Não podem estar bons da cabeça

(Luís Aguiar-Conraria, in Expresso Diário, 21/06/2020)

Esta semana, o assunto natural seria o Orçamento do Estado. Porém, do Palácio de Belém veio outro magno assunto: Lisboa vai ser palco de sete jogos de futebol. As imagens que de lá nos chegaram esclareceram o mistério do paradeiro do ministro da Educação.

Por toda a Europa, gizam-se planos e estratégias para a retoma das aulas. Em muitos países, as aulas já funcionam. Encontraram-se várias soluções. Nuns países, são ao ar livre; noutros, são em dias alternados; há ainda os que recorreram às universidades e estádios de futebol. No caso de França, as aulas funcionarão em pleno já a partir de segunda-feira. Uma preocupação constante é, obviamente, a de recuperar os alunos que ficaram para trás. Como escreve Susana Peralta no “Público”, em Inglaterra haverá programas de recuperação no verão e já se anunciou um plano de contratação de explicadores para os alunos mais atrasados. Na Bélgica, as aulas recomeçaram para os que em fevereiro mostravam ter mais dificuldades.

E em Portugal?! Nada. Na semana passada, o Conselho de Ministros aprovou um Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) sem uma linha sobre retorno às aulas. Aprovou-se um Orçamento sem uma linha dedicada ao reforço de recursos humanos nas escolas, que facilitassem a transição e ajudassem estudantes que precisem. O diretor de turma da minha filha nem sabe se, em setembro, as aulas serão presenciais ou não. Como diz Susana Peralta, o ministro da Educação finge que nada disto é com ele. O que já é do domínio do ministro é dar uma prenda aos profissionais de saúde portugueses. E que prenda!: garantir que a Final Eight da principal competição de futebol da UEFA se realiza em Lisboa. Vemos na fotografia que ilustra o artigo como Tiago Brandão Rodrigues estava empenhado nesta magnífica oferenda. É como se, em vez de um ministro da Educação, tivéssemos um organizador de eventos, provavelmente na dependência orgânica da Secretaria de Estado do Turismo (porque organizar o evento da abertura das escolas parece que não).

A hipótese de não haver ninguém a trabalhar no Ministério da Educação ganhou consistência quando a minha mulher me disse que as escolas estavam a pedir aos alunos que devolvessem os manuais escolares. Vamos lá ver. Este ano as aulas só funcionaram no 1º período e numa parte do segundo e há dezenas de milhares de alunos sem apoio dos professores. É capaz de ser um pouco óbvio que os alunos vão precisar dos manuais durante as férias. Pelo menos os que quiserem estudar. Mesmo que não estudem, no próximo ano letivo, os professores terão de cobrir parte da matéria que ficou por dar este ano. Portanto, pensei que as escolas estivessem simplesmente a aplicar os procedimentos dos anos anteriores, sem terem sequer refletido no assunto. Não liguei muito e disse à minha mulher que ficasse tranquila, que era engano e que a nossa filha não devolveria manuais nenhuns.

Mas não ficou tranquila. Teimosa, insistiu que havia um despacho exigindo a devolução dos livros. E mandou-mo. Não é que há mesmo um despacho?! Foi assinado a 9 de junho, pela secretária de Estado da Educação, Susana de Fátima Carvalho Amador, publicado a 16 de junho, e diz que os manuais têm de ser devolvidos até 14 de julho.

Não se trata de esquecimento. Num ano no qual a escola não funcionou durante mais de um período e em que dezenas de milhares de alunos perderam o contacto com os professores, há mesmo alguém na equipa do ministro da Educação que considera que os alunos têm as matérias consolidadas e não precisam mais dos manuais escolares. Imagino que, no próximo ano letivo, quando os professores quiserem ensinar a matéria que ficou para trás, os alunos deverão procurá-la na internet. Se calhar é por isso que os 400 milhões previstos no PEES para a Educação estão destinados à Escola Digital.

Lamento, mas a incompetência não explica tudo. Simplesmente, naquele ministério, não podem estar bons da cabeça.

Professor de Economia da Univ. do Minho


13 pensamentos sobre “Não podem estar bons da cabeça

  1. O problema do país radica no facto de depois da Assembleia Constituinte após o 25 de Abril de 1975 os dirigentes políticos que conduziram o país até aos dias de hoje se esqueceram de analisá-lo nas suas necessidades estruturais para o pleno e harmonioso desenvolvimento, inventariar e consertar políticas estruturais para o efeito, calendarizar acções e avaliá-las com regularidade face aos resultados esperados. O que mais preocupava cada um ou no seu todo era “o ódio de estimação” ao partido comunista e os ideais de esquerda que afrontassem o “stablischement”. As oportunidades de negócios de quem “nos oferecia dinheiro a rodos” proliferavam em escritórios de advocacia que rapidamente se transformaram em centrais de negócios ruinosos para os interesses do país. Assim chegamos ao Portugal de mão estendida para as necessidades mais básicas do país. Queremos dinheiro para investir na Educação e no SNS e temos que mendigar na União Europeia. É por isso que o ministro da educação não fala, não aparece quando sabe que não há dinheiro para investir no sector.

  2. Off.

    Toma lá, o d’A Estátua.

    Adenda. Eis como se deve fazer actualmente a “leitura” de estatuária problemática mesmo estando, a dita, aparentemente no interior, ou no perímetro?, de uma instituição museológica (e tem índigenas e tudo, bem!, a kodak está no Observador), Eremita. Se tiveres aí à mão o telefone do apatetado Fernando Medina cuja cabecinha chegou a 2017 sem perceber nada de nada do mundo e de como se deve intervir no espaço público, please.

    https://bordalo.observador.pt/900x,q85/https://s3.observador.pt/wp-content/uploads/2020/06/22094618/GettyImages-504671062-scaled_770x433_acf_cropped.jpg

    […]

    A estátua de bronze, que se encontra numa das entradas daquele museu desde 1940, representa Roosevelt a cavalo, com um índio e um africano do seu lado. Para muitos, a estátua simboliza um legado doloroso da expansão colonial e racismo. A remoção foi anunciada no domingo e surge numa altura em que crescem os protestos anti-racismo nos EUA e no mundo depois da morte de George Floyd pela polícia.

    A remoção foi proposta pelo museu e aprovada pela cidade de Nova York. Ellen Futter, a responsável do museu [de História Natural], deixou claro, em entrevista ao NYT, que a decisão foi baseada na “composição hierárquica” da própria estátua e não em Roosevelt, que o museu continua a homenagear como “um conservacionista pioneiro”, cujo pai foi membro fundador do Museu Americano de História Natural.

    Segundo a Reuters, o “mayor” de Nova Iorque, Bill de Blasio, disse ser “a favor” desta medida, porque considera a estátua “problemática”, uma vez que “retrata explicitamente os negros e indígenas como subjugados e racialmente inferiores”.

    No Observador, online.

    • Dica.

      RESTAURATION DU FILM « LES STATUES MEURENT AUSSI » (CHRIS MARKER, 1953)
      Hervé Pichard – 2 mai 2018

      Les Statues meurent aussi, coréalisé avec Alain Resnais en 1953, est
      l’un des rares films de Chris Marker, tournés sur pellicule 35 mm, qui
      n’avait pas encore été restauré. Il nous paraissait indispensable de
      faire revivre cette œuvre unique et majestueuse, alors que la plupart
      des films du cinéaste dont La Jetée, Le Joli mai, Sans soleil, sont
      aujourd’hui numérisés. Les Statues meurent aussi a été restauré par
      Présence Africaine et la Cinémathèque française avec le soutien du
      CNC, au laboratoire Hiventy.

      Les deux réalisateurs, éternels témoins de l’Histoire, accompagnés du
      chef opérateur Ghislain Cloquet, proposent un documentaire charnel et
      impertinent sur l’« art nègre », la beauté des œuvres et leur rôle
      dans la culture africaine en perdition, provoquée par la colonisation
      française et l’influence irresponsable des Européens.

      Le film, censuré pendant dix ans, critique ouvertement, dans sa
      dernière partie, le comportement colonialiste français, insistant sur
      l’inégalité entre les Noirs et les Blancs.

      Les Statues meurent aussi est également un film de montage d’une
      élégance inégalable, soutenu par un jeu d’éclairage remarquable,
      proposant une approche formelle hypnotique. Les réalisateurs filment
      dans la pénombre le bois noir sculpté des œuvres africaines
      intrigantes, unique témoignage des traditions et civilisations
      oubliées, comme ils filmeront plus tard les visages et la peau des
      hommes.

      Le collectif Présence Africaine, fondé par Alioune Diop, propose à
      Alain Resnais et Chris Marker de réaliser un documentaire sur « l’art
      nègre », une notion relativement nouvelle et encore scandaleuse au
      début des années 1950, car longtemps, les pays colonisateurs
      estimaient que les peuples africains étaient incapables d’être dans
      une démarche de création artistique.

      Par ailleurs, le terme « nègre », perçu comme péjoratif et méprisant
      dans la bouche des Blancs, a été réévalué et transformé dans les
      années 1930 par Léopold Sédar Senghor, Léon-Gontran Damas et Aimé
      Césaire, pour retrouver, non sans provocation, une identité forte et
      défiante, à travers le mouvement de la Négritude.

      Pourtant dès le début des années 1910, l’Europe culturelle était déjà
      influencée par l’art africain à travers notamment les regards de
      Guillaume Apollinaire, Blaise Cendrars, Jean Cocteau, Pablo Picasso et
      du mouvement surréaliste. Cependant, au début des années 1950, dira le
      poète Lamine Diakhaté, « l’art est resté confiné dans les musées
      d’Afrique et dans les musées d’Europe. Présence africaine dans sa
      vocation qui est de défendre et d’illustrer le patrimoine culturel du
      monde noir pour l’offrir aux autres hommes, à tous les Hommes du
      monde, avait pensée, en 1951, qu’il était bon de revenir à ces sources
      essentielles de notre patrimoine ».

      Alain Resnais, déjà réalisateur de Van Gogh et de Guernica, constate
      que l’ »art nègre«, confiné au Musée de l’Homme et non au Musée du
      Louvre, est de fait considéré uniquement comme de l’ethnographie.
      Visiblement, même dans le domaine de la conservation et de la
      valorisation des œuvres d’art, des signes de mépris et de racisme
      distinguaient les arts en fonction de leurs origines. Alors comment,
      dans ce contexte, pouvait-on comprendre et apprécier réellement ces
      sculptures africaines, porteuses de traditions orales aussi complexes
      qu’incertaines ?

      Les deux réalisateurs s’interrogent sur ces questions précises, sur
      l’identité de l’art africain, mais plus largement sur la place de
      l’art dans les musées. Le titre énigmatique prend tout son sens
      lorsque la voix-off de Jean Négroni (qui dix ans plus tard sera la
      voix de La Jetée de Chris Marker), se fait entendre : « C’est que le
      peuple des statues est mortel. Un jour les visages de pierre se
      décomposent à leur tour. Les civilisations laissent derrière elles ces
      traces mutilées comme les cailloux du Petit Poucet mais l’histoire a
      tout mangé. Un objet est mort quand le regard vivant qui se posait sur
      lui a disparu. Et quand nous aurons disparu nos objets iront là où
      nous envoyons ceux des nègres, au musée. »

      L’art africain trouve une place particulière entre la vie et la mort.
      Le film, obsédé par cette idée, hante notre regard, pour des raisons à
      la fois formelles, historiques et finalement politiques. Si Alain
      Resnais et Chris Marker aiment disserter sur »la botanique de la
      mort”, c’est aussi pour nous mener vers notre responsabilité de
      colonisateur, irrespectueux des hommes, des terres et de leur culture.
      Le film nous alerte sur cet aveuglement irrémédiable et encourage une
      prise de conscience en tenant un discours particulièrement optimiste à
      l’époque : l’égalité entre Noirs et Blancs.

      Le film restauré et disponible numériquement pourra être montré dans
      les meilleures conditions à un large public afin qu’une nouvelle
      génération découvre, à travers ce court métrage, le point de vue de
      Chris Marker et d’Alain Resnais, des œuvres suscitant la discussion
      sur des questions toujours d’actualité.

      (Hervé Pichard est responsable des acquisitions et chef de projet des
      restaurations de films à la Cinémathèque française).

      “Les statues meurent aussi” Documentaire de Resnais et Chris Marker sur Arte

  3. As aulas retornarão quando os sindicatos decidirem. Nem um dia antes. É lamentável mas é assim que funciona a Escola em Portugal. Neste particular, o actual ministro (cujo trabalho considero positivo) tem a mesma responsabilidade que os seus antecessores.

  4. Epá, ó d’A Estátua via agora isto e fartei-me de rir… Sabias?

    […]

    25.06.20
    Saltar a cerca não é com a malta d’Ourique ou de Castro, os campaniços, isso era antigamente quando os amigos do JRS estavam na presidência da CMO. Agora, que os braços do Costismo são quem mais ordena do Minho a Timor passando por Castelo Branco, somos todos tutuzinhos…

    “Os portugueses são tão disciplinados que a repressão é inútil”
    António Costa, em resposta a uma pergunta de uma estação de rádio francesa

    No contexto em que foi dita, esta frase era
    um elogio: o elogio do comandante ao seu
    povo crédulo e obediente. Mas devemos
    pensar que, noutro contexto, a obediência às
    regras disciplinares não é um belo retrato
    nem faz dos portugueses gente interessante.
    Felizmente, todas as frases que começam por
    “os portugueses são” — tais como as que
    começam por “os alemães são” ou os
    “ingleses são” — nunca são verdadeiras e
    dizem muito mais sobre quem as profere do
    que sobre os visados. Curiosamente,
    a frase, tal como é formulada, carece de
    rigor: a repressão seria útil ou inútil
    se os portugueses fossem teimosamente
    indisciplinados. Mas como “são tão
    disciplinados”, a repressão não pode ser útil
    nem inútil: é apenas necessária ou
    desnecessária. Como sabemos, a eloquência
    e a correcção na construção das frases não
    são qualidades muito visíveis neste
    primeiro-ministro.
    – António Guerreiro, há tempos.

    Fonte: P. (Ípsilon), 3.4.2020, p. 20.

    Adenda.

    Aliás, por forma a garantir o futuro (o monte do António Vitorino ardeu com a sisa, a datcha da família do João Galamba na barragem por tuta e meia também, o Eremita manda nada e, ainda, a carninha tenra do Pedro do Carmo com aquelas largas nalgas sentadas no hemiciclo de São Bento são ninharias), futuro, a malta d’Ourique deveria era propor rapidamente a geminação com a freguesia de Campo de Ourique, em Lisboa.

    Sim, agora é que o primogénito do António Costa foi lançado na presidência da Junta de Freguesia para mais ltos vôos…

    Como por aí se diz, sabem-na toda:

    – Se não sabes fazer mais nada, vais para funcionário da Cambra…

    Ou, adaptando o ditado:

    – Não sabes fazer mais nada, vais mas é ser o presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique (que o primo e o pai olham por ti).

    Nota. Não sei se o moço de nome Pedro Miguel Tadeu Costa conseguiu acabar a m. da licenciatura na FDUL, sabes Eremita?, mas dali esperar-se-á seguramente um cadastro jeitoso. Há um poema sobre isso, tenho de o encontrar depois.

    25.06.20
    E depois o tio na SIC trata de só deixar passar a informação simpática, boa imprensa, como se diz.
    Digamos que o Tadeu entra à Medina: concorre na posição de número dois, sabendo de antemão que o número um, esse sim, o nome no qual o povo coloca a cruzinha, salta fora a meio da viagem. Depois de chegar a número um está tratado, business as usual.

    Já agora, Tadeu quem?

    25.06.20
    Tadeu filho de Tadeia segundo as escrituras da Terra Prometida que, reunida para a Caras, fazem uma família bonita… linda decoração, magníficos sofás (devem ter sido os Queridos do Gustavo Santos quem obrou, desconfio).

    Em Ourique ainda se joga à sueca, mas desde que o Costismo apanhou Lisboa os socialistas passaram a ser cosmopolitas, estrategos, em que tudo o que é marca Portugal se transforma num jogo de xadrez. O ex-presidente era o Pedro Cegonho primo dos Costas, era o tipo da Anafre e passou a ser deputado do PS durante o Costismo… Portanto, isto é sempre a facturar até ao xeque-mate!

    Anjinhos e otários, pás.

    ______

    🙂 , muiro bon.

    • Epá, ó d’A Estátua, esse gajinho, o RFC, deixou-me aqui a pensar.

      Diz-me lá, sinceramente (esquece as cenas que o Fernando Sobral vai escrevendo sobre as trampolitanices dos moços da navalha do Costismo, o Pedro Nuno Santos da TAP a jurar que o Covid-19 não anda nos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa, ‘ ganda moca!, o apatetado Fernando Medina, o Cordeiro maçon, um tal de João Saldanha de Azevedo cliente desde muito novo do Arquivo Antropométrico onde zelosos funcionários lhe fizeram a ficha e o alcunharam como “o Galamba”, a Ana Catarina, a Hortense Martins de Castelo Branco, o Pedro Delgado Alves, eu sei lá…), mas diz-me, sinceramente, diz-nos

      – Tu serias capaz de votar outra vez (?) num candidato a PM que abrisse as portas da sua casa e tivesse para apresentar uns sofás miseráveis como os do António Costa?

      Nota, importante. É que assim percebe-se melhor aquela cena propagandistica da arte contemporânea e tal que o António Costa vai promovendo à borla, à nossa conta portanto, nas diferentes assoalhadas do palacete de São Bento de que o tipo é agora o inquilino… De facto,quem é que aguenta viver rodeado daquela piroseira inventada pela decoradora que manda lá em casa de nome Fernanda Tadeu?

      🙂 , bruxo!

      ______

      Quantas sombras de cinzento?

      Este Governo auto-intitula-se “verde”. Quer uma economia “verde”. Por isso, na sua
      óptica, este país precisa de um aeroporto novinho no Montijo, minas de lítio em
      áreas sensíveis, pressão imobiliária sobre a floresta da serra de Carnaxide, terminais
      de paquetes monstruosos e poluidores em Lisboa, estradas sobre dunas primárias,
      mais e mais aviões na capital. Agora, mais rápido que Speedy Gonzalez, e para
      confirmar a sua costela ecológica, assina nove contratos de prospecção e sete de
      exploração de minas, sem esperar pela publicação da lei que aperta as regras
      ambientais para o sector. Um contra-senso? Não, plantem-se ciclovias.
      – Fernando Sobral, anteontem.

      Fonte: P. (P2), 28.6.2020, p. 24.

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