O destino de centenas de milhares de civis em Gaza está nas mãos da inteligência artificial

(Por Ayse Iram Tiryaki e Irmak Akcan, in Reseau International, 08/04/2024, Trad. Estátua de Sal)

(Este artigo revela toda a ignomínia e maldade de que é capaz a espécie humana, ou pelo menos alguns dos seus membros. Aterrador e revoltante. Desculpem-me, mas quem assim atua não tem perdão. Merece mais e pior que uma morte rápida e indolor.

Estátua de Sal, 08/04/2024)


Os militares israelitas perseguem 37 mil “alvos humanos” identificados pelo programa de inteligência artificial “Lavender”, por alegadas ligações ao Hamas, entre os 2,3 milhões de habitantes de Gaza cujos dados foram avaliados pelo programa.

A comunicação social israelita revelou que o exército está a usar inteligência artificial (IA) para determinar os seus alvos entre a população de Gaza.

Assim, segundo fontes que prestaram declarações aos meios de comunicação israelitas (+972 e Local Call), com sede em Telavive, o programa “Lavender” analisa os dados que recolhe sobre cerca de 2,3 milhões de pessoas de Gaza segundo critérios vagos, avaliando a probabilidade de uma pessoa estar ligada ao Hamas.

Segundo estas fontes, Israel arriscaria pelo menos 20 “vítimas civis” por cada um dos 37 mil “suspeitos”, identificados pelo programa de inteligência artificial “Lavender” como “alvos humanos”, nos ataques a Gaza.

O exército israelita “aderiu integralmente” ao programa, nomeadamente no início da guerra, e os nomes identificados pelo “Lavender” foram, portanto, considerados “alvos”, por pessoal sem controlo e sem critérios específicos, desde que se tratassem de homens, especificam as fontes nas suas declarações aos meios de comunicação em questão.

37000 Palestinianos rotulados como suspeitos

Fontes disseram ao +972 que o conceito de “alvo humano”, que permite matar em propriedade privada mesmo que haja civis no edifício e arredores, anteriormente abrangia apenas “alvos militares de alto nível”, mas depois de 7 de outubro, os “alvos humanos” foram expandidos para incluir todos os membros do Hamas.

Devido ao aumento no número de alvos, notou-se que a inteligência artificial era necessária porque a capacidade de verificar alvos – através de exame e verificação individual por humanos, como se fazia anteriormente -, foi eliminada, e foi relatado que a inteligência artificial rotulou cerca de 37.000 palestinianos como “suspeitos”. O processo foi totalmente automatizado depois que o “Lavender” foi considerado capaz de classificar os palestinianos “em até 90%”.

Matámos milhares de pessoas. Automatizámos tudo e não verificámos os alvos individualmente. Quando as pessoas marcadas entravam nas suas casas, nós as bombardeávamos”, disseram as fontes, confirmando a retirada do controle humano.

O comentário de uma fonte de que era “muito surpreendente que lhe pedissem para bombardear uma casa para matar um personagem menor” foi visto como uma admissão do massacre de civis em Gaza, por Israel.

Luz verde para alvos de alto nível com até 100 vítimas civis

Fontes indicaram que foi permitido um máximo de “20 vítimas civis” na operação contra um “suspeito” de baixo escalão, e que este número foi frequentemente aumentado e diminuído durante o processo, chamando a atenção para o facto de que o “princípio da proporcionalidade” não foi aplicado. Por outro lado, foi afirmado que o número em questão subia para 100, quando se tratava de alvos de alto nível. As mesmas fontes disseram que receberam ordens de “bombardear onde pudessem” e acrescentaram: “Os altos funcionários estavam em estado de histeria. Eles não sabiam como reagir. Tudo o que sabiam era que tinham de bombardear como loucos para limitar as capacidades do Hamas”. “B.”, um militar de alta patente que usou o “Lavender”, afirma que o programa tem uma “margem de erro de cerca de 10%” e que não precisa ser verificado por humanos para evitar perdas de tempo.

Uma pessoa que levava o telefone, identificado como alvo, foi bombardeada juntamente com a sua família

Quando a definição de membro do Hamas foi alargada, a aplicação começou a visar todos os tipos de membros da proteção civil e agentes da polícia. Mesmo que estas pessoas estivessem a ajudar o Hamas, não estavam realmente a pôr em perigo os soldados israelitas”. Destacando as deficiências do sistema, “B.” disse: “Se o alvo desse o seu telefone a outra pessoa, essa pessoa seria bombardeada na sua casa com toda a sua família. Isso aconteceu com muita frequência. Este foi um dos erros mais frequentes do Lavender”.

A maioria dos mortos eram mulheres e crianças

Por outro lado, outro software chamado “Onde está o papai?” rastreia milhares de pessoas simultaneamente e notifica as autoridades israelitas quando elas entram em casa. As casas das pessoas visadas foram bombardeadas usando este software: “Digamos que você calcule que há um membro do Hamas e 10 civis numa casa, geralmente essas 10 pessoas são mulheres e crianças. Portanto, a maioria das pessoas que você mata são mulheres e crianças”.

Este sistema também apresenta erros de cálculo, como explica uma das fontes: “Na maioria das vezes, a pessoa visada nem está na casa que bombardeámos. Portanto, estávamos a matar uma família para nada”.

Bombas não guiadas são usadas para economizar dinheiro

As fontes também disseram que pessoas de baixo escalão foram alvo de “bombas não guiadas” em vez de “bombas inteligentes guiadas”, a fim de “economizar armas caras”, causando muitas vítimas civis à medida que edifícios localizados dentro e ao redor da pessoa visada eram destruídos.

Sobre o uso de bombas não guiadas, uma das fontes disse: “Costumamos realizar ataques com bombas não guiadas, o que significa literalmente a destruição de toda a casa e do seu conteúdo. Por causa deste sistema, os alvos continuam a multiplicar-se”.

A inteligência artificial é usada para encontrar mais alvos, não para reduzir as vítimas civis

Em declarações à Al Jazeera, o professor Marc Owen Jones, que trabalha em estudos do Médio Oriente e humanidades digitais na Universidade Hamid bin Khalifa, no Qatar, disse: “Está a tornar-se cada vez mais claro que Israel utiliza sistemas de inteligência artificial não testados, que não foram avaliados de forma transparente, para ajudar na tomada de decisões sobre a vida dos civis”. Sugerindo que as autoridades israelitas – quando usam sistemas de inteligência artificial delegam a seleção de alvos na inteligência artificial e usam o sistema para “evitar a responsabilidade moral ” -, Jones afirmou que o sistema é usado “para encontrar mais alvos, e não para reduzir o número de vítimas civis”. Alegando que mesmo os responsáveis ​​que operam o sistema veem a inteligência artificial como uma “máquina de matar”, Jones sublinhou que é pouco provável que Israel acabe com a utilização de inteligência artificial em ataques, a menos que “os seus aliados pressionem muito”.Descrevendo o incidente como um genocídio assistido por IA, Jones acredita que “deveria ser discutida e negociada uma moratória sobre o uso de inteligência artificial em guerras”.

“Habsora” (O Evangelho)

Num outro estudo publicado a 1 de Dezembro de 2023, afirma-se que o exército israelita utilizou a aplicação de inteligência artificial chamada “Habsora” (O Evangelho), que é utilizada para identificar alvos durante os seus ataques contra a Faixa de Gaza, para atacar deliberadamente infraestruturas civis, e que sabe sempre quantos civis morrerão nos ataques contra os alvos gerados automaticamente pela aplicação. Enquanto o “Habsora” tem como alvo edifícios e estruturas, o Lavender tem como alvo indivíduos.

Fonte aqui.


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12 pensamentos sobre “O destino de centenas de milhares de civis em Gaza está nas mãos da inteligência artificial

  1. Alastair Crooke, linka a página do X de Trita Parsi (um iraniano/sueco) e o que quero realçar é:
    “… é que Israel está empenhado num esforço deliberado e sistemático para destruir as leis e normas existentes em torno da guerra.”
    Usar o tradutor da página, em cima à direita:
    https://www.unz.com/article/brutal-chaotic-war-norms-conventions-and-laws-of-conduct-are-being-erased/
    “Soberano é o que decide sobre a excepção”, Carl Schmitt – Teologia Política.

  2. E por isso os supremacistas, quaisquer que sejam, muitas vezes apoiados numa bengala populista, que serve para pastorear os crédulos e os lorpas, e com alardeante roupagem religiosa (o hábito que não faz o monge) não passam dos mais reles exemplares da espécie humana. Piores só aqueles que os reconhecem pelo que são, e os seguem e apoiam à mesma, os incitam e protegem, os encobrem e ajudam, para beneficiarem e lucrarem com a miséria humana e a destruição que juntos criam. Já os crédulos mal imaginam o que os espera, e só percebem onde e com quem se meteram quando já é tarde demais…

  3. E os nossos presstitutos teem mesmo de parar de falar de “Guerra em Gaza” e “conflito Israel Hamas”. Israel não está em guerra com o Hamas, esta a exterminar os palestinianos. Guerra é quando as vítimas ainda teem alguns hipótese de se defender e risposta. Isto é assassínio, extermínio puro e duro, genocidio.
    Os palestinianos não teem meios de defesa anti aérea, ninguém que lhes dê armas, ao contrário dos ucronazis. Resta lhes esperar a bomba que os matara de vez se a fome nao os matar antes.
    Pelo contrário, os israelitas teem todo o Ocidente colectivo a cobrir lhes as costas e a chamar a sua campanha de assassinatos e extermínio direito de autodefesa.
    A Alemanha já levou a defesa dos assassinos ao extremo. Qualquer critica a Israel é criminalizada. Qualquer desgracado que se queira naturalizar alemão tem de jurar proteger Israel.
    Não sei se é só complexo de culpa ou se aquele sujeito neto de nazi morto na Ucrania acredita mesmo que a defesa de assassinos hoje pode de alguma forma lavar os assassinatos que o seu povo cometeu há 80 anos atrás. Não, não pode.
    O que sei é que é isto e simplesmente obsceno e grotesco.
    Tal como Israel esconder a sua propensão para o extermínio numa ferramenta de inteligência artificial. Não somos nós que, escolhemos quem matamos, é a inteligência artificial. Nos só fazemos o que ela manda. Se temos de matar muitos mais para o conseguir, quem os manda viver em prédios com mais gente e não abandonar a família de preferência pondo se na praça mais próxima com um alvo no cu?
    Como se esses bandalhos tivesse precisado de inteligência artificial para fazer a nabka de 1949. E tantos outros massacres e assassinatos ditos selectivos mas que matavam quem tivesse o azar de lá estar perto depois. A inteligência maligna deles chegou o sobrou.
    Ao menos os nazis diziam que recebiam ordens de Hitler. Estes dizem que obedecem a Lavanda.
    Se merecem balancar na ponta de uma corda como balançaram os nazis que os poderes ocidentais acharam que não valia a pena reciclar?
    Fica ao critério de cada um. Por mim eram mesmo uns bons metros de corda que lhes oferecia. E vão chamar antissemita e insultar o Diabo que os carregue.

  4. Infelizmente não se trata de um filme e sim da realidade, que sempre supera a ficção. Genocídio assistido por IA, a fazer lembrar a Skynet dos filmes do Exterminador Implacável, só que por enquanto ainda com operadores humanos (serão? Talvez, tanto quanto são sociopatas e psicopatas), igualmente fria e insensível.
    Sempre que apanho com os autómatos (bots) do governo israelita composto por carniceiros sanguinários de extrema-direita a discursar, mudo de canal, e eles aparecem frequentemente. Pode ser que esses irrisórios metadados (crateras no “Share”) enviem um forte sinal às “inteligências institucionais”. Entre muitas outras coisas que podem ser pequenos e inofensivos gestos humanos (a escolha própria e pessoal, livre e não automática), mas que podem fazer alguma diferença para terminar a chacina, (sobretudo dos inocentes, das crianças e mulheres).
    Honrar a história judaica seria não tentar emular os guettos de Varsóvia e outros massacres do século passado e dos séculos anteriores, mas quando a obsessão é secular e material, mais do que sagrada e ideológoca, os finsbservem sempre para justificar os meios.
    São estas as ilusões que os extremismos ultra-nacionalistas, que se alimentam e vivem de sangrias e do sofrimento dos povos, têm para oferecer à Humanidade, e o que geram é terror, perseguições, discriminação, guerra, fome, pestilência, doenças mentais, complexos de superioridade e morte sem fim.
    E ainda há quem vá por eles. Já a Alemanha também fora, e foi assim que perdeu a guerra, (que terminou no Dia da Vitória). Ainda não tinham era AI, mas wunderwaffes não lhes faltavam.

    • Falou-se do Sr. Quim a propósito dos disparates sobre “os generais putinistas portugueses” que tanta confusão lhe fazem por aparecerem na televisão e comunicação social a dizer coisas que não compreende, ou com as quais não concorda, no programa O Último Apaga a Luz, da RTP3, na Sexta-feira santa. Se calhar são eles que estão a ganhar terreno na Ucrânia, ao contrário dos recuos dos generais Bidenistas portugueses – nome engraçado que me ocorreu e nada usado, novinho em folha – e dos Rogeiros e Milhazes da nossa praça, após o falhanço da contra-ofensiva na estação Primavera-Verão passada, cada vez mais enredados numa embrulhada, e isto tendo em conta que os russos andam descalços (já não têm botas) desde o segundo mês da ofensiva, precisam de tirar os chips e circuitos dos electrodomésticos roubados aos ucranianos (disse a Ursa von der Lyer), e são alvo de sanções draconianas e do poderio incomparável das “wonder weapons” ocidentais, além da superioridade cultural, intelectual e genética dos “puros” europeus/eslavos do lado de cá, empurrados pelos ululantes propagandistas e papagaios de redes sociais, alguns com aparições (e desapariçôes) nas rádios televisões conforme as situações, como os Luíses Ribeiros, as Irinas Shevs, as Dianas Sollers, as Sónias Cénicas e outros que tais, voluntários a soldo e/ou com família ucraniana para sustentar, como é bom de ver todos muito ponderados e nada parciais. No mesmo programa Inês Pedrosa afirmou que Putin mandou matar Navalny (até os apoiantes de Navalny disseram que duvidam disso pois estava agendada para breve uma troca de prisioneiros envolvendo-o, e dizem que foi um problema de saúde, mas ela deve ter informações diferentes do médico legista ou do arcanjo Miguel, ou então aprendeu com a Alexandra Solnado a falar com Jesus) e que a recente reeleição dele não foi válida (nunca fala é de como a Ursa – ou o George W. Bush Jr – foi eleita para a comissão europeia, nem lhe interessa muito, se calhar sonha igualmente um dia poder votar para a presidência da Federação Russa para mudar o rumo da história, já que na União Europeia que deixou de comemirar o Dia da Vitória tão cedo não terá hipóteses, cada um com as suas prioridades)…
      No programa seguinte, na última sexta-feira, foi a vez do outro comentador masculino do painel, com toda a propriedade, brilhar, o Moita de Deus, ou Sarça Ardente (outro nome criativo que lhe atribuí quando o Twitter ainda era Twitter, e um pouco menos a charada – ou “X”arada – que se tornou, e eu ia lá interagir com ele, e valha a verdade que as limitações intelectuais que tem não o tornam uma pessoa antipática, e tem muito maior poder de encaixe do que um Daniel Oliveira do Eixo do Mal, do canal privado português original, do Pinto Bolsanamão, que até é na minha opinião mais inteligente mas também mais antipático e intolerante que o nosso Sarção). Disse o Sarça Ardente, fazendo juz ao nome, que Israel não tinha nada que cessar fogo ou retirar, que era para ir até ao fim, prego a fundo, se queria ganhar a guerra, com um pequeno preâmbulo “político” (assim o referiu) en passant: lamentava os mortos. Mas que o moinho de carne era para continuar a triturar a todo o vapor, no hold back, resumindo e concluindo. Que rapaz tão católico, será que quando era criança ninguém lhe lia as fábulas de La Fontaine, ou não ouvia os contos da avózinha? Um rapaz daquele tamanho e nunca aprendeu ou sequer ponderou que os fins não justificam os meios? Que a alma não se vende aí diabo, como fez o Dr. Fausto? A sério, Sarça? Nunca passaste por essa aprendizagem, ou será que já a esqueceste, por um punhado de dólares? Que os bons quando aparecem nos filmes, até nos treinos nas carreiras de tiro e nos exercícios com armas de fogo nunca disparam sobre os inocentes? Nem nos filmes de Hollywood, Hot Sau(r)ce? É isso que ensinas aos teus filhos e queres para eles? Ah, espera… É Israel, né, “que não são os ocupantes”, dizes tu, Arbusto Fogoso? E é isto. Até o Sr. Quim neste caso disse antes que alguma coisa tem de ser feita para parar o massacre de inocentes, mesmo que alegando a situação política dos EUA como um motivo fundamental, quando a hipocrisia política da administração americana neste assunto é por demais evidente, no entanto ressalvando depois para fazer a vontade ao Moita Divina que não pedira a retirada da faixa de Gaza. Tão comprometidos com a extrema -direita que eles andam… há que ganhar algum e fazer render o peixe enquanto podem, não precisam é de se queimar tanto enquanto puxam a brasa à sardinha, se bem que para o Sarça Ardente isso é uma jornada diária. Alguém, se conseguir, que lhe explique com um desenho, ou uma alegoria adequada para tótós.

  5. A inteligência artificial pode decidir que um desgracado é do Hamas por não achar normal que os sionistas andem a comer a sua terra. Ou que os sionistas os matem a fome, coisa que já faziam antes dos acontecimentos de 7 de Outubro lhes darem o pretexto que queriam para carregar no acelerador.
    Mas quem decide os bombardeamentos assassinos, as surtidas de soldadesca sobre hospitais, a matança indiscriminada de inocentes não é a inteligência artificial.
    São demónios com forma humana, gente a quem foi dito que eram o povo eleito de Deus e superiores a todos os outros, donos de uma terra por direito divino. Demónios que aprenderam que naquela terra, e, sabe Deus em quantas outras so eles teem direito a vida.
    O sionismo é uma ideologia demoníaca, cruel, um caminho da mais negra escuridão.
    Não é a inteligência artificial que decide matar, matar e matar. É uma ideologia grotesca, cruel, gemea do nazismo.
    Hoje um site perguntava o que é que cada um responderia se estivesse no lugar do representante palestiniano a quem Marcelo acusou, já as bombas caiam indiscriminadamente “desta vez foram vocês que começaram”.
    Eu sei o que o interpelado respondeu “estamos ocupados há 75 anos, como é que começamos alguma coisa?”.
    Confesso que no lugar dele talvez não conseguisse impedir um escarro de me sair boca fora direito a uma certa cara.
    Admirei o autodominio do homem porque há 75 anos que ser palestiniano e uma cruz terrível para carregar.
    E dou graças por viver do outro lado do mar, longe desses demónios com forma humana, longe dessa gente cruel e homicida.
    Quanto a superioridade moral do Ocidente, que nunca existiu, teve agora a certidão de óbito definitiva sob os escombros de Gaza.
    E concordo com a introdução ao artigo. Nenhuma morte seria suficientemente cruel para Netaniahu ou os dirigentes civis e israelitas de Israel.
    Confesso que para mim se torna cada vez mais difícil ver alguma humanidade num povo que faz aquilo.

  6. Isto é o fim moral do ocidente.

    O Ocidente está moralmente falido desde o início dos tempos.

    Sim, mas não só…

    Não podemos esquecer que hoje existem outros genocídios ou massacres em massa no mundo que recebem pouca cobertura mediática e são apoiados pelos países ocidentais por razões económicas.

    Portanto, este é também o falhanço do capitalismo.

    O Ocidente é o arquiteto da sua própria ruína. A sua narrativa, acordada com os seus cúmplices, a maioria dos países da OCDE, é realmente demasiado grande, demasiado visível, demasiado estúpido… Este acordo tácito não convence ninguém, excepto aqueles que querem ser convencidos…
    Esta hipocrisia planetária é insuportável, insuportável… Não podemos deixar de pensar nas vítimas… os palestinianos, homens, mulheres e crianças que sofrem sem poderem defender-se, fazer-se ouvir, todos os dias, na indiferença total do mundo dito civilizado, e no silêncio culpado e vergonhoso dos meios de comunicação social…
    Meu Deus, como é que isto chegou a este ponto?
    É um genocídio que não diz o seu nome, que quer erradicar um povo ou satisfazer uma vingança implacável.
    Aqueles que não dizem nada são mais culpados do que os carrascos, irredimíveis, a história recordá-los-á…

    Podía-mos abandonar a expressão “a guerra de Israel contra o Hamas”? Netanyahu não está a fazer guerra ao Hamas, está a fazer guerra à Palestina, aos palestinianos. Falar do Hamas há meses é justificar os horrores e o cinismo daqueles que matam para fingir que se estão a “defender”. O Ocidente poderia, a uma só voz, começar por isto, porque não se trata de um pormenor e, muitas vezes, são as palavras que matam…

    33000 mortos, incluindo 13000 crianças
    70000 feridos graves.

    Há o número de vítimas e a forma como foram exterminadas, e as consequências a longo prazo das mais de 50.000 toneladas de bombas lançadas sobre Gaza. E, finalmente, a fome que está a tirar a vida a bebés, crianças e aos mais vulneráveis. De habitantes de Gaza que perderam toda a sua família. Quantos órfãos, quantas crianças amputadas sem anestesia. Gaza, Sudão e tantos outros países.

    É muito importante dizer em voz alta o que o povo martirizado da Palestina está a suportar e o silêncio criminoso das chamadas chancelarias democráticas liberais ocidentais e dos seus meios de comunicação social. Por outro lado, é importante assinalar com admiração os povos europeus e outros seres humanos, e outros humanistas judeus pelo seu apoio à causa da Palestina martirizada.

    Sempre disse que os sionistas, não confundir com os judeus comuns, retomaram as teses nazis; a raça superior, o espaço vital, na sua maioria são asquenazim e, portanto, de origem centro-europeia ou americana e não sefarditas autóctones da bacia sul do Mediterrâneo. Por exemplo, os judeus marroquinos estão muito bem integrados em Marrocos.
    Não há qualquer razão para este facto em Israel.
    Havia uma pequena comunidade sefardita que vivia em Jerusalém e que guardava os seus lugares santos, o que ninguém contestava.

    A estratégia do lado do bem ainda tem um longo caminho a percorrer.
    Durante milhares de anos, os factos foram reinventados para criar uma ilusão que, nestes tempos de fluxos de informação, é cada vez menos válida.
    A minha tristeza vai para todas as vítimas, tanto judias como palestinianas (cuidado para não odiar povos ou culturas que são constituídas por seres humanos que, como voçês e eu, não estão no controlo -> nunca se deixem enganar pelos verdadeiros culpados), para todos os povos que são alvo deste poder terrível e desumano que quer que os interesses ideológicos, privados e financeiros se sobreponham às vidas humanas.

    Que tempos loucos, em que tanto choraram a morte de Navalny como regozijaram serenamente com o destino de Assange. É um tempo louco em que nos dizem que devemos mostrar solidariedade para com a Ucrânia e a sua feroz resistência aos invasores russos, enquanto na Palestina estão a bombardear e a matar, com a bênção moral ainda por cima. Se a humanidade sobreviver por si só, pergunto-me como serão descritas as nossas sociedades “democráticas”? Sistemas decadentes, movidos por instintos carnívoros, caracterizados por um desejo de brutalidade permanente disfarçado de “direito”, o gémeo do “senso comum”. Uma sociedade da hipocrisia e da fraude moral. O campo dos bons parece óptimo, com as pontas dos seus caninos cada vez mais salientes.

    Sim, a censura está a chegar, é a única maneira de apagar o fogo. Mas, paradoxalmente, obrigará as pessoas a juntarem-se e a organizarem-se. Ou então, será uma servidão voluntária – não podemos continuar a ser cegos à submissão tácita e mais do que voluntária de algumas pessoas.
    Uma falência moral, sim. É o que se passa nesta sociedade de consumo. De sistema em sistema, nenhum progresso, apenas os instintos mais baixos que dominam, uma e outra vez. Houve uma pequena sacudidela após os horrores da Segunda Guerra Mundial, mas só durou cerca de cinquenta anos antes de regressarmos ao sistema feudal, em que os que têm (e não os “fortes”) oprimem os que não têm (e não os “fracos”). O homem é um lobo para o homem?

    Os lobos são muito menos c… do que nós.
    Mais do que uma revolução, precisamos de evolução. E não está a acontecer, como se fôssemos incapazes de nos tornarmos apenas uma massa de animais que aceitam ser reduzidos a um comportamento de gado.

    As democracias ocidentais tornaram-se o pior veneno para a humanidade! Vamos ter de inventar um novo conceito, e depressa!

    Em pleno século XXI falamos de inteligência artificial, progresso da tecnologia, viagens turísticas à lua… mas ao ver isto lembro-me de todos os desastres que estas guerras geraram ao longo dos séculos… é triste… terrivelmente triste… como podemos aceitar isto… destruir, matar sob que pretexto? Estas pessoas que tomam a decisão de o fazer, fazem este tipo de coisas… salvar quem de quem ???? Somos manipulados, somos escravizados, estamos na servidão destas pessoas que só querem uma coisa… sede de poder… deliciar-se com a fragilidade e a vulnerabilidade das pessoas… durante milhares de anos nada mudou… excepto que somos vítimas… porque decidimos esconder-nos atrás dos nossos medos …. Acham que um ser humano tem mais valor do que outro neste mundo?

    Agora cabe ao mundo inteiro organizar a ajuda humanitária e salvar os 1,5 milhões de habitantes de Gaza.
    Talvez criar pontes aéreas para transportar os refugiados para os países interessados?
    O Egipto não quer, a Jordânia não quer, o Irão não quer, a Arábia Saudita está morta por causa da amizade entre palestinianos e houthis, não há espaço suficiente no Qatar, o Líbano já está em guerra… Quem é que quer receber pessoas nas suas casas?
    Vai ser o mesmo silêncio que durante o conflito.

    Por isso passo a citar: “A guerra tem desempenhado um papel importante na história da humanidade, com consequências profundas e trágicas para as pessoas. A guerra é frequentemente o resultado de escolhas políticas e de decisões tomadas pelos dirigentes, mas também de diferentes crenças religiosas, combinadas com uma variedade de factores. O seu elevado custo humano e social não é esquecido. Está também associada a muitos valores negativos, incluindo a destruição, o sofrimento, a morte, a divisão e o trauma, o que levanta a questão de saber como resolver estes conflitos. Mesmo nos tempos mais sombrios, têm sido partilhadas reflexões profundas e inspiradoras sobre a guerra. Estas citações convidam-nos a refletir, a encontrar paz e esperança. Encorajam-nos a refletir sobre as consequências da guerra e a procurar formas pacíficas de resolver as diferenças. É importante adotar uma atitude positiva mesmo nos momentos mais difíceis da história da humanidade. Ainda hoje, enfrentamos conflitos de extrema violência. Apesar dos desafios, a esperança e a compaixão devem prevalecer. PARA MEDITAR

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