sobre “Projeto Global e Revolução Atual

  1. Todos estes textos vieram expor escancaradamente algumas das enormes fragilidades, desafios, problemas e carências da UE que os seus defensores insistem em ignorar. Uma das mais graves limitações que sempre marcou a UE e suas antecedentes, foi o claro défice democrático. Na verdade, a enorme estrutura burocrática e burocratizada é inteiramente imune a qualquer espécie de escrutínio democrático, faça o que fizer. Não há qualquer meio de obviar aos inúmeros mandos e desmandos que sempre a marcaram. Sequer o PE pode ser encarado como um verdadeiro parlamento, visto dispor apenas de limitados poderes marginais e certamente nenhum sobre qualquer dos aspectos mais definidores das suas políticas, desde o BCE ao comércio ou à guerra, por exemplo.
    O André refere ser impossível a Europa voltar a dispor de energia barata. Discordo totalmente. A Europa só caiu nesse buraco porque os seus líderes estupidamente decidiram submeter-se aos interesses americanos, esquecendo os seus e dos seus povos.
    Um dos mais interessantes projectos para a Europa seria o que foi aventado por Putin, isto é, uma grande área de comércio e cooperação de Lisboa a Vladivostock, permitindo a mútua interligação entre a tecnologia e indústria europeia com as suas congéneres russas e beneficiando das enormes reservas russas em energia e matérias-primas cruciais a baixo preço. Daqui resultaria obviamente uma abrangente grande potência de desenvolvimento e horizontes quase ilimitados. Se a isso acrescentarmos a China, então o quadro ficaria quase completo em termos da criação de uma nova ordem mundial que deixe definitivamente para trás a decadente hegemonia americana.

    • Escrevi isso,porque na minha opinião,a minha opinião,o fim da energia barata e abundante acabou,e como sabemos o capitalismo só foi possível à custa da energia barata e abundante.

      Historicamente, 1 barril de petróleo vale 1,5 g de ouro (com ajustamentos em função das tensões do mercado) – como sabemos o ouro tem batido recordes… (ou, mais precisamente, que o dólar continua a descer).

      “E com tudo o que está a contecer no mundo geopolítico, o decrescimento vai ser obrigatório: – criarão o caos – certamente outros vírus – espalharão o medo – introduzirão o recolher obrigatório – vacinação através do passe de saúde mundial,ou europeu – subornarão a imprensa – criarão ainda mais dívida – investirão em armas para as guerras – criarão inflação através dos preços da energia – aumentarão as taxas de juro para bloquear o crescimento – criarão um crash na bolsa (está a caminho) – criarão um colapso financeiro – criarão escassez de alimentos.
      – criarão escassez de energia – entrarão em guerras – os turbocompressores farão o resto.”

      Se seguirem esta lista de tarefas à risca, não só conseguirão um super-crescimento, como também a destruição de 50% da raça humana.

      O pico do petróleo convencional ocorreu em 2008 e o pico do petróleo de xisto, a que os americanos chamam “light oil”, em 2018 (confirmado por um artigo de Michel Lepetit em julho de 2023). Actualmente, o que impulsiona o crescimento da produção de petróleo já não é o petróleo bruto , mas a produção de “líquidos gasosos”, derivados da exploração do gás natural, que são complacentemente contados entre os “milhões de barris” cujo conteúdo é esquecido.Por outras palavras, o que estão a extrair é cada vez menos petróleo de boa qualidade e cada vez mais líquidos mais ou menos parecidos com ele, com uma qualidade cada vez mais medíocre…

      Neste texto não coloco a questão do fim do petróleo. É tudo uma questão de retorno do investimento. A extração de petróleo não está a ser rentável para muitas empresas,por isso está condenado ao fracasso, a menos que mudemos completamente o modelo económico global. Acreditam nisto? Quem é que vai querer pagar 10 a 15 euros por litro? A extração de petróleo da Antárctida exigirá um investimento colossal e o preço na bomba será muito elevado. Mas os investidores não são filantropos e, se não houver lucros, não haverá investimentos. O petróleo não é um problema de quantidade, mas de fluxo!

      Acrescentar a isso, os problemas geopolíticos e a falta de outros recursos (já começou, mas é muito, muito suave neste altura). A negação continua. A humanidade terá de mudar completamente o seu paradigma ou desaparecer se não quiser admitir o inaceitável, ou seja, uma mudança total do sistema e do nosso modo de vida. Mas continuam a sonhar e a consumir sem reservas.

      Em suma o Pico de Hubbert não é uma ideologia ambientalista, é matemática. Aumentar o stock não altera a existência do pico. Além disso, eu não estou a dizer que não haverá mais petróleo, até que o petróleo mais acessível tenha sido consumido, e que existe um círculo vicioso: temos de consumir cada vez mais petróleo difícil de extrair para extrair petróleo cada vez mais difícil de extrair. É isto que sustenta a hipótese do penhasco de Séneque, muito antes de os recursos estarem completamente esgotados. Mais uma vez, estes argumentos não têm nada a ver com ecologia,que detesto por ser política. Por outro lado, misturar a ecologia com a de Ursula Van der Leyen é ir um pouco depressa demais.

      Por isso, teremos petróleo durante muito tempo, mas não ao mesmo preço,e quando se atinge um determinado limiar de preço, a economia entra em colapso,e a sociedade também.

      Também ainda estou a pensar em todos os economistas conhecidos que disseram em julho que os indicadores do mercado de ações estão todos no vermelho e as coisas vão cair…

      Em suma,certamente teremos um “CISNE NEGRO” nos próximos tempos.

      • “petróleo de xisto, a que os americanos chamam “light oil””

        ??????!!!!!!! Só dizes asneiras, asneiras às centenas, cardumes de asneiras, ó geostrategista de aviário! Ainda não percebeste que quem tenha dois dedos de testa já te topou, há séculos, como um ignorante pretensioso e uma fraude?

  2. Uma coisa é certa,sem energia a europa não sobrevirá!

    A sobrevivência da europa dependia unicamente da energia barata e abundante.

    E isso agora é impossivel.

    Vamos ver,mas as coisas não vão correr bem,avaliar pelos mercados de energia…

    Em setembro o gás vai levar um grande tombo.

  3. Esta gente sonha em acabar na Rússia o trabalho que o Hitler começou na União Soviética.
    Como sabem que não tem forca para isso contam com as armas dos Estados Unidos que a sociopata Kamala gaba como a força mais letal do mundo.
    Nao aprenderam a fazer o negócio com honestidade e sonham com as pilhagens de tempos passados.
    Para conseguir isso seriam capazes de se aliar ao próprio diabo.
    No meio disso tudo quem se lixa e o mexilhão.
    Ou seja, nos, que pagamos isto tudo. Cá e lá.
    Mas como a maior parte da malta ate gosta e acha normal que desatemos até a meter gente na cadeia, propondo até penas de mutilação, não há mais remédio que e levar com isto tudo.
    E que consigamos ir mantendo pelo menos a saudinha.
    Não que ela sirva de grande coisa se esta gente nos puder a ver cogumelos cor de laranja.
    Os ucranianos nazis querem agora uma produção própria de mísseis de longo alcance. Será que pensam mesmo que a Rússia se permitira ser impiedosamente bombardeada ao estilo Libia e Iraque sem lhes enfiar uma batata quente nuclear em cima?
    Enfim, que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
    Mas se a malta não acorda, não há muito a fazer.
    Teremos mesmo de ficar a ver no que isto dá.

  4. Um castelo de cartas, mas em vez de naipes, contêm tratados e normativas, cuja força e aplicação é variável consoante os interesses em causa.
    Por exemplo, se for para defender a finança internacional, a oligarquia e o sistema financeiro e o 1%, as regras são inflexíveis e não têm contestação, apenas e só divulgação e propaganda: austeridade, taxas de juro BCE, “profilaxia epidémica”, militarismo militante, concentração e acumulação do capital, corporativismo, neo liberalismo, etc.
    Se for para defender os direitos do cidadão comum, e o bem comum, como a qualidade ambiental, o equilíbrio e redestribuição sócio-económico (“convergência), igualdade de direitos humanos, paridade e acesso do cidadão comum à justiça, direito à habitação, direito à educação, direito à liberdade de expressão e de informação, mudanças de paradigma que não sirvam os interesses instalados, são apenas letra morta, facultativa e descartável.

    • A sociopatia é uma dissociação do indivíduo com os seus semelhantes, ou quando muito uma associação motivada por 2.as intenções ou uma necessidade imediata utilitária, tendo em vista um ganho pessoal intransmissível (egoísta) ou mais vantajoso que para os demais, sacrificando o bem estar da comunidade ao longo do desenvolvimento do comportamento sociopático.
      A psicopatia é ainda mais dissociativa da realidade, pois tem maior propensão para manifestações violentas, agressivas, dirigidas a pessoas normalmente (mais) vulneráveis, atingindo as pessoas e os seres vivos próximos, e indirectamente a sociedade, onde o psicopata se integra, muitas vezes exemplarmente, ou se afasta parcial ou totalmente, pois é secundária para ele, e não tão crucial como meio para atingir os fins.
      Quando uma organização que engloba várias nacionalidades continentais que durante muitos anos se aliaram umas às outras para se combaterem entre si, separando-se para se voltarem a baralhar, ameaçar e guerrear, com grande parte delas a obterem a sua riqueza das colónias ultramarinas e trans-continentais em África, Ásia, América, Oceania (que deixaram de existir oficialmente e ser exploradas à vontade dos colonizadores e colonos, mesmo subsistindo ligações económicas e culturais, com suas marcas e cicatrizes), depois de 2 guerras mundiais cujo “epicentro” foi precisamente no continente que pretende unir, a cola que une essa organização de nações, posteriormente expandida a mais algumas, tem de ser a partilha de riqueza e prosperidade, assente em desenvolvimento, que traduziu em fundos comunitários a curto e médio prazo, depois da aceitação e ratificação dos tratados, leis e normativas comunitárias, com a sua aplicação progressiva tendo a “convergência europeia” como objectivo e mote (hoje mais esquecido e menos afirmado) a longo prazo, com o esbatimento das desigualdades, carências estruturais entre os vários paises membros, que dentro de si próprios têm diferenças e desigualdades que nunca conseguiram, por si só, desfazer.
      E pelo contrário, a divergência sócio-económica entre os europeus é acentuada a cada dia que passa com a UE no rumo que vai, operada por sociopatas, psicopatas e suas marionetas dissociadas da realidade, da comunidade, do próximo, por muita retórica e propaganda para o disfarçar que seja empregue, que acaba por se tornar contraditória e ainda mais agravava ineficiência destes burocratas e seus directores e financiadores. Como vão a maioria dos europeus unir-se em torno de lideranças destas? Até a extrema -direita parece séria e bem intencionada ao pé destes desinspirados e aborrecidos “centristas a(nti)-socialistas” (quanto mais anti-comunistas e anti-anarquistas)!
      Ora os norte-americanos não trabalham para a Europa, muito menos para a China (apesar da dívida astronómica que têm com os chineses) ou para a Rússia (até lhes confiscaram tudo o que puderam com as sanções da guerra, tal como a Europa). Os russos não trabalham para os americanos e o que colaboravam (fornecimento de matérias primas e combustíveis fósseis) com os europeus foi por terra (e por água, como o Nordstream), estando agora aliados aos chineses. Que trabalham para todos mas não para serem mais pequenos que os mais ricos e mais jovens de todos até agora, osbnorte-americanos.
      Os chineses trabalham juntos pela China, os russos trabalham juntos pela Rússia e os norte-americanos trabalham juntos pela América do Norte (EUA e Canadá).
      Como as formigas de um formigueiro, ou as abelhas de uma colmeia ou as vespas de um vespeiro trabalham para si e não para outros formigueiros, colmeias e vespeiros, não tendoba capacidade diplomática, de alianças, federações e cisões que têm os humanos, porque também não complicam tanto como eles nem querem dominar o continente, quiçá o mundo e o sistema solar!
      E os europeus, cada país sua língua (ou várias, conforme as regiões), com algumas poucas excepções, vão unir-se em torno de quê e de que ideal e de que liderança, se ainda por cima são espoliados da sua própria identidade, se obedecem cega e impotentemente a outra potência de outro continente (como africanos, americanos, asiáticos, aborígenes outrora obedeciam forçadamente aos europeus), se cada vez o incentivo para se unirem e acreditarem na UE degenera em desincentivo, pois custa mais (identidade, cultura, história, economia, património público e institucional, ecossistema natural e social) do que vale (militarismo belicista, pobreza, redução da esperança e qualidade de vida, cuidados de saúde e segurança social, precariedade laboral e económica, estratificação e clivagem social, distanciamento social, poluição, desertificação e destruição do ecossistema a troco do lucro imediato, ausência de foco nos problemas reais das populações de cada país e cada região)?
      Só alguém muito iludido, ou ignorante, ou muito bem enquistado num tal sistema ou esquema, ou mal intencionado pode fazer a apologia deste estado de coisas.
      Um castelo de areia que inclusivamente já viu um dos principais infantes abandoná-lo, e aquele que nunca quis brincar com €, mas onde a “língua oficial” dos brinca-n’areia continua a ser a do principezinho que já foi embora, . Mostra bem o quão inexpugnável é a fortaleza europeia, expondo-se cada vez mais às marés-vivas do futuro.

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