As estrelas do devorismo

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 26/11/2023)


As principais estrelas dos devoristas de Novembro de 75 estão reunidas num ato celebratório em Almada, no Congresso do PSD. A data escolhida é muito apropriada. Estão no tempo certo para celebrar o saque que a contrarrevolução lhes proporcionou, mas argumentam com a liberdade ameaçada e o perigo da guerra civil. Seja. Para mim é matéria dada e para eles é matéria recebida. Voltemos aos nossos bolsos, o lugar onde tradicionalmente trazemos a carteira com todos os nossos cartões, os do dinheiro e os que dizem quem somos, o do cidadãos e o do contribuinte. Para o cerimonial dos devoristas ser perfeito, em vez de um pavilhão em Almada deveriam reunir-se na antiga sede do BPN, na rua Marquês de Fronteira, a grande obra dos devoristas, que hoje são oligarcas impolutos. Mas atrás de uma grande fortuna há sempre um crime. A frase é atribuída de Balzac, e convém recordá-la, porque estes crimes não passam no Correio da Manhã.

O suplemento «Dinheiro Vivo», do Diário de Notícias de 6 de Maio de 2019 apresentava um resumo da situação que está a ser comemorada, como um passo para impor uma ideologia que promova a sua ascensão política ao centro das decisões do Estado e de, a partir dele, ao poder de saque sobre as riquezas nacionais. Os devoristas do 25 de Novembro pretendem celebrar a reconquista da banca e do poder de obrigar o Estado a pagar os riscos dos negócios especulativos, de tornar o negócio da banca sem riscos e com alta rentabilidade. A Banca, é a Banca, estúpidos que se celebra. estamos exatamente no mesmo ponto que levou o fundador da família a confessar o segredo do poder: ‘’Deixem-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importa quem faz as suas leis’’.

Elementos retirados do suplemento «Dinheiro Vivo», do Diário de Notícias. As ajudas do Estado aos bancos portugueses custaram aos contribuintes quase 10% do produto interno bruto, que em 2018 estava nos 201 mil milhões de euros. Em vez de financiar a criação de riqueza do país, a banca nacional tem sido um sorvedouro de dinheiro dos portugueses, numa fatura que não cessa de aumentar. São 17 mil milhões de euros. A fatura foi emitida no fim do ano passado (2018) pelo Tribunal de Contas, detalhando o custo de cada banco alvo de intervenção do Estado na última década. Se acrescentarmos o mais recente pedido de “ajuda” do Novo Banco, a fatura deverá este ano (2019) ultrapassar os 18 mil milhões de euros. Trocando por miúdos, cada português já contribuiu assim com 1.800 euros para ajudar a salvar a banca. No Orçamento do Estado para 2019, o governo inscreveu uma despesa de 850 milhões para ajudas à banca, mas o encargo tem tudo para ser maior, já que o Novo Banco vai pedir ao Fundo de Resolução, que é financiado pelo Estado e pelos bancos, mais 1.149 milhões de euros. No que toca a ajudar bancos em problemas, o nosso país não tem igual entre os seus parceiros europeus. Segundo dados do Eurostat analisados pelo Dinheiro Vivo, Portugal é o Estado com a fatura mais pesada da Europa a 28, registando ainda a segunda maior taxa de esforço relativamente ao produto interno bruto. Só no espaço de três anos, entre 2014 e 2017, os contribuintes portugueses pagaram 12,8 mil milhões de euros em apoios ao setor financeiro, com uma taxa de esforço equivalente a 6,6% do PIB. Portugal gastou mais dinheiro em ajudas à banca do que Itália, uma economia oito vezes maior do que a nossa e que, com 10,5 mil milhões de euros, aparece em segundo neste pouco desejado ranking europeu.

As estrelas do devorismo resultante do 25 de Novembro de 1975 não foram, ao contrário do que se poderia pensar à primeira vista, nem frequentadores do Bar Tamila, nem militares contratados dos Comandos, nem sequer residentes da Quinta da Marinha, nem mesmo cónegos na Sé de Braga, foram o Banco Português de Negócios, o BPN sem fundo, e o Novo Banco. Não foram Eanes nem Jaime Neves, foram Cavaco Silva e Oliveira e Costa, entre outros. O BPN foi o banco do núcleo duro dos devoristas, vale muito mais do que o Regimento de Comandos. O caso BPN refere-se a um conjunto de manobras típicas das ações de assalto sem dor, corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influências, e que conduziram ao objetivo de levar o banco à nacionalização, isto é, a colocar na conta do Estado os prejuízos resultantes do saque. Ao BPN estavam ligados ex-membros dos devoristas reunidos no X Governo Constitucional, chefiado por Cavaco Silva, como Dias Loureiro, José Oliveira e Costa, Duarte Lima e Miguel Cadilhe. Entre as organizações envolvidas encontram-se, além do BPN, a Sociedade Lusa de Negócios e o Banco Insular. O BPN teve até à sua venda pelo governo PSD/PP chefiado por Passos Coelho ao BIC um custo para o Estado Português de 7 mil milhões de Euros. Não foi dinheiro deitado ao mar. Foi comido pelos devoristas que, como parece evidente, têm bons motivos para celebrar. E a maioria lá estava em Almada, lavadinhos e passados a ferro.

O BANIF seria uma das outras realizações dos devoristas de Novembro. O Banco Internacional do Funchal, de Horácio Roque, herdeiro da Caixa Económica do Funchal e com raízes em Angola, surge numa reportagem da revista Sábado como uma máquina onde foram lavados 1,4 mil milhões de euros dos negócios da elite angolana e com extensões ao escândalo Lava Jato do Brasil. Um banco que acabaria por ser intervencionado pelo Estado português, que o vendeu ao Santander no final de 2015 por 150 milhões de euros, apesar de a operação ter envolvido um apoio total de 2,4 mil milhões de euros por parte dos cofres do Estado. Dinheiro que foi parar aos bolsos de alguém que tem boas razões para celebrar o 25 de Novembro.

O nome seguinte na lista de motivos celebratórios do 25 de Novembro é o do BES/Novo Banco, alvo de uma medida de resolução em Agosto de 2014, apoiado pelo então governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, um quadro da área do PSD, quando o Governo decidiu dividir o antigo Banco Espírito Santo numa parte má e numa parte boa, que ficou com o nome de Novo Banco. Desde então o banco outrora liderado por Ricardo Salgado, custou aos cofres do Estado 4,6 mil milhões de euros, valor que deverá aumentar com o «saneamento» do Novo Banco, entretanto comprado pelo fundo norte-americano Lone Star. Uma prática recorrente nos sistemas de oligarquia, a parte boa fica para os oligarcas, a parte má para o comum das gentes.

Na lista de prejuízos o caso mais desastroso para o erário público acaba por ser o do BANIF, como admitiu Mário Centeno, antigo ministro das finanças e atual governador do Banco de Portugal, que em declarações ao Financial Times revelou que, tendo em conta que o BANIF era apenas o sétimo maior banco português, “foi provavelmente o mais dispendioso resgate de um banco na Europa”.

Num resumo que devemos aos devoristas: a reorganização dos bancos após a reprivatização resultante do 25 de Novembro eliminou todos os bancos anteriores, o Banco Português do Atlântico, o Pinto&Sottomayor, Pinto Magalhães, Fonsecas&Burnay, entre outros mais pequenos e eliminou pelo menos dez mil postos de trabalho. No caso do BPN, o mais antigo deste rol, o peso para as contas públicas tem-se prolongado no tempo e não dá mostras de ter chegado ao fim. Segundo o Tribunal de Contas, a fatura da nacionalização do Banco Português de Negócios, em proveito dos acionistas, não tem parado de crescer, mesmo tendo em conta a venda e a criação de sociedades estatais que acabaram por ficar com os ativos da instituição que foi liderada por José Oliveira Costa.

O BPN, o Banco Português de Negócios fez de Portugal um banco de negócios para os devoristas. O BPN é o paradigma do 25 de Novembro de 1975 e da nova classe no poder. No final de 2017, o saldo acumulado das receitas e despesas orçamentais decorrentes da nacionalização e reprivatização do BPN e da constituição e funcionamento das sociedades-veículo Parups, Parvalorem e Parparticipadas ascendia a 4.095 milhões de euros, revelou o parecer do Tribunal de Contas. Aliás, os juízes do Tribunal de Contas admitem que a conta do BPN poderá chegar perto dos 6 mil milhões de euros. Um buraco sem fundo, portanto. É este buraco que Moedas, um antigo alto funcionário do maior banco de investimentos do mundo, o Goldman Sachs e os neoliberais querem celebrar, em nome da liberdade e da democracia! E lá o vimos na Caçada da Ajuda a pendurar uma coroa de flores em memória de militares mortos por uma qualquer causa que não seria, com certeza, a de produzir Moedas! E ficamos por aqui na celebração? Em 25 de Novembro de 2023, celebramos 17 mil milhões de euros engolidos pelos devoristas. mas há ainda as privatizações!

Nos últimos vinte anos, os governos do devorismo, do bloco de interesses vencedor do 25 de Novembro de 1975, decidiram privatizar as mais importantes empresas, empresas estratégicas, à cabeça, a Eletricidade de Portugal (EDP) e as redes nacionais de energia (REN). Estas empresas foram privatizadas em 2011 e tiveram a triste fama de serem maiores privatizações do ano na Europa. Durante 2012, 2013 e 2014, dos devoristas dos governos liderados por Passos Coelho (agora erigido em homem providencial) Portugal ocupou o primeiro lugar no número de vendas a nível europeu e a justificativa política foi a superioridade da gestão privada, combinada com a pressão das instituições europeias para reduzir o déficit e a dívida. Entre 1994 e 1998 a EDP registou mais de dois mil milhões de euros em lucros, em outubro de 2000 o Estado vendeu 20% das ações da EDP, mas apenas 10% da venda permaneceu em Portugal, cerca de 70% das ações foram comprados na Inglaterra e nos Estados Unidos. Entre 2004 e 2009 a EDP entregou aos acionistas em dividendos mais de mil milhões de euros, apesar de acumular uma dívida gigantesca equivalente a cerca de 9% do produto interno bruto português. Em 2015 a EDP continuava no topo da remuneração de acionistas e gestores e a dívida manteve-se aos níveis dos dez anos anteriores. As privatizações da EDP e da REN causaram polémica quando o Ministério Público identificou sinais de tráfico de influências, manipulação de preços e tráfego de informação privilegiada em 2012. Ninguém foi julgado. Em 2011, o presidente da empresa chinesa encarregada de dirigir a compra da EDP (Three Gorges) considerou que a compra era barata e no ano seguinte foi promovido ao comitê central do Partido Comunista Chinês e nomeado vice-governador de uma província chinesa. Durante esse processo surgiram mais irregularidades, a Associação Transparência e Integridade registou que na comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa havia deputados com interesses diretos em empresas envolvidas em privatizações. O Tribunal de Contas reuniu-se apenas com a comissão de acompanhamento da privatização da EDP quando o negócio já estava fechado, e as nomeações para os órgãos sociais da EDP pelo acionista chinês causaram perturbação (um deles, Rocha Vieira, foi o orador principal na celebração do 25 de Novembro na Câmara Municipal de Lisboa!). A EDP foi a empresa que mais dividendos entregou aos acionistas entre 2008 e 2015 (4,4 mil milhões de euros). A maior parte desses lucros resultou das rendas excessivas pagas pelo Estado. A empresa Redes Energéticas Nacionais (REN) integrou o grupo Energias de Portugal (EDP) até 1994, quando foi constituída como uma empresa pública autónoma com a propriedade de redes de transporte de energia importadas e produzidas em Portugal. O Estado deteve a administração da empresa até 2014, quando as últimas ações da empresa foram vendidas e passaram para o controlo chinês. A TAP foi outra importante empresa privatizada. O processo foi objeto de investigação pela Procuradoria-Geral da República devido a suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Também sem consequências. Em 2015 foi anunciada a venda da companhia à Atlantic Gateway, e um ano depois, em 2016, o governo anunciou que está em processo de recuperação de 50% do capital, através de um processo de reprivatização da empresa. A empresa Aeroportos de Portugal (ANA), também foi privatizada em 2012, e vendida à Vinci (uma empresa de construção civil francesa) por 3 mil milhões de Euros.

Este é o retrato do resultado do 25 de Novembro de 1975 que os devoristas, a fação dos negócios da grande frente conservadora está a comemorar como ato de preparação para nova vaga de assalto, agora aos fundos PRR.

É um retrato contabilístico que esquece ganhos políticos e sociais? Não esquece, apenas lembra o que deliberadamente tem sido ocultado. Os ganhos têm sido devidamente celebrados: são apresentados como os benefícios da democracia. Mas foi com um regime democrático que o saque aos bens públicos foi efetuado! E esse facto devia fazer-nos refletir, e a todos os europeus, sobre a qualidade desta democracia. Em que medida a nossa liberdade de expressão de vontade em eleições determina as decisões que permitem a acumulação de riqueza nas mãos de grupos organizados e fora de controlo democrático? Como surgem o BPN e o Novo Banco no regime democrático? Como surgem PPP para autoestradas, pontes e hospitais? Como surgem as administrações dos órgãos de manipulação da opinião pública? Quem controla os cambões entre as grandes cadeias de distribuição de onde saem os preços dos produtos essenciais? Quem controla o aparelho judicial que seleciona os seus alvos?

A grande questão do regime democrático é a tradução da vontade dos cidadãos em atos que determinam a vida da polis. É sobre essa tradução que devíamos estar a discutir. Devíamos, neste 25 de Novembro, como em todos, e nos 25 de Abril refletir como os devoristas chegaram ao poder e não a celebrar o modo como chegaram.

A frase atribuída a Churchill de que a democracia é o pior dos regimes, com exceção de todos os outros, é uma falácia. Cai bem, mas não é verdade. É um logro. A democracia inglesa foi sempre e é ainda hoje o regime de maior sucesso mundial baseado no princípio da servidão voluntária. Basta ler a história de Inglaterra, da sua Grande Revolução, a biografia de Winston Churchill e do fundador da família, no século dezoito, John Churchill, primeiro duque de Marlborough.

A propósito aproximam-se eleições e há o PRR!

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10 pensamentos sobre “As estrelas do devorismo

  1. Senhor fiscal, nunca ouviu dizer que quem vai a guerra da e leva?
    Pessoalmente já o conhecia de outro blog, onde pontificam alguns articulistas igualmente saudosos de outros tempos, e onde também se dedica a insultar divergentes.
    Quando decidiu aparecer por cá vi logo que íamos ter quem se dedicasse a chamar nos os nomes todos, pelo menos aos que não partilhassem o seu amor por outros tempos.
    O senhor fiscal não desiludiu e insultos e até ameaças teem sido o pao nosso de cada dia. E, claro, quem escreve o que não deve tem como resposta o que não quer.
    Reveja lá tudo o que já aqui escreveu e veja lá se tem mesmo motivos para se andar aqui a armar em coitadinho.
    Não o mando ir ver se o mar dá choco porque está um frio dos diabos e não quero que se constipe.

  2. Portugal era efectivamente uma penitenciária, ou melhor, um campo de concentração a céu aberto onde se podia ir preso por dizer que a vida estava cara. E uma vez alguém sendo preso ninguém sabia quando e como sairia.
    Conheci um pobre diabo dos bairros populares de Lisboa que durante 13 anos levou comida para o marido que supostamente estava preso.Nunca lhe foi permitido visita lo. Só depois do 25 de Abril e que ela soube que o marido tinha morrido três dias depois de ser preso. Alguém comia a comida que ela levava, ou deitava fora. Isto sim, é crueldade, isto sim é ser grunho.
    O Alentejo era uma verdadeira terra ocupada por onde as camionetas que levavam excursionistas do Algarve para Lisboa tratavam de passar o mais depressa possível. Porque nunca se sabia o que podia acontecer. Daí fugiam os desgraçados que podiam, criando favelas dantescas na periferia de Lisboa. Essas favelas foram alvo de documentários em televisões estrangeiras, aqui claro que nenhum desses documentários passou.
    A Amnistia Internacional nasceu porque jovens portugueses apanharam sete anos de cadeia brindar demasiado alto a liberdade muma tasca. Se isto não era uma penitenciária o que era?
    Conheci ex militares que se gabavam de atrocidades como matar gente a catanada, matar velhos e espetar as cabeças em paus para que os encontrassem os filhos quando regressassem do campo, enterrar gente ainda viva, se isto não era um inferno de escravatura, o que era?
    Depois nos, que não achamos isto normal, e que somos grunhos.
    Desculpe lá senhor fiscal, mas para mim latrocinio, matanças para extrair recursos, não são grandeza. São barbaridade, são mentalidade medieval.É, lá, esta, ser grunho.
    Nao se trata aqui de doutrinas de coitadinhos. Trata se do direito de todos e de todas a mais elementar dignidade humana. O colonialismo tem de ficar para trás. A nenhum povo deve ser dado o direito de dizer a outro como deve viver, a quem e a que preço deverá vender os seus recursos. Uma coisa que, saudosos do antigo regime nunca poderão entender.
    Por mim senhor fiscal, pode chamar me os nomes que entender. Os insultos servem so para destilar a bílis e a frustração por já não haver PIDE que possa levar os que aqui escrevinham a meio da noite. Não mudam as convicções de ninguém.

    • Conheci um caso… logo defino todo um sistema.
      Houve um tipo que… logo sei o destino de todos.
      Ouvi dizer… logo sei tudo.

      Onde o mal sempre se abriga se a autoridade não for limitada pela lei e pela liberdade, importa apagar todo o bem?
      Construir o presente requer negar o passado?
      É a mentira base do que haja a construir?

  3. “Não terão nada e serão felizes”.

    Klaus Schwab “decidiu que ‘temos de nos habituar’ a uma erosão total da propriedade privada:

    Se não sairmos desta União Europeia, afundar-nos-emos no
    Nacional-Socialismo, do qual Klaus Schwab, o pai de Karl, era um confidente de Hitler.

    É muito simples perceber que o capitalismo, no sentido nobre da palavra, leva de facto à liberdade e independência, e portanto à autonomia, e consequentemente a uma espécie de anarquismo (ainda no sentido nobre). O comunismo, pelo contrário, conduz à privação, e portanto à dependência, e portanto à submissão e ao controlo fácil, e portanto à escravatura. No projecto de dominar e escravizar as pessoas, através da vigilância global em particular (crédito social,euro digital), o caminho assume todo o seu significado, e isso envolve a abolição do dinheiro, por exemplo, para a virtualização de tudo, para nossa segurança, é claro…

    Foram precisos 40 anos para que o sistema se tornasse conhecido e eficaz, à custa da corrupção dos políticos, do lobbying, da organização da pilhagem global do trabalho e dos recursos, da obtenção de margens extraordinárias e da conversão desta economia, pelo menos na aparência.
    Riqueza que nunca foi igualada na história da humanidade, graças a dispositivos que combinam o comércio livre com a coerção maciça através do trabalho forçado para uns, da ociosidade para outros e do desenraizamento de culturas.
    Lamento dizer que o capitalismo persegue os mesmos objectivos que o comunismo, só que mais certos, porque utiliza a coerção suave, o dinheiro, a ecologia, o wokismo, para um único fim.

    Quando um governo está dependente dos banqueiros para obter dinheiro, são os banqueiros, e não os líderes do governo, que controlam a situação, uma vez que a mão que dá está acima da mão que recebe. O dinheiro não tem pátria; os financeiros não têm patriotismo nem decência; o seu único objetivo é o lucro. Bonaparte.

    Quem não tem propriedade é escravo de quem o sustenta. A abordagem “não terás nada” ignora que a propriedade existirá sempre, mas de forma concentrada, com o único objetivo de controlo global por uma minoria.

    Concentrar mais a riqueza, para ser mais eficiente, aumentar a quota de mercado num mundo finito e excluir os inúteis da sociedade.
    Menos actores, menos consumidores, mas mais lucros, monopolizando as consciências e as carteiras das pessoas. A luta da extrema-direita não passa de um disfarce para um projeto completamente diferente.
    E para aqueles que duvidam, a vigilância em massa e o pensamento ortodoxo e normativo acompanham universalmente este processo de domesticação das pessoas.

    Que limites devem ser impostos à propriedade quando um Bil Gates está a comprar toda a terra arável dos EUA, quando as florestas, as praias e as ilhas são privatizadas…?
    Quando tudo for privado, seremos privados de tudo…
    Força e Honra a todos para enfrentar o ataque às nossas vidas e ao nosso modo de vida.

    Para ilustrar o que quero dizer, vejam-se as eleições que estão a decorrer na Europa. Os partidos de direita “antissistema” estão a ganhar vantagem em todo o lado, mais recentemente nos Países Baixos. Além disso, se os Países Baixos saírem da Europa, será o fim da Europa. A esquerda e os Verdes terão prestado um grande, grande serviço à democracia. Agora, os povos da Europa estão a revoltar-se. E com razão. Temos de estar atentos a estes partidos políticos de direita “antissistema”. Não queremos que aproveitem a oportunidade para nos imporem o que a esquerda e os Verdes não conseguiram fazer.

    A queda do Império Romano?

    Para recordar, foi: – a invasão por “quem conhece”; – a difusão de uma “religião que mina a economia”; – o desaparecimento da propriedade privada; – o desaparecimento das estradas; – o desaparecimento da educação, do conhecimento, do saber-fazer, da tecnologia, das escolas, das bibliotecas e dos livros (ver as bibliotecas encontradas em Herculano); – a pilhagem generalizada; – a insegurança generalizada; – o aparecimento de “pequenos potentados locais” que fazem valer a “sua” justiça!

    Em suma: todos os ingredientes para uma futura “Idade Média” estão a encaixar-se!

    O comunismo nunca foi alcançado (exceto talvez na Coreia do Norte, mas duvido). O socialismo, por outro lado, permitia a propriedade privada, EXCEPTO PARA A PRODUÇÃO. As pessoas tinham o direito de possuir uma casa (se o seu pequeno salário ou herança o permitissem), tinham o direito de ter galinhas e coelhos, de cultivar legumes na sua horta. Em contrapartida, não era permitido criar uma empresa, nem trabalhar por conta própria como sapateiro, canalizador, etc. Todos tinham de ter um patrão (o Estado). As escolas não eram excelentes, mas também não eram más (para além da doutrinação), os hospitais estavam muito mal equipados, mas os médicos dedicavam-se aos doentes.
    Mesmo na Rússia, as pessoas podiam construir a sua própria casa, mesmo uma zemlyanka (casa de barro).

    O que nos espera é mil vezes pior, e o socialismo parece quase benevolente em comparação. Uma sociedade de aluguer de tudo, até dos objectos pessoais. Vigilância e controlo maciços da população, como os comunistas nunca conseguiram. Restrições em nome do bem. E até a doutrinação, que terá sem dúvida ultrapassado a da época. Já se vêem os primeiros passos.
    É muito provável que a organização desta situação conduza a uma “rutura”. Duvido que a IA seja capaz de lidar com a falta de organização geral. Durante algum tempo, viveremos de stocks, mas e depois? É provavelmente por isso que muitos países estão atualmente a considerar a eutanásia: os mais fracos física ou psicologicamente serão os primeiros a morrer.

    Enfiar a cabeça na areia, no sofá, e chamar “conspiracionista” a quem tenta acordá-lo é praticamente tudo o que se pode esperar do Português médio, ou do que resta dele, e é terrível porque são essas pessoas que são, de facto, os principais responsáveis pela enorme e iminente derrocada de que continuam a negar todos os sinais de alerta…

    Entre as exigências naturais do mundo, há uma intangível: o instinto de propriedade, qualquer que seja o ser vivo do nosso planeta, nunca sobreviveu a um defeito de propriedade, porque dele derivam todos os outros: segurança, alimentação, reconhecimento, etc. etc. A Rússia Soviética era obrigada a dar aos povos da terra da cultura. Quando um bem não nos pertence, porquê preservá-lo? Os fantoches do Estado profundo, Schwab e outros muito antes dele, têm vindo a difundir teorias fúteis (woke, entre outras) que serão inevitavelmente varridas e esmagadas pelo muro da realidade. O mundo não esperou por eles para ver este tipo de pantomima, que sempre caiu por terra desde que o planeta existe.

    Estamos na mesma linha, que é também da mesma época que a doutrina social da Igreja (católica). Não é uma questão de proselitismo, mas de compreensão.
    A Igreja de hoje não fala muito da sua doutrina social, o Vaticano actual está mais em sintonia com os tempos, digamos assim…

    Durante a grande “doença”, só vi trabalhadores independentes que estavam muito contentes por serem pagos pelo Estado, sem terem consciência de que estavam a participar na sua queda.

    O “salário universal”: a ideia é a seguinte: Para serem competitivas em relação aos países de baixo custo, as empresas devem poder baixar os salários em função da concorrência. Se, por exemplo, o Estado pagar metade do seu salário (juntando todos os subsídios actuais e obrigando-o a trabalhar ou arrisca-se a não receber este “salário universal”), a empresa só poderá pagar a outra metade do salário. Trata-se de uma transferência de custos para o Estado e de uma perda total de flexibilidade para o trabalhador.

    O Estado é o garante da propriedade, mas também pode ser, através do seu banco central, o único verdadeiro proprietário das notas que temos no bolso… Mesmo assim, no nosso país, com o euro, temos de nos perguntar se as duas grandes damas que presidem à UE e ao BCE não têm a sua verdadeira base nacional em Washington!

  4. Os cretinos acreditam no que lhe diz cambada de serviço, como se Portugal fosse uma penitenciária antes de Abril de 74 e a África Portuguesa fosse o reino da escravidão.
    – As misérias revolucionárias, progressistas e democráticas afirmam-se pelo desrespeito ao passado.

    Ao nível individual a tónica é a construção da igualdade pela justificação das fraquezas e o amesquinhamento de tudo que aparente ser grandeza, importa pouco qual esta seja.
    – Todo o frustrado se proclama vitimado, todo o trafulha se diz desvalorizado, todo o ignorante subscreve o que lhe assegure um qualquer coral reverenciador, seja ele de grunhos.
    – Todo o que não manifeste o respeitinho pelo rasteiro ou comezinho é vilipendiado; o que o invoque é prezado.

    Os cultuadores da ‘doutrina dos coitadinhos’, não reconhecendo a grandeza, não a procuram, não a conhecem, não a exigem… e queixam-se? De quê?
    G R U N H O S!

      • Fico a saber que não posso desqualificar os «Os cultuadores da ‘doutrina dos coitadinhos’»
        Já tardava!
        Quantos mais dos que me insultam diretamente foram avisados!

        • V. Exª não desqualifica, a sua oratória arrogante e miserável de conteúdo só pretende ofender. Os arautos da extrema direita não entendem que haja quem aprecie a humanidade e exalte valores que a direita despreza como estratégia interesseira e ataca como prática diária.
          No fim de contas, se não tem aqui diariamente a resposta que a sua bajulice a toda a canalha belicosa mereceria, é porque , em geral, quem aqui escreve artigos ou comentários bem fundamentados numa realidade que vexa ignora por preguiça ou má-fé despreza como esterco as alarvidades que aqui vem expor. Continue assim, até perceber que gente decente não está disposta a reagir aos seus arrotos diários de provocação. Que lhe preste!

  5. O que eu mais gosto nos salazarentos é falarem de liberdade e vida quando sempre que os deixam destroem uma coisa e outra. O que nos garantiu vida foi o nosso exército ter gente decente que recusou o que queriam os fascistas. Que a boa maneira da Indonésia e América Latina toda a gente de esquerda fosse chacina da. Mas a nossa tropa estava farta de massacres por conta de tiranetes e foi isso que nos valeu.
    Liberdade vamos tendo cada vez menos, que o digam os artistas despedidos por criticarem o estado racista e genocida de Israel. Que já prometeu recomeçar o massacre com toda a determinação. Assim que terminar uma trégua que permitiu libertar reféns.
    Que provavelmente só aconteceu porque entre esses reféns estavam estrangeiros que lá estavam a fazer trabalhinhos de corno e pega sempre mal deixar estrangeiros morrer, mesmo que sejam desvalidos de Ásia como os tailandeses. Onde os senhores ocidentais, muito amigos de Israel, vão f*der crianças. Se fossem todos israelitas não teria havido trégua nenhuma e nenhum sairia de lá vivo o que ate daria jeito a vitimizacao dos homicidas.
    Os fascistas adoram falar em vida e liberdade quando não teem qualquer noção do que e isso.
    O patife do Churchill foi um deles. Responsável por massacres na Irlanda e fomes dantescas na Índia. Um canalha bêbado que disse um dia que os indianos eram uma gente horrivel, com uma religião horrivel, que se reproduziam como coelhos por isso se estava nas tintas para se morriam todos a fome. E assim suprimentos alimentares essenciais foram pilhados para encher a mula a soldadesca britânica estacionada na Ásia no que foi à prova das excelentes condições de vida dadas pelo Ocidente a quem tem o azar de viver, ou tentar viver, debaixo da sua pata.
    Ja agora, Churchill foi também o grande impulsionador da criação do estado genocida de Israel e para garantir que os judeus refugiados em Ingalerra para lá iriam tratou de os meter em campos de concentração de onde so saíram para o barco.
    Um canalha que hoje é endeusado porque continuamos a tentar fazer o mesmo em todo o lado. Mas tinha razão quem comparou o Zelensky com tal traste por se tratar do mesmo tipo de patife.
    A sorte de Churchill foi o Hitler. A não ser assim o traste so seria lembrado pelos massacres na Irlanda, as fomes na Índia e a luta contra os direitos dos trabalhadores em Inglaterra.
    Trastes há efectivamente muitos e infelizmente os povos não sabem conhece Los. Foi o nosso caso, o povo votou mal, em quem tratou de devolver a banca aos antigos donos disto tudo. O resultado foi uns teia sem fim de corrupções várias, falencias e, cereja no topo do bolo, a ideia de pôr os contribuintes que se levantam as seis da manhã a pagar isso tudo.
    Mas o povo só tem o que merece. Afinal de contas o que preocupa o bom povo português é o que se gasta em migalhas, nos tais apoios sociais que deitam um remendo na miséria que os donos disto tudo vão criando. Por isso vão continuar a votar mal.

  6. “O que o 25Nov75 lembra aos seus derrotados é deverem-lhe a liberdade, senão a vida.
    Como se querem proclamar herdeiros de 25Abr74, quando só o são do 11Mar75, incomoda-os que lhes lembrem terem sido escorraçados por um povo que se regozijou com Abril.”

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