A guerra EUA – Irão

(Carlos Esperança, 09/01/2020)

O assassinato ordenado por Trump, contra o general sírio Qasem Soleimani, chefe da Força Revolucionária da Guarda Quds do Irão, em Bagdad, demonstrou a insânia de um demente e a arrogância de um déspota. A posterior ameaça de destruir o rico património histórico da civilização persa e seguir o exemplo dos talibãs que destruíram os Budas de Bamiyan, do Vale do Bamiyan, no Afeganistão, ameaça da qual já recuou, revela a sua indigência cultural e indiferença perante mais um crime previsto nas leis internacionais.

A execução do importante general e de mais oito pessoas, no país ocupado pelos EUA, a convite das autoridades locais, foi um crime para aliviar a pressão do “impeachment”, em apreciação, que os seus ataques reiterados à legitimidade e à ética exigiram.

Este crime, uma afronta à legalidade internacional, foi perpetrado por quem detém um poder brutal e é capaz de tudo para garantir a reeleição e a impunidade à sua conduta. A transferência da embaixada de Telavive para Jerusalém foi uma provocação gratuita aos muçulmanos, ao arrepio dos países tradicionalmente aliados dos EUA, e serviu apenas para acirrar ódios e aumentar a tensão na região.

Nesta altura, não se podem esquecer os nomes sinistros de Bush, Blair, Aznar e Barroso na invasão do Iraque, invasão criminosa que agravou os problemas do Médio Oriente e pôs o mundo em progressivo sobressalto, sem que o TPI os possa julgar.

O Irão é uma teocracia, abjeta como todas as teocracias, uma ditadura fascista, como a Arábia Saudita, e o Islão político é quase tão perigoso como Trump, mas ninguém, até hoje, tinha ido tão longe no desafio a leis internacionais e no desprezo por tratados que o próprio país assinou, como os EUA de Trump.

Como danos colaterais há o reforço dos grupos terroristas islâmicos e a iminência de um desastre global com uma guerra que, se começar, pode não deixar sobreviventes.
Não se esperava de um presidente americano, apesar dos vários e graves desvarios após a guerra de 1939/45, que houvesse um Trump que atraiçoasse os tratados assinados, que se atribuísse o direito de negar vistos a participantes na ONU, como se esta fosse refém do país em cujo território está sediada, e que decidisse guerras em nome da NATO sem a anuência dos seus aliados.

Enfim, a barbárie já começou. O futuro do mundo é cada vez mais incerto e reduzido. A atitude da Rússia e da China são decisivas. A chantagem de Trump sobre a UE já se faz sentir e a comunicação social já está a ser submetida aos seus interesses.

A opinião pública mundial hesita entre o medo, a angústia e a revolta, e, de momento, a guerra parece estar suspensa.

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