(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 17/01/2022)

O momento mais triste do debate de quinta-feira foi quando, mesmo no fim, de uma forma um pouco infantil, António Costa exibiu a sua proposta de Orçamento do Estado para 2022. Esse gesto remetia para o que tinha sido dito uma hora antes, quando Costa mostrou aos portugueses a arrogância que muito provavelmente teve nas negociações: independentemente do resultado de 30 de janeiro, que traduzirá a vontade popular quanto à correlação de forças entre os vários partidos, se ele for, como indicam as sondagens, primeiro-ministro, o OE será exatamente aquele. Disponibilidade para negociar depois de ouvir o povo? Zero. Espero que quem tivesse dívidas quanto ao passado recente as tenha finalmente esclarecido. Talvez tenha sido este o tom no processo negocial.
A quem conseguirá Costa impor esta arrogância prévia? Aparentemente, sabe que a ninguém, por isso quer governar sozinho. Pode ser com maioria absoluta ou sujeitará o país ao pântano que escolheu, depois de quatro anos de estabilidade baseados em acordos escritos, em 2019. No meio, apela ao voto no PAN, o segundo momento mais absurdo do debate.
Sim, estou cansado de tanta arrogância. É ela que explica as críticas que desde 2019 faço a Costa, baseadas no pântano em que quer continuar a governar se não aceitarem a sua vontade. Pelo menos até haver uma vaga na Europa para fugir de um cargo de que parece estar farto. Mas há uma coisa que não faço: tomar este meu cansaço com o primeiro-ministro pelo estado de espírito da maioria do país.
Nenhum dado em nenhuma sondagem (e nem me refiro especialmente às intenções de voto, mas mais a outras avaliações) nos permite concluir que o país está farto de Costa. O governo estará naturalmente mais desgastado, mas o primeiro-ministro não tem grandes índices de rejeição. E o problema de grande parte das análises que ouvi e li aos debates é basearem-se nesta convicção, que não tem outra fonte que não seja o sentimento dos próprios comentadores.
Costa sempre foi mau em debates (e em campanhas) e mesmo assim ganhou eleições. Na quinta-feira, foi péssimo a defender o legado deste governo. Mas o legado deste governo é amplamente conhecido e a avaliação da maioria parece ser consistentemente positiva. As incógnitas são outras: as condições políticas de governabilidade e o que tem o concorrente de Costa para oferecer. Quanto à primeira questão, Costa enfiou-se num beco ainda mais estreito. Os eleitores não costumam gostar de ser chantageados. Mas na segunda, as coisas não se podem resumir à desenvoltura da prestação de cada um.
Sim, Rui Rio esteve bem melhor do que é seu costume e as espectativas eram baixas. Ligo pouco a notas artísticas, mas até é possível que tenha estado melhor na forma do que Costa. Serve para animar os convencidos, é pouco relevante para o voto. Para o voto, quando se está a quase 10% de distância (em três sondagens de três empresas diferentes), conta a capacidade de atrair boa parte do eleitorado do lado de lá. Ou pelo menos desmobilizá-la, desdramatizando os riscos que dali pode vir. Tinha de se colocar ainda mais ao centro do que na campanha interna do PSD. Mais importante do que a posição geométrica: tinha de não assustar aqueles que votaram em Costa depois de quatro anos de geringonça e que até agora não mudaram de opinião. Não me parece que tenha conseguido confortá-los.
Não conseguiu quando manteve as críticas ao aumento do Salário Mínimo Nacional, que não fez perder um emprego ou atrasou a economia, mas afastou milhares de trabalhadores da pobreza. E Costa até perdeu a oportunidade de o confrontar com a posição do PSD sobre a redução do passe social ou das propinas, apesar de as ter referido. É curioso, aliás, que estas bandeiras que o primeiro-ministro agita para sublinhar o aumento de rendimento indireto não estavam no programa do PS de 2015. São conquistas daqueles com quem não quer falar. Mas servem-lhe bem em campanha. Rio também não conseguiu falar para lá do seu campo quando prometeu uma queda do IRC (sem qualquer critério económico e social), deixando o IRS na mesma, aumentando assim o peso relativo do fardo fiscal sobre os trabalhadores. Não conseguiu quando Costa sacou da proposta de revisão constitucional e demonstrou que o PSD mantém a ideia de pôr fim ao SNS tendencialmente gratuito para a classe média – só assim pode ser lida a sua substituição pela garantia de que o “acesso a cuidados de saúde do SNS não pode em caso algum ser recusado por insuficiência de meios económicos”. E não conseguiu contrapor um horizonte com propostas concretas perante o estado de negação em que Costa vive em relação ao que está a acontecer no SNS. Tudo temas que dizem muito as pessoas.
A pergunta não é se os eleitores de Rio ficaram satisfeitos com a sua prestação, depois de 15 dias a fazer-se de morto. É se algum eleitor que em 2019 votou para reeditar uma aliança do PS com o BE e o PCP e que entretanto não mudou de opinião se sentiu confiante e confortável para mudar para Rio, mesmo que até o possa considerar mais genuíno (tanto que exibe sem filtros a sua ignorância em relação ao voto antecipado em mobilidade). Não o vi onde, sobretudo perante a distância que separa os dois.
Terá sido ao agitar o “papão” de Pedro Nuno Santos? O maior desgaste a Costa foi causado pela arrogância de Costa. O que até pode ter causado mais estragos no flanco esquerdo do eleitorado do PS.
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Mas que dores Daniel Oliveira.
Agora dói tudo, pelo que se lê na “Estátua de Sal” e ouve desbragado no “Eixo do Mal”, cada vez mais recuperado da “Noite da Má Língua” de tão longínqua memória.
Quando entregaram o governo ao Passos Coelho pareceu até que ulularam de felicidade: “Fomos nós que deitámos abaixo o governo PS…! Que bom…”.
E ufano o embrião da coisa, o Louçã, calado a um canto como se nada tivesse feito para esta entrega de mão beijada do poder à direita, que agradeceu de baba ao canto da boca.
E em 2015 lá parece terem reconhecido a bacorada que fizeram, limpando a cara com as mãos ainda sujas.
Mas não. Foi falso alarme.
Voltamos ao mesmo e desta vez com mais requinte. Desta vez assinam com o tom de alarvice requentada a queda do governo socialista para abrir de novo a porta à direita, porque querem lá saber do que a direita é capaz de fazer. O que conta é que “fomos nós…!” mais uma vez que deitamos tudo a perder com as normais birrinhas das miúdas “artistas de teatro” ou assombradas pelo desejo infantil de tulelar o Ministério das Finanças.
É bem provável que a porta não se abra já. É mais que provável que, sendo esta a segunda vez que o fazem, não será a última que amesquinham a governação deste país, em nome de ideologias que o povo não aceita nem nunca aceitou, mas que teimam nelas afocinhar quais marionetas manobradas pelo ideólogo Louçã, impávido no débito com que Balsemão o usa na noite semanal da SIC.
Desta vez só se espera que o povo vos chute para onde merecem estar.
Que o seja agora numa dormência que vos definhe e por fim entendam que o povo, mesmo que ainda politicamente inculto e aprendiz das manobras ideológicas, continua acima de tudo soberano na sua vontade e arreganho de punho cerrado à direita, que agora renasce pela vossa mão dos tempos do 24 de Abril de 74.
Palavras para que, isto só muda quando estiver na m****, ou seja na bancarrota.
Direita, PCP e Bloco de Esquerda, a mesma luta.
Tudo claro. O Daniel está na SIC, no Expesso, está avençado e tem que sobreviver. Onde está a admiração de fingir o suporte ao Blqueio de Esquerda, malhando no Costa e apoiando o Rio ?
Um das artimanhas a que os populistas da pseudo-esquerda mais recorrem quando levam a cabo as suas ações de sabotagem contra governos progressistas que, mesmo em situações extremamente difíceis de governabilidade, conseguem merecer amplo apoio popular, é a de imputar à vítima os seus próprios crimes, as suas próprias responsabilidades.
O coro orquestrado dos seus inúmeros porta-vozes (como este sr. Daniel Oliveira, como o seu gurú Louçã, e todas as suas crias amestradas pela mesma cartilha), a quem a direita, dona dos meios de comunicação, concede ampla cobertura mediática por razões óbvias, vai repetindo até à exaustão o discurso acusatório do: “foram eles que se derrubaram”, “porque são arrogantes”, “porque são ambiciosos”, “porque buscam o poder absoluto”, “foram eles”, “foram eles”…
No pressuposto de que o Zé Pacóvio enferma de elevada iliteracia política e que acabará engolindo como verdade qualquer falsidade repetida muitas vezes, o malho não se deterá até ao dia 30.
Para a gente séria deste País, que assistiu a tudo ao vivo e a cores, este discurso cheio de falsidade, NÃO PASSARÁ.