O destino cigano

(António Guerreiro, in Público, 29/01/2021)

António Guerreiro

Falo de uma questão que emergiu recentemente com alguma intensidade no espaço público: trata-se dos ciganos, uma vexata quaestio sobre a qual se guarda demasiado silêncio, certamente porque, ao contrário de outros grupos afectados pela exclusão racial, não são vistos no centro das grandes cidades, um território estranho aos seus modos de vida.

Falo dos ciganos a partir de um saber meramente empírico e recente, que certamente é demasiado superficial e imediato quando confrontado com o trabalho de investigadores. Falo a partir de um observatório que é uma aldeia alentejana, nos arredores de Évora, onde habito parcialmente há cerca de três anos. O tempo suficiente para ser confrontado com os ciganos e as formas de vida a que, em muitos aspectos, a história os obrigou, mas que lhes cabem não como história mas como destino. Poucos dias depois de chegar à aldeia, falei com um adolescente cigano que deambulava pelas ruas, com um cão. Entusiasmado com a minha hospitalidade (coisa para ele nunca vista), começou a querer negociar comigo tudo o que tinha para vender, até um cavalo. Este breve encontro daria para confirmar um lugar-comum das representações negativas dos ciganos: que eles só têm vocação de traficantes, para a qual desenvolveram as malas-artes da astúcia e da fraude. Disso mesmo me avisou um vizinho que assistiu de longe à cena. Com alguma indulgência, por eu ser ali um novato, disse-me depois que eu devia evitar as conversas com “essa gente que é a pior coisa que por aí apareceu”.

Não me chegou a dizer que eu devia escorraçá-los (embora não negligenciasse essa solução que comporta os seus perigos, dada a violência congénita desta “gente do pior”), mas chegou-me aos ouvidos, mais de um ano depois, que circulou pela população um abaixo-assinado que reclamava a expulsão dos ciganos daquele pequeno território. Fiquei assim a par da justa medida da rejeição: os ciganos não têm condição civil. Esta oposição entre os civis e os selvagens, de longa memória, emerge por estes lados constantemente e ambas as partes confirmam diariamente o papel que lhes está reservado, a não ser raramente, quando os civis também são um pouco selvagens e os selvagens são um pouco civis.

É bem conhecida esta lei da sobrevivência, que faz com que os ciganos não possam senão encarnar o papel que lhes foi reservado ao longo de mais de cinco séculos (em Portugal) de rejeição total e falta de reconhecimento, confirmando assim diariamente os piores lugares-comuns com que são identificados. É assim com todas as minorias que sofrem uma dura exclusão: conformam-se aos estereótipos em que foram encerrados e deixam de poder sair deles.

 Não trabalham? Pois não, pelo menos de acordo com uma certa definição de trabalho. Mas nem ousem procurar porque ninguém lhes dá emprego. O melhor, então, é deixar de querer. Orgulhosamente. A contingência torna-se um destino e a perseguição engendra uma cultura que se vai essencializando e acaba por constituir uma auto-reclusão. Não se pense que o problema se resolve com boas intenções e muito proselitismo. Do alto do seu saber, as instituições governamentais ostentam uma palavra mágica, “integração”, sem fazerem a mínima ideia de que essa palavra já não serve para nada. Quanto aos poderes mais próximos do problema, as autarquias, preferem ficar calados ou ser cúmplices de práticas que fazem lembrar as leis raciais para solucionar de vez o “instinto obscuro da estirpe”, como se disse noutro contexto histórico para uma outra classe de Untermenschen, de sub-pessoas. Perante os vícios maléficos dos selvagens, as virtudes do homem civil são reclamadas com uma tão grande evidência que o racismo mais extremo tornou-se uma prática naturalizada. Não dói a quem o pratica, não é censurado e, pior que tudo, nem chega a ser percebido como tal. É uma persistência que não existe e que ninguém por estas bandas contribui para que ele comece a ser representável. É bastante significativo que mesmo quando havia uma hegemonia do Partido Comunista no Alentejo os ciganos nunca tiveram direito a nenhuma forma de subjectivação política. Nem na vanguarda do povo nem na retaguarda.

 E assim temos, diante dos olhos que querem ver, uma situação que só tem um equivalente nos momentos extremos do racismo anti-semita, muito embora neste caso não se trate de um racismo transformado em lei da nação e a aguardar uma solução final.



33 pensamentos sobre “O destino cigano

  1. As pessoas falam de criminalidade e a esquerda leva sempre para a raça.

    Hoje em dia mais racista que a esquerda e o politicamente correto é impossível. Já atingiram o nível dos skinheads.

    O homem que o avisou para não ir na conversa não o fez por uma questão racial, mas para o ajudar a não ser enganado.

    O senhor Guerreiro experimente ir ao Rossio de Lisboa comprar haxixe.

    Vai ser logo abordado por um cigano, apesar de você não os ver no centro das grandes cidades. Logo por essa bacorada se vê o que os esquerdistas sabem da vida real…

    Mas adiante. Quem compra haxixe sabe que NUNCA o vai fazer aos ciganos do Rossio.

    Porquê? Porque são os vendedores de droga mais honestos do mundo e vão vender limalha de ferro disfarçada da mercadoria – até nos bas fonds têm má reputação. Mas se quiser comprar um telemóvel vendem-lhe um muita asseado com um sabonete dentro. Ou se comprar ouro vendem-lhe ouro de plástico. O Rossio está cheio desses “invisíveis” para a esquerda que nunca vê nada quando um “corpo radicalizado” faz merda. Mas as pessoas são realmente importunadas por esses aldrabões.
    .

    Quanto a não trabalharem por ninguém lhes dar emprego é treta. Não só fazem gala em não trabalhar como o que mais há para aí são organismos do estado e ONG oferecer-lhes emprego e a tentarem convencer os ciganos a trabalhar – sem muito sucesso.

    Isto não é uma questão de raça, é uma questão de crime. A maior parte dos ciganos são de raça branca e não se distinguem dos portugueses morenos.

    Tirando as aldrabices e as facadas a maior parte das pessoas até gosta da cultura cigana – vide o sucesso que faz a música cigana.

    Agora a esquerda entende que por serem morenos também temos de gostar de ser aldrabados e esfaqueados. Humm. Não. Os ciganos honestos que venham. Os criminosos são criminosos como os outros e não temos de os enaltecer e promover a mártires só porque são um bocado mais morenos que a média portugesa.

    • O Pedro, é mais um “espécime” que, à falta de melhor, culpa a Esquerda contra os ciganos.

      Esquece esta verdade, que transcrevo do texto de António Guerreiro :

      “É bem conhecida esta lei da sobrevivência, que faz com que os ciganos não possam senão encarnar o papel que lhes foi reservado ao longo de mais de cinco séculos (em Portugal) de rejeição total e falta de reconhecimento, confirmando assim diariamente os piores lugares-comuns com que são identificados. É assim com todas as minorias que sofrem uma dura exclusão: conformam-se aos estereótipos em que foram encerrados e deixam de poder sair deles”.

      Esquece que a descriminação, o racismo, não é só contra os ciganos. É também contra as comunidades negra, brasileira, chinesa,e dos países islâmicos, mesmo que provem ser gente pacífica e trabalhadora (que, vítimas de uma guerra insana e fratricida, perderam tudo nos seus países, emprego, casa, membros da família, crianças,e pedem refúgio na Europa !

      A “gente de bem” logo lhes cola um “selo” na testa, à semelhança da “estrela amarela” que os judeus eram obrigados a usar…

      Ainda há pouco tempo, um grupo de estudantes universitários brasileiros, foi vítima de descriminação ignóbil, por parte dos seus colegas brasileiros ! Porque não aconteceu o mesmo ao universitários suecos, dinamarqueses, alemães, franceses, etc. ?

      Esquece a descriminação que sofreram muitos dos chamados “retornados”, mesmo que fossem brancos “como a cal da parede”, porque vinham ocupar os postos de trabalho, beneficiar do apoio às suas famílias, à Saúde, à Escola pública, que “deviam”por direito, ser só dos “portugueses de bem”, nessa “configuração” dada por um ser monstruoso, um perigoso “esquerdista”chamado andré ventura e o seu grupelho, onde, no seu interior, se segregam, e descriminam uns aos outros.

      Imaginemos por um momento que havia uma “comunidade de andrés” (ou de “pedros” (para o caso, tanto faz…) sujeita à mesma descriminação, injúrias, agressões, ataques de todo o género !

      Ah ! Aí, atenção ! “Coitadinho de mim, dos meus filhos, da minha família” !
      “Somos pessoas de bem”…

      É uma “coisa” que se explica com talento e imaginação, às pessoas “pouco dotadas de inteligência”, mas “opadas” de “gente de bem”…no conceito cavernícola, de um imbecil…

      https://m.youtube.com/watch?v=dYGBKXOCrvw

      • Propõe então que eu me despeça (para que um cigano fique com o meu emprego), que saia de casa (para que uma família de ciganos fique com ela) e ande para aí a pedir desculpas e a exigir que sejam libertados todos os ciganos presos, pedir a todos que me assaltem e agridam porque o mereço? Que saia de casa às 7 e regresse do trabalho às tantas, ganhando uma porcaria de 800€ e que mesmo assim passe o meu tempo livre a pensar nos injustiçados ciganos, é isso?

        Sou todo a favor da compreensão mas não da eterna responsabilização, lamento.

        • Mas porque é que as outras etnias mal ou bem Vão conseguindo arranjar trabalho e só essa etnia é que não consegue, será mesmo problema de nós?

          • Sim, para os humanistas de serviço a cultura é toda sua e dos seus. Tudo o que possa ter vivenciado ao longo da sua vida no contacto com a etnia cigana não passou de um delírio ou, o mais certo, de justiça poética por ser branco/burguês.

      • Caro Peralta.

        “Imaginemos por um momento que havia uma “comunidade de andrés” (ou de “pedros” (para o caso, tanto faz…)sujeita à mesma descriminação, injúrias, agressões, ataques de todo o género!”

        Já existe.

        O tuga trabalhador.

        O tuga trabalhador das classes baixas, nas quais eu me incluo, sofre de tudo isso. Vocês é que não são capazes de ver por

        -Somos roubados descarada e impunemente pelo patronato.

        -Injuriados pela direita que nos trata de “preguiçosos” “subsidio dependentes” “invejosos” apenas por pedirmos direitos laborais e salários decentes.

        -Somos discriminados pela esquerda que nos injuria de “privilegiados” apenas pela cor da nossa pele.

        -Somos injuriados pela esquerda que nos insulta de “fascistas” quando dizemos que não gostamos de ser assaltados.

        -Somos injuriados pela esquerda que nos insulta de “racistas” quando dizemos que não gostamos de ser assaltados e acontece que o assaltante é negro ou cigano.

        -Quando levamos nos cornos da policia ou gangs de criminosos brancos ninguém liga.

        -Quando levamos nos cornos de gangs de criminosos negros ou ciganos dizem que se levámos é bem feito porque merecemos.

        É por vocês, esquerdistas, terem traído o tuga trabalhador das classes baixas que o Ventura está a ganhar no Alentejo.

        A luta contra o racismo não se vence exacerbando o problema inventando onde ele não existe, colocarem-se do lado de criminosos só por serem mais morenos do que as suas vitimas etc.

        Vence-se unindo todos em volta d objetivos sociais comuns.

        Infelizmente o vosso ódio ideológico não vos deixa perceber isto e VOCÊS estão a alimentar o Ventura.

  2. “Buchenwald”

    E mais uma vez a esquerda cola o povo português ao nazismo.

    Ó homem, as pessoas não gostarem de ser assaltadas não tem nada a ver com racismo. Até porque os ciganos são essencialmente brancos.

    Se você gosta eu posso assaltá-lo só para lhe dar prazer. Mas a maior parte das pessoas não gosta.

    Se houvesse em Portugal uma comunidade de suecos com os níveis de criminalidade da comunidade de rua que a cigana as pessoas também desconfiavam dos suecos. Não tem nada a ver com raça.

    Os “brancos” também têm problemas graves de criminalidade, mas mais a outros níveis. Neste caso nas elites políticas e empresariais.

    Por exemplo, embora haja muitos empresários honestos, eu quando vejo um empresário desconfio.

    Não é que eu tenha nada contra a profissão de empresário. É que a quantidade de aldrabões na casta empresarial é tanta que a gente desconfia.

    Nada disto tem a ver com raças. A esquerda e os polit-corretos é que são como os nazis e só conseguem pensar em termos raciais (racistas).

    Assim, em vez de integrarmos as comunidades ciganas, ao fingir que não vemos os problemas perpetuamo-los e criamos revolta nas pessoas que não gostam de fingidores profissionais (aldrabões) por mais brancos que sejam. Como o senhor Guerreiro, a quem, pela conversa de aldrabão, eu nunca compraria um telemóvel apesar de ser muito branquinho.

  3. Sim, fui assaltado e agredido muitas vezes na infância e adolescência, sempre por ciganos. Cheguei a ter um colega de escola, cigano, que deixou de ir às aulas na 3a classe e depois entretinha-se a assaltar e a agredir os ex-colegas (chegou a partir o nariz a um e a mim só não fez o mesmo porque não calhou). Uma vez comentei com um colega que estávamos a ser seguidos – efetivamente era mesmo assim -, ficou todo ofendido porque achou que o estávamos a estigmatizar e no dia seguinte tinha um bando de ciganos à porta da escola e só não levei um enxerto de porrada porque lá se conseguiu fazer a ponte entre a escola e a comunidade cigana.

    Os tempos passaram, continuo a conhecer de casos assim, do rsi que recebem várias x porque dão várias moradas diferentes, da confusão que armam nos centros de saúde e hospitais, nos serviços da segurança social, nas filas dos supermercados porque querem passar à frente porque têm pressa, numa fona permanente, do machismo daquele povo (curiosamente as histéricas do bloco alinham em tudo o que é manifestação me too só porque alguém tocou no ombro de uma boazona do cinema há 20 anos, mas não piam quando o assunto mete ciganos e consomem avidamente documentários que pintam os pequenos comerciantes como monstros nazis só porque colocam sapos em barro nas montras dos cafés).

    Depois há quem vomite estudos académicos aventando que os portugueses devem um pedido de desculpa aos ciganos.

    Não contem comigo.

    Quanto muito, reconheço que este problema deveria ser resolvido no contexto da democracia e não pelos Venturas desta vida. Mas sinceramente não sei se tal será possível…

    As cabeças bem pensantes do politicamente correto, do humanismo tout court, acabam por se basear num preconceito, no que não conhecem: continuam a ter uma ideia algo romântica dos ciganos – oprimidos, livres, honrados -, mas de facto só conhecem o Ricardo Quaresma.

    Lamento, não contém comigo para esse peditório.

      • E soluções para este problema (para além de acusar os outros de serem racistas/fascistas e/ou de delirarem com situações que pelos vistos nunca devem ter acontecido – devo ter sonhado, estou na matrix)? Basta escrever artigos de opinião delicodoces?

    • Quanto á criminalidade é preciso levar três coisas em consideração.

      – De facto a comunidade cigana tem níveis de criminalidade de rua muito superiores ás das outras comunidades brancas ou não brancas.
      O politicamente correto ao fingir que não vê isto e ao apoiar os criminosos em vez de incentivar à sua conversão à ética do trabalho está a ser cúmplice dessa criminalidade e a agravar o problema.

      – Os altos níveis de criminalidade cigana não pode ser usada para pretexto de teorias racistas mas apenas para reconhecer um problema para melhor integrar essas comunidade que todos os homens de bem devem aceitar como portuguesa. Afinal já cá vivem há séculos.

      – Convém não esquecer que o maior problema de criminalidade em Portugal e no mundo ocidental não está em ciganos ou imigrantes está na casta empresarial e financeira “branca”.
      A coberto de leis favoráveis e cumplicidades políticas a nossa comunidade empresarial e financeira rouba milhões de vezes mais do que os gangs ciganos e isto deve ser esfregado na cara a quem vier com tretas racistas.

  4. Um funcionário que me impressionava pela cordialidade, profissionalismo, e diplomacia nas. relações pessoais , num hospital central deste país , em que trabalhei vários anos , é cigano .
    Há muitos anos conheci , durante a juventude , ciganos a que as pessoas chamavam ciganos ricos que eram pessoas cordiais e tão honestos como qualquer cidadão . E aqueles que discriminam os ciganos por serem ciganos são pessoas de confiar ? Eu não confio . E há ciganos de quem não gosto , há . E há outros que não são ciganos em quem não confio ? Claro que há . Nos tempos que correm sei lá em que posso confiar . E sei é que há pessoas que têm dificuldades em lidar com o que lhes é estranho . E quanto mais limitados são em perceber se a si próprios , mais dificuldade tem em lidar com o estranho , e mais idênticos são aos que rejeitam . Na verdade talvez se rejeitem é a si próprios .

    • Ó João não seja tretas.

      Ninguém tem nada contra os ciganos honestos.

      Quando se fala dos ciganos criminosos isso não tem nada a ver com os ciganos honestos.

      Pelo contrário, toda a gente respirava de alivio e apoiava entusiasticamente se a maior parte deles trabalhasse honestamente.

  5. A repulsa pelo racismo dos ciganos é considerado racismo. A cultura cigana é racista, desprezando todo o não cigano por considerá-lo inferir, chamam-no gadji, que é um termo depreciativo.

    Todo o cigano que aceite trabalhar por conta de outrem, não cigano, é expulso da comunidade. Por isso, e dado o baixo nível de escolaridade que têm, é muito raro encontrar um cigano que saia pela manhã da “tribo” para ir trabalhar para um patrão gadji, regressando ao lar no fim do dia, como as pessoas que consideramos normais, nós, os gadjis.

    É um povo que põe a liberdade individual acima de tudo. O orgulho cigano pode exprimir-se naquilo que cada cigano repete à exaustão “em mim, ninguém manda!”.

    Esta forma de ser, que parece ser um complexo de superioridade cigana, consubstancia a autoexclusão.

    • Nota. Tanta burrice, pázinho. Está fora de moda isso de ainda puxares a carroça, faz como cós ciganos e compra uma Ford Transit en segunda mão e faz-te à vida…

      – É tudo a cem melréis, madamas, cinco aérios!

      • É um povo que põe a liberdade individual acima de tudo, não gosta de ser mandado por ninguém. Para si, RFC isto deve ser um insulto!
        Quem anda a rastejar a lamber as botas ao chefe não costuma gostar desta realidade… e acha que se devem dar esmolas aos ciganos para eles não morrerem de fome, já que não se adaptam à condição de lambe-botas…

        • O RFC é mais um daqueles que torce o nariz a expressões do género “portugueses de bem” (porque ninguém deve ficar para trás), mas que desconsidera todos aqueles que levam vidas normais, honestas, dentro da lei, exploradas, mal pagas, mas que cometem o pecado de não passarem o (pouco) tempo livre que lhes resta a pensar nos que estão presos, nos que praticam crimes (porque sim, porque a culpa é do sistema/Homem branco/lei de Murphy/acaso/divindades, nunca de quem os comete). Se forem brancos então, ui, são um alvo a abater para estes “humanistas” de vão de escada, clones uns dos outros e que poluem o espaço público com a sua verborreia completamente desligada das vidas daqueles que supostamente defendem (o povo).

          • Nota. Clone, acontece às vezes: de tanto seguires o fascista; depois de leres o artista, a burrice alheia dos dois aterrou na tua moleirinha. Sintomas de #ciganofobia com suspeita de burrice progressiva, marcar consulta de neurologia no SNS.

            • Talvez aqui a teimosia seja de ambos, mas continuo à espera de propostas de soluções concretas que não passem pelo business as usual (rsi) ou pelas tontices do Ventura (guettização). É que o problema, que é o da pobreza, existe com a etnia cigana e com muitas outras ernias (e longe de mim querer “trocar” com eles só por receberem apoios sociais), mas esta reage sempre com muito mais violência (e devem ser todos caçadores, que armas não falta por aquelas bandas).

              Não estava interessado em comentar essas provocações do SNS e das consultas de especialidades médicas, mas aqui vai: se todos os não ciganos que alguma vez tiveram problemas com ciganos precisassem de apoio psiquiátrico/neurológico, enfim, nem com 10 hospitais novos se acabava com as listas de espera. Mas pronto, se somos doentes talvez nos possam desculpar.

              • Sim, vários familiares meus já foram assaltados ou agredidos por ciganos.

                Isto de ser “branco privilegiado” é fodido.

                Ganha-se o salário minimo, leva-se porrada e ainda se é acusado de privilégio.

  6. Eu também cresci e vivi mais de vinte anos ao pé de ciganos. Andei à porrada com alguns, levando e dando (quem vai à guerra…), como era costume da juventude do meu tempo. Com ciganos e com não ciganos. A um especialmente dei umas tareias valentes, apesar de ele ser mais velho e maior do que eu. Sempre em legítima defesa. E por vezes tive que me confrontar com grupos de outros ciganos, angariados por ele, para se vingar. Safei-me sempre porque, em último caso, dava ao slide. Era muito rápido…
    Havia coisas neles que eu não gostava. Desde logo, não tomavam banho tantas vezes como eu. Mas isso não eram só os ciganos. Nos tempos da minha infância, o esquentador, como o frigorífico e a máquina de lavar roupa, era uma coisa ainda nos seus primórdios, fora do alcance da maioria. Mas isso não era impeditivo de me relacionar com eles, de jogar à bola ou aos cobóis, uma vez que eu, chegado a casa, podia tomar banho. Nunca apanhei nenhuma doença por causa desse relacionamento próximo. É verdade que apanhei, mais de uma vez, piolhos… Que a minha mãe curava com DDT (dicloro-difenil-tricloroetano), que mais tarde veio a ser proibido, por se tratar de um produto cancerígeno. Mas isso não vinha só dos ciganos, vinha da falta de higiene.
    Os ciganos da minha infância eram unidos quando achavam que eram ameaçados pelos não ciganos, mas também eram muitas vezes violentos entre eles.
    Aqui há tempos, numa dessas conversas sobre ciganos que o facho do Ventura pôs na moda, alguém me perguntou se eu gostaria de viver rodeado por ciganos. Claro que não, foi a minha pronta resposta. Como não gostaria de viver num bairro social, fosse ele de ciganos, de pretos ou… de brancos. Ninguém gosta de viver rodeado de pobreza. Porque a questão é essa: POBREZA! As pessoas pobres, independentemente da sua raça, cultura ou religião, são fontes potenciais de problemas. Como é que isto se resolve? Matando-as, expulsando-as, prendendo-as? Obrigando-as a integrar-se? Como? O primeiro passo foi dado por António Guterres, com o Rendimento Mínimo Garantido. Um quarto século depois, não só pouco ou nada se evoluiu nesse aspecto, como a proposta dos fascistas do Chega é acabar com ele. Num país cheio de ladrões de colarinho branco, de “empresários” parasitas do Estado, de PPP e de bancos falidos salvos pelos nossos impostos, a proposta dos fascistas é acabar com o RMG/RSI! Sobre estes ladrões de colarinho branco, nem uma palavra. Só a roubalheira do BPN e do BES dariam para dar o rendimento mínimo aos ciganos durante os próximos 500 anos e ainda sobrava. O fascista Ventura, que se diz contra o sistema, tornou-se conhecido precisamente por ser um grande apoiante do Vieira do Benfica, que personifica desde há vários anos o sistema no mundo do futebol. Os portugueses vivem mal, ganham pouco, morrem que nem tordos no inverno porque não têm dinheiro para aquecer as casas, enquanto os ricos estão cada vez mais ricos. Portugal é dos países mais desiguais do mundo. Desde a crise de 2008, essas desigualdades acentuaram-se. O dinheiro não desapareceu, os mais ricos enriqueceram ainda mais e os mais pobres empobreceram ainda mais. Esta devia ser a discussão. Mas não, em vez disso aparece um oportunista com simpatias fascistas a pôr os portugueses uns contra os outros. Entretanto, os verdadeiros parasitas patrocinam-no e continuam a encher-se à custa dos nossos impostos.
    Vão-se lixar e mais esta conversa sobre os ciganos! Qual violência, qual carapuça! Apesar desta miséria toda, Portugal continua a ser um dos países mais seguros do mundo.

  7. A Estátua de Sal é um espaço pluralista. Não é o espaço para comentários que destilam tanto ódio e tanta ignorância. A integração da etnia cigana na nossa sociedade não pode ser feita nem com ódio nem com a subsidio-dependência a que os governos os têm votado.
    A integração faz-se e tem vindo a fazer-se, fundamentalmente, através das escolas. As crianças ciganas são obrigadas a frequentá-las e a conviver com outras realidades.
    Se a comunidade escolar onde se vão inserir for inclusiva, é o primeiro passo para a integração.
    Adquirem conhecimentos que não são só académicos. São outro olhar sobre a realidade que os rodeia e que não é hostil.
    As meninas são as que menos faltam à escola. Elas querem ganhar competências. Inconscientemente, percebem que isso são as ferramentas que poderão usar para se tornarem mais livres e autónomas.
    Sem qualificações não existe mercado de trabalho para estas pessoas. A maioria não sabe ler.
    Não basta entregar-lhes um subsídio e esperar que tudo se passe bem.
    É preciso que os Centros de Emprego criem uma formação de base e bem adapatada para quem recebe o subsídio e que essa formação seja obrigatória.
    A experiência que tenho no trabalho, onde também lido com muitas pessoas de etnia cigana, diz-me que será através da aquisição de conhecimentos que a integração pode começar. Vai levar anos, mas penso que este é o melhor caminho.

    • Gostei, Maria João. É preciso vencer a barreira do preconceito dos pais para que as crianças não abandonem a escola precocemente, sobretudo as raparigas quando chegam à puberdade. às vezes saem da escola para se casarem, ainda crianças. Não deve ser fácil implementar medidas de integração num contexto destes…

    • Nota. O RSI tem exactamente uma importante componente de integração, uma palavra apesar de tudo terrível pois sucedeu à tese colonial da “missão civilizadora” nas Áfricas: um agregado familiar só usufrui dele, tendo menores, se cumprir a obrigação de enviar os filhos à escola… Não o cumprindo este é o argumento decisivo para ser retirado, mas nunca vi números.

    • Tanto conhecimento sobre os ciganos e não sabe que eles é que não querem ir à escola ?

      Não me diga que é o “estado racista estrutural” que os impede de ir à escola.

      Só tretas.

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