Uma Europa anti-russa é uma Europa que se destrói a si mesma!

(Hugo Dionísio in Strategic Culture Foundation, 15/02/2024)

A União Europeia diaboliza o país que a salvou do terror nazi-fascista reescrevendo o seu passado, profanando os seus mortos, deturpando o seu pensamento e conspurcando os seus feitos.


Segundo Syrsky, o novo comandante-em-chefe das tropas de Kiev, as vidas dos soldados ucranianos são o mais importante que o exército tem. Uma presunção que só foi assumida quando se tornou óbvio, para todos, que não existe qualquer possibilidade de vitória num combate directo com a Rússia.

Enquanto foi possível alimentar a ideia de que a “Ucrânia estava a ganhar à Rússia”, quando quem tinha a iniciativa – e nunca a perdeu – era, precisamente, a Rússia, as vidas dos soldados ucranianos de pouco valeram. Foram atirados homens – e algumas mulheres – às centenas de milhares, para trincheiras lamacentas, mal alimentados e com munições contadas, contra um oponente, ao qual, nunca faltou nada.

O facto é que, quando as forças ao serviço de Kiev tinham capacidade de combate – não confundir com “capacidade para ganhar” -, a comunicação oficial era a de “a Ucrânia estava a ganhar a guerra”; quando ficou evidente que o custo, de dar combate às forças russas, era tão elevado que não poderia ser mantido, os órgãos pró-Kiev, financiados pelas ONG’s do Tio Sam e fontes primárias da informação oficial ocidental, começaram a dizer “a Ucrânia não pode perder a guerra”; quando já não se podia esconder que a “contra-ofensiva” tinha falhado e com ela, as esperanças – fantasiosas – de uma vitória de Kiev, passámos à fase “Ucrânia e Rússia estão empatadas”.

A realidade ucraniana, sob o regime de Kiev, caracteriza-se por estar sempre em contradição directa com a realidade russa e, coincidentemente, com a realidade concreta observável. Daí que, a relação entre as duas realidades constitua um exemplo dialéctico inestimável e valioso do ponto de vista pedagógico.

Enquanto viveu com a Rússia, a Ucrânia tornou-se uma das maiores potências mundiais. Não existe, nem nunca existiu, uma Ucrânia de sucesso, sem uma Rússia do seu lado. Vladimir Putin não mentiu sobre o facto de a Rússia ter sempre ajudado a Ucrânia. Para os que não sabem, não foi por qualquer tipo de aventureirismo que o Donbass foi anexado à República Socialista Soviética da Ucrânia. Em 1917 a Ucrânia era uma região eminentemente rural e desindustrializada do império russo, daí que, em 1918, para garantir condições de desenvolvimento ao território e, por essa via, um desenvolvimento mais harmonioso do nascente estado soviético, o Donbass passou a integrar a RSSU, como forma de garantir o progresso da pátria recém-formada.

Verdade é que, em 1991, a Ucrânia tinha mais de 50 milhões de habitantes, um dos maiores exércitos da europa (talvez o segundo maior), um complexo militar-industrial invejável, uma população altamente qualificada, talentosa e produtiva, capaz de se revelar em todos os aspectos da vida humana, das artes à ciência, da agricultura ao desporto.

Depois de sobreviver a muitas tensões impostas, a partir do exterior e introduzidas pelos suspeitos de sempre, em 2004-2005, a Revolução Laranja, acelera o processo de criação de uma anti Rússia. A ideia não era nova e já tinha passado pelas cabeças de gente ligada ao Império Austro-Húngaro e não só. Daí que, dessa data em diante, a relação de forças entre povos, russófonos e russófilos, e os povos tornados “russófobos” começou a inverter-se e, paulatinamente, as forças anti Rússia começaram a infectar todo o território, conquistando, progressivamente, novos bastiões, da periferia da Galícia, para o centro de Kiev.

A partir de então, começou a desenhar-se aquela que seria a “solução” importada para preencher a falta de identidade nacional da Ucrânia. Como país que nunca tinha existido até 1918, e apenas totalmente independente, em 1991, para garantir a sua existência, a Ucrânia tinha de criar uma identidade nacional. Coisa nada fácil num país construído a régua e esquadro em sucessivas vagas de anexação. A “escolha” induzida passou por tornar a Ucrânia numa “anti Rússia”. Tudo o que a Rússia seria, a Ucrânia teria de ser ao contrário.

Está bom de ver que essa “escolha” teria de ser induzida, uma vez que, tratando-se de um país com a mesma língua, ou com línguas com a mesma raiz (para os que separam o “Ucraniano” do “Russo”), com a mesma religião, cultura e passado nacional, a escolha natural nunca passaria pelo antagonismo, pois um e outro prosperaram em relação simbiótica. E tal relação foi mutuamente frutífera até ao momento em que a Rússia tudo fez para se livrar do domínio dos EUA, nos terríveis anos 90, e a Ucrânia, tudo fez, para se integrar debaixo da alçada dos EUA, a partir, principalmente, de 2004. A sucessão cronológica não deixa dúvidas: a Rússia livra-se da tutela americana durante o final dos 90’s e inícios dos 2000’s, a Ucrânia abraça-a, a partir de 2004.

Introduzido esse antagonismo através da instalação de um regime cliente dos EUA, primeiro de forma inconstitucional (com a Revolução Laranja) e depois golpista (com o EuroMaidan), tudo o que a Rússia é e luta para ser, a Ucrânia passou a não querer ser, nem que para tal, tivesse de rasgar a própria carne. A sua identidade nacional passou a definir-se pela antagonização directa e frontal do vizinho russo. Se a Rússia é um país orgulhoso da sua história e passado; a Ucrânia passaria a desconsiderar, apagar, reescrever e perseguir todos o que honram a sua história. Este facto é bem visível na tal “descomunização”, a qual, em última instância, só poderia levar à extinção da nação Ucraniana. Tendo sido criada pelos bolcheviques, retirar a identidade “comunista” ao passado ucraniano, significaria – e significou – acabar com a Ucrânia como ela era: multiétnica, cosmopolita, multinacional até (tem muitos cidadãos com dupla nacionalidade russa, húngara ou romena). Se a Rússia abraça a sua história para existir como é; a Ucrânia, comandada pelo regime de Kiev, apaga a sua história, para negar o que verdadeiramente seria.

Se a Federação Russa é um país pluriétnico, plurinacional, orgulhoso dessa diversidade e considerando-a uma vantagem; o regime de Kiev tornaria a Ucrânia num país “purificado”, com uma constituição supremacista, perseguindo os povos que insistem em manter as suas línguas originárias, religião e costumes. O resultado foi uma perseguição a todas as forças políticas da esquerda e centro-esquerda, tidas como pró-russas (que conveniente!!), à religião ortodoxa russa, à língua russa e ao passado histórico, sob o império russo e a URSS. O único que tinha! Tudo o que ligasse a Ucrânia à Rússia, teria, pura e simplesmente, de desaparecer. Como não ver que, tal apagamento só poderia levar à perda de uma parte do território? Para começar? Algum país sobrevive, intacto, a tal antagonismo? Um país se história, que futuro poderá ter?

Se a Rússia não era NATO, nem EU – não por não querer; a Ucrânia teria de ser muito NATO e ainda mais EU. Se a Rússia, tudo o que queria, era estar em paz com os seus vizinhos, para que os negócios pudessem continuar a fluir para oriente e ocidente; a Ucrânia, nascida das entranhas da Galícia, teria de estar em guerra com a Rússia. E estar em guerra com a Rússia, começou por significar “guerra com os povos russófonos e russófilos”. Ou seja, entre falantes de russo e simpatizantes ou tolerantes da presença histórica russa, a Ucrânia, enquanto cliente do ocidente, entrou numa guerra intestina com as suas próprias entranhas, partindo-se em cacos. Como não poderia deixar de ser.

Face à desproporção de forças, sejam elas as forças físicas, como a população, capacidade militar, industrial ou económica, sejam as forças mais espirituais, ligadas à identidade histórica e profundidade da alma patriótica e nacional (a Ucrânia desiste da pouca que tinha), estava bom de ver onde levava esta antagonismo. Se a Rússia era o “ser”; a Ucrânia, comandada pelo regime de Kiev, passou a ser a “antítese”; e qual seria a “síntese” possível? Soubessem os povos da Ucrânia, os que embarcaram neste revisionismo histórico da sua nação, que as “sínteses”, resultantes dos antagonismos dialécticos, resultam, muitas vezes, na eliminação de uma das forças em confronto, e será que aceitariam, de bom grado, tal processo? E tê-lo-ão aceite? Se o tivessem aceitado, digo eu, nem Zelensky teria mentido quando prometeu a paz, nem os EUA teriam necessidade de esconder que boicotaram os acordos de Minsk e o acordo de Istambul, nem agora, Zelensky teria adiado as eleições presidenciais. Resultado, até na sua essência, esta escolha anti Russa é antagónica e contraditória.

Apenas quem andasse absolutamente alienado pelas promessas de Fukuyama, e do seu “fim da história”, é que poderia considerar uma “síntese” que resultasse numa eliminação da Rússia.

Apenas quem não conhecesse a história russa, europeia e os seus aspectos identitários e patrióticos, poderia considerar que, o papel de antagonismo anti Rússia, que Kiev representa, teria forças para eliminar aquele que é um dos três países mais bem armados do mundo.

Mas desengane-se quem pensar que o antagonismo anti-russo apenas poderá levar à eliminação física da Ucrânia, mesmo apenas que parcial. É que a relação União Europeia – Rússia também padece dos mesmos males e potencialidades destrutivas. Neste sentido, até podemos falar da Ucrânia como um alter-ego da União Europeia.

Foi em paz com a URSS – primeiro – e com a Rússia – depois – que a União Europeia nasceu, cresceu e prosperou. Sem essa paz, nunca a União Europeia teria sido capaz de produzir os recursos económicos para se expandir, para mais, à custa do pagamento de “fundos estruturais” a países candidatos e recém aderentes.

Uma União Europeia, em guerra com a Rússia, mesmo que uma guerra fria, levaria a uma existência marcada pelo militarismo, pela tensão, pelo fechamento e pela perda de elasticidade em matéria democrática e de liberdade individual, ou colectiva. O resultado teria sido uma União Europeia em convulsão, sem estado social que pudesse alimentar uma classe “média” que sustentasse os poderosos mercados internos, sob os quais se construiu o seu potencial industrial.

Foi isto que viram os dirigentes alemães (e não só) quando criaram o pipeline Druzba (amizade) e quando, mais tarde, construíram o Yamal. O florescimento das economias europeias, foi feito, em parte substancial, à custa de gás, petróleo, urânio, combustíveis, lubrificantes, minerais e cereais, em quantidade e qualidade, a preços convenientes, fruto de acordos de longa duração. Sem esse “alimento vital” não teria havido eixo franco-alemão que produzisse os recursos necessários à “política de coesão” e “alargamento”. É interessante verificar que este crescimento é produzido numa realidade em que os países bálticos – também ricos e desenvolvidos – mantinham posição neutral com a URSS e, mais tarde, com a Rússia. Posição essa que foi, recentemente, trocada pelo antagonismo frontal.

Assim, podemos também dizer que, enquanto a relação foi simbiótica, todos fruíram, talvez, até, com mais prejuízo para a própria Rússia, a qual foi sempre ficando um pouco para trás, “agarrada” a uma economia de exportação de produtos de baixo valor acrescentado, perdendo o espaço soviético, primeiro, e a sua economia depois, de que viria a recuperar a partir do início do presente século.

E foi, talvez, esta justa vontade de assumir a sua identidade histórica, que produziu, no lado europeu – e especialmente americano – o antagonismo que hoje conhecemos. Se a guerra fria começa com a URSS a demonstrar a sua capacidade de defesa, industrial e tecnológica perante um ocidente cobiçoso do seu território e recursos, o antagonismo anti Russo recria-se, na europa ocidental, a partir do momento em que o país governado com autoridade e inquestionável comando, por Vladimir Putin, começou a mostrar capacidade de recuperação de toda a sua dimensão histórica.

É que, uma vez mais, as forças antagónicas são de tal modo opostas que só poderiam produzir o que hoje constatamos. De um lado, uma vez mais, um país orgulhoso da sua história, um povo que celebra os seus heróis, nos seus defeitos e virtudes; de outro lado, uma União Europeia que se alimenta da soberania e da extinção a alma patriótica dos povos europeus. De um lado, um país que quer ser soberano, independente, autónomo e auto-suficiente, para melhor poder decidir, sem interferências externas – qual ensinamento histórico – o seu futuro; do outro, uma União Europeia dependente dos EUA, que tenta copiar a superficial “cultura” neoliberal do consumismo, que celebra o “fim da história” e reforça a sua identidade através da supressão da identidade cultural, étnica e moral dos povos europeus.

Se a Rússia está orgulhosa da sua história e a celebra em cada oportunidade, tal como a Ucrânia; a União Europeia reescreve a sua própria história, a sua filosofia, a sua identidade. Esta União Europeia diaboliza o país que a salvou do terror nazi-fascista reescrevendo o seu passado, profanando os seus mortos, deturpando o seu pensamento e conspurcando os seus feitos. Em conformidade, a UE coloca, no seu lugar, uma crendice que diz que a URSS também começou a segunda guerra e que o comunismo é igual ao nazismo. E o mais grave é que ensinam tais disparates nas Universidades…. Faz lembrar o tempo em que na Universidade de Salamanca (a mais antiga da Península Ibérica), se ensinava que o mundo era uma placa com antípodas e que, por isso, era impossível viajar para baixo do equador.

Esta reescrita histórica entra também em contradição com uma Rússia que, mesmo capitalista, se afirma como antinazi e antifascista. Ao contrário, a EU, vê florescer partidos neofascistas no seu seio, alimentados, precisamente, pelo antagonismo anti russo, alimentado pelas dificuldades económicas resultantes do afastamento e do revanchismo histórico que culpa a Rússia de ser o que é e de ter perdido mais de vinte milhões dos seus filhos por isso. Ao mesmo tempo, esta EU convive e motiva o apoio a um regime supremacista, suportado por gangues neonazis, em Kiev e para o qual abre as suas fronteiras, contra a vontade dos seus povos. Ao dia de hoje, os agricultores Polacos ameaçam fechar todos os pontos de fronteira com a Ucrânia. A EU anti Russa é também uma europa em guerra consigo própria.

Tal como a Ucrânia, também a EU falhou em perceber quais eram as suas forças e fraquezas. Também a EU falhou em perceber que só existe, por causa da Rússia. Primeiro, contra a “Rússia” (leia-se URSS), como projecto político-ideológico anti-socialista; depois, através de uma relação simbiótica, desfrutando da estabilidade resultante do empate de forças que significava a guerra fria; mais tarde, recolhendo os frutos trazidos pelos ventos de aproximação da Rússia ao ocidente. Como um espaço anti Rússia, a União Europeia falha em perceber o essencial. É que, tal como com a Ucrânia, a forma de resolução do antagonismo, a síntese que resultará do mesmo, acabará, quase certamente, no seu próprio fim. Pelo menos, tal como é hoje. O que não deixará de ser épico!

Uma União Europeia que desconsidera – enquanto projecto globalista neoliberal – as soberanias nacionais, derrotada, precisamente, pela relação antagónica que desenvolve contra um país que prima, sobretudo, por defender a sua soberania nacional! E a NATO que cuide… Também ela partilha, com a EU, a mesma identidade, o mesmo pecado original! Um e outro são filhos do mesmo pai, os EUA, desejosos de violentar a mãe Rússia!

Existe algo mais premonitório e dialéctico do que isto?

Fonte aqui.


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10 pensamentos sobre “Uma Europa anti-russa é uma Europa que se destrói a si mesma!

  1. A Europa nao tem recursos, logo tem de saber gerir as coisas. A, Rússia tem os recursos que a Europa não tem e por isso o melhor que tinha a fazee era negociar com honestidade com a Rússia.
    A Rússia não tem intenção de dominar o mundo pela simples razão que tem lá tudo. Acreditou que bastaria deixar de tentar exportar, alternativas ao capitalismo, que bastaria converter se ao capitalismo para deixar de correr o risco de ser tratada como foram os países da América Latina, submetidos a ditaduras fascistas sangrentas para serem mais convenientemente pilhados.
    E seria suficiente se a Europa não mantivesse a mesma mentalidade do colonialismo nem continuasse a sonhar com o tempo em que trazia ouro, marfim e escravos em troca de contas de vidro e pano ruim.
    E por isso escolheu juntar se a nação que se julga excepcional, que também tem recursos suficientes para, viver sem pilhar o mundo mas tem uma elite que você muito acima das possibilidades.
    Tentando finalmente cumprir o sonho de Hitler e Napoleão. Por isso os líderes europeus clamam por guerra.
    Por isso querem fazer países onde um em cada cinco habitantes é pobre e flagelados pela seca, onde já se pensa na solução desesperada de centrais de dessalinizacao, como o nosso, a torrar 2% do PIB em armas. Que provavelmente terão de ser compradas aos Estados Unidos. Os únicos que teem a ganhar com isto tudo.
    Se alguém acha isto normal proveito lhe faça.

  2. A Europa só seria digna se se desmarcasse da Rússia e dos EUA, porque sendo ambos imperialistas por filosofia, cada um quer ser o dono do mundo à sua maneira, representam o que há de pior nas relações multinacionais.
    A Europa se não se autonomizar, terá que permanecer prostituida por um qualquer bloco que lhe pague mais!

  3. Ucrânia: O Ocidente entre a derrota e a falência!!!

    Nesta europa não há futuro com tanta decadência.

    Talvez seja melhor aprender uma língua dos BRICS para poderem sair desta Europa decadente.
    É tempo de falar em acabar com a guerra na Ucrânia, em vez de pedir dinheiro emprestado para um desastre no terreno, e de tratar das preocupações de Portugal, nomeadamente: O poder de compra Português, a soberania energética, agricultores, saúde,educação,etc,etc .

    Já não podem negociar. Sabem que estão condenados a curto prazo, quanto mais não seja aos olhos dos povos que maltratam sem a menor consideração, e querem levar todos com eles. A não ser que estejam a jogar com a repulsa dos povos ocidentais e a encorajá-los a acolher uma versão sino-russa do globalismo 2.0, uma vez que várias fortunas importantes parecem ter-se refugiado e transferido para a zona do Pacífico.

    Este comportamento suicida é incompreensível se os nossos dirigentes tivessem em mente os interesses das suas populações.
    Todos os governos ocidentais ilustram claramente a negação da realidade, o tabu que é o Nord Stream em particular.

    É angustiante e não há esperança enquanto for assim!
    Estamos a se devastados economicamente,socialmente,e moralmente com a economia a dirigir as guerras e não Outros pseudo valores dos campos do bem. O paralelo entre a economia em queda e o desejo de aumentar as despesas militares é gritante.
    Mais uma vez a realidade do nosso mundo económico neoliberal e darwiniano é guerra e morte. Gostaria, portanto, que tudo se rompesse de uma vez por todas e que pudéssemos reconstruir algo coerente para todos nós, porque vamos sofrer muito (ainda não começou) com as escolhas políticas que os nossos governantes têm aplicado há décadas. Espero que cheguem à razão.

    Alguns líderes europeus estão a aumentar a pressão para uma guerra em grande escala!

    A europa está a brincar aos tártaros, mas isso é tudo o que é capaz de fazer. Por outro lado, revela-se incapaz de coordenar os seus esforços para ajudar a Ucrânia. Um punhado de tanques aqui e ali, munições gota a gota, aviões que são chamados de “desejados” e ninguém para pilotá-los e garantir a manutenção, etc… Todo o seu equipamento disperso não faz um exército, especialmente quando seus números derretem como neve ao sol!…. E quando esses materiais chegarem, se forem realmente entregues, a guerra terminará .

    A Europa, cuja economia e indústria foi morta é ainda menos capaz do que os Estados Unidos de apoiar militarmente a Ucrânia e de lhe fornecer armas. O exército ucraniano, actualmente composto por recrutas forçados, jovens sem formação ou experiência militar e pessoas com mais de 50 anos, não está longe do colapso. O número de deserções e rendições sem luta atesta isso. Quando o último bastião da defesa Ucraniana representado por Slavyansk e Kramatorsk tiver caído, os russos não terão dificuldade em Avançar para a margem esquerda do Dnieper. O tempo trabalha a seu favor porque as suas perdas são mínimas, ao contrário das dos ucranianos. Nesta configuração, libertará uma grande parte das suas forças que poderão avançar até Odessa e Transnístria. Nestes territórios, as populações civis não se esqueceram dos abusos de que foram vítimas da perda dos paramilitares neonazistas ucranianos e são em grande parte pró-russos. E durante esta fase, o exército ucraniano ficará ainda mais sem sangue do que actualmente.
    Para os russos, esta guerra é uma guerra pela libertação dos povos russos oprimidos pelo Ocidente.

  4. Vi logo que com um nome desses só podias ser um saudosista do tempo da outra Senhora. Deves ser daqueles que, quando vias alguém vestido de vermelho ias logo à PIDE denunciar o comuna.
    E a aberração continua a ter assentos no Parlamento Russo coisa que se certeza não sabes. É aqui vai continuar com ou sem lugares no Parlamento, como em todo o lado.
    Porque as pessoas com vergonha na cara são cada vez menos mas ainda há algumas. Pessoalmente eu seria contra a tentativa em curso de roubar os recursos da Rússia, dividir o país, o raio que os parta estivessem lá comunistas ou fascistas e qualquer que fosse o meu partido que se calhar esta bem longe daquele que tu pensas que é.
    Ensinaram me ate a ir devolver o troco ao comerciante se me dessem troco a mais. Por alma de quem é que a abanaria o rabo a ladroes.Se a ti não te ensinaram a ser honesto e um problema teu, só teu.
    Portanto não te livras de coisa nenhuma a 10 de Março mas talvez te caia em cima o que desejas. A extrema direita de volta ao poder.
    Espero que tenhas forrado uns dinheiros da tua reforma. Com um nome desses és demasiado velho para emigrar. E se te esqueceste o que foram os anos 2011 2015 eu não.
    Porque com ou sem lugares no Parlamento do tal partido que tu não gostas a luta contra o fascismo que nos diz que temos o direito a usar nazis para roubar a terra dos outros vai continuar. Porque não é preciso ser comunista para que mais esta campanha de latrocinio nos dê volta às tropas. Vai ver se o mar dá choco.

  5. Entretanto a tal Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa segue conforme esperado com a Nato a continuar os seus planos mirabolantes de derrota da Rússia garantindo a oferta de um milhão de drones a Ucrania. Como já não há soldados capazes e os mercenários europeus certamente já não estão tão fáceis de recrutar vamos lá ver se com uns drones isto vai.
    Ou se pelo menos os ucranianos conseguem matar mais uns quantos a Leste para provar que a Rússia não é capaz de os proteger. Como aliás sempre teem feito. Boa sorte contra as defesas anti aereas russas que já provaram que não estão ali a enfeitar.
    O problema é que a Europa sempre foi anti russa.Se alguma vez pareceu não o ser foi porque percebeu que nunca a derrotaria militarmente. Após a Segunda Guerra Mundial, depois da Russia ter demonstrado uma determinação e uma capacidade de sacrifício impossível ao destruir a besta nazi essa impossibilidade de derrotar militarmente a Rússia tornou se evidente. Churchill ainda pediu aos Estados Unidos a destruição da Rússia com armas nucleares enquanto ainda era possível mas dessa vez os americanos não foram nisso. Talvez por não saber bem se a Rússia não as teria já.
    A partir daí mais retórica da guerra fria menos retórica da guerra fria outro remédio não houve se não bater a bola baixa.
    Mas a verdade é que sempre desprezamos aqueles bárbaros que bebiam vodka e se vestiam com pele de foca.
    Isso foi evidente quando comprávamos escravos aos pilhantes tártaros, quando não íamos lá caca los nos, nas sangrentas invasões dos polacos, na aventura do Grande Exército Napoleonico.
    Nunca vimos os russos como iguais, simplesmente desistimos dos nossos intentos de os destruir quando esses bárbaros do Leste e Norte nos pareceram demasiado fortes.
    Foi uma pausa na guerra. Mas agora pensamos ter nova oportunidade com o fim da União Soviética.
    E assim fomos criando durante quase duas décadas um enorme exército, armado com o que de melhor tínhamos em termos convencionais, na mesmíssima estepe por onde entraram todas as nossas expedições de pilhagem a Rússia. E fazendo a conveniente lavagem cerebral na população de Oeste, que já tinha feito causa comum com os nazis, protagonizando massacres terríveis de que Babi Yar não foi o único.
    A hora era agora porque os russos seriam certamente derrotados pelas nossas armas maravilhas, as nossas sanções causariam a fome, o odiado Putin seria empalado as portas do Kremlin e teríamos finalmente uma rendição incondicional da Rússia. Porque os russos preferiam uma vida como escravos até à sua extinção a arriscar uma guerra nuclear.
    O problema é que a Rússia tinha mais armamento convencional do que pensávamos e tratou sempre de apostar em capacidade de defesa.
    Como aliás sempre foi assim. Até o tal imperialismo russo teve muito de defesa. Enquanto os povos europeus foram a procura de novas terras, matando ou escravizado todos quantos lá encontravam, sendo nós uma gente que os desgraçados nem sabiam que existiam até os nossos barcos, mosquetes e canhões lhes caírem em cima, a Rússia tratou de meter debaixo da pata gente que rotineira mente os atacava.
    Os polacos atacavam nos porque achavam que tinham esse direito dado os russos serem infiéis da religião ortodoxa, nós compravamo los como escravos porque os achávamos um bocadinho pagãos, os povos muçulmanos nas suas vizinhanças pilhavam campos e caçavam escravos.
    Os bálticos acabaram por ser vendidos a Rússia porque a Suécia precisava de dinheiro. Tal como a Rússia mais tarde vendeu o Alasca aos americanos.
    Não me vou perder aqui em considerações morais sobre a noralidade de vender territórios e populações. Mas era assim que acontecia.
    A Rússia imperial não invadiu os bálticos pela força, se há alguém a culpar foi quem os vendeu.
    Por isso esta guerra e só mais um capítulo numa tentativa de destruir a Rússia, sonho que nunca abandonamos porque sempre consideramos os russos mais próximos dos negros e índios do que de nós próprios.
    E para isso gastamos o que temos e o que não temos em armas e acusasse um pais como Portugal, com dois milhões de pobres numa população de 10 milhões, assolado pela seca e a pensar já em centrais de dessalinizacao a Sul a maneira dos países deserticos do Golfo Persico de serem uns malandros que não torram 2%do seu PIB em armamento. Vão ver se o mar dá choco.

    • Esperemos que dia 10 de Março nos livremos de vez desta aberração que é o PCP.
      Coisa pavloviana, a URSS acabou há mais de 30 anos e o que resta do partido continua a abanar o rabo a Moscovo.

      • No próximo dia 6 de Março o PCP celebra o seu 103º aniversário!
        Destes 103 anos 48 foram de luta na clandestinidade contra o regime fascista que morreu em 1974…tenho a certeza que não será por desejo doentio de ignorantes como tu o PCP desaparecerá… não passas de um caco que alguns energúmenos tentam juntar e colar

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