Costa e Marcelo, duas raposas (com picos de ouriço)

(Vítor Matos, in Expresso Diário, 25/05/2020)

Líderes há muitos, estilos também, mas podemos dividi-los em dois grandes grupos: as raposas e os ouriços. António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa teriam entrado em choque se não fossem duas (velhas) raposas que aceitam jogar o mesmo jogo.

A comparação ficou famosa quando Isaiah Berlin escreveu o ensaio “O Ouriço e a Raposa”, a partir de uma frase do poeta grego Arquílico de Paros: “A raposa sabe muitas coisas, mas o porco espinho sabe uma coisa grande”. Simplificando: o ouriço é mais inflexível, focado num objetivo, e a raposa tem mil ardis, adapta-se e por vezes hesita e volta atrás.

Uma destas raposas começou esta manhã um jogo novo. À hora em que ler este texto, António Costa está a começar as reuniões com os partidos para encontrar terreno comum para o orçamento suplementar – o tema político que marcará esta semana. É o político ardiloso em ação. O consenso correu bem durante o estado de exceção, agora Costa quer prolongá-lo na resposta à crise: ouvir a oposição e amanhã os parceiros sociais, admitir algumas propostas, garantir que passa sem drama. O Governo vai lançar agora um Plano de Estabilização Económico e Social, que mais não será do que um penso rápido, com um horizonte de atuação até ao final do ano – como escreveram a Liliana Valente e a Rosa Pedroso Lima no Expresso este sábado -, enquanto não chega o dinheiro da União Europeia, para uma resposta mais musculada de verdadeira emergência.

Encontrei a ‘fábula’ de Berlin recuperada por John Lewis Gaddis no livro “A Grande Estratégia” que a temperou com uma frase de Scott Fitzgerald para mostrar que os líderes são todos um misto de raposa e ouriço: uma inteligência de primeira ordem tem a “capacidade de manter ao mesmo tempo na cabeça duas ideias opostas e mesmo assim conservar a capacidade de funcionar”. Ou seja, numa realidade a preto e branco, Costa seria uma raposa e Passos Coelho um ouriço, por exemplo, mas a verdade é que o primeiro-ministro é uma raposa com forte ascendente em ouriço. E em Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de o totem da raposa ter grande preponderância, também lá estão uns picos de ouriço.

Primeiro Costa. Só uma raposa poderia ter montado a ‘geringonça’ com um objetivo fixo (a parte do ouriço) de chegar ao superávite, ou seja: ter na cabeça o fim de ir além das exigências de Bruxelas, mas fazê-lo com o apoio da esquerda, que defende exatamente o contrário. A raposa domina o perfil do PM, como se pode perceber neste artigo do Miguel Santos Carrapatoso sobre as melhores jogadas políticas de António Costa, mas o ouriço dá-lhe o pragmatismo para manter o poder.

Já Marcelo é uma raposa típica, “sabe muitas coisas” mas falta-lhe o foco. Pensa demais, avalia todos os quadros e todos os ângulos, umas vezes hesita outras avança por impulso, tem o objetivo de comer a galinha com a vantagem de já ter a canja garantida, mas estuda tantos cenários para entrar no galinheiro que por vezes acaba ultrapassado por outras raposas: por António Costa, que o forçou a assumir a recandidatura seis meses mais cedo, e por Rui Rio, que o deixou pendurado sem declarar já o apoio explícito (sabendo toda a gente que Marcelo será o candidato do PSD), embora o Presidente tenha aproveitado estar ao lado do líder social-democrata para equilibrar os pratos da balança em relação ao PS. Por mais raposa que seja, não se tem dado mal, e também tem o seu lado pragmático: é a única direita no poder, não tem o apoio da direita toda, mas aceita o endorsement da esquerda não só por necessidade mas também por adorar estas supremas ironias na política (ver o PS e os seus eleitores a votarem em si, que socialista nunca foi).

Entretanto, Ana Gomes vai mantendo uma atitude de raposa com objetivos de ouriço: ontem à noite, no seu comentário na SIC, a diplomata socialista voltou a dizer que está a “refletir”, sem “pressa”, sobre a sua eventual candidatura à Presidência.

As próximas presidenciais têm vencedor anunciado, mas isso não lhes tira importância não só pela circunstâncias sanitárias em que se vão realizar mas pelo impacto que podem ter no sistema. Se forem a rampa de lançamento de André Ventura para os dois dígitos, o embate será sistémico à direita. E para o regime.

Entre raposas e ouriços, alguém há-de escapar.


19 pensamentos sobre “Costa e Marcelo, duas raposas (com picos de ouriço)

  1. Não há pachorra.

    A civilização em risco, um tipo a pensar se daqui a uns tempos haverá o que comer, se não morrer asfixiado por um vírus tramado, e estes gajos extasiados com quesilias de café sobre carreirismo politico.

    Opá…

    Eu quero lá saber se um é esperto e o outro espertíssimo, estão os dois a fazer um bom trabalho, deixem-os estar e não arranjem problemas.

    • Nota. Pedrinho, não seja nabo.

      ______

      O cozido à portuguesa

      A segunda figura da hierarquia do Estado, o sr. Ferro Rodrigues, foi almoçar com a
      terceira figura da hierarquia do Estado, o sr. António Costa. Antes do pitéu, a segunda
      figura decidiu deixar claro que votaria na primeira figura da hierarquia do Estado, o sr.
      Marcelo Rebelo de Sousa, para Presidente da República. No pódio político nacional há
      unanimidade: um candidata-se, os outros são os primeiros apoiantes. Para o repasto não
      foi convidada a oitava figura da hierarquia do Estado, o sr. Rui Rio, a quem parece estar
      destinada a nobre missão de aplaudir a decisão da segunda e da terceira figuras da
      hierarquia do Estado. Por causa da unanimidade houve um pequeno tumulto no PS. Para
      ficarmos mais descansados sobre esta troca de afectos, o sr. Ferro Rodrigues esclareceu
      os distraídos portugueses: “Aliás, António Costa foi líder do grupo parlamentar do PS,
      coisa de que muito me orgulho. E mais tarde tive a ocasião de lhe retribuir.” Quando o sr.
      Costa passou a liderar o PS, trocaram: o sr. Ferro Rodrigues foi comandar a bancada
      socialista. Este é o chamado “cozido à portuguesa”.
      – Fernando Sobral, ontem.

      Fonte: P. (P2), 24.5.2020, p. 24.

      • Neste momento é mesmo com essas tretas que eu estou preocupado.

        Almocem todos uns com os outros as vezes que quiserem, eu quero é que resolvam os problemas.

        E neste momento estes até estão lidar bem com a situação.

    • A civilização em risco, por mais 2% de mortes durante dois anos, provavelmente a crise mais ligeira das próximas décadas? Estamos mal, muito mal.
      Resolver problemas era outra coisa, não fazer de conta que tudo volta ao mesmo (que já era à volta do nível de 2007) em 2 anos fazendo tudo igual, mentindo descaradamente em nome de amanhãs que cantam do pelotão da frente.

  2. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep1)
    25 MAIO 2020 ÀS 19:25 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    No Poleiro

    – Já cheguei. A q horas vens?

    Às 13.57 horas, o arguido JOSÉ SÓCRATES encontrava-se a almoçar na zona de Entrecampos, em Lisboa, no Restaurante “O Poleiro”.

    – Ja vou.estoi a almocar.as 3?

    Grande José Sócrates, 10.01.2014 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

    • Esse livro é giro.

      Neste momento estou a ler, ESGANA VELHAS O CARECA DA MORTE o presidente da de uma certa bancada parlamentar que matava clientes do seu luxuoso escritório de advogados, inspirado no grande Duarte Lima e O GRUPINHO DA BANCARROTA, inspirado nas actividades do grupinho do BPN do PSD.

      A Netflix também vai lançar a série TRAITORS IN HIGH PLACES onde conta a história incrível de partidos politicos que sabotaram um programa de ajuda soft que vinha num pec e que em vez disso impuseram uma troika de loucos que deu ainda mais cabo do país. Esta série está incluída na secção de cinema fantástico, de tal maneira parece incrível.

  3. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep2)
    26 MAIO 2020 ÀS 16:45 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Top

    Na mesma ocasião, o arguido JOSÉ SÓCRATES procurou informar-se, junto da editora BABEL, sobre quem atribuía os prémios em relação ao livro de ensaio e, ainda, qual o valor desses prémios, tendo-lhe sido referidos que os prémios eram atribuídos pela APE (Associação Portuguesa de Escritores) e pela APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros).

    A BABEL concorreu a vários prémios, não tendo sido atribuído qualquer prémio ao livro publicado pelo arguido JOSÉ SÓCRATES.

    Grande José Sócrates, 3.1.2014 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

  4. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep3, duplo)
    27 MAIO 2020 ÀS 16:55 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Maçadas

    Não obstante a falta de liquidez da sua conta, o arguido JOSÉ SOCRATES fazia questão de fazer donativos, sempre através de registo expresso na sua conta bancária, como aconteceu no dia 10.07.2014, em que efetuou um donativo a favor de Agostinho A., no valor de €2.000,00 tendo a sua conta ficado, após tal movimento, com um saldo negativo de €7.721,01.

    O mesmo aconteceu três meses depois, data em que efetuou um contributo para as festas de Vilar de Maçada, no valor de €1.500,00 tendo a sua conta ficado, depois disso, com um saldo negativo de €1.697,41.

    Grande José Sócrates, 10.7.2014 e 7.10.2014 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

  5. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep4)
    27 MAIO 2020 ÀS 23:02 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Taxinhas

    O arguido JOSÉ SÓCRATES dirigiu-se a uma caixa Multibanco para proceder ao pagamento de €1.600,00 referente a taxa de justiça de uma ação cível que havia intentado contra o CORREIO DA MANHÃ.

    Todavia, não conseguiu realizar esse movimento, que foi recusado por falta de saldo, pelo que entrou em contacto com a sua gestora de conta que o informou que apesar da sua conta ordenado ter um plafond a descoberto de €10.000,00 como a sua conta apresentava um saldo negativo de €8.697,88 o remanescente não era suficiente para proceder ao pagamento da quantia de €1.600,00.

    Grande José Sócrates, 5.8.2014 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

    🙂

  6. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep5)
    28 MAIO 2020 ÀS 17:38 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Mula*

    Assim nesse dia, o arguido GONÇALO FERREIRA foi ao encontro do arguido JOÃO PERNA, na zona de Telheiras, em Lisboa, a quem fez a entrega de €5.000,00 em numerário.

    O arguido JOÃO PERNA, na posse da referida quantia, entregou-a ao arguido JOSÉ SOCRATES, momentos depois.

    Deste montante, o arguido JOÃO PERNA entregou a quantia de €1.000,00 a Célia T., tendo referido, a alguém de nome Isabel, que ainda não tinha ido de férias porque:

    – Tinha que entregar dinheiro a uma mula, que estava na praia.

    Célia T., após receber tal quantia, entregue a título de ajuda financeira que esta vinha solicitando, há alguns dias, ao arguido JOSÉ SÓCRATES, como aliás acontecia todos os meses, enviou-lhe “sms” de agradecimento.

    Asterisco. Mula de padre: Mytho da barregã do ecclesiastico, que metamorphoseáda em mula, cumpre o seu fadario em certas noites, sentindo-se mesmo a sua passagem pelo tropel vertiginoso da carreira com que caminha, e o lugubre tilintar das cadeias que arrasta, apavorando immensamente a quantos presentem tudo isto. Cfr. Vocabulário Pernambucano, 1976 [1937], pp. 537-538.

    Grande João Perna, 6.8.2014 (páginas inéditas das memórias do antigo chauffeur de José Sócrates, em preparação).

  7. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep6, triplo)
    29 MAIO 2020 ÀS 15:55 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Vai-te

    1. O arguido JOSÉ SÓCRATES, através de “sms” enviado a Sandra S. perguntou quanto é que ela precisava, tendo esta respondido, por “sms”, em que o informou que precisava de €3.000,00.

    O arguido JOSÉ SÓCRATES, igualmente por “sms”, referiu-lhe:

    – Ora, deixa la. O nosso amigo vai-te mandar como habitualmente, ok?

    2. Assim, no período de tempo compreendido entre 2008 e 2014, o arguido CARLOS SANTOS SILVA, cumprindo instruções do arguido JOSÉ SÓCRATES, fez transferir, a favor de contas abertas, na
    Suíça, em nome de Sandra S., a quantia global de €99.750,00.

    3. Assim, no período compreendido entre os anos de 2008 e 2014, a título de transferências realizadas para contas abertas em nome de Sandra S., de remessa de quantias, via Western Union, e de pagamento de deslocações de Sandra Santos entre Portugal e a Suíça, a partir da conta do BES, em nome do arguido CARLOS SANTOS SILVA, foi despendida a quantia global de €106.528,27.

    Grande José Sócrates, 10.11.2013, assim-assim, passim (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

  8. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep7, a quadratura da vergonha)
    30 MAIO 2020 ÀS 17:30 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Formentera

    1.

    2.

    3. A reserva da moradia escolhida para a estada em Formentera foi realizada pelo arguido CARLOS SANTOS SILVA, por solicitação do arguido JOSÉ SÓCRATES, diretamente com o respetivo proprietário, Arturo F.

    Assim, o custo global desta estada importou em €18.000,00 que, por indicação do arguido JOSÉ SÓCRATES, foram pagos pelo arguido CARLOS SANTOS SILVA, mediante transferência bancária realizada por débito na conta do BES, da titularidade daquele arguido, mobilizando os fundos que ali se encontravam depositados e eram pertença do arguido JOSÉ SÓCRATES.

    4. No período em que o arguido JOSÉ SÓCRATES esteve em Formentera não se registaram, na sua conta junto da CGD, quaisquer débitos relacionados com despesas dessas férias.

    Como estava acordado entre os arguidos, após a repatriação do dinheiro da Suíça, as despesas do arguido JOSÉ SÓCRATES, em viagens e alojamento, eram sempre suportadas pelo arguido CARLOS SANTOS SILVA, que fazia as respetivas compensações com dinheiro que era do arguido JOSÉ SÓCRATES, mas que detinha em seu nome.

    Grande José Sócrates, 7.7.2014, 11 e 12.7.2014, “há festa na moradia” de 8 a 20.7.2014, passim (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

  9. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep7, segunda parte d’a quadratura da vergonha)
    31 MAIO 2020 ÀS 17:26 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Formentera

    1. A arguida INÊS DO ROSÁRIO ligou ao arguido JOSÉ SÓCRATES, tendo ficado combinado que o arguido JOÃO PERNA se encontraria com ela, ao final da tarde, a fim de lhe entregar os bilhetes e as quantias em numerário.

    De seguida, o arguido JOSÉ SÓCRATES telefonou ao arguido JOÃO PERNA e ordenou-lhe que fosse encontrar-se com a arguida INÊS DO ROSÁRIO para lhe:

    – … dar os bilhetes e… uma série de coisas.

    Nesta “série de coisas” incluía o arguido JOSÉ SÓCRATES o recebimento, como tinha sido combinado entre os arguidos JOSÉ SÓCRATES, CARLOS SANTOS SILVA e INÊS DO ROSÁRIO, de €10.000,00 em numerário, que tinham sido levantados.

    Nesse circunstancialismo, a arguida INES DO ROSÁRIO entregou ao arguido JOÃO PERNA, os bilhetes impressos para a viagem para a Ilha de Formentera, bem como a quantia de €10.000,00 em numerário, que o arguido JOÃO PERNA entregou ao arguido JOSÉ SÓCRATES.

    2. Nesse telefonema, [posterior, dia 7 antes e dia 11 agora] o arguido JOSÉ SÓCRATES aproveitou para pedir a entrega de mais uma quantia em numerário dizendo que:

    – Precisava… de mandar aí o João… para, uma coisa… pode ser ah… menos que, ou metade… de… de…

    Queria dessa forma, referir-se a uma entrega de metade do habitual que, nesse período, se cifrava em entregas no montante de €10.000,00.

    Uma vez na posse da referida quantia de €5.000,00 em numerário, o arguido JOÃO PERNA, conforme instruções que havia recebido, tentou ligar ao arguido JOSÉ SÓCRATES, mas não conseguiu falar com o mesmo, alegadamente, por falta de rede.

    Nessa impossibilidade, o arguido JOÃO PERNA telefonou a Fernanda C., tendo-a informado que já tinha ido buscar os documentos, conforme instruções recebidas do arguido JOSÉ SÓCRATES, e queria saber o que fazer com os mesmos.

    Fernanda C. avisou o arguido JOSÉ SÓCRATES que o arguido JOÃO PERNA tinha ligado por causa dos “documentos”, tendo aquele ficado extremamente irritado com o facto de o arguido JOÃO PERNA ter telefonado a Fernanda C.

    De seguida, os arguidos JOSÉ SÓCRATES e JOÃO PERNA mantiveram conversa telefónica em que aquele, visivelmente irritado, lhe referiu que “essas matérias”, referindo-se à entrega de quantias em numerário, tinham que ser tratadas direta e exclusivamente com ele e que, no caso de não conseguir falar com ele, tinha que esperar, não podendo falar com mais ninguém sobre esse assunto.

    O arguido JOÃO PERNA ainda tentou argumentar dizendo que não falou em dinheiro, mas em “documentos”, retorquindo o arguido JOSÉ SÓCRATES que não podia falar com mais ninguém, estava proibido, respondendo o arguido JOÃO PERNA que já tinha percebido.

    3.

    4.

    Grande João Perna, 7.7.2014, 11 e 12.7.2014, “há festa na moradia” de 8 a 20.7.2014, passim (páginas inéditas das memórias do antigo chauffeur de José Sócrates, em preparação).

  10. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep8)
    1 JUNHO 2020 ÀS 17:29 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Perna Longa

    O arguido JOÃO PERNA transmitiu mesmo à sua irmã Paula P., o seu desagrado em relação à conduta do arguido JOSÉ SÓCRATES, quanto aos pedidos de adiantamento de dinheiro da própria conta do JOÃO PERNA, para pagar encargos daquele, referindo que, nesse mesmo dia, o arguido JOSÉ SÓCRATES até tinha mandado o filho pedir-lhe dinheiro, solicitação que se tinha repetido em três dias seguidos.

    Com efeito, o arguido JOÃO PERNA adiantava dinheiro do seu bolso ao arguido JOSÉ SÓCRATES, a pedido do mesmo, para este pagar almoços e jantares e outras despesas, continuando a pedir-lhe o adiantamento dessas quantias mesmo quando JOÃO PERNA lhe referia que era ele próprio quem precisava de dinheiro, pelo que o JOÃO PERNA referiu à sua irmã, na conversa supra referida que:

    – Ele não tem e o mais engraçado é que eu tenho de ter.

    Com efeito o arguido JOÃO PERNA tinha adiantado ao arguido JOSÉ SÓCRATES, por solicitação deste, a quantia de €200,00 e tinha ainda pago refeições para o filho deste último arguido, colocando o próprio JOÃO PERNA em dificuldades financeiras.

    Tais dificuldades do arguido JOÃO PERNA levaram mesmo a sua irmã Paula P., conhecedora de que era o arguido CARLOS SANTOS SILVA que fazia chegar as quantias em numerário ao arguido JOSÉ SÓCRATES, a sugerir-lhe que falasse com quem fazia as entregas de dinheiro para o arguido JOSÉ SÓCRATES, perguntando-lhe se:

    – … não falas com o outro? Ou não sei quem te dava o dinheiro?

    Grande João Perna, 15.10.2014 (páginas inéditas das memórias do antigo chauffeur de José Sócrates, em preparação).

  11. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep9, a epígrafe de uma vida)
    2 MAIO 2020 ÀS 16:58 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Boquiabertos

    O arguido JOSÉ SÓCRATES perguntou a José A. V., qual o montante de IRS que tinha que pagar e qual o prazo limite para o fazer, tendo sido informado que o prazo de pagamento terminava nesse dia.

    Mais o informou, que o arguido JOSÉ SÓCRATES tinha a pagar €43.724,13 a título de IRS, devendo proceder a tal pagamento através de transferência bancária, situação que deixou este arguido muito incomodado, ao ponto de desabafar:

    – Estes gajos são… são uns ladrões, este governo, ópá!….

    O arguido JOSÉ SÓCRATES ligou à sua gestora de conta da CGD, Dina A., a quem pediu ajuda para resolver o problema com que se deparava em relação ao pagamento do IRS.

    Referiu[-lhe] que tinha que pagar o IRS, que já tinha um dia em atraso [cinco, na verdade] e que tinha ficado “boquiaberto” com o valor que tinha para pagar, tendo mesmo desabafado:

    – … realmente, agora já começo a passar-me para o outro lado, acho que realmente o Estado nos rouba de uma forma absolutamente impressionante.

    Dina A. informou-o que à data tinha na sua conta, “para movimentação”, a quantia de €31.000,00 em resultado do depósito do ordenado da OCTAPHARMA.

    No sentido de conseguir arranjar a quantia em falta, o arguido JOSÉ SÓCRATES perguntou quanto é que a sua mãe tinha a prazo na CGD, tendo sido informado por Dina A., que a mesma apenas
    tinha €4.000,00 a prazo, pelo que o arguido JOSÉ SÓCRATES concluiu que teria de contratualizar novo empréstimo.

    O arguido JOSÉ SÓCRATES quis saber quanto ficaria a pagar por mês, caso solicitasse um novo empréstimo, no valor de €20.000,00, tendo Dina A. referido que tinha dois empréstimos:

    – Tem aquele que fez no início do ano e este que fizemos agora recentemente.

    Adiantou a gestora de conta, que do empréstimo feito no início do ano, no valor inicial de €75.000,00 e que agora se cifrava em €52.000,00 pagava a quantia de €3.644,00 mensais, e que do empréstimo contraído mais recentemente, no valor de €40.000,00 pagava mensalmente uma prestação de €1.902,00.

    O arguido indagou então quanto é que tinha que pagar se o empréstimo fosse, não de €20.000,00 mas sim de €40.0000,00 tendo concluído que passaria a pagar uma prestação mensal global de sete/oito mil euros, logo anotando:

    – Não é muito para, pr’o que é, praticamente é regressar mais ou menos aquilo que eu tinha de vencimento, não é?

    Combinaram então, que seria contratualizado um empréstimo no montante de €30.000,00 em que foi creditada na conta do arguido JOSÉ SÓCRATES a quantia de €29.418,00, relativa a esse mesmo empréstimo, sendo de imediato debitado o valor referente ao pagamento do IRS.

    Grande José Sócrates, 18.9.2014 e 23.9.2014 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação). Epígrafe: «Aqui vou rolando, e amunhecando o que posso, afim de ter para o futuro uma vida mais descançada». (O Cometa n. 18 de 1843). Desta vez correu mal, conheceu-se o outro lado.

  12. Off.

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep10, os dias do fim)
    3 JUNHO 2020 ÀS 15:31 POR VALUPI DEIXE O SEU COMENTÁRIO

    Sururu

    JOÃO GALAMBA enviou “sms”, ao arguido JOSÉ SÓCRATES, a informá-lo que tinha recebido um “sms”, que lhe reencaminhou, com o seguinte teor:

    – Fala com o JS. Há sururus de que vai ser feito q coisa contra ele.

    Grande João Galamba, 8.10.2014 (episódios da sua vida política, gastronomia e sociabilização grupal até que o aventureiro José Sócrates se cruzou com a Sorte macaca: as minas e armadilhas na blogosfera, o hemiciclo, a fidelidade, o combate tribunício ao governo do PSD/CDS, a vaidade, as desventuras da prisão de Évora, os pormenores de uma traição, ou de como alguns discípulos do Socratismo se transformaram em macacões trepadores politicamente irrelevantes e litiosamente reconhecidos durante o governo do Costismo, sempre rolando e amunhecando o que se pode em seu louvor).

    _____

    Amunhecar — Tirar, gadanhar, furtar; cahir de pernas, tropeçar, ir ao chão; retrahir-se encabulado, envergonhado, murcho, agarrar, abraçar, foiçar, na giria dos gatunos do Rio de Janeiro. “Aqui vou rolando e amunhecando o que posso afim de ter para o futuro uma vida mais descançada”. (O Cometa n. 18 de 1843). “Conhecendo do enjôo que sua pessôa inspirou ao magistrado, amunhecou, murcho como uma creança que recebe um piparote da mamãe”. (O Estimulo, Parahyba do Norte, n. 9 de 1893). Cfr. Vocabulário Pernambucano, 1976 [1937], p. 37.

  13. Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep11, onze!, e no fim faz-se o rol dos cabrões, cabreiros e cabrãozinhos)*
    4 JUNHO 2020 ÀS 17:11 POR VALUPI 1 COMENTÁRIO

    […]

    Assim, foram acusados:

    JOSÉ SÓCRATES CARVALHO PINTO DE SOUSA, pela prática de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político (3), branqueamento de capitais (16), falsificação de documento (9) e fraude fiscal qualificada (3).

    CARLOS MANUEL DOS SANTOS SILVA, pela prática de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político (1), corrupção ativa de titular de cargo político (1), branqueamento de capitais (17), falsificação de documento (10), fraude fiscal (1) e fraude fiscal qualificada (3).

    JOAQUIM BARROCA VIEIRA RODRIGUES, pela prática de crimes de corrupção ativa de titular de cargo político (1), corrupção ativa (1), branqueamento de capitais (7), falsificação de documento (3) e fraude fiscal qualificada (2).

    LUÍS MANUEL FERREIRA DA SILVA MARQUES, pela prática de crimes de corrupção passiva (1) e branqueamento de capitais (1).

    JOSÉ LUÍS RIBEIRO DOS SANTOS, pela prática de crimes de corrupção ativa (1) e branqueamento de capitais (1).

    RICARDO ESPÍRITO SANTO SALGADO, pela prática de crimes de corrupção ativa de titular de cargo político (1), corrupção ativa (2) branqueamento de capitais (9), abuso de confiança (3), falsificação de documento (3) e fraude fiscal qualificada (3).

    ZEINAL ABEDIN MOHAMED BAVA, pela prática de crimes de corrupção passiva (1), branqueamento de capitais (1), falsificação de documento (1) e fraude fiscal qualificada (2).

    HENRIQUE MANUEL FUSCO GRANADEIRO, pela prática de crimes de corrupção passiva (1), branqueamento de capitais (2), peculato (1), abuso de confiança (1) e fraude fiscal qualificada (3).

    ARMANDO ANTÓNIO MARTINS VARA, pela prática de crimes de corrupção passiva de Titular de Cargo Político (1), branqueamento de capitais (2) e fraude fiscal qualificada (2).

    BÁRBARA CATARINA FIGUEIRA VARA, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (2).

    RUI MIGUEL DE OLIVEIRA HORTA E COSTA, pela prática de crimes de corrupção ativa de titular de cargo político (1), branqueamento de capitais (1) e fraude fiscal qualificada (2).

    JOSÉ DIOGO DA ROCHA VIEIRA GASPAR FERREIRA, pela prática de crimes de corrupção ativa de titular de cargo político (1), branqueamento de capitais (2) e fraude fiscal qualificada (3).

    JOSÉ PAULO BERNARDO PINTO DE SOUSA, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (2).

    HÉLDER JOSÉ BATAGLIA DOS SANTOS, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (5), falsificação de documento (2), abuso de confiança (1) e fiscal qualificada (2).

    GONÇALO NUNO MENDES DA TRINDADE FERREIRA, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (3) e falsificação de documento (1).

    INÊS MARIA CARRUSCA PONTES DO ROSÁRIO, pela prática de crime de branqueamento de capitais (1).

    JOÃO PEDRO SOARES ANTUNES PERNA, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (1) e detenção de arma proibida (1).

    SOFIA MESQUITA CARVALHO FAVA, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (1) e falsificação de documento (1).

    RUI MANUEL ANTUNES MÃO DE FERRO, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (1) e falsificação de documento (4).

    LENA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES, SA, pela prática de crimes de corrupção ativa (2) branqueamento de capitais (3) e fraude fiscal qualificada (2).

    LENA ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO SGPS, pela prática de crimes de corrupção ativa (2) e branqueamento de capitais (1).

    LENA SGPS, pela prática de crimes de corrupção ativa (2) e branqueamento de capitais (1).

    XLM-SOCIEDADE DE ESTUDOS E PRJECTOS LDA, pela prática de crimes de branqueamento de capitais (3) e fraude fiscal qualificada (2).

    RMF-CONSULTING, GESTÃO E CONSULTORIA ESTRATÉGICA, Lda, pela prática de crime de branqueamento de capitais (1).

    XMI – MANAGEMENT & INVESTMENTS SA, pela prática de crimes de corrupção ativa (1) e branqueamento de capitais (1).

    OCEANO CLUBE – EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS DO ALGARVE SA, pela prática de crimes de fraude fiscal qualificada (3).

    VALE DO LOBO RESORT TURÍSTICO DE LUXO SA, pela prática de crimes de fraude fiscal qualificada (3).

    PEPELAN – CONSULTORIA E GESTÃO SA, pela prática de crimes de fraude fiscal qualificada (1) branqueamento de capitais (1)

    Asterisco. “Queres ver que lhe vai calhar o 11? Quase que aposto!”, manda um dos caçadores para o ar. António Ferreira mete a mão no gorro, mexe os dedos para baralhar melhor os papéis. Escolhe um e abre-o a rir. É o 11. “Eu logo vi!”, comenta-se. // No fim do sorteio perguntamos a António Ferreira por que é que o posto 11 gerou tanta chacota. “Ora!, então”, diz, como se achasse que tínhamos a obrigação de sabê-lo, “o 11 é o número do cabrão!”. Dúvidas restassem, faz um sinal com as mãos que imita uns cornos.

    Fonte: P., 3.2.2013, online.

    Grande José Sócrates, 9 e 11.10.2017 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

    ______

    RFC
    2 DE JUNHO DE 2020 ÀS 17:12

    Valulupizinho, porra!, mas que aldrabão d’um cabrão que tu és…

    • Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep7)
      6 Junho 2020 às 23:43 por Valupi Deixe o seu comentário

      LOL, 🙂

      Na rua do Duque, 13, está, há tempo, estabelecido, com venda de bebidas, Valupi, a quem nunca se percebera qualquer desarranjo mental. Há dias, porém, o taberneiro chamou dois moços de fretes, um conhecido pelo «Pau Preto» e outro de nome José Neves, e, entregando-lhes picaretas, ordenou-lhes que, numa das dependências do estabelecimento, abrissem um poço. Lançando-se ao trabalho, os dois homens abriram uma cavidade enorme, sem suspeitar[em] de que o proprietário da locanda perdera o uso da razão; mas, a certa altura, lembraram-se de lhe perguntar para que servia aquele poço, obtendo como resposta que para ligar a casa com a Ericeira, a fim de obter peixe de graça!

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