O Quarteto de Kiev — Três tristes e um outro coitado

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 17/06/2022)

A ida a Kiev do trio de dirigentes europeus que representam o antigo coração da Europa, o império de Carlos Magno: a Gália, a Germania e a Lotaríngia teve aspetos de cerimónia de Extrema-Unção, ou de exibição de homens estátua. A viagem a Kiev dos três chefes de governo e de Estado da França, da Alemanha e da Itália significa a desunião da União Europeia. Há dias tinha passado por lá a presidente da Comissão Europeia. Tratam, ou trataram de quê com o coitado do Zelenski, que já deve ter percebido que representa o papel do marido enganado, mas ninguém tem coragem de lho dizer e, pelo contrário, vão lá bater-lhe nas costas. Fazê-lo mexer e abrir a boca, ou dar-lhe corda.

A imagem de Zelenski como um boneco articulado parece-me real.

Mas os três tristes que apareceram numa fotografia em amena cavaqueira numa carruagem de comboio em trajes de turistas, um deles até de jeans, também não são mais que pobres diabos postos fora de jogo. A guerra na Ucrânia trava-se entre a Rússia e os Estados Unidos. A União Europeia é apenas uma serventia para os dois contendores. Um trio que faz umas animações à frente da cortina do palco nos intervalos entre atos.

O Quarteto de Kiev, com ou sem acompanhamento de funcionários como Ursula Van Der Leyen, Borrel, ou Charles Michel não tem qualquer instrumento de atuação, empenharam-nos, e não tocam qualquer música. Talvez tenham umas gravações, talvez assobiem para o ar, talvez façam play back, ou Karaoke! A UE é um grupo de Karaoke!

Entretanto há outra instituição da União Europeia que, como dizem os brasileiros, também se escafedeu: o formigueiro que se reúne no edifício transparente do Parlamento Europeu.

O que dizem aos eleitores os deputados europeus sobre a guerra, as sanções, as soluções, o presente, o futuro? Nada! Aos costumes dizem nada. Elegemo-los para quê?


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24 pensamentos sobre “O Quarteto de Kiev — Três tristes e um outro coitado

  1. A europa é como um grande navio,! Mas quando a tripulação não fala a mesma língua, torna-se difícil pilotar.
    Dois capitães concorrentes, alguns marinheiros que ficam presos enquanto outros manobram e, como um presente, uma enorme tempestade em curso.
    Se ela se afundar, afundaremos com ela, e isso não é, espero eu, o que os detractores cegos querem?

    A única situação que interessa ao povo dos pobres é não perder as suas poupanças, se as tiver, ou não ter qualquer dinheiro retirado da conta bancária, sem qualquer explicação na altura, mas prevista pelo artigo 40 da Constituição Europeia, o que lhes permite atingir o povo dos pobres!

    “A pandemia deixou vulnerabilidades duradouras na economia da zona euro. Inventar uma pandemia é uma coisa boa, mas culpá-la por tudo é a última gota: “não somos nós, é a pandemia!

    Era de esperar e apetece-me dizer que se trata de uma “boa guerra”.
    Os nossos líderes estão realmente a viver no mundo dos ursos: eles continuam a entregar armas em nosso nome, não fazem nenhum esforço sério para parar os combates, e ficam surpreendidos quando lhes cortam o fornecimento de gás…..
    Pode pensar o que quiser sobre Erdogan, mas neste momento ele está a fazer o trabalho para o qual é pago: defender os interesses da Turquia e não os dos outros. Como resultado, a política externa da Turquia é muito mais coerente do que a dos anões europeus…. Moscovo já viu isto!

    Foi Van der Leyen que, como um grande estratega, anunciou no início de Maio que, em 6 meses, a Alemanha deixaria de importar gás russo, para não enriquecer Putin
    Putin respondeu: “Porquê esperar tanto tempo, vou cortar-te a gasolina agora, feliz Ano Novo?

    Os ocidentais anunciam que dentro de alguns anos vão passar sem gás russo. Assim que os russos cortam nas entregas, choram ! Estamos numa guerra económica desencadeada pelo Ocidente, pelo que não devemos ficar surpreendidos com a retaliação do inimigo. Além disso, o ataque é a melhor defesa, que é o que os russos fazem.

    . Geopoliticamente, os EUA ou a Nato, como preferirem, já perderam economicamente, a China pode esmagar os EUA a qualquer momento com os títulos do tesouro dos EUA à sua disposição. Basta premir o botão de venda e terminar o jogo! A China e a Rússia são os novos senhores do mundo porque têm as armas destrutivas e as armas económicas que fazem a diferença. Mas todos têm o direito de pensar o que querem ……… de momento …….

    • O Andrézito vai esgalhando umas “segóvias” a pensar na vitória da URSS. Ele que se venha depressa, antes que a maré vire.

      • Que pobreza JL. O André ao menos escreve linguados, como diziam os velhos tipógrafos. Tu escreves nada, pelo que, quem leva o Oscar de maior onanista do comentário na Estátua de Sal? O JLAA, of course!

      • Não costumo contra atacar,porque até tenho informação privilegiada,não vivo em Portugal,nem preciso de baixar de nível.

        Luto por uma vida melhor,mas o objectivo é falar ou escrever aquilo que a comunicação social não escreve por medo e ajudar os pobres a ter uma visão política e social mais ao longe…Eu não tenho medo, não dependo da função publica,nem de nenhum partido politico,trabalho no duro,muitas vezes com neve a cair em cimas das costas.(Imaginem)

        Como vivo na europa tenho acesso a informação que até os governantes portugueses não a tem,por isso não é qualquer doutorado politico,ou qualquer ciêntista politico que me engana sobre as intenções das elites com a europa..

        Terá de bater no fundo da piscina para poder voltar a levantar (metaforicamente falando, claro…) Em termos concretos, é este colapso global que nos vai forçar a reconstruir algo mais. Não haverá meias medidas…

        O que se passa, é o rum que lhe bateu na cabeça? Muitas vezes concordo com o que diz que é necessário que isso mude e que haverá mudanças, mas se o ouvirmos, é um meteorito do mesmo tamanho que o solo que nos cai! Este rapazf az-me pensar num bobo da direita que “raramente se engana”..

        Poderia ser objecto de um artigo este Verão,a noção em psicologia de “negação”, a recusa de aceitar uma situação (morte, ruptura sentimental, perda de trabalho da “função publica”, etc.).
        Não é uma questão de educação, é uma questão de aceitar o “real” que vem, daí a tendência para se refugiar em neuroses ou paraísos artificiais. Mesmo quando o colapso estiver aqui, a maioria das pessoas como voçê não vai querer vê-lo…

        Dito isto, repito: a solução não virá dos políticos. Como Reagan disse, o problema é o Estado, não a solução.
        O mais provável é que o colapso tenha começado, mas não sabemos a que velocidade isso irá acontecer.

        Em qualquer caso, sobre este assunto, as nossas acções como povo Portugués em relação ao resto do mundo não terão qualquer impacto, excepto como masoquistas.

        Sem contar com a proibição pura e simples de circular para os veículos de mais de 20 anos, ataca-se lenta mas seguramente a livre circulação hoje em dia. Em breve fecharão a cortina de ferro. A liberdade de movimento só é possível se a pudermos pagar, com o petróleo a ferver não precisaremos sequer de a proibir. Não vê as pessoas que morrem de frio em casa todos os anos? Não vê os ataques contra caçadores, contra comedores de carne? Não vê o lobby dos direitos dos animais militando contra a morte de animais? Demasiado violentos. Não vê estes corajosos veganos fazendo-nos sentir culpados por defendermos a causa animal. Mas as mesmas pessoas que defendem o aborto… Não vêem a privação da liberdade? E nem sequer falámos sobre o controlo de natalidade caro a Bill Gates. Crises e carências são fabricadas para tornar o inaceitável aceitável. Encontramo-nos no meio de uma manipulação mental global. Viva o mundo mais verde, o mundo mais limpo. O mundo da criança escolhida. Viva o mundo do novo homem aumentado eléctrico e conectado (esqueci-me que o teletrabalho é bom, mas é como o dinheiro, nada real, algo que nos multiplicamos, mas sem nada físico, nada palpável. Vamos construir casas ou cultivar em teletrabalho e vamos ver)

        E o que se faz quando já se tem um estilo de vida drástico desde que se começou a ser independente na vida, quando se tem os meios para viver mais do que ricamente? Comete suicídio para arranjar espaço para os outros?
        Bem, não! Preparei-me para esta catástrofe que não será o fim do mundo, mas o sofrimento de todos aqueles que não estão preparados para ela, aqueles que não conheceram ou que esqueceram a modéstia do estilo de vida dos anos 60, mas um fornecimento de água da chuva filtrada e mineralizada por este filtro que era a água potável da casa, roupas que se usava até já não se poder coser ou consertar, a compra de alimentos nas lojas locais, materiais do artesão local, da loja de ferragens local, etc. Uma economia de proximidade, bens de consumo de qualidade (por exemplo, roupas que foram usadas durante muito tempo, aparelhos que frequentemente podiam ser reparados por si próprios), poucos carros e um máximo de um por agregado familiar, férias não muito longe para aqueles que podiam viajar um pouco, poucas férias, mas sobretudo o tempo para viver com os outros sem ter de perder tempo em viagens intermináveis, nenhuma ou pouca televisão mas noites de discussão espontânea, liberdade. Hoje em dia, tem de marcar compromissos para tudo e pagar por eles, incluindo as suas relações pessoais, que se tornaram nada mais do que uma rede de recursos. Felizmente, ainda existem alguns bolsos humanos de ajuda mútua. Como disse Junger, “os sobreviventes serão aqueles que souberem lidar com os meios à sua disposição”. Portanto, vou conseguir com os meios ao meu alcance, e muito mal para os outros. Continuarei a gozar a vida ao máximo e lixar todos os condenados. Só haverá escassez para aqueles que não conseguem andar, que não conseguem falar a não ser por telefone, sms, internet, que não conseguem cultivar uma salada, não conseguem ordenhar uma cabra e fazer um queijo, não conseguem fazer nada com os seus dez dedos. Por outro lado, já devemos estar armados para lidar com as centenas de milhões que só sabem viver dando ordens ou executando-as e que geralmente ocupam cargos de decisão e executivos que não são directamente produtivos na vida económica. Estes não-produtores (parasitas da sociedade) serão uma massa perigosa para todos aqueles que ainda sabem produzir o que é necessário para a nossa sobrevivência.

        Tenho 53 anos,já fiz parte da extrema pobreza,e quanto ao resto, uma vez que ainda estamos vivos e desejamos aos nossos filhos “toda a felicidade do mundo”, a verdadeira questão é saber como é que nós, a geração activa responsável neste momento, vamos preparar o terreno para os nossos filhos… Especifico individualmente, para aqueles que seguem e que podemos supor que estão interessados no que podem fazer à sua escala para si próprios e para os seus entes queridos .

        Por vezes há problemas que não têm solução, ou, mais precisamente, nenhuma solução aceitável.
        Confundimos colectivamente consumo e liberdade, o modo de vida europeu, tal como o americano.
        Estou convencido da necessidade de repensar a nossa sociedade e estou igualmente convencido da imobilidade para a qual todos nós iremos trabalhar activamente.
        O fracasso vem dos demagogos que retirarão brevemente as castanhas amargas do fogo, entregando à nossa frustração o inimigo estrangeiro ou o inimigo interno, acontece com tanta frequência e está tão perto de ser reproduzido…
        Ouvi dizer “isso não é verdade, encontraremos soluções, começaremos quando for realmente necessário…” negação pura e simples.
        Ouço “A única solução válida, a redução do número de seres humanos” como ouvi “o que precisamos é de uma boa guerra”. Todos têm de se perguntar
        que na sua família deveria morrer, uma escolha impossível.
        Tenho 53 anos e estou a tremer pela minha família, tento prever resiliência porque é o nosso dever como adultos no comando. Não nos enganemos, o que nos espera não tem nada a ver com um plano de carreira, mas sim uma avalanche que ataca aleatoriamente ou como a famosa praga dos animais “nem todos morreriam, mas todos foram atingidos”.
        Gosto de abordar frontalmente estes assuntos que ignoramos.
        Por vezes há problemas que já não têm soluções.

        Falar de colapso não é realista.
        O colapso só poderia acontecer no caso de uma guerra mundial.
        Não é impossível, mas esta é uma questão completamente diferente.

        Sem guerra, haverá certamente uma crise com uma queda muito acentuada na economia.
        As pessoas perderão tudo.
        Sim, as sociedades ocidentais serão as mais afectadas.

        Mas a necessidade de consumo básico (não o supérfluo) permanece tão grande no mundo, que haverá sempre uma base económica sólida, que evitará um “colapso” catastrófico.

        _____

        A única solução real para os problemas actuais não é mudar o sistema de consumo, mas simplesmente ter menos pessoas na Terra.

        Pacificamente, isto só pode ser feito através da limitação dos nascimentos.
        A implementação física tem a enorme vantagem de ser simples e rápida. Todos sabemos como o fazer, ou melhor, como não o fazer.

        Há duas maneiras de o fazer, que não são mutuamente exclusivas:
        1) Os indivíduos chegam lá por si próprios, porque compreendem as questões.

        2) Os governos obrigam-nos a fazê-lo
        + quer por incentivos positivos (inversão da política familiar em favor do filho único)
        + ou por coerção (impostos, acesso aos serviços públicos, etc.)

        Para alcançar esta consciencialização, penso que os governos também não estão ligados a ela.
        Só pode ser feito através da sociedade civil e das ONG.

        Dito isto, mesmo que a sensibilização seja aumentada, não será suficiente a curto e médio prazo.

        Os danos terão de ser aceites.
        É inevitável.
        Este dano terá a vantagem de mudar as mentalidades mais rapidamente.

        O papel dos governos é:
        1) para garantir que este dano não seja irreversível.
        2) organizar a mudança cultural, impulsionada pelo povo.

        Os governos democratas estão bem ligados para isso.
        Tal como as instituições europeias, apesar de tudo o que se possa dizer.

        Atenciosamente .

        • Um pequeno reparo.

          Não partilho dos seus sentimentos em relação à necessidade de se controlar a população mundial através de uma limitação dos nascimentos.

          Não creio que o problema seja de todo esse. De facto, lembro-me de, há uns anos atrás, ter lido que metade dos recursos planetários é explorado e consumido por uma porção ínfima (creio que eram 10%) da população mundial.

          Ora, tendo em consideração um facto sobejamente conhecido da América do Norte e dos desperdícios alimentares que por lá proliferam – mesmo não havendo necessidade para tal, e tudo resultado do facto, novamente, de eles serem os principais exploradores e esbanjadores de recursos materiais do planeta através das suas práticas coloniais aberrantes e iníquas – o problema não se encontra num controlo generalizado da demografia mundial.

          O problema é, acima de tudo, um problema de distribuição justa dos recursos do planeta. De facto, se me permite o atrevimento, o argumento do controlo populacional viu-se há uns anos num filme conhecido da Marvel (aquilo dos Vingadores), e isto não é mais do que propaganda de Hollywood baseada na falácia do Falso Dilema, em que ou matamos (no caso do filme, no seu propôs o controlo populacional, o que é, obviamente muito diferente – digo isto sem ironia) a população do Universo, ou então continuamos em expansão infinita e exploração contínua de recursos finitos em universo finito, mas não matamos ninguém porque somos justos e valorizamos a diversidade de espécies e planetas e mais outras tretas que o filme acabou por mencionar – perdão pela linguagem mais forte.

          Enfim, esta visão de olhar o mundo é, francamente, tacanha, porque não é baseada em factos. Reitero: o problema não é a falta de recursos ou o número excessivamente elevado de pessoas no planeta, mas, sim, a distribuição desses recursos por uma demografia extremamente privilegiada que não tem respeito pela regeneração do planeta porque estão apenas interessados em dar continuidade ao crescimento perpétuo, infindável e inexorável das fortunas – já para não falar naquela obsessão em ver uma seta a subir num ecrã, que, para muitos, deve ser algo melhor do que sexo (vá-se lá compreender este Musk e Bezos, lá têm as suas taras).

          Para fundamentar tudo o que foi dito, recomendo vivamente o visionamento deste vídeo de 5 minutos em que se encontra tudo isto muitíssimo bem explicado por alguém extremamente perspicaz.

          Cumprimentos!

          https://m.youtube.com/watch?v=gUJmZ5hUy84

          • Muito bem, plenamente de acordo. Apenas prefiro não pôr em todos os problemas que evoca o rótulo simplista de “capitalismo”. O capitalismo, desde que muito bem regulado, foi e continua a ser o motor do desenvolvimento das sociedades e do Mundo moderno. Diga-me qual foi, ou é, a sociedade anticapitalista que progrediu. O mal está no capitalismo selvagem, desregulado e na economia de casino. O bom, está numa justa medida de mistura de Estado regulador e defensor dos mais fracos e da igualdade de oportunidades para todos, com um sistema que permite que as pessoas usem as suas qualidades no sentido de progrediram económica, social, culturalmente justa. Vê como, quando não fala da “diabólica” UE, NATO, Ucrânia, até estamos de acordo no essencial ? E o video é bom, apenas peca por, ao querer diagnosticar os problemas, os reduzir à forma simples de os tentar explicar pela diabolização do “capitalismo” todo e qualquer capitalismo.

            • O capitalismo só foi possivel com a energia barata.

              O capitalismo continua a ser a busca de lucros a todo o custo.
              É um pouco restritiva esta definição…
              Poderíamos ter um sistema mais comum, que os trabalhadores possuam o seu instrumento de produção e a sua casa, uma propriedade de utilização…
              É o capitalismo que está doente com a sua necessidade de mais e mais.

              Sim, se a propriedade privada é ilimitada, conduz inevitavelmente à criação de multinacionais sem lei e à procura do lucro ao menor custo. Portanto, propriedade privada, sim, mas limitada.

              Na minha opinião, o grande problema do capitalismo são as multinacionais, as empresas demasiado grandes que têm demasiado dinheiro, demasiado poder,mais do que alguns estados, sem dúvida.

              O capitalismo é também, e sobretudo, um sistema económico e um tipo de organização social que é inseparável de uma ideologia política.

              Não é o capitalismo que está doente, mas sim o sistema actual que está sem fôlego.
              De facto, o sistema estatal que fura muitos impostos para enriquecer alguns milhares de altos funcionários públicos de forma indevida, sem esquecer o pessoal pletórico dos nossos representantes eleitos, deputados , sem esquecer também todos os conselhos de administração pagos a um preço elevado e para terminar com as remunerações loucas concedidas aos pseudo-directores das grandes empresas e aos seus executivos, eis o que é chocante e que nos faria fazer algumas economias substanciais e repor as coisas no lugar.

          • Obrigado! Concordo quase a 100% ..

            Em África, especificamente na África subsaariana, terá a quota de 50% deste aumento global da população até 2050. Isto fará passar o número de africanos de 17% hoje para cerca de 27% em 2050, e mesmo 40% em 2100.
            1,300 milhões de Africanos em 2020 — (17% da população mundial)
            2,400 milhões de africanos em 2050 — (27% da população mundial)
            4,400 milhões de africanos em 2100 —- (40% da população mundial)

            Na verdade, não é um problema para África, África tem espaço e recursos suficientes para a sua população, mesmo que duplique em 50 anos. Os países ricos não querem que a África se desenvolva, por isso continuam a explorá-la e a inventar tretas como se tivessem demasiados filhos… Por exemplo, a superfície do Rdc é 5 vezes maior do que Espanha e é potencialmente o país mais rico em termos de solo, subsolo, para não mencionar a sua floresta tropical, a maior depois da Amazónia e do seu rio Congo. Segundo os agrónomos, o Congo poderia alimentar 1 bilião de pessoas. A pobreza africana é geopolítica. Sempre que um líder africano age no interesse do seu país, travam uma guerra contra ele e colocam um fantoche no seu lugar. Verá que a Europa vai chorar um dia por ter imigrantes, porque a grande maioria da população europeia será velha. Este já é o caso na Alemanha. Angela Merkel não acolheu 2 milhões de sírios por amor aos muçulmanos. Os últimos de hoje serão os primeiros de amanhã. O futuro do mundo e a prosperidade está em África, os seus filhos estão a acordar…

            Tenho vindo a pensar há muito tempo, e vendo o que está a acontecer à minha volta, olhando para a forma como a maioria das pessoas se comporta e consome, não há dúvida, é o que eu digo, se cada um quiser a sua própria piscina privada, então existe um grande problema, e como vivemos num mundo onde todos, pelo menos uma grande maioria, querem possuir mais e mais, melhor e melhor, mais e mais individualidade, a conclusão que tenho vindo a tirar há já algum tempo é que estamos a caminhar directamente para o declínio. Um dos paradoxos que realmente me confirmou foi quando vi pessoas a irem ao Pólo Norte para observar o que resta da biodiversidade, pagando viagens caras, e dando a si próprias uma boa consciência, pensando que o faziam para lutar contra o aquecimento global, a inconsciência e o lucro destas pessoas levaram-nos directamente ao caos.

            Colocado em termos brutos e redutores, o processo deve funcionar assim.
            Redução do consumo = não , demasiado lento ,
            população = sim . E este é a única solução,é o que pensam as elites!

            O grande reset é a melhor solução, não importa o que quase todos pensam. Mas isso vai custar-nos sangue e lágrimas.

            Estão a planear o futuro e não querem estar em escassez no seu próximo mundo reservado a uma minoria da qual muitos acreditam que farão parte dele (Elites,politicos grande empresas de comunicação social,etc,etc. …..),

            Estou bastante convencido com este tipo de cenário,mas penso que a escassez de recursos naturais é o verdadeiro gatilho.

            É fascinante ver como as democracias são incapazes de fazer um diagnóstico honesto:
            – o perigo interno – Davos e wokismo – é muito maior do que o perigo externo – regimes autoritários
            – a transição energética e o esgotamento dos recursos naturais (cada vez mais difícil, e portanto caro, de extrair) fazem mais pela inflação do que a desglobalização.
            – as actuais energias renováveis são insuficientes e ineficientes e não serão capazes de produzir um crescimento verde, e não se sabe se serão encontradas energias melhores.
            – a circularidade produz necessariamente perdas em cada ciclo e, portanto, não leva a nenhum crescimento.

            Os políticos globalistas querem causar uma crise económica gigantesca – aquilo a que chamam a Grand Reset – invocando a poluição ou a “carbonização” da terra e o covid 19 (o que é conveniente, a propósito).
            Primeiro precisamos de carbono porque as árvores precisam de carbono ou dióxido de carbono para viver. Será que os globalistas querem que as árvores morram? No seu desejo de uma ardósia limpa, podem querer destruir o nosso ambiente para se enriquecerem… Esta é uma grande mentira de Bill Gates e companhia: façam o que eu digo, não como eu faço!
            A propósito, porque é que financiam viagens espaciais com foguetes que funcionam com parafina, que é altamente poluente? Não é verdade!

            Temos de diminuir para não destruir os recursos que a terra nos dá, ninguém pensa nisso, é óbvio, Não sei se gostam
            de uma terra apenas com humanos industrializados, com mais animais (temos cada vez menos por causa dos humanos), vegetação (temos cada vez menos árvores também) e muitas outras coisas por causa dos humanos.

            É absolutamente ilusório acreditar que o crescimento populacional pode ser retardado. É um facto natural que enquanto houver fertilidade, a população mundial irá aumentar.
            Se excluirmos a hipótese de uma catástrofe ou de uma crise de mortalidade, não há nada que possamos fazer na prática.
            O que precisamos de aprender é como gerir os nossos recursos. Grandes países como os EUA, a Índia, o Reino Unido, etc. consomem a maioria dos recursos da Terra. Mas porque não falamos sobre isto?
            Sim, temos de gerir o nosso consumo, isso é óbvio, mas não será suficiente se estivermos 10 mil milhões de pessoas na Terra. O objectivo é, e espero que lá cheguemos, dar uma vida digna a cada habitante do planeta. (ou seja, água corrente e electricidade para todos, conforto, intimidade, não ser obrigado a dormir no mesmo quarto, nem a partilhar a própria casa entre várias gerações, etc.). Mas este conforto multiplicado por 10 biliões causa um impacto. Todos sonham em consumir e isso é normal mas X10 mil milhões é impossível.

            Depois disso, é emocionante, e veremos o que acontece,
            A incerteza é grande, mas obrigado por cobrir este assunto de uma forma económica séria.

        • Por outro lado, partilho dos seus sentimentos em relação a algo: a dita sociedade de consumo.

          Efetivamente, a sociedade de consumo – personificada numa instituição soez, que existe à revelia de qualquer Estado de Direito ou de qualquer lei humana que preze o valor dos indivíduos e do Ser Humano no seu todo, como a Amazon – é um problema gravíssimo nos tempos contemporâneos, uma vez que é o consumismo, incitado por indivíduos e por enormes corporações e empresas de publicidade que procuram enfiar na cabeça das pessoas a necessidade de se consumir tudo e mais alguma coisa (até almofadas com a cara do Nicholas Cage), que acabam por resultar numa exploração desnecessária, já não para dizer inane, de todos os recursos planetários, que poderiam ser empregues de formas muito mais práticas e úteis para as diversas sociedades/comunidades do planeta, e que alimentam o crescimento eterno (já para não falar nas psicopatologias narciso-psicopáticas) das fortunas de indivíduos “todos poderosos” que “defendem” todas as liberdades do indivíduo, mas não querem saber de condições de trabalho, de acesso a saúde ou educação ou simples coisas como uma alimentação – o mínimo exigido – variada e que impedisse milhões de pessoas de morrer anualmente.

          ESTE é o nosso problema.

          Deixámos o Capitalismo do Séc. XIX, que – embora explorador dos trabalhadores das fábricas propriedades de magnatas bojudos – fabricava produtos úteis para o desenvolver da sociedade, e passámos para um Capitalismo que pretende que os pobres comprem tudo para que exibam a sua “riqueza” pobre e o seu estatuto aristocrata de classe baixa/média e para andarem em disputas inúteis entre si sem que se dêem conta de que esse estatuto é uma nulidade autêntica e que só alimenta e perpétua o domínio daqueles que os querem subjugados, vergados e impossibilitados de se verem verdadeiramente desenvolvidos, como os Humanos que são, em verdadeira comunhão e harmonia não só entre Humanos, como com a Natureza e o ambiente que nos rodeia.

          Capitalismo não tem nada a ver com livre iniciativa ou valorização do Indivíduo.

          Capitalismo interessa-se exclusivamente por lucro, e em alcançar esse lucro por todos os meios possíveis.

          Nem que para tal se matem todas as pessoas do planeta.

          Aqui está o que penso.

          • Muito bem, plenamente de acordo. Apenas prefiro não pôr em todos os problemas que evoca o rótulo simplista de “capitalismo”. O capitalismo, desde que muito bem regulado, foi e continua a ser o motor do desenvolvimento das sociedades e do Mundo moderno. Diga-me qual foi, ou é, a sociedade anticapitalista que progrediu. O mal está no capitalismo selvagem, desregulado e na economia de casino. O bom, está numa justa medida de mistura de Estado regulador e defensor dos mais fracos e da igualdade de oportunidades para todos, com um sistema que permite que as pessoas usem as suas qualidades no sentido de progrediram económica, social, culturalmente justa. Vê como, quando não fala da “diabólica” UE, NATO, Ucrânia, até estamos de acordo no essencial ?

    • «A europa é como um grande navio,! Mas quando a tripulação não fala a mesma língua, torna-se difícil pilotar.»

      No mar não se “pilota”, navega-se. 😉

      Mas a imagem por si descrita está certa. Aliás, o cinema já previu isto há mais de 20 anos atrás. Lembra-se do quarteto a tocar no Titanic a afundar? Foi essa a imagem que me veio à cabeça ao ver esta foto e o seu comentário. Obviamente o Zelensky é o que toca o violino…
      (ou então, visto que há um italiano envolvido, isto é o Costa Concórdia, e Draghi faz o papel do Capitão Schettino)

      E pior, vai ser um Inverno com muitos Jack a morrer e frio, e muitas Rose a ter a sua vida dependente de um pedaço de madeira, neste caso para se aquecerem na lareira…

      Por falar nisso, esta falta de gás no Nordstream 1 é anedótica: a Europa até tinha “planeado” (não se pode usar este verbo perante a idiotice, daí as aspas) encher as reservas de gás agora no Verão, para mais tarde fazer frente ao Inverno mais descansada. Mas eis que os aparelhos da Siemans precisaram de reparação, a Gazprom enviou-os para o Canada pois a Siemans não as repara na Alemanha (a globalização é engraçada…) e agora a empresa de reparação da Siemans no Canadá, devido às sanções, não pode enviar a coisa para a Alemanha, porque é para uma empresa russa (Gazprom).

      Mas há ainda mais uma anedota sobre esta mesma história: os governos da Alemanha e Canadá estão neste momento em discussões para saber como se ajudarem mutuamente a ultrapassar as sanções que os próprios impuseram. Caso contrário a empresa Canadiana não será paga pelo trabalho, e a Alemanha fica sem o gás, e congelará no Inverno… São uns autênticos génios, estes líderes ocidentais.

      Entretanto, como anunciado no SPIEF, a Rússia bate records de vendas de gás (e petróleo, e carvão, e etc) aos seus países amigáveis. E mesmo fazendo descontos (em relação aos preços inflacionados nos mercados), está a lucrar como nunca, e em rublos cheios de resiliência. E os responsáveis já disseram: a Rússia não voltará atrás. O que deixar de vir para a Europa, acabou, nunca mais voltará.

      E mais uma anedota: um dia os 3 estarolas foram a Kiev convidar aquela ditadura a entrar na UE. Uns dias depois o Boris foi também a Kiev, mas desta vez para convidar o regime de Kiev a sair da UE. Vamos ver para que lado ele se vira.

      Ah, e lembrei-me agora, parece que o Dmitry Medvedev também sabe contar anedotas. Disse qualquer coisa assim: a Ucrânia só recebeu promessas, e se chegar a entrar na UE, não será antes do meio deste século (como anteciparam Costa e Macron: décadas). O que torna a coisa mais complicada é que por essa altura a UE já não existirá, logo a Ucrânia entra onde?

      E por fim, a anedota que nos governa a todos no Império das Mentiras, um homem que mal se aguenta em pé, que começa uma frase e a meio se esquece do que ia dizer, foi dar uma volta de bicicleta e deu um trambolhão. É a analogia perfeita sobre a situação do Ocidente. “Fast & Furious”, chamou-lhe a RT. Ahahahah:

      https://odysee.com/@RT:fd/bidenfalls:a

      PS: e se eu colocasse este link a partir da internet da Moldávia, devido à mais recente decisão PIDEsca da Presidente Maia Sandu (mais uma Saakashvili ou Zelensky à espera de acontecer a propósito da Transnístria…), estaria a cometer um crime. Diz que é a “liberdade de expressão” da “democracia liberal”…

      https://t.me/intelslava/31490

  2. Sr. José Lúcio e Sr. André Campos, perdão pela demora.

    Respondo-lhes aqui, de forma a que a leitura do comentário fique um pouco mais facilitada.

    Sr. André Campos, em relação ao seu comentário, estamos em sintonia, sem qualquer dúvida.

    Refere que a questão da diminuição da população faz parte da visão mundial de uma elite dos negócios/Capital (isto, por sua vez, permite alimentar a sua utopia de crescimento económico infinito que lhes trará a tão ansiada felicidade que buscam – isto acrescento eu como é óbvio, não quero atribuir-lhe quaisquer palavras para além do que disse).

    Enquanto isso, lá vamos comprando mais umas bugigangas para empatarem as nossas casas.

    Contudo, refere que não é o capitalismo que está doente, mas, sim, o sistema atual que está sem fôlego. Aqui estou dividido para lhe ser honesto.

    O sistema atual só é como é porque estamos sobre a influência do sistema capitalista americano (embora esse nem seja totalmente capitalista como eles o desejavam – a velha utopia de um sistema económico sem qualquer tipo de regulação ou restrição governamental/estatal resultaria numa pura selvajaria e acabaria por aluir num único dia). Ora se nós vivêssemos numa verdadeira Social Democracia – e os Americanos tivessem um sistema que correspondesse, no mínimo, àquilo que é expectável de uma sociedade com valores humanos e decente no Séc. XXI – talvez que não nos encontrássemos na situação atual. Mas isso é outra conversa.

    Aqui termina a minha resposta, porque não tenho nada a dizer em relação a Demografia e crescimento populacional.

    Refiro apenas que (a propósito de controlo populacional) numa sociedade onde não abundasse o consumo desnecessário e descontrolado como nas nossas sociedades atuais, o controlo populacional seria facilmente regulável porque as pessoas – com acesso a métodos contracetivos não existentes hà 100 anos atrás, com uma educação que lhes permitisse compreender o verdadeiro valor do planeta e de coisas como produtos básicos (aquilo que referiu da água corrente, eletricidade barata, etc.) e a futilidade de comprar telemóveis de 2 em 2 anos (para não dizer todos os anos – aqueles fanáticos que compram os Iphones a cada ano que sai um novo modelo) – compreenderiam que é preciso haver políticas que regulassem (ou até mesmo as próprias pessoas fariam esse controlo por opção pessoal) o número de nascimentos numa sociedade que se adequassem às necessidades de renovação demográficas da sociedade ou comunidade em que se inserissem.

    Creio que o mais adequado seria que as pessoas tivessem a possibilidade de implementar as suas próprias decisões através de uma maior consciencialização – mais do que a criação de leis que proibissem mais do que um filho por casal.

    Todavia, toda esta conversa ignora um facto gritante que foi mencionado por José Goulão no seu artigo recente, “Ocidente em decomposição”, e que se refere à forma como a exploração agrícola tem sido condicionada pela sobre-exploração dos terrenos por corporações agrícolas (e outras práticas neo-coloniais que não consigo enumerar agora), mas, ainda mais importante do que isto (embora não me pareça que José Goulão tenha mencionado isto), é o facto de muito terreno arável por esse mundo fora ser arruinado por guerras que iniviabilizam a produção agrícola, a destruição de terrenos devido à exploração abusiva de recursos minerais, o facto de, devido à poluição, exploração ou devastação de terrenos, a degradação da natureza ser o resultado de um industrialismo altamente exacerbado, que existe apenas para satisfazer os interesses de negócios ou comerciais que resultam na criação de produtos que são, francamente, inúteis – nalguns casos.

    De facto, considere-se a exploração de minerais como o lítio, ou outros, que são impreteríveis na criação e produção de muitos dos produtos que hoje consumimos como telemóveis, computadores, tablets, carros, e tudo o que tenha uma bateria… A exploração do lítio destrói ecossistemas inteiros e acaba por ser muito mais poluente do que qualquer carro com motor de combustão! Já foi dito que, de maneira a produzir uma bateria de lítio, gastam-se quantidades de água enormes. E é preciso lembrar que a eletricidade produzida para alimentar esses mesmos veículos “verdes” só é possível pela utilização de combustíveis fósseis.

    Agora, ninguém entenda isto como uma manifestação contra a tecnologia ou o avanço científico, porque não o é de todo. Simplesmente, é necessário compreender que há um enorme desperdício de recursos à escala global (concentrada maioritariamente no Ocidente, que se serve de ingerências ou invasões para explorar os países mais ricos – Michael Parenti disse uma vez que não há países em desenvolvimento, mas países sobre-explorados) e que tudo iso alimenta somente as nossas economias de consumo que nos distraem do facto de que nós mesmos andamos a ser explorados para gáudio dos senhores Cotrins Figueiredos deste mundo!

    É tudo o que tenho a dizer.

    Sr. José Lúcio, em relação à sua resposta digo o seguinte: eu emprego o termo capitalismo porque é, de facto, aquilo que vigora de momento nos EUA e nalguns países ditos Liberais da Europa: o caso da Polónia ou da Holanda.

    Quando me refiro a Capitalismo refiro-me a um sistema cuja existência está fundada em três princípios: Mercados, Propriedade Privada dos meios de produção e trabalho assalariado.

    Agora, tendo em consideração estes três pontos, nós poderíamos incluir uma enorme quantidade de nações do planeta no âmbito do Capitalismo, incluindo todos os países Europeus. Contudo, o que descreve mais facilmente incluir-se-ia dentro de uma Social Democracia como perspetivada pelos países Nórdicos e, entre outros, por indíviduso como John Keynes.

    Problema: Marx descreveu a Social Democracia como um Socialismo Utópico, uma vez que, de forma a alcançar o Socialismo proposto por esta ideologia Social-Democrata, seria necessário recorrer a reformas dentro de um sistema burguês capitalista, na esperança de que, assim, se alcançasse o Socialismo de forma gradual e paulatina sem o vexar das instituições e entidades privadas.

    Marx, como já referi, descreveu isto como Socialismo Utópico, porque, na sua visão, a classe burguesa nunca estaria numa posição de abdicar dos seus enormes privilégios em relação à classe trabalhadora e, portanto, seria necessário recorrer a uma revolução proletária que implementasse um governo central que, por sua vez, possibilitasse a nacionalização de todos os serviços e indústrias e velasse pelos interesses da maioria da população.

    (Pessoalmente, estou divido quanto à questão da revolução e do governo central.)

    O governo central pode assumir a forma de uma partido de vanguarda como foi o caso da União Soviética após a revolução de Outubro. Eu, pessoalmente, não alinho com a noção de partido de vanguarda ou com a ditadura do proletariado.

    Antolharia muito mais facilmente um sistema de interação entre um conjunto de comunidades ao nível municipal que tivesse ramificações a nível nacional na escolha de um parlamento, mas, acima de tudo, na constituição de centenas de assembleias populares que se manifestassem quanto a todo o tipo de questões do quotidiano e da organização social/administrativa/política/económica e por aí fora.

    Ora, quanto à regulação do Capitalismo, talvez fosse possível, mas não neste momento.

    O facto é que, atualmente, o sistema capitalista americano é de tal forma desenfreado que os EUA, num século de grandes avanços a nível de estabelecimento de Estados de Direito que respeitem direitos humanos fundamentais, são o único país em que ambos os partidos políticos, que são de direita – são mesmo, os “Liberais Democratas” são tão liberais como os do séc. XIX (menos nas bengalas e cartolas, mas a mentalidade é exatamente a mesma), e Liberalismo nunca significou liberdade-, se recusam a a empreender um diálogo para esbalecer as bases para a criação de um serviço nacional de saúde – isto é gritante, em pleno séc. XXI, sendo que a grande maioria da população americana está a uma emergência médica de 500 dólares (imagine) de entrar na pobreza.

    Sabe quanto custa chamar uma ambulância naquele país ? 3000 dólares.

    Sabe quanto custa o simples ato de dar à luz ? 10000 dólares.

    Sabe quanto custa uma caneta de epinefrina, essencial para determinar a vida ou a morte de uma pessoa ? 300 dólares.

    É este o país que têm.

    Ora, quanto à livre-iniciativa, livre circulação, blá, blá…

    O problema é que num sistema verdadeiramente capitalista há uma coisa chamada monopólios que, por mais boa vontade que uma pessoa possa ter, nunca desaparecem, e não é a “liberdade” ou a “mãozinha invisível” do Adam Smith (termo muito mal empregue – recomendo um vídeo do Noam Chomsky: https://www.youtube.com/watch?v=_qfX0ASvg3Y) que vai trazer ordem e compaixão pelo pobre camponês que não tem tanto dinheiro como eu, portanto vou dar-lhe algum do meu dinheiro. Enfim.

    Capitalismo é obtenção de lucro, mais nada.

    Para tal, aquelas empresas ou corporações que têm maiores quantidades de capital adquirem as empresas imediatamente abaixo através de práticas criminosas (como foi o caso da Amazon na Índia, que arruinou completamente o mercado livreiro do país através da baixa de preços desta mega corporação – ao ponto de andar a funcionar com prejuízo, mas com investimentos do mercado financeiro que a mantinham à tona – que permitiram que todos os pequenos e médios negócios de livrarias fossem à falência, resultando na aquisição delas pelo nosso afável Bezos), resultando na subsequente monopolização total do mercado que engole tudo o que pudesse ser considerado como iniciativa “privada”.

    Desta forma, não há mais pequeno ou médio comerciante ou empregador ou empresário, mas, sim, mais um trabalhador na multinacional com lucros de milhares de milhões porque investem no mercado financeiro, ganham umas pequenas fortunas e continuam a comprar as pequenas empresas, start-ups, etc.

    Convém esclarecer que o termo “privado” é empregue por Marx no sentido de propriedade privada dos meios de produção e não no sentido de propriedade pessoal. É uma diferença importante.

    Significa que, num modelo socialista de economia, teríamos uma indústria completamente nacional que, apesar de tudo e para além dos trabalhadores com devidos benefícios, seguros de saúde e de acidentes de trabalho (e tudo o que se possa imaginar), teria sempre administradores, executivos, gerentes, mas com uma reviravolta curiosa: na URSS, um trabalhador de fábrica podia despedir o patrão.

    Embora uma pessoa possa criticar o sistema socialista pela não existência de mercados (e antes de dizer mais alguma coisa, não sou economista e o que vai sair pode ser uma grandessíssima asneira), o facto é – pelos menos assim me parece – que qualquer troca de produtos envolvendo uma transação monetária abre imediatamente um mercado. Ora, no comunismo isso não aconteceria, uma vez que falamos duma sociedade sem classes, sem dinheiro e sem governos estatais de qualquer tipo, género ou forma.

    Mas em socialismo mercados existem, transações comerciais internas a uma nação existem, assim como transações com outras nações na forma de exportações ou importações. Mas, principalmente, não há propriedade privada dos meios de produção!

    Convém, contudo, referir ainda que Socialismo é uma fase de transição na teoria económica Marxista entre Estado Burguês Capitalista e Comunismo, sendo que o último é o verdadeiro objetivo onde mercados e trabalho assalariado deixariam de existir e passariam a vigorar trocas materiais e de produtos sem transações monetárias de qualquer espécie.

    Pelo menos segundo o que compreendo do tema! Convém sempre mencionar isto.

    Depois, perguntou que país anticapitalista é que tinha progredido.

    Ora, Cuba.

    Cuba, apesar de um embargo económico de 60 anos, que os impediu de importarem seringas para vacinarem a população contra a Covid-19, assim como outros equipamentos médicos básicos que estão extremamente limitados pelas sanções impostas ao país, desenvolveu, internamente, uma vacina contra a Covid-19 (Soberana 02 – a segunda vacina que eles criaram para o combate da Covid) com 90% de eficácia em combater a sintomatologia relacionada com a infeção viral.

    https://www.nature.com/articles/d41586-021-03470-x

    Por outro lado, e apesar das condições miseráveis a que são sujeitos por um bloqueio ilegal, denunciado várias vezes pelas Nações Unidas com resoluções aprovadas com maioria, conseguiram desenvolver em 2018 uma vacina chamada CIMAvax EGF para o cancro do pulmão (é designada como vacina, mas tem uma aplicação meramente terapêutica a nível de imunoterapia), e que é altamente cobiçada por pacientes clínicos nos EUA que, infelizmente, não podem ter acesso a ela, porque o governo dos EUA proíbe a importação dessa vacina para o país e ainda as viagens de qualquer cidadão nacional para Cuba.

    Aí tem.

    Um embargo económico que, até Dezembro de 2010, resultou em perdas comerciais no valor de 104 mil milhões de dólares não impede um país que não tem acesso a seringas, por causa desse embargo, de desenvolver uma vacina contra a Covid-19 e contra o cancro de pulmão.

    Que tal ?

    Podia falar da União Soviética, mas não tenho dados para o fundamentar.

    Espero que a resposta seja satisfatória. Novamente, peço desculpa pelo atraso!

    Cumprimentos!

  3. Obrigado pelo seu excelente comentário!Isto serão assuntos que serão mais aprofundados com mais temas que o Estátua de Sal publique neste blogue..Com isto em mente vou falar de um assunto muito importante logo que seja oportuno, o “transhumanismo”que também está ligado ao “excesso de população”.

    Ps:Não me trate por Sr. ,André é suficiente..

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