Afinal, quem deu cabo da Geringonça?

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 24/11/2023)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Alfredo Barroso ver aqui, mormente a critica ao seguinte excerto:

“Alguns anos depois, quando o BE e o PCP deram cabo daquilo a que a direita e o jornalismo malcriados designavam por “geringonça”.

Pelo seu carácter de quase manifesto, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 25/11/2023)


Pode-se tirar um palerma do PS, mas o PS nunca sai completamente do palerma.

Parece que meras 9 propostas PEDIDAS pelo BE e outras pelo PCP para, por favor, poderem justificar a aprovação do orçamento, até então SÓ DO PS, eram uma “intransigência” (palavras do traidor Rui Tavares), uma exigência de “extrema-esquerda” (palavras de vários boys de Direita dentro do PS), ou um “dar cabo da Geringonça” (palavra do ex-PS, aqui comentador, Alfredo Barroso).

Imagine-se só o “escândalo” que seria ter um SNS bem financiado, sem greves e sem urgências fechadas (consequência positiva das 3 medidas do BE para a saúde), ter os trabalhadores portugueses menos empobrecidos, em especial nos tempos de inflação que se seguiriam (consequência positiva das 3 medidas do BE para o trabalho), ou ter os pensionistas menos desgraçados com pensões um pouco menos de miséria. Isso é que não podia ser, isso era “dar cabo da Geringonça”.

Car*lhos f*dam estes atrasados mentais que ainda apoiam o PS desta maneira. Portugal é ultraneoliberal, tudo se privatiza, a desigualdade é pornográfica e crescente, e mesmo assim esta gentinha vota no principal culpado, chama-o de “esquerda” e de “moderado”, eterniza-o no poder, impede soluções da real esquerda – que até existem com naturalidade noutros países do Centro e Norte da Europa, e chama-lhes “extremistas”. Até apoiam uma lei eleitoral de batota, que viola a Constituição, por transformar 41% de votos numa maioria “absoluta” de 52% de deputados, fazem tudo para destruir a real esquerda, para f*der o país, e no final garantir que a alternância se faz com o PS laranja, i.e. o PSD.

E nem um colapso iminente deste esquema, com os fascistas do Chega a dispararem nas sondagens, e um mais que provável governo do PSD mais Passista com os Pinochetistas da IL, nem mesmo isso os faz colocar a mão na consciência e dizer: “- Se calhar fomos longe demais, devíamos ao menos ter negociado meia dúzia de medidas simbólicas com a real Esquerda, em vez de termos ido com a nossa ganância até ao fundo do pote tentar a maioria absoluta, com uma campanha porca e desonesta para destruir a real Esquerda”.

Alfredo Barroso e companhia, se a real Esquerda “deu cabo da Geringonça”, então quem é que deu cabo do país sozinho? Após uma p*ta duma maioria “absoluta” ilegítima e inconstitucional, com desgovernação, casos e mais casos, descontentamento popular, austeridade, perda real do poder de compra como não se via desde a troika, e até um apoio descarado a nazis, a vossa desonestidade intelectual ainda vos faz em 2023/2024 repetir a treta rosa de que se há algum mal, a culpa só pode ser da “extrema-esquerda” que “quer coisas a mais” e não aceita a “responsabilidade” do PS de ter “as contas certas”?

P*ta que pariu isto tudo, pá. Este país não aprende.

Controlo de rendas, fim dos Vistos Gold, limite ao alojamento local, proibição de estrangeiros comprarem casas para especular, fim das borlas fiscais aos expatriados, mais habitação do Estado? Não. Isso (coisas que existem na Alemanha, Áustria, e em todos os países nórdico) é “intransigência” da Esquerda, é “dar cabo da Geringonça”. É melhor a especulação e a bolha no imobiliário, ter famílias despejadas, bullying a moradores idosos, segregação nas cidades com base no tamanho da carteira e, depois de culpar a real Esquerda, entregar o país à Direita ainda mais à direita, com o apoio de salazaristas e pinochetistas, para acabarem o trabalhinho iniciado pelo PS.

Salários reais com poder de compra que acompanhe a inflação? Nem pensar…
Leis laborais que acabem com a precariedade? Blasfémia… Promoção do sindicalismo (como o sistema Ghent dos belgas e dos nórdicos)? Ui, que escândalo…

Fechar o offshore da Madeira? Isso seria ser inimigo das empresas…
Medidas reais de apoio aos jovens trabalhadores? Não, o que é preciso é menos IRS para os bodes ricos…

Empresas estratégicas ou monopólios naturais nas mãos de um Estado soberano? Ora essa, o que é preciso é a Vinci ser dona da ANA, a Three Gorges ser dona da EDP, a Lufthansa ser dona da TAP, etc.

Acabar com a miséria das pensões baixas de forma a todos terem dignidade na velhice? Nah, o que é preciso é aumentos de 700€/mês para os juízes, essa classe recordista da produtividade…

E que tal transportes públicos gratuitos para todos os portugueses (em vez de só passes sociais para os das cidades)? Era o que faltava, ainda vamos mas é aumentar o IUC para quem tem carros velhos… Comprem Ferraris novos, se quiserem…

E pronto, fico-me por aqui no desabafo de hoje. E a última frase é o “Não têm pão? Comam brioches” das Marias Antonietas rosas. Como é que trastes destes algum dia podiam gostar do que quer que seja defendido pela real Esquerda? Só gostava de ter uma máquina do tempo para levar estes trastes para o meio da rua no pós-25 de Abril. Seriam os próprios socialistas de então a dar-lhes uma lição e a chamar-lhes fascistas. Ou, dito de outra maneira, se estes pêesses de hoje fossem levados para o Parlamento em 1979, teriam votado contra a Lei de Bases da criação do SNS ao lado da direita reacionária.

E algo me diz que estes “socialistas” de agora, tão amigos de UkraNazis e naZionistas, teriam estado também presentes na base das Lages ao lado de Barroso e da corja do império genocida ocidental (o imperador Bush, o sub-imperador Blair, e o vassalo Aznar), para apoiar a “operação militar especial” contra os “terroristas” do Iraque…

E um dia destes o querido líder A. Costa ainda acaba no tacho da Leyen ou no do Stoltenberg, ou o Centeno no tacho da Lagarde, a repetir a mesmíssima cartilha belicista NeoCon e fascista NeoLib a troco de uns bons dólares…

Mas, hei, não se esqueçam que a Esquerda real é que “deu cabo da Geringonça”… Onde é que já se viu, partidos pedirem meia dúzia das suas próprias medidas, a troco do seu voto no orçamento dos outros… Que “intransigência”, pá. O que é normal é um partido minoritário ter o direito divino a aprovar o seu, e só seu, orçamento sem negociar nada com ninguém… Democracia é o PS mandar e não se fala mais nisso, pá.

Realmente, Alfredo Borroso e Rui Tavares e companhia: “abaixo a Esquerda” e “abaixo a paz”, “viva a oligarquia, viva o batalhão Azov, vivam as IDF”, e “em nome dos EUA, da NATO, e do N€oLiberalismo, Amén”.

Noutra nota, é giro (sem ter graça nenhuma) ver que nem mesmo após uma prostituta (Isabel Pires) do BE ter ido a Kiev apoiar a ditadura UkraNazi e a genocida NATO, nem mesmo após a outra prostituta (Marisa Matias) ter dito sim às armas e mais armas, nem mesmo assim os do costume dão descanso ao BE. Pensavam o quê? Que iam ficar eternamente gratos ao BE e passar a tratá-lo como um dos colaboradores do regime? Passar a tratá-lo de forma mais positiva do que tratam os “malvados” do PCP? Se pensaram, enganaram-se redondamente. Vocês até podiam abrir sede permanente do BE em Kiev, que mesmo assim iam continuar a ser a “extrema-esquerda” “intransigente” e “irresponsável” que “deu cabo da Geringonça”, e que é melhor os portugueses substituírem-na pelo Livre. Isso, sim, é a “esquerda” que o regime gosta e que a NED financia. Mesmo que haja austeridade, fascismo, nazismo, guerra, etc, lá estão eles, prontos a ficar com o eleitorado do BE e a usar esses votos para aprovar orçamentos do PS a troco de nada.

Tudo o que descrevi é a morte do 25 de Abril, e Alfredo Barroso faz parte do grupo dos assassinos. Não é dos que dispararam os tiros, mas é dos que ficaram ao lado a ver.

E bastou-me uma só expressão “deu cabo da Geringonça” para saber isto tudo, pois revela tudo: 23 anos de €uro-ditadura, 4.5 milhões de pobres antes de apoios sociais, salários que não dão para arrendar uma casa em Lisboa. Abram as garrafas de champanhe! O objetivo foi atingido. A riqueza está toda novamente nas mãos só de alguns. Que se lixe o 25 de Abril, viva antes o 25 de Novembro. Que se lixe o Dia da Vitória a 9 de Maio, viva antes o Dia da Europa. E viva a CIA, viva o Bilderberg, viva Davos! Viva a Raytheon e viva a Lockeed Martin! Viva a BlackRock e viva o FMI…

E, nem um dia de luto, para os heróis da liberdade que derrotaram o Salazarismo. Pois claro, fizeram o que não estava nos planos. Sabe Deus o que tem custado aos rosas e laranjas andarem com os cravos na lapela a fazer de conta todos os anos…Tudo isto é o que eu vejo quando leio que a Esquerda real é que “deu cabo da Geringonça”.

Alfredo Barroso, a mim não me enganam mais. Destruam o país tanto quanto quiserem. Com morte lenta ou acelerada.

Ponham 90% do povo a pão e água.

Privatizem tudo. Mudem o nome para Portug-all S.A

Ilegalizem os sindicatos e as greves.

Censurem a TeleSur e o Avante.

Ponham o IRC a zero.

Reabram bairros da lata nas periferias das cidades.

E gastem 2 ou 3% do PIB a financiar a máquina de guerra genocida.

Chamem “intransigente” a quem pede salário para pagar as contas ao final do mês.

Chamem “moderado” a quem apoia Nazis.

Tirem a quem é pobre para dar a quem é banqueiro.

E se PS e PSD descerem ainda mais, deem a maioria absoluta a quem só tem 25% dos votos. Façam o que quiserem. F*odei-vos uns aos outros que a mim não me f*deis mais. Emigrei e não volto.


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8 pensamentos sobre “Afinal, quem deu cabo da Geringonça?

  1. Excelente!

    Não entrem em pânico, este é o triunfo dos alquimistas, a transformação do chumbo em cobre!

    No fim de contas, custe o que custar, é apenas uma fachada…
    O despertar social após as eleições será provavelmente grandioso….

    O objetivo é prolongar um pouco mais o sistema, e é por isso que vemos cada vez mais leis que destroem a liberdade…
    Estamos a caminhar para uma abordagem da situação económica e social mais radical do que a dos poderes instituídos, que tudo farão para a manter.

    Os meios de comunicação social nunca param de nos dizer o que pensar; e mesmo que toda a gente se vanglorie de não os “ouvir” (no sentido da minha mãe: “fazer/pensar o que eles nos dizem”), o facto é que eles nos influenciam porque quando falamos com os outros, no coletivo, são os termos, o vocabulário e a agenda dos meios de comunicação social que se impõem na discussão.
    É assim que as coisas são.

    Consciente ou inconscientemente, os Portugueses evitam votar. É óbvio que a culpa é das muitas listas, que “perdem” eleitores. É mais subtil: uma vez eleitos, fazem o que querem, por que razão haveriam de apoiar abusos, esquemas e corrupção? Os grandes e os bons deste mundo não correm grandes riscos de sanções. Ultimamente, só os presidentes de câmara são legalmente responsabilizados e, por conseguinte, passíveis de processo. Por outro lado, quando vemos minorias políticas ou outras a tomar decisões, a votar leis com dez por cento dos presentes no hemiciclo, os impotentes preferem abster-se.
    Deixemos de nos deixar ensurdecer pela “democracia”, que em Portugal desapareceu há muito tempo!

    Está na moda castigar os abstencionistas. Sejamos claros, eles são inconscientes e totalmente responsáveis pela incrível destruição da nação Portuguesa.
    Os extremos não é em si um sentimento negativo, mas é a exploração desse sentimento pelos nossos políticos demagógicos que está na origem das guerras passadas.

    Mas , piores problemas persistirão : eleitos com 75% ou mesmo 5% dos votos dos Portugueses com direito de voto, as autoridades terão o direito legítimo (mas não moral) de afundar cada vez mais Portugal.

    Não importa. Para aqueles que têm um mínimo de preparação, é urgente que o sistema euro-dólar entre em colapso para que possamos começar de novo numa base mais sólida. Haverá uma transferência de riqueza.

    Não se tratará apenas do Grande Reset,mas também de um fim do sistema.

    Défice democrático, sim, mas não só.
    Há muito tempo que os nossos políticos são marionetas desarticuladas, que podem ainda ser um pouco ilusórias a nível interno, mas que já não interessam a muita gente para além das nossas fronteiras, assumindo-se sempre como aquilo que já não são.
    Os nossos políticos, que pensam e decidem por nós, que nos vendem as suas manobras e outras artimanhas “porque é para o nosso bem”, excluindo-se desde o início deste pântano, são sintomáticos de uma casta que quer assegurar a sua sobrevivência a todo o custo, “custe o que custar” aos outros.

    Os nossos políticos são eleitos de acordo com as regras de um Estado democrático. Eleitos, estão dentro da lei, mas, neste caso, não são legítimos. As pessoas não estão todas enganadas, algumas estão mesmo desesperadas. Diz-se que a esperança é a força vital, mas será que o contrário também é verdade? É uma questão filosófica, mas, entretanto, políticos sem escrúpulos estão a conduzir-nos para o abismo de forma bastante legal!

    Pessoalmente, penso que a República Portuguesa deixou de ser uma democracia . Não sendo um grande anglófilo, tenho de admitir que o único grande país europeu onde o povo tem sempre uma palavra a dizer e é respeitada….. é a Suiça.

    Contrariamente às afirmações de certos políticos, os Portugueses compreendem muito bem o sentido de uma eleição. A abstenção é proporcional à insuficiência e à impotência, voluntária ou não, da nossa classe política, que se está nas tintas para o povo (exceto quando precisam dos nossos votos!).
    Há mais de 30 anos que o povo avisa os fanáticos que teimam em não ver. As cabeças acabarão por rolar, de uma forma ou de outra…

    É preciso dizer que, neste país, as posições de um lado e de outro demonstram mais uma vez que, façamos o que fizermos, a sorte está lançada.
    O que é inédito e angustiante é o facto de nos encontrarmos numa atitude nunca antes vista, ou seja, votamos (ou a não votamos) CONTRA um sistema, quando em todas as eleições votámos A FAVOR de um partido, de uma mudança, etc…
    Sim, não estou preocupado com todas essas pessoas nos seus lugares confortáveis, o seu futuro está garantido.

    Há muito tempo que as eleições deixaram de ter sentido! Os eleitores não se identificam com as promessas, as mentiras, o desrespeito pelo voto do povo, o enriquecimento pessoal, o clientelismo, etc. Em conclusão, “não vale a pena votar” dizem a maioria. Quando os Portugueses vêem as alianças escandalosas, já não acreditam. Democracia, uma palavra que agora só existe no dicionário sob o título de “velhas luas” obsoletas.

    O descontentamento dos cidadãos vai fazer o jogo dos apoiantes da globalização (entre os quais não me incluo, mas não dos poderosos!).
    O desinteresse pelo seu futuro mostra claramente que se estão nas tintas para serem governados por qualquer um deles.
    Temos os governos que merecemos ….

    Com a “unção do sufrágio universal”,os representantes políticos não são impotentes, eles continuam a implementar nas nossas vidas aquilo que desejam ou querem alcançar. Isto é tão claro e tão visível que só aqueles que NÃO QUEREM ver é que não o compreendem. A maioria dos Portugueses continuam a recusar-se, consciente ou inconscientemente, a ver a realidade e a dormir em frente à televisão ou ao telemóvel, etc., para manter o conforto material.

    Parece que aqueles que mais se mobilizam para as eleições são os apoiantes do status quo . Acima de tudo, não querem que nada mude.. A mudança acontece muitas vezes quando os jovens constituem a maioria da população, mas Portugal é um país de velhos que só querem morrer em paz. Velhos que não têm nem a coragem nem a vontade de mudar as coisas, e muito menos o desejo de o fazer. Mesmo que os jovens Portugueses, na sua maioria atordoados, acordassem, seriam rapidamente refreados pela maioria imóvel. Infelizmente, penso que estamos a caminhar mais para uma ditadura do que para a próxima liberdade.

    Quando um país deixa de ser soberano, as eleições são um baile de máscaras e servem apenas para eleger alguém que manda pouco ou nada. É óbvio, não é? Portugal não controla a sua política orçamental e Monetária e está sujeita aos ditames de Bruxelas (ou melhor, Berlim, porque é Berlim que dá as ordens na UE).

    É óbvio que eles não dirigem Portugal, eles tomam suas ordens na Europa. O seu domínio sobre os meios de comunicação medíocres e mentirosos é insuportável. Estas eleições vêm depois da comédia da Ucrânia que está a rachar por toda a parte e das medidas liberticidas que permite evidenciar conluios ocultos, conflitos de interesses e, finalmente, trazer à luz um sistema que mantém a máfia e não a República. Os fanáticos podem contar com o apoio total e incondicional da justiça,o principal pilar do regime.

    Tudo isto conduz naturalmente à abstenção.

    É óbvio que as leis da república não estão mais adaptadas à nossa sociedade, seria mais do que tempo de democratizar realmente a Constituição. É verdade que a maioria dos políticos tem prazer neste sistema a seu favor. E podemos compreender que uma parte do eleitorado, que não se sente representada, não votará.
    No entanto, os Portugueses ainda têm a liberdade de colocar o voto nas urnas (por enquanto), para expressar sua insatisfação com esse gesto. Por que não o fazem, por que não cumprem o seu “dever de cidadão”? Esqueceram-se de que uma sociedade trabalha com trabalhos de casa? E que é necessário assegurar o vínculo social através de certas obrigações e que o individualismo desenfreado leva à desintegração do cimento social.

    Os políticos poderiam continuar a mudar o rumo das coisas, não fizeram nada, é tarde demais.

  2. Eu sei que o voto da emigração é uma coisa muito estranha tal como já vai sendo o voto por cá pois que os malfadado círculos eleitorais favorecem os grandes partidos e destroem os pequenos. E a ideia foi mesmo essa, dito por um artista que se converteu ao fascismo, reduzir o partido comunista a níveis europeus. E isso foi conseguido.
    Depois o círculo da, emigração tem apenas quatro votos e infelizmente são poucos os que votam a esquerda. São as políticas de direita que os arrancam da sua terra mas eles tratam de votar nos que os condenam ao exílio. Um síndroma de Estocolmo que não entendo bem mas é provável que nas próximas eleições metade dos votos da emigração vão para o Chega e a outra metade para o PSD.
    So disse isso para lembrar ao salazarento que anda aqui só para chatear que não é por alguém estar emigrado que está morto para esta terra e este povo. Que as suas opiniões e a sua voz continuam a ser ouvidas.
    Infelizmente andam por cá e na Diáspora portuguesa muitos salazarentos como ele. E isto tem tudo para correr mal a 10 de Março. Claro que, da perspectiva dos salazarentos, tem tudo para correr bem.
    Uma coisa é certa, nenhum governo apoiará mais nazis e sionistas que vivem há quatro mil anos do que este já fez.
    E um raio que parta quem repetir a blasfémia horrenda e cruel que somos todos israelitas.

  3. Descansa meu fiscal da treta. O homem pode ter emigrado mas não deixa de te chapar verdades no focinho e tem direito a voto, tal como, infelizmente, tu também tens.
    Eu emigrei também e voltei, e ainda bem que arrependimento não mata. Porque isto é um país onde há demasiados fiscais idiotas. Mas sabes uma coisa, se os patifes em que tu votas voltarem a mandar nisto ainda vou a horas. Vai ver se o mar dá choco.

    • «e tem direito a voto»

      Será que tenho? Eu votava em Coimbra, onde já só se elegem 9 deputados. Nunca na vida consegui eleger um único representante. Com 65%..70% os PS/PSD ficam com 100% dos deputados. Houve um ano em que o BE lá elegeu um deputado… logo calhou no ano (2015) em que votei no Livre. O meu voto em Legislativas foi SEMPRE parar ao lixo. É assim que se fazem depois as maiorias de 52% de deputados só com 41% de votos. Por cada dezena de milhar de votos nos partidos pequenos atirados ao lixo, lá vai mais um tachinho para um qualquer deputado rosa/laranja que não recebeu voto nenhum.
      Esta lei eleitoral é uma violação descarada da Constituição da República Portuguesa.

      E agora que emigrei, ainda é pior, são 2 deputados a dividir por todos. Ora vai um para rosas e outro para laranjas, ou vão os dois para uma dessas cores (depende dos ciclos). Todos os outros votos vão para o lixo.
      Mas não tendo eu vontade de regressar, faço o que me diz a consciência: não voto nas políticas com as quais não terei de levar. Quem ficou (ou quem emigrou há pouco tempo e quer regressar) é que tem direito a votar.

      Uma lei eleitoral de uma democracia tem de ter várias coisas que a actual não tem:
      – um voto vale um voto (isto está na Constituição, mas é violado);
      – todos os votos contam (o Método d’Hondt actual e a distribuição por circulos eleitorais faz com que entre 700 mil e 1 milhão de votos sejam literalmente ignorados, é como se aquelas pessoas não tivesse ido votar!);
      – possibilidade de voto preferencial em deputados (em vez de ter de votar nas listas feitas pela “amigo-cracia” partidária… que é como quem diz, a Boy-cracia, se bem que em Português se devia escrever com ‘i’ em vez de ‘y’…);
      – voto preferencial num determinado partido de uma coligação (tal como em Itália);
      – votos proporcionais (tal como diz a Constituição), i.e. se um partido tem 41% de votos, tem de ter 41% de deputados, nem mais nem menos. Isto faz-se como nas Regionais dos Açores: a simples criação de um círculo de compensação.
      E num país com o desequilíbrio territorial actual, há uma coisa da Constituição que merece revisão: o voto não pode ser 100% proporcional entre regiões, deve beneficiar até certo ponto as regiões menos povoadas, e assim eleger menos deputados nas grandes cidades. Até que ponto estas distorção na proporcionalidade deve ser feita, é um debate que deve ser feito na sociedade civil até se chegar a um consenso. A alternativa a isto é diminuir o nº de círculos eleitorais, e fazer só meia dúzia (4 no continente mais 2 círculos das ilhas) onde se eleja um número semelhante de deputados em cada círculo, garantindo-se assim uma representatividade igual para os eleitores de cada um desses círculos.

      Mas em vez disto, em vez de um debate sério e realmente democrático sobre a lei eleitoral, o que se vê e ouve vir das bocas dos partidos? É só blah blah, não se mexe nisto, ou blah blah círculos uninominais para promover ainda mais a doença do bi-partidarismo que mata toda e qualquer democracia, como aconteceu nos EUA, e blah blah dêem-me a maioria absoluta que é para governar com “estabilidade” sem ter de negociar com mais ninguém durante os 4 anos em que uma só cor trata das negociatas todas…
      Aqui, pelo que sei, e honra lhes seja feita, Livre e IL têm sido promotores deste debate. Ao menos isso.
      E ao que sei, BE e PCP/PEV travaram o PS de durante a Geringonça se atrever a negociar com o PSD a aberração que seriam os círculos uninominais. Honra lhes seja feita também por isso.

      Cara Estátua De Sal, o desabafo foi de tal forma que nem me contive nos termos, nem mesmo para designar pessoas do BE em quem outrora votei… Mas enfim, faço questão se chamar os bois pelos nomes. É lidar.
      Nunca pensei que fosse escolher tal coisa para publicar no seu blog. Mas já que o fez, obrigado, mais um vez, pelo reconhecimento.

      Agora vou ali ao sindicato falar com alguns dos democratas pró-trabalhistas que “deram cabo da Geringonça” nos países Nórdicos e Bélgica, e que ao implementarem um Sistema de Ghent, fizeram destes países umas autênticas “Venezuela Estalinista” com entre ~50% (Noruega, Bélgica), os 60%..70% (Dinamarca, Finlândia, Suécia) e ~90% (Islândia) de sindicalizados que assim garantem o poder negocial para exigir bons salários. Vou-lhes perguntar porque é que não são tão “inteligentes” como os A.Barrosos, R.Tavares, A:Gomes e companhia, e não preferem antes viver num país como Portugal só com ~10% de menos de sindicalizados e com salários de miséria e já quase sem direitos laborais de facto e onde o Estado já quase se demitiu de ter iniciativa. Se calhar vão-me dizer que só não emigram para Portugal porque tem impostos muito altos em relação aos países deles e que o que gostavam mesmo era de ver A.Costa a fazer “reformas”, ou o Montenegro, Ventura, e Rocha a governar de forma “liberal”… hahahahah

    • Não, os médicos estavam em greve e as urgências fechadas…

      Por falar em desinvestimento, vamos para 2024 e 15% dos Portugueses ainda não têm saneamento básico.

      Os que “deram cabo da Geringonça” apenas pediam (nem sequer exigiam) para que o governo do PS pelo menos executasse o investimento que estava orçamentado.

      A prioridade foi dada ao descer da dívida pública e à redução do IRS, e como resultado disso o país é agora um paraíso, os salários são altíssimos, e os tais 15% que continuam sem saneamento básico até cagam com mais satisfação só por saberem que a sua fossa permitiu ao Centeno e ao Medina serem reis das cativações no investimento…

      Que triste país.

    • Às Segundas, Quartas e Sextas, és UkraNazi, belicista, e golpista
      Às Terças, Quintas e Sábados, és naZionista, pró-Apartheid, e pró-limpezas étnicas.
      Aos Domingos és Fascista, Pinochetista, NeoLiberal.
      Todos os dias és vassalo de imperialistas genocidas, e capataz de Euro-ditaduras.
      E para ti, “liberdade” é a elite económica mandar sem o povo saber a verdade nem ser representado nem soberano.

      De uma coisa assim, qualquer insulto é uma medalha. Obrigado.

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