A tese dos dois Estados — Um com chuva e outro sem chuva

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 28/11/2023)


A proposta da ONU, aceite pela comunidade internacional, da coexistência de dois estados na Palestina, após a saída da Inglaterra do vespeiro ali criado após a II Guerra, com a conjugação de interesses do movimento sionista mundial, dos Estados Unidos e da União Soviética, um estado judeu e um estado com o remanescente de palestinianos, foi, desde o início, um logro do género de introduzir uma espécie infestante num dado território — eucaliptos, por exemplo — atribuir uma leira de terra como reserva indígena (carvalhos, ou sobreiros) — e esperar que ambas as culturas convivam em boa paz, que os infestantes respeitem os limites dos autóctones e estes se sintam muito agradados com a invasão. A comparação serve também para os peixes achigãs, vindos do Canadá e lançados nas barragens, que devoraram as espécies indígenas.

É com este conto para pobres de espirito que desde há sete décadas tem sido justificada violência de Israel, eles estão a defender o seu estado: invadindo. O tal estado democrático, o que em termos de interesses estratégicos, de violência e desrespeito pelos direitos dos outros nada vale. Curiosamente, têm sido os ditos estados democráticos — um regime particular desenvolvido na Europa e nas circunstâncias específicas que são conhecidas — que mais invasões têm efetuado nos dois últimos séculos.

A tese da convivência dos dois estados na Palestina recebeu mais uma machadada recentemente, quando alguém decidiu revelar que os democratas israelitas tinham imposto o princípio de divindade da chuva. Agora que surgiram tantos israelitas com cidadania portuguesa, o velho provérbio português de «água deus dará» é contrariado por esses nosssos recentes compatriotas: a chuva que cai nos territórios da Palestina é propriedade dos judeus, representados pelo Estado de Israel, por ser um dom de Jeová aos seus escolhidos. Os infiéis palestinianos não têm direito à água de Jeová e, Alá, segundo os judeus, não faz chover! Por isso os guerreiros de Jeová destroem as cisternas atulhando-as de cimento (foto da UOL — notícias.uol.com.br, de 27/07/2023 — isto para os censores do FB), envenenam os poços e as cisternas onde os palestinianos há milhares de anos recolhiam as águas! Uma blasfémia!

Foi assim levantado mais um problema na falácia dos dois estados: como dividir a água que cai, não dos céus, mas das nuvens terrenas, entre o Estado de Israel e o Estado Palestiniano, a criar? Já existiam os murros, as cercas de arame eletrificado, os controlos, agora há a barreira da chuva e das nuvens!

E aqueles a quem até a água das nuvens criadas pela natureza lhes é negada não têm direito a resistir? É terrorismo lutar pela água, como pela terra, como pelas casas, como pelos rebanhos, como pelas oliveiras ou é terrorismo matar à sede, à fome, bombardear indiscriminadamente? É terrorismo um povo cercado atacar instalações militares designadas colonatos, mas é legítima defesa invasores recentes destruírem um território cercado, densamente povoado, para erradicar dali o povo que sempre ali habitou? E como propor dois estados como solução para uma tão velha questão, que chegou a agora à água da chuva, e que já tinha determinado o controlo pela força do rio Jordão pelos israelitas?

Ainda a propósito da falácia dos dois Estados partilhados entre invasores e invadidos: há algum estado Inca, ou azteca ou guarani na América do Sul? Há algum estado Cherokee nos Estados Unidos? E porque não há nenhum Estado Curdo, ou Arménio?

Por fim, na Palestina existe apenas um Estado, os Estados Unidos da América. O Estado de Israel é mais um Estado da União, uma província como a que existiu no tempo dos romanos, com o seu Herodes Antipas, que calha chamar-se agora Netanyahou. Aos Estados Unidos interessa uma província forte nos confins do império. Os palestinianos estão ali a mais. O resto são nuvens, não de água, mas de explosivos, incluindo de fósforo. Ambas israelitas.

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18 pensamentos sobre “A tese dos dois Estados — Um com chuva e outro sem chuva

  1. De vez em quando, André Campos, talvez quando te parece que as pessoas baixaram a guarda, lá voltas a reincidir, contrabandeando, por debaixo da mesa, as posições e interesses da sacanagem. Como diz o Whale, há pouca paciência “para um que escreve no mesmo texto uma coisa e o seu contrário”. Devias assumir-te de uma vez por todas, em vez de tentares iludir-nos, dia sim dia não, com uma no cravo e outra na ferradura. Por exemplo:

    “Quanto às atrocidades cometidas, não falamos delas. Em termos de mortes, refugiados, horrores, há muito pior, um pouco por todo o lado. Notemos, como aperitivo, que com a melhor vontade do mundo, as FDI terão dificuldade em exterminar tantos Palestinianos como os regimes árabes da região, em particular a Síria, o Líbano e a Jordânia, que também não os querem, palestinianos, e que têm poucos escrúpulos humanitários quando se trata de se livrar deles.”

    O que é isto, pá?! O Líbano, a Jordânia e a Síria têm centenas de milhares de refugiados palestinianos e tu dizes (pela boca do franciu Pierre Jourde) que têm “poucos escrúpulos humanitários quando se trata de se livrar deles”?! A Jordânia tem mais de três milhões de refugiados palestinianos (3.240.000), a Síria 630 mil, o Líbano 402 mil, o Egipto 270 mil e a Arábia Saudita 280 mil. O Estado ladrão nazionista quer fazer a limpeza étnica dos restantes 1.650.000 que no seu território não conseguiu ainda expulsar ou assassinar (mais os 2,3 milhões da Faixa de Gaza e os quase três milhões da Cisjordânia) e tu despejas aqui a prosa mentirosa de um francês que acha que os países árabes deviam auxiliar o país bandido nessa “abençoada” purificação étnica?!

    Ver aqui a demografia:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Palestinian_refugees?wprov=sfla1

    “Um punhado de judeus que transformam um deserto num país próspero e democrático”

    E que vigarice é esta? Não passa de propaganda fraudulenta, publicidade enganosa. Não deixando de reconhecer os progressos de Israel em técnicas que reduzem a água necessária na agricultura, como o aperfeiçoamento da irrigação gota a gota, o certo é que o “deserto” foi irrigado principalmente com água roubada do chamado Aquífero da Montanha, do subsolo da Cisjordânia, que Israel já desviava ainda antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e da ocupação que daí resultou. Fazia-o com furos no seu então território que depois prolongava horizontalmente até ao aquífero no subsolo da Cisjordânia, nessa época administrada pela Jordânia. E depois temos ainda a sobreexploração do chamado Aquífero Costeiro, feita até à exaustão pelo nazionismo cleptomaníaco de um modo tão irresponsável que a água que sai (ou saía até 7 de Outubro) das torneiras de Gaza era salgada, devido à infiltração de água do mar resultante da sobreexploração da água doce do aquífero. E essa sobreexploração do Aquífero Costeiro na zona de Gaza é, mais uma vez, feita a partir de território israelita, com o mesmo método usado antes de 1967 para roubar a água da Cisjordânia. Claro que, no caso desta, isso deixou de ser necessário, pois agora os colonatos são estrategicamente distribuídos de modo a roubar a água toda. Os palestinianos que bebam champanhe e comam brioches, se quiserem! Aquilo que o Whale refere, a destruição dos poucos poços e furos palestinianos, que o nazionismo enche de cimento, e a recusa sistemática de abertura de novos poços e furos aos palestinianos é denunciado e está documentado há muito, nomeadamente pela Amnistia Internacional:

    https://www.amnesty.org/en/latest/campaigns/2017/11/the-occupation-of-water/

    https://www.amnesty.org/en/documents/mde15/027/2009/en/ (abrir o link e depois descarregar o ficheiro PDF)

    E depois temos o Mar da Galileia, em Israel conhecido como Lago Kinneret, no sopé dos montes Golã roubados à Síria, de onde sai um terço da água consumida em Israel. O rio Jordão desagua nesse lago, a norte, e “volta a sair”, a sul, em direcção ao Mar Morto. E por que motivo ponho “volta a sair” entre aspas? Porque praticamente não sai nada! A “criatividade” cleptomaníaca nazionista “inventou” um novo Jordão apenas em território israelita. O “Jordão” reinventado chama-se Conduta Kinneret-Neguev (em inglês National Water Carrier), estende-se por Israel de norte a sul e por ele corre a água que antes pertencia ao caudal do Jordão. A passagem de água pelo leito tradicional está praticamente bloqueada e o Jordão reduzido a um ribeiro raquítico, alimentado por escorrêncis pluviais a jusante do Kinneret e por um ou outro afluente não menos raquítico, também a jusante. Por isso o Mar Morto está cada vez mais morto. A Conduta Kinneret-Neguev, como o nome indica, transporta água desde o Mar da Galileia (lago Kinneret) até ao deserto do Neguev, abastecendo Israel de norte a sul e disponibilizando também água doce que é injectada nas partes depauperadas do Aquífero Costeiro apenas em território israelita, a norte da Faixa de Gaza, para contrariar a salinização. A dita Conduta passa a três ou quatro quilómetros de Gaza, mas para lá não vai uma gota e as torneiras palestinianas, como disse acima, só debitam água salinizada. Fazem “florir” o deserto, dizem, e não interessa a ninguém que isso seja feito com água roubada, matando outro povo à sede.

    E o que dizer do Líbano? O principal motivo do belicismo sionista para com o Líbano chama-se Litani. O Hezbollah é o único obstáculo no objectivo de décadas, do Estado de Israel, de se apropriar do Sul do Líbano pelo menos até ao rio Litani, cujas águas pretendem há muito transvasar, com trabalhos de engenharia há muito estudados, para o rio Jordão, engrossando-lhe o caudal antes de desaguar no Kinneret e assim diminuindo os riscos de falta de água para o país bandido em anos de seca. O objectivo de estabelecer as fronteiras de Israel bem dentro do actual Líbano, a norte do Litani, está amplamente ilustrado em documentos muito anteriores à independência, em 1948. Tenho na minha posse um livrinho que me foi oferecido pela Embaixada de Israel, em 1971 (editado no mesmo ano), com uma série de mapas que pretendem ilustrar a história da região praticamente desde o registo de propriedade, a favor dos eleitos, outorgado no Escritório Notarial do Altíssimo em escritura privada, no tempo em que os animais falavam. Entre esses mapas figura um em que, “em 1919, o Movimento Sionista submete à Conferência de Paz de Paris propostas com vista à partilha do antigo Império Otomano” (sic). Nesse mapa (de 1919, sublinho, muito antes do álibi proporcionado pelos crimes do nazismo alemão), o Estado Judeu proposto pelo Movimento Sionista à Conferência de Paz de Paris adicionava ao Israel das fronteiras actuais oficiais um enorme bocado do Líbano, abrangendo todo o troço final do rio Litani que acima refiro e fixando a fronteira uns 30 km a norte deste, em Sídon.

    Mas o bendito mapa não fica por aqui. Inclui no futuro Estado Judeu toda a Cisjordânia presentemente ocupada e, não satisfeito com isso, alarga-se ainda mais para leste, Jordânia adentro, muito para lá do rio Jordão, até ao chamado Caminho de Ferro do Hejaz (de que se fala muito no filme ‘Lawrence da Arábia’); abocanha também toda a Faixa de Gaza e mais um grande bocado do Sinai egípcio, até El Arish; e, guloso, engole ainda todos os montes Golã sírios e mais um grande bocado da actual Síria, quase até Damasco! E dizer que à época viviam em toda aquela região, em paz com os seus vizinhos árabes, apenas 25 mil judeus, descendentes de pais, avós, bi, tri, tetra e penta-avós que sempre lá tinham vivido sem problemas e sem a necessidade de “espaço vital” inventada pela ganância cleptomaníaca do sionismo! Pois é, raios partam aqueles caramelos do Hezbollah, pá! Chatos do caraças, com aquela extravagante mania de não gostarem de ser roubados, onde é que já se viu tamanho descaramento?!

    Tenho as partes do livrinho acima referidas digitalizadas, mais capa e contracapa, e posso enviá-las para a Estátua, se houver interesse nisso. Foi-me oferecido na Embaixada de Israel, em 1971, aonde me deslocara para pedir documentação sobre os kibbutzim, tidos como uma espécie de utopia socialista em mar capitalista, e que na altura me interessavam. Tem por título “Des Frontières Sûres et Reconnues – Le Droit d’Israël de Vivre en Paix dans des Frontières Défendables”.

    Mas além do Litani, da questão da água e da necessidade de “espaço vital” em geral para os preferidos do Senhor, agora temos, ainda por cima, o gás e o petróleo no offshore de Gaza já aqui falados, e também no offshore do Sul do Líbano. Ao que parece, a escritura (pouco) pública arquivada no Cartório Notarial do Altíssimo confere a posse de todo este maná aos eleitos e contra isso batatas, é lidar! Quem contestar arrisca um corisco pelos queixos acima e pelos cornos abaixo! Pelo sim pelo não, vou já daqui a bocadinho ao Leroy-Merlin comprar um pára-raios, parece que há por lá uns em saldo.

    • Uma vez palestiniano, sempre palestiniano!
      Uma vez refugiado, sempre refugiado!
      ‘Refugiado palestiniano’ é uma categoria genética, que se transmite de geração em geração.
      Provavelmente assim o quer Alá, O Misericordioso!

      Só na Europa, eventualmente por razões climáticas ou cosmológicas, é que se processa a conversão de refugiados em cidadãos de pleno direito, e seguramente logo à primeira geração!

    • Não preciso de numeros,tenho-os todos.

      Infelizmente, o Ocidente, com a liderança dos americanos, mostrou a sua monstruosidade e a sua verdadeira face. A partir de agora, sabemos tudo. Na África global e no resto do mundo livre, nada voltará a ser como dantes. O que se passa em Gasa é uma ferida profunda nas nossas almas. Imagens para sempre gravadas nas nossas consciências. Bibi e os seus apoiantes são monstros desumanos. Mas não devemos confundir estes pequenos líderes com o grande povo .

      É evidente que a impunidade de que Bibi goza é o resultado de décadas de lobbying e de trabalho árduo por parte dos decisores ocidentais e da opinião pública. Cabe aos palestinianos e aos seus apoiantes fazer o mesmo. Nenhum país ocidental, e muito menos os EUA, levantará um dedo se não houver ganhos políticos com isso.

      Os Estados Unidos sempre se opuseram à criação de um Estado da Palestina viável dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967. Basta ver a frequência com que vetam qualquer resolução hostil a Israel, A segunda fase consistiria em negociar o estatuto de Jerusalém Oriental e o direito de regresso dos refugiados. A terceira fase consistiria em reconciliar as duas facções rivais, a Fatah e o Hamas, e considerar a sua fusão numa única autoridade legítima.
      Tudo isto pode soar bem, mas quem terá a coragem política de o pôr em prática?

      A solução dos dois Estados é uma piada ocidental que remonta a 1937, quando os britânicos, enredados na Palestina, começaram a promover a ideia.
      A maioria dos países ocidentais não reconhece o Estado palestiniano, incluindo Portugal.
      Como é que se pode reconhecer dois Estados quando se ignora deliberadamente um que foi legitimamente reconhecido pela ONU durante 30 anos?
      Esta é a nossa política, cheia de contradições e prova dos nossos dois pesos e duas medidas, por outras palavras, a nossa hipocrisia a pingar de ternura.

      Nos últimos 30 anos, 139 dos 193 países do mundo reconheceram o Estado palestiniano. Os EUA deram a Israel 14 mil milhões de dólares e armas de morte, graças a um transporte aéreo que não se via desde 2003 e ao recrudescimento da guerra no Iraque. Os porta-aviões e as bases dos EUA no Médio Oriente estão a paralisar o mundo xiita, em especial o Irão, que não quer largar o seu valentão regional, o Hezbollah. Somos, portanto, cúmplices dos crimes de guerra em Gaza, protegendo Israel, e nada faremos porque ainda temos reféns detidos pelos Ham*s.

      No final, 2,3 milhões de habitantes de Gaza estarão a viver no deserto do Sinai sob a égide da ONU e do ACNUR. Podemos afundar Israel pondo fim ao fornecimento de armas e de financiamento e retirando as frotas americana e da NATO do Mediterrâneo, do Golfo de Omã e do Mar Vermelho. Desta forma, o Irão libertaria o seu cão de guarda e Israel não conseguiria manter-se economicamente. Os Houthis apoderar-se-iam do seu porto comercial no Mar Vermelho e Telavive estaria acabada, mas nada acontecerá, porque Telavive tem a bomba nuclear e a permissão de Washington. O mal progride através da inação dos homens de bem e, neste momento, não há nenhum na Terra.

      Permite-me que lhe pergunte o seguinte: quem é que manda nas finanças ocidentais? No Ocidente, já não estamos em democracia, mas sim sob o domínio da pior teocracia que existe, pois é herética à doutrina em que se baseia. Os nossos dirigentes não passam de administradores a soldo desses teocratas. Duas guerras mundiais a seu favor e todas as últimas guerras regionais no Médio Oriente. E somos todos anti-semitas, uma vez que os únicos semitas que se encontram hoje nesta terra marcada por mais de três milénios de guerra são os palestinianos. A paz só voltará quando as finanças ocidentais entrarem em colapso. Não antes. Com os melhores cumprimentos!

      • Precisas de fazer mais, André, para seres aceite de pleno direito no clube anti-Ocidente!
        Lembra-te do tempo das verdades únicas, nada menos do que essa fidelidade canina te é e sempre será exigido.
        Em todo o caso, há que reconhecer que já falta pouco!
        Atendendo à justa luta que os russos travam na Ucrânia, dizeres que «A paz só voltará quando as finanças ocidentais entrarem em colapso.» é já uma no cravo da estupidez bastante para garantir uma forte candidatura!

  2. Quem teve familiares mortos em bombardeamentos anteriores festejou de certeza. Quem teve famíliares mortos de doenças evitáveis festejou de certeza. Quem estava farto da dieta imposta pelo estado genocida festejou de certeza quem teve familiares mortos ou estropeados frente a cerca do campo de concentração festejou de certeza.
    Enquanto outros certamente não festejaram por saber o que, se seguiria. Por muito menos houve chacinas cruéis antes disso.
    De qualquer modo o tempo para festas não foi muito porque os bombardeamentos sem do nem piedade começaram logo a seguir.
    Enquanto os nossos governos prestavam loas soa assassinos e o sinistro estandarte da morte ondeava nos nossos monumentos. Vai ver se o mar dá choco.

  3. O Comentário de J Carvalho é tocante e mostra bem como a situação da palestina é estarrecedora,; de facto só alguém anormalmente insensível pode ficar indiferente à tragedia que se está a desenrolar perante os ossos olhos: ” vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” . Mas infelizmente parece que vamos mesmo ignorar o que prova bem como ainda permanecemos no estado de barbárie embora, para inglês ver, não nos cansemos de encher a boca com direitos humanos, atirados pela borda fora sempre que ‘outros valores mais altos se alevantam – ou seja, poder e riqueza que o alimenta.

  4. Senhor fiscal, para cavar túneis não é preciso dinheiro que quem está numa prisão não tem onde ir buscar. Bastam pás, picaretas e tempo, muito tempo. Que num campo de concentração onde a maior parte da população está desempregada o que não falta é tempo.
    Coitadinhos são os que reconhecem que são gentios, o que não é o meu caso. Não acredito em gentios nem em povos eleitos.
    Mesmo assim tenho mais pachorra para si que para um que escreve no mesmo texto uma coisa é o seu contrário, como se estivesse a gozar com a cara de todos nós. A gozar com a cara dos palestinianos esta de certeza. Bom comentário, senhor Joaquim.

  5. Os últimos dias têm sido pródigos em manifestações de estado de alma. Netanyahu, em reação ao ato de terror do Hamas, exagerou no arrasamento de Gaza, na sonegação dos direitos mais básicos – água, alimentos, energia, cuidados hospitalares – e, sobretudo, na matança indiscriminada, como se cada palestino fosse um militar do Hamas, incluindo mulheres, idosos, crianças e até bebes a procurarem sobreviver nas incubadoras.
    Perante tamanha desumanidade as populações de muitos Estados, designadamente europeus, reagiram, vieram para a rua, a exigir que os seus governantes atuassem, que forçassem o governo israelita a parar.
    Até então o que se verificava era a romaria de governantes (Schultz, Macron, Sunak, ,…) em direção a Israel, onde proferiam declarações inócuas, do género, “Israel tem direito a defender-se”, sem levarem em conta que os sucessivos governos israelitas não cumpriram uma única deliberação do ONU sobre o conflito nem tem intenção de cumprir porque a Netanyahu , na linha da ortodoxia que assassinou Isac Rabin, então primeiro-ministro, não só não quer ouvir falar de paz como sabota todas as iniciativas que possam levar à paz, qualificando até esses protagonistas de defensores dos “terroristas do Hamas”.
    Perante o clamor das populações os líderes europeus foram ajustando o seu discurso, sem afrontar a ortodoxia de Netanyahu, vão debitando algumas lamurias para conterem e distraírem as respetivas populações.
    Nesta linha, BORRELL acaba de se mostrar “chocado” com a declaração do governo israelita de financiar novos colonatos, o que corresponde a roubar casas, terrenos, a expulsar palestinos dos seus territórios, o que constitui uma clara limpeza étnica. Colunato a colunato Israel ocupará toda a Palestina.
    Como é óbvio o “choque” que BORRELL sente de nada servirá se a U.E. nada fizer e, o que é mais lamentável, nada irá fazer, porque, na prática, para além da sonsice e cinismo dos respetivos MNE, a U.E. sempre se mostrou inativa face ao desenvolvimento dos colonatos e à consequente expulsão dos palestinos do seu território, seja porque os obrigam a fugir, seja porque os matam.
    Na linha do Senhor BORRELL, para nos iludir, JOÃO CRAVINHO, MNE, acaba de declarar que não percebe o porquê de Israel estar a arrasar Gaza”. Acredito, todos sabemos, que CRAVINHO sabe muito bem o porquê, ele conhece o plano há muito traçado, o que ele está a fazer-se de sonso e a espalhar sonsice sobre todos nós.
    Não são só governantes a “lavar” as ações criminosas da ortodoxia liderada por Netanyahu. ELON MUSK, que há umas semanas apontara o dedo aos governantes israelitas, dizendo o que todos vemos, estavam a ser excessivos na devastação de Gaza, o que levou à reação, qualificando-o de antissionista e apoiante do terrorismo. O que terá levado MUSK a Israel? Ele deixou-se fotografar ao lado de Netanyahu, parece que não proferiu qualquer declaração. Só se conhece o que os serviços de comunicação do governo disseram.
    Provavelmente MUSK sentiu o mesmo que o ex-líder da Web Summit, PADDY COSGRAVE, mas MUSK não pediu desculpa, foi ao beija-mão para salvaguardar financiamentos e o mais. Em troca, disponibiliza o acesso à sua rede de internet por satélite STARLINK e vai mandar apagar da sua rede social X, ex-Twitter, os conteúdos que sejam desfavoráveis aos governantes israelitas, sob pretexto de serem conteúdos antissionistas. Ou seja, MUSK não foi apoiar Netanyahu, foi tratar de negócios, receber e dar contrapartidas.
    O curioso é que MUSK tem-se revelado muito preocupado com o destino da humanidade, a procriação. O que terá sentido MUSK perante o homem que tem liderado o governo de radicais ortodoxos responsável pela morte de milhares de crianças em escassas semanas? Provavelmente não pensou nada de tão preocupado em limpar o labéu de “apoiar terroristas” e de ser “antissionista”.
    O “antissionismo” é a palavra mágica dos governantes israelitas. Serve para atacar toda e qualquer pessoa que ouse criticar as políticas seguidas. Deste modo, com a carga histórica que a palavra acarreta, não só esvaziam a crítica como abrem as portas à expansão do sionismo.
    Outras palavras têm servido para estigmatizar muito boa gente, incluindo responsáveis da ONU, é a de “apoiante do terrorismo”, desqualificando desse modo os críticos, mesmo que estes se limitem a evocar factos visíveis, relacionados com a limpeza étnica (colunatos) ou com os ataques a hospitais, escolas, número de crianças mortas.
    A questão é: Qual é a diferença entre os atos praticados pelo Hamas, em 7 de Outubro, e a continuada chacina que os militares de Israel protagonizam desde então? A ponto de levar o PAPA FRANCISCO a declarar que “isto não é mais guerra, é terrorismo”.
    A diferença está, apenas, na desproporção de meios usados e no abismal número de mortos, sendo que o Hamas luta contra o ocupante e invasor (novos colunatos) coisa que nem os MNE nem a comunicação social levam em conta.
    É certo que o Hamas afirma, erradamente, querer liquidar o Estado de Israel. Mas como é que esta declaração pode ser levada a sério? Como o irá fazer? À pedrada? Se não tem meios nem forma de os obter, será com foguetes feitos, dizem, com tubos de canalizações que irão destruir Israel? Por outro os países árabes aceitam, e bem, a existência de Israel, então, qual é o verdadeiro problema existencial dos sucessivos governos israelitas? A resposta, dada pelos próprios, alargar o seu território, expulsar o elo mais fraco, os palestinos, para já.
    A existir um Estado palestino, cumpridor das normas e princípios consagrados no direito internacional, designadamente na Carta das Nações Unidas, não haverá lugar para organizações terroristas, estará salvaguardada a segurança de todos, israelitas e palestinos. É a solução dois estados, que agora todos falam, mas que todos esquecerão no dia em que Israel deitar mão ao que resta da Palestina, a não ser que as populações europeias se alevantem e exijam dos seus governantes a criação do Estado palestino, o fim da expulsão daquela gente do chão que lhe pertence.
    As tréguas estão a acabar. O plano de arrasar Gaza irá ser levado a cabo, tal como a criação de novos colonatos.
    Os Estados do Médio Oriente, árabes e não árabes, os governantes da U.E. irão lamentar, pedir a Netanyahu que vá mais devagar, que seja mais moderado para não despertar consciências, talvez até aprovem algumas moções de censura.
    Por sua vez, os meios de comunicação social, carentes de financiamento, continuarão a fingir, a mostrar “imagens chocantes”, que os comentadores logo justificam com “os terroristas do Hamas” que querem “destruir o Estado de Israel” sem dizerem como é que isso se faz, por quem não tem força nem meios materiais para realizar tal ficção.
    O povo da Palestina está condenado, foi dilacerado pelos governos europeus, com grande responsabilidade para a França e Inglaterra. Em boa parte, abandonado pelos governantes árabes. A verdade é que só os governos europeus e a própria U.E. o poderiam salvar e devolver-lhe a pátria que lhe roubaram. Para tanto deveriam começar por isolar o governo israelita, aplicar sanções, acionar o TPI, suspender a participação de Israel nas organizações internacionais. Ou seja, desenvolver todo um conjunto de ações que levasse o governo israelita a arrepiar caminho, a agir de acordo com as leis e disposições internacionais, cumprindo as resoluções da ONU.
    Utopia. Nem os governantes dos Estados nem a U.E mudará de política. Isso exigiria que os respetivos governantes tivessem voz própria, autonomia face aos EUA, coisa que não existe. Enquanto a U.E. se mantiver alinhada, nesta matéria, com as posições americanas as populações palestinas ficarão entregues à sua má sorte, isto é, ao genocídio acelerado, como está a suceder, e à expulsão dos seus territórios para serem ocupados por colonos, consumando a limpeza étnica há muito programada e em execução.
    Um dia, muito lá para a frente na História, os herdeiros políticos de Schultz, Macron, Sunak, e outros aparecerão, com ar sofrido, a pedir perdão aos palestinos pelo genocídio cometido.

  6. Sempre e só a doutrina dos coitadinhos!
    Os milhões gastos em túneis e misseis em Gaza e Líbano não dariam para promover o povo palestiniano, aproximá-lo tecnologicamente dos israelitas, fazer obra pública significativa?
    O serviço do ódio e do saque, sempre e só – e nem hesitam em adicionar-lhe uma cartilha religiosa retrógrada e associada à barbárie – aparece como dando cumprimento a ideologia que se diz configurar o futuro!

  7. Já agora, mesmo que os países árabes fossem todos aqueles infernos na terra que diz o francês que certamente vota Le Pen que raio teem os palestinianos a ver com isso?
    Os desgraçados já foram o povo eleito pára pagar os crimes de Hitler e se calhar da Inquisição. Teriam no ano de 2012 que pagar os crimes de toda a gente? Devem agora continuar a pagar sendo de vez expulsos das suas terras ou mortos pelo povo que se julga o escolhido por Deus?

    • Vamos lá ver.Uma coisa é a politica em Israel,outra coisa são os Israelitas,foi isso que comentei.Claro que não apoio o BIBI,nem político nenhum,longe de mim tal coisa,agora cada um interpreta da maneira que que quer.

      Conheço Israelitas, (boa gente como palestinianos)e nenhum está de acordo com isto,até porque sabem ao que estão sujeitos depois desta guerra…

      O problema é a casta que manda que é uma pequena minoria,mas tem mais poder que os Israelitas todos…

      Sabemos que a máscara da democracia em Israel caiu,mas isso também em Portugal.

      O que comentei,foi das coisas boas que ainda existem em Israel,como em todo lado.

      Acho que também é preciso conviver com estes povos,trocar ideias,partilhar,para também entender-mos que o mal não é o povo,mas sim um sistema político satânico que o povo como colectivo não tem nada haver com isto.

      Há Israelitas que tem palestinianos nas suas casas em Israel.

      Nisto tudo ainda há muito boa gente,tanto de um lado como de outro…

      “A dança com bombas” vai continuar.

      Muita gente tem ideias preconcebidas, pelo que a sua informação é tendenciosa, mesmo que queiram ser neutros, o que não é possível. É difícil distinguir entre o que é verdadeiro e o que é falso, a menos que se procure informação contraditória e se obtenha parte da verdade.
      A Palestina está ocupada e ninguém pode negar esta verdade, exceto aqueles que querem filosofar para vender a água que está aos nossos pés.

      Há verdade e também falsidade neste conflito … permaneçamos neutros até descobrirmos uma verdade escondida … que é revelada ao ritmo de muitas investigações solicitadas por muitas pessoas em grande sofrimento …. informações úteis para sair do nevoeiro quotidiano … e crescer despertando as capacidades pessoais de todas as experiências vividas … uma mina de ouro …

      A imprensa inglesa está a noticiar que os reféns libertados estão a ser mantidos isolados das suas famílias pelo governo israelita, a fim de os impedir de comunicar com a imprensa sobre a realidade das condições em que foram mantidos pelo Hamas. Alguns deles terão agradecido ao Hamas os cuidados que lhes prestaram.
      A linha dura de Israel é cada vez mais criticada pelos israelitas, alguns dos quais exigem que sejam levados à justiça.

  8. Haverá sempre quem defenda trastes. Também os nazis deram bons empregos à arianis, excluir am foi todos os outros.Alguns pontua, positivos numa sociedade racista, promotora de apartheid, genocida não podem absolver os dantescos crimes cometidos. É não, aquilo não é so areia, essa, é outra falácia, mas isso são outras contas.
    Por mim podem cantar a Israel as loss que quiserem e lhes der na gana. Quem é pro Israelita e porque pode. Porque tem a sorte de viver longe. Mas pode, ser que a sorte se acabe. Porque aquela gente muito boazinha tem 200 ogivas nucleares, contas por baixo e acha que se pode vingar dos seus inimigos até à geração 70. Se tivermos em conta 20 anos por geração, os trastes ainda teem uns 800 anos para se vingar de D. Manuel I. Do Hitler, foi ontem.
    E tendo em conta as atrocidades que os dirigentes de Israel dizem em público e de supor que em privado lembrem os dirigentes europeus disso mesmo. O que explica a falta de espinha e a impunidade concedida a Israel. Que não é concedida a maus ninguém.Por isso o tal francês sabe mais de outras atrocidades mas não parece saber nada sobre prisoes arbitrárias, tortura, morte por da cá aquela palha, fome e tudo o que passam os desgraçados que vivem sob a pata do povo eleito.
    A extrema direita europeia é hoje ferozmente pro Israelita. Porque será?
    Israel já promete voltar a matar ainda com mais determinação terminada a trégua. Isso não faz mossa a certos bons espíritos.
    Israel vive há quatro mil anos atrás e age segundo essa cartilha.
    Nos meus tempos de estudante, alguns dos mais interessados perguntavam o que aconteceria se os sanguinários guerreiros medievais tivessem os meios de destruição que temos hoje.
    Pois o que estamos a assistir é a cruéis guerreiros da antiguidade, que até matavam os animais pertencentes aos seus inimigos,com os meios de destruição que temos hoje. Por isso temos a destruição de Gaza e a promessa de mais. Já nesse tempo diziam eles que o seu Deus os mandava destruir os seus inimigos, queimar os seus campos, arrancar as árvores pela raiz e atulhar povos e cisternas com pedras. Hoje usam cimento mas continuam a fazer o que faziam há quatro mil anos.
    Já agora, depois desta gente matar quantos “árabes sujos”, “pretos da, areia” pode, alguém estava a espera que nos países árabes lhes dessem beijinhos? Alguém confia numa gente que se acha a raça, escolhida por Deus e os gentios merecem ser votados a destruição?
    Por mim, não me fio nem um fio é aposto que muitos dirigentes europeus que se dizem muito pro israelitas também não.

  9. Claro, que Israel é apena uma surcusal dos EUA.

    A cultura da impunidade existe agora em todo o mundo: é a cultura e a lógica da globalização que destruíram as noções anteriores de direitos e justiça. O que importa são, mais uma vez, as leis da selva, além da hipocrisia, porque devemos chamá-la de “democracia”. Este mundo perdeu todos estes marcos.

    Este mundo está tão desinibido na sua barbárie que se ignora, a ponto de poder tratar as suas futuras vítimas como animais … Muitos em Israel e em outros lugares discordam, incluindo alguns que corajosamente se levantam e protestam.
    Todos estes chamados governantes democráticos governam contra os seus povos e estão dispostos a sacrificá-los pelas necessidades da sua própria causa.

    A divisão do território da Palestina em dois estados, proposta pela ONU, não faz sentido isolando a Cisjordânia e Gaza, especialmente porque tinha sido decidida sem a sua participação. A proposta de um único estado também não pode funcionar, uma vez que a população árabe é tratada como cidadãos de segunda classe com direitos limitados.

    Não se pode querer dividir um país em 2 Se não for o seu país. A questão Palestiniana é a mesma história do acórdão do rei Salomão. A solução do pseudo-2-Estado só é suscitada por pessoas ignorantes ou por políticos preguiçosos e de curta duração, mas ambiciosos. É uma opção de facilidade que não resolve nada. Finalmente, vemos que isso não leva a nada.

    0 assim, por um lado, os Israelitas que, no seu conjunto, negam a existência da Palestina e querem tomar todo o território e expulsar os palestinianos(onde?), mas está tudo bem porque é um governo democraticamente eleito numa grande democracia (que pratica o apartheid mas está tudo bem ) e do outro lado o Hamas que nega a existência de Israel e quer recuperar o território histórico da Palestina sem, no entanto, expulsar os seus actuais habitantes e não está bem e nós (os EUA e os países do doggie) tratam como terroristas insistindo nesta palavra “terrorista” repetida como deveria ser.

    Estou com o povo de Israel, como o povo palestiniano,não estou com líderes que governam estes povos…

    Talvez uma chave para a compreensão deste texto de Pierre Jourde-abril, 2012
    Os palestinianos são vítimas de uma injustiça inaceitável. Também. Durante sessenta anos, os meios de comunicação de todo o mundo têm vindo a centrar-se incansavelmente neste conflito. Continuamos a dizer a nós mesmos que a rentabilidade da injustiça/informação é muito baixa, se considerarmos apenas a relação entre o número de mortes e a quantidade de papéis e imagens despejados no mundo em geral e nas massas árabes em particular. Mesmo com baixa rentabilidade, se tivermos em conta o número de pessoas envolvidas, de facto importante, mas menos do que noutros locais do planeta.

    Quanto às atrocidades cometidas, não falamos delas. Em termos de mortes, refugiados, horrores, há muito pior, um pouco por todo o lado. Notemos, como aperitivo, que com a melhor vontade do mundo, as FDI terão dificuldade em exterminar tantos Palestinianos como os regimes árabes da região, em particular a Síria, O Líbano e a Jordânia, que também não os querem, palestinianos, e que têm poucos escrúpulos humanitários quando se trata de se livrar deles.

    Mas Israel é um culpado ideal, não só nos nossos subúrbios, mas na Europa em geral. Acusamo-lo de toda a nossa má consciência dos antigos colonizadores. Um punhado de judeus que transformam um deserto num país próspero e democrático, no meio de um oceano de ditaduras Árabes sangrentas, miséria, Islamismo e corrupção, isso é um escândalo. Deve, portanto, ser intrinsecamente culpado, caso contrário, onde estaria a justiça?

    A injustiça é essencialmente israelita. Nem sequer é um facto, é metafísica. Cem cristãos linchados no Paquistão valem menos, mediaticamente falando, do que um Palestiniano morto. Por que razão a injustiça cometida contra os palestinianos recebe vinte vezes mais ecos do que a injustiça cometida contra os tibetanos, os tâmeis, os cristãos do Sudão, os índios da Guatemala, os tuaregues do Níger, os negros da Mauritânia? Há mais pessoas preocupadas, mais sangue derramado, uma cultura mais ameaçada na sua existência? Na verdade, preferia ser o contrário. O facto de Papua ser invadida por colonos muçulmanos que massacram os papuas .

    Que “Negros Sujos”, nomeados como tais, sejam exterminados pelas milícias árabes em Darfur, mulheres grávidas estripadas, bebés abatidos, o que não suscita a ira do povo. E é uma pena: se concedermos circunstâncias atenuantes de alguém que ataca um judeu por causa da Palestina, então seria igualmente lógico considerar excelente que todos os malianos, senegaleses ou marfinenses de origem ataquem argelinos e Tunisinos.

    O racismo assumido dos sauditas ou dos Emiratis em relação aos negros, índios ou Filipinos, tratados como escravos, não levanta a vingança da tribo Ka, nem dos negros da europa. Por que apenas Israel? A menos que o ódio a Israel seja apenas o filme do bom e velho anti-semitismo; mas não, isso não é possível, é claro.

    Israel, 20.000 km2, 7 milhões de habitantes, incluindo 5 milhões de judeus, é responsável pela desgraça dos árabes, de todos os árabes, sejam egípcios, sauditas ou europeus. Israel é a própria injustiça. Ao varrê-lo da face do globo, ao massacrar os judeus, apagaríamos a injustiça. É bom sentirem-se animados por uma raiva justa. É bom experimentar a alegria de atacar e perseguir por uma causa justa. É por isso que não devemos dizer às pessoas que os dois milhões de árabes israelitas têm o direito de votar, eleger livremente os seus deputados.

    Não lhes digam que Israel apoia financeiramente a Palestina. Não lhes digam que milhares de Palestinianos vão ser tratados em hospitais israelitas. Não lhes digam que a Universidade Hebraica de Jerusalém está cheia de jovens muçulmanas velados. Não lhes perguntem para onde foram os milhares de judeus de Alexandria. Hoje restam trinta.
    Não lhes perguntem o que aconteceu a todos os judeus nos países árabes. Não lhes perguntem se também têm o direito de regressar. Não lhes perguntem Qual é a sociedade mais” mista”, Israel ou Síria. Não lhes digam que, se há muitos pró-palestinianos em Israel, Ainda estamos à espera de ver os pró-israelitas nos países árabes.

    Não lhes digam que o negacionismo ou a admiração por Hitler não são incomuns nos países árabes; que, quando se trata de ilustrar as diferentes culturas com seus grandes textos, a biblioteca de Alexandria escolheu expor, para o judaísmo, o protocolo dos anciãos de Sião; que este ‘falso’ anti-semita é amplamente divulgado nos países árabes.

    Não lhes digam que, do ponto de vista das liberdades, da democracia e dos Direitos Humanos, não só é mil vezes melhor ser árabe em Israel do que judeu num país árabe, mas, sem dúvida, é ainda melhor ser árabe em Israel do que Árabe num país árabe. Não lhes digam que políticos da extrema direita europeia, a quem tanto odeiam, foi mostrar o seu apoio ao Hezbollah, que tanto admiram. Se a maldade de Israel lhes for tirada, o que será daqueles que atacam os judeus, senão brutos sem instrução, estupidamente, tradicionalmente anti-semitas?

    Mas, afinal de contas, ainda podemos tentar dizer-lhes tudo isto sem muito risco. Chamarão o informante de mentiroso, de agente do Mossad, de representante do lobby sionista ou de racista. Terão razão.
    (Texto de Pierre Jourde-abril de 2012)

  10. Muito bem zurzido, que a mão não lhe doa!
    De facto temos andado todos embrulhados e muito bem embrulhados por estes estados democráticos, entre aspas, muitas aspas, que convivem maravilhosamente com os fascismos e as invasões a terceiros para espalhar a democracia; à bomba claro, de que outra maneira poderia ser? E pelo caminho pilham os recursos, tudo em nome do mais alto valor politico de que conhecem o nome. Antes era para expandir a fé e o império, agora é preciso fazer um aggiornamento da linguagem, mas a merda é a mesma.

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