As confusões sobre a social-democracia

(José Pacheco Pereira, in Público, 14/09/2019)

Pacheco Pereira

Na actual vida política portuguesa, há dois partidos de génese social-democrata, o PS e o PSD, um partido com um pé dentro e outro fora, o Bloco de Esquerda, e dois fora: o PCP e o CDS.


As declarações de Catarina Martins suscitaram a habitual tempestade num copo de água, no anedotismo da cobertura jornalística e comentarial, na qual se mistura muita ignorância e o tribalismo cada vez mais crescente na vida política portuguesa.

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A afirmação de que o Bloco de Esquerda é social-democrata pode ser meramente táctica, mas não é um disparate por aí além. Na actual vida política portuguesa, há dois partidos de génese social-democrata, o PS e o PSD, um partido com um pé dentro e outro fora, o Bloco de Esquerda, e dois fora: o PCP e o CDS.

O PCP é um partido marxista-leninista, em termos de programa e de organização, embora desde o 25 de Abril tenha andado a arranjar diferentes cosméticas para disfarçar ao que vém. Foi o abandono táctico da ditadura do proletariado, a “democracia avançada” e um silêncio incomodado sobre a revolução no sentido leninista do termo. Mas, pesadas as distâncias e os eufemismos, o PCP nunca repudiou esse património. Por seu lado, o CDS teve uma matriz democrata-cristã, com que rompeu na sua metamorfose de Partido Popular pelas mãos de Monteiro e Portas. Ai abandonou muito do seu vocabulário social de origem na democracia cristã e assumiu-se como partido de direita, com as causas da direita, anti-europeu, e com um braço populista que depois teve que cortar, o Independente.

A tradição social-democrata pode ser definida de forma simplista como a combinação de uma dimensão democrática, após o abandono da ideia de revolução no início do século XX pelos socialistas alemães, facilitada com a ruptura com a Internacional Comunista, com uma ideia de justiça social para a qual o estado é um elemento fundamental como instrumento equilibrador das desigualdades e distributivo. O PS vem directamente desta tradição, como os partidos socialistas europeus da Internacional Socialista, e o PSD contem essa componente, combinando-a na experiência sui generis portuguesa com o liberalismo político e o personalismo cristão, na visão do homem e da política.

Os fundadores do PSD e em particular Sá Carneiro repetiram incessantemente que o PSD “não era um partido de direita”, e desafio alguém a encontrar uma única citação em contrário. E Sá Carneiro fê-lo de 1974 a 1980, e o mesmo repetiu várias vezes Magalhães Mota, Balsemão, Barbosa de Melo, Mota Pinto, Nuno Rodrigues dos Santos, Vítor Crespo, etc., etc., pelo que não estamos a falar apenas das circunstâncias do PREC, como muitas vezes, os defensores da colocação do PSD na direita, repetem e sugerem. Todos estes homens tinham uma formação política e ideológica muito consistente, pelo que é quase um insulto achar que o estavam a fazer apenas para disfarçar a verdadeira posição do PSD.

Há outro argumento habitual, o de que os dirigentes podiam ser assim, mas a “base” era politicamente de direita. Sim e não. Havia zonas do país onde o eleitorado do PSD se colocava mais à direita, mas isso porque esse eleitorado era muito anticomunista (e diga-se de passagem, anti-maçónico…), mas a política do PSD até aos dias de Passos e do seu grupo neo-liberal, nunca o foi. Nessa época é que muita coisa mudou, seja-se justo, com continuidade a sinais que já vinham de Barroso e Santana Lopes.

Na verdade, muita da confusão ideológica actual vem do PSD ter objectivamente abandonado a sua postura social-democrata e não apenas ter virado à direita, mas virado muito à direita, a uma direita para quem a palavra social-democrata era maldita. E a “culpa” não foi a troika, foram as ideias do “ajustamento”, os seus métodos e os seus alvos e a sua retórica. Esses anos podem muito bem ter destruído a autonomia e o papel do PSD na sociedade portuguesa, tirando-lhe a identidade.

Quando Rio tomou conta do PSD, encontrou de imediato várias oposições aliadas entre si, desde o núcleo mais à direita, quer os perdedores internos, com Lopes à frente, a finalmente fazer, com os resultados que se vêm, um partido só dele. Mas a principal dificuldade para recentrar o PSD e fazê-lo voltar às propostas moderadas e reformistas da social-democracia é a gigantesca orfandade e correlativa pressão da direita portuguesa que conheceu o período áureo nos anos da troika, com as ideias neo-liberais a serem executadas por um partido que tinham capturado e que tinha uma coisa que eles não tinham, votos. Com a activa colaboração da matilha de jornalistas com contas a ajustar com Rio, podem ter conseguido estragar o PSD. O tempo mostrará que este já o recebeu muito e muito estragado.

Voltando agora ao Bloco. O Bloco é hoje a ala esquerda do PS, o PS radical. Daí a acrimónia entre ambos, visto que estão demasiado perto. O Bloco abandonou a tradição marxista-leninista que vinha da UDP e do PC(R), herdou o folclore trotsquista que era mais moderno e comunicacional do que o dos maoistas, e instalou-se no território da burguesia radical chic com enorme sucesso.

Abandonou a revolução, e associou-se a reivindicações de carácter socio-económico, o que lhe dá uma componente social-democrata. Porém, afasta-se da social-democracia nas chamadas “causas fracturantes” e na cultura feminista, ecologista, LGBT+, etc. Isso, queira o Bloco ou não, significou uma subvalorização das causas socialistas clássicas, numa tradição que vinha do marxismo. Por isso, o Bloco tem um pé fora da social-democracia, visto que essas causas contra-culturais, de género e de identidade, sobrepõe factores culturais no sentido lato à determinação económico-social. Por exemplo, a condição feminina deixa de se entender como mudando essencialmente por factores socio-económicos que dão mais “liberdade” à mulher e por isso a emancipam, em detrimento de uma guerra cultural e de linguagem à volta da identidade feminina.

Voltaremos noutra altura, porque isto dá pano para mangas.

18 pensamentos sobre “As confusões sobre a social-democracia

  1. Nota. Epá, aparentemente, um focus group das tais sondagens do Largo do Rato alertou a malta do PS para que os eleitores não andavam a achar muita graça ao ver o António Costa, há uns meses largos, sempre em festa. Desde o distante mês de Julho, noto, em que o tipo passou uma semana a “inaugurar” Centros de Saúde há meses em funcionameno, até à cena macaca da EN2 para despacharem os tempos de antena… Parece-me bem esta medida da Ana Catarina Mendes, em todo o caso, pois uma das coisas que me anda seriamente a preocupar, sempre que vejo o António Costa ultimamente a discursar nas TV’s, é quando é que, com tanto frenesim eleitoral, aquela pança bem nutrida vai rebentar. Bem-vindo à Rota das Ervas Urbanas Socialistas (REUS), pois, que, pode ser um acaso!, mas até rima e… é verdade.

    LEGISLATIVAS 2019

    PS promete campanha light, sem rota da carne assada e amiga do ambiente

    Partido reduziu a sua actividade na campanha eleitoral a duas iniciativas por dia. Arranque será em Lisboa e encerramento no Porto.

    Liliana Valente 16 de Setembro de 2019, 13:24

    O PS vai andar na estrada numa campanha “leve”, disse aos jornalistas a directora de campanha Ana Catarina Mendes. E o que significa isto? “António Costa é primeiro-ministro e fará sobretudo campanha à tarde”. Tendo em conta as dificuldades de agenda “porque o Governo está em funções”, os socialistas decidiram mudar a estrutura de campanha eleitoral, acabando com os famosos almoços e jantares-comício (haverá apenas um almoço no distrito do Porto ainda sem local definido) e com grandes deslocações. Costa fará um distrito por dia passará sobretudo pelas capitais, participando numa acção de campanha (arruadas, debates ou outros) e num comício à noite.

    […]

    No P., online.

    • […]

      VERDES E POUPADOS
      Ana Catarina Mendes chamou a atenção para dois princípios que terão orientado o planeamento da campanha: a preocupação ambiental e a contenção de custos. De acordo com a dirigente socialista, a campanha de 2019 será 33% mais barata do que a de 2015, e “ambientalmente sustentável” – parte dos panfletos será em papel reciclável, e em vez das tradicionais canetas como brindes, haverá lápis de produção portuguesa. Depois das eleições, o PS promete fazer duas ações nacionais de plantação de árvores para garantir a neutralidade carbónica da sua campanha.

      No Expresso online, entretanto.

      Haja cu! LOLOL

      • Adenda. Epá, ó da Estátua: olha que, com este #Candomblé político inventado agora pelo PS transformando os fogos em #Portugal numa cena fantasmagórica, o Filipe Santos Costa e o
        Expresso ganharam com uma goleada…🙂

  2. Já vi que há uma tonelada de algodão e de parvaria n’A Estátua de Sal, nomeadamente a produzida na baiuca clandestina do camarada Viktor-olha-quem!, mas já volto. Entretanto, o Vicente…

    Nota, prévia.

    Concordo o bastante com o artigo do Vicente Joge Silva, hoje. Chama a atenção para o eleitorado flutuante dentro da Geringonça, um assunto sério (como tenho vindo a dizer por aqui, sublinho-o outr vez: que o BE percebeu a estratégia do PS definida na noite das europeias, deu-lhe de imediato e continua a dar luta tentando, mesmo, alargar o seu espaço eleitoral tradicional!; enquanto isso os camaradas do PCP parece que andam a dormir na parada: a direcção do Jerónimo de Sousa, por um lado, sem mexer uma palha parecendo, aparentemente, satisfeita com o abraço de urso de um cínico António Costa, os tardiamente críticos no interior do PCP, por outro, encantados com as possibilidades que a merda do FB abriu na modalidade olímpica do activismo de sofá, através da proliferação de perfis falsos, e que se preparam até para fazer um abaixo-assinado contra a… Geringonça lui même!). Haja cu, como diz o outro.

    ______

    A angústia da maioria absoluta

    A possibilidade cada vez mais próxima,
    apesar das imprevisíveis incógnitas de última hora,
    de o PS conquistar a maioria absoluta nas legislativas de 6
    de Outubro provoca naturalmente
    os sentimentos mais diversos,
    desde a satisfação plena dos
    militantes socialistas incondicionais
    até à decepção, o desencanto, a
    impotência dos que, identificados
    com outros partidos à esquerda ou
    à direita, se sentirão mais ou menos
    frustrados com esse resultado.

    Há, no entanto, outras categorias
    de eleitores que não se enquadram
    nesses sentimentos de identificação
    partidária,mas cujo voto será
    determinante para o desfecho das
    eleições. Podem considerar-se mais
    à esquerda ou mais à direita, mas,
    no fundo, uma parte significativa
    deles irá votar (os que votarem,
    claro) em função do que
    consideram estar mais sintonizado
    com o momento que o país
    atravessa e as expectativas que se
    apresentam para o nosso futuro
    próximo, incluindo a conjuntura
    económica e política internacional.
    Ora esse voto flutuante pode
    favorecer desde a maioria absoluta
    do PS — a única previsível — até à
    aposta táctica noutras forças que
    permitam uma conjugação tipo
    “geringonça” ou semelhante, sem
    excluir os novos movimentos que
    propõem diferentes caminhos à
    direita.

    Apesar da tendência crescente
    das sondagens em prever a maioria
    absoluta do PS, a importância do tal
    eleitorado flutuante parece ter-se
    tornado verdadeiramente decisiva,
    tendo até em conta, por exemplo,
    que nele se incluem votantes mais
    sintonizados afectivamente com a
    área socialista mas receosos dos
    eventuais “excessos” das maiorias
    absolutas (os tais “excessos” que os
    portugueses não gostam, como
    chegou a admitir António Costa
    numa entrevista e provocando uma
    reacção muito crispada de José
    Sócrates).

    Sendo a flutuação aparentemente
    mais fácil entre as águas mais à
    esquerda do PS e as do Bloco, é
    natural que seja aí que a
    transferência de votos — num
    sentido ou noutro — se revele mais
    abundante. Isso explica, de resto, os
    sucessivos arrufos entre Catarina
    Martins e António Costa (que
    cultiva, pelo contrário, uma
    proximidade afectuosa com
    Jerónimo de Sousa) ou as recentes
    declarações de Catarina sobre as
    raízes sociais-democratas do Bloco.
    Mas há outro fenómeno que
    ameaça ganhar proporções inéditas
    entre o tal eleitorado flutuante: o
    PAN. É o partido que melhor tem
    conseguido impor a sua “agenda”
    nos debates (como aqueles que
    opuseram André Silva a Rui Rio e
    António Costa), escapando aos
    temas mais incómodos ou
    tradicionais, como a saúde e as
    questões económicas.

    Outro aspecto relevante do
    fenómeno PAN é que, apesar das
    acusações de “fundamentalismo
    animalista” e de comportamento de
    seita que lhe são feitas, parece ser o
    voto mais pacífico para o eleitorado
    flutuante que encara com reservas a
    maioria absoluta do PS. António
    Costa não foi, aliás, indiferente a
    essa inclinação, quase elegendo o
    PAN como seu aliado preferencial,
    num cenário em que a velha
    “geringonça” seria dispensável.

    A angústia da maioria absoluta
    está a condicionar o
    comportamento do eleitorado
    flutuante, em função da escolha dos
    partidos mais compatíveis e
    “aliáveis” com o inevitável
    vencedor das próximas eleições. É
    um aviso à navegação (já à vista por
    esse mundo fora): com o
    crescimento do eleitorado
    flutuante, a tradição das escolhas
    democráticas e a identificação com
    os programas partidários tenderão
    a diluir-se em votos tácticos e de
    circunstância. Até ao momento em
    que se tornará indispensável
    reinventar a democracia — ou,
    como alternativa, a deixarmos
    agonizar num mero formalismo
    sem alma.

    Fonte: P., 15.9.2019, p. 32.

    • Adenda. E agora, seguindo a ordem de imporância das coisas, vamos tratar do nosso expediente. Epá, enretanto… vi agora que andam a elogiar A Estátua de Sal, nada mau! Por fim, daqui a bocado, cheio de ganas!, lerei as pavarias escrevinhadas pelo camarada Viktor sobre os sozialdemokratische, prometo… 🙂
      Beijo.

      XXXXXXX

      14.09.19
      Ó Eremita, pá, alegra-te também que tu, afinal, sempre vês alguma coisa.

      Numa caixa de comentários, ali ao lado, chamaram há dias a atenção para um artigo do Francisco Assis no P. online que, salvo melhor opinião, é superior aos do José Pacheco Pereira e do António Guerreiro. No entanto, não se ficou por aqui, o tipo, ao referir-se as trivialidades (poderia chamar-se a isto ir para além da espuma dos dias…), tribalismo e a ignorância que surgiram como reacções ao que disse a Catarina Martins.

      Lê, inspira-te e faz-lhes justiça.

      10 pensamentos sobre “O salário mínimo de que Costa se orgulha existiria se não fossem os acordos da “geringonça”?”

      XXX diz:
      Setembro 12, 2019 às 5:40 pm

      Nota. Isto mereceria um olhar atento, ó d’A Estátua! Embora se estique um bocado, o tipo aborda uma parte da coisa política portuguesa que está para além da espuma dos dias e que ainda não tinha visto ninguém fazer. A saber, pois: será aceitável que o BE tente alargar o seu espaço eleitoral, na definição da sua estratégia política, não deixando o PS-de-sempre investir como faria uma besta sem freio e sem que, a partir da/s esquerda/s!, lhes fosse dada luta? Mais: e sem que os seus fundadores do PSR/UDP/Política XXI, os sobreviventes, viessem jurar vingança face a este “desvio de direita”, como diria o PCP, e sem que aparentemente andem pelo #Twitter, pela merda do FB e pelos blogues indígenas em exercícios de hardcore, plasticamente indignos, a queimarem as suas vestes ideológicas em público? E ainda, ponto importante, se esta é uma evolução ideologicamente aceitável (pode dizer-se assim?), que é bom lembrar começou, pública e ciciadamente, com uma simples frase da Catarina Martins sobre a subida do ordenado mínimo nacional que o BE, face à arrumação político-partidária existente, tornou numa bandeira sua?

      https://www.publico.pt/2019/09/12/politica/opiniao/renegada-catarina-socialdemocracia-1886304

      […]

      Neste novo contexto histórico caberá, então, perguntar se o Bloco de Esquerda é enquadrável no espaço da social-democracia. Não o foi claramente no seu início por opção própria, que terá tido a ver com a natureza das organizações partidárias que o fundaram e com o pensamento e os percursos políticos dos seus principais dirigentes. A verdade é que o Bloco de Esquerda se foi paulatinamente transformando e é hoje um partido político com características bem distintas daquelas que apresentava aquando da sua génese. É um partido reformista, que valoriza a democracia parlamentar, promove a luta pelos direitos humanos em todo o mundo e convive, ainda que com alguma dificuldade, com a economia de mercado. O facto de preconizar um amplo programa de nacionalizações ou a renegociação da dívida pública confere-lhe um tom de radicalismo político notório, compatível porém com um posicionamento mais à esquerda no campo da tradição social-democrata europeia. Acresce a isto que o Bloco de Esquerda sempre procurou associar-se a um conjunto de temas e causas, convencionalmente designados por pós-materiais, que têm sido igualmente reclamados por vários partidos social-democratas no espaço europeu.

      Poder-se-á assim concluir, sem mais, que assiste razão a Catarina Martins quando esta apregoa como social-democrata o programa eleitoral que propõe ao país? A meu ver, a resposta só pode ser afirmativa, levando até em consideração a fórmula de Crossland acima enunciada.

      O que há de novo e de substancialmente relevante no presente é o facto de Catarina Martins se ter atrevido a proclamar a opção pela social-democracia. Acho que fez bem. E eu que aqui tantas vezes no passado ataquei o Bloco de Esquerda sinto-me agora compelido a saudar tão significativo passo.

      e, ainda:

      XXXXXXX

      14.09.19

      Ah, só para unir as pontas. Depois disto é que surgiu o tal comentário, que está também no Ouriq, sobre o estado miserável da blogosfera indígena naquele preciso momento: eram as parvoíces do Valulupi, sempre presentes!, a vidinha do Eremita que andava entretido com um post inenarrável sobre os censos em versão-United Colors of Benetton de um Filipe-qualquer-coisa que andou pelo Jugular, e que fez ou faz parte da turma da Fernandinha, e, ainda, a beleza dos lavores femininos exibidos pela dondoca d’Um Jeito Manso. Dizia ele, portanto, que se alegrasse o tipo d’A Estátua de Sal que sempre tinha para apresentar uma prosa do Daniel e que acabava de receber, ainda por cima, uma importante dica sobre um excelente artigo do Assis…

      Adios.

  3. «E a “culpa” não foi a troika, foram as ideias do “ajustamento”, os seus métodos e os seus alvos e a sua retórica.»

    Que por sua vez, por muito que custe, são intrínsecos aos tratados europeus, ou não fosse parte do sucesso e popularidade dos partidos iliberais de leste devido a os reinterpretarem. Sucesso que depois os deixa com popularidade para violarem o resto.

    Isto das categorias autodeclaradas também não é assim tão simples, ou não fossem os direitos laborais, a tal partezinha que dá nome ao socialismo e derivados, espezinhados muito antes de Passos. Mas como o governo mais neoliberal é mais obediente da Europa ainda é tratado como se tivesse sido de radicais populistas, já nada quer dizer nada na trapalhada europeia.
    Como também não é o ameliar condições das classes desprotegidas que desvaloriza a luta que o BE faz pelo precariado, enquanto os partidos sérios ainda esperam pela chuva dourada de cima para baixo.

  4. No caldeirão político que se seguiu ao 25A era obrigatório toda a gente ser de esquerda e, sobretudo, ninguém se afirmava de direita. E. daí que os nomes dos partidos nada tenham a ver com essa bitola. O PS só teve laivos de esquerda até chegar ao poder em 1976, enquanto o Olof Palme e o Brandt e a Fundação Friederich Ebert financiavam a instituição e a fundação dessa coisa chamada UGT

    O PSD teve de abandonar a velha sigla de PPD e o CDS, imaginem era do … centro

    Quanto à chamada esquerda – é coisa que na minha opinião não há na Europa – embora haja, naturalmente, pessoas e pequenos grupos que o são.
    O PC é um bunker que faz rir amigos meus vindos de fora quando se deparam com a “política patriótica de esquerda” e o BE é um grupo de gente de fino recorte social que, com o PC na sombra entreteve o povinho com grandes manifestações em 2012/12 – o Que Se Lixe a Troika que nada tinham de propostas que não coisas parvas como pedir ao Passos… uma auditoria à dívida ( e que comentei aqui
    http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/05/a-iac-mandou-toalha-ao-chao.html ;
    e secar qualquer possibilidade aos grupos pequenos e autónomos que se procuravam organizar desde 2010. Aliás, em 2011, a Geração à Rasca foi outra aventura soprada pela direita para apear Sócrates.

    E poderia ir mais atrás relatando o comportamento miserável do BE/PC quando da Cimeira da NATO em 2010, com o Obama presente. Podem ver aqui

    http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/01/amiseria-da-esquerda-que-anda-por-ai.html

    Há dois anos caraterizei o painel dos partidos em Portugal, Espanha e França, com vários pontos de contacto com o Pacheco. Vejam aqui, se vos aprouver

    http://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/06/social-democracia-afunda-se-ou-renova.html (1)
    http://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/05/para-uma-breve-historia-de-uma.html (2)

    Nota – Uma correção ao Pacheco. A UDP sempre foi uma coisa com pouco substrato teórico, E nunca foi maoista (eles não gostavam do Mao e da China); eram fãs e muitos, com visitas pagas a Tirana

    E disse
    VL

  5. Essa do PSD depois da passagem por lá de Cavaco e Passos Coelho ser Social Democrata é para rir 🙂 🙂 🙂
    Sá Carneiro que eu conheci pessoalmente , teria vergonha do PSD de Cavaco e Passos e no que o PSD se transformou !

    • Parece incrível que um intelectual deste calibre continue a repetir a enormidade de que o PSD alguma vez foi de esquerda.

      Já deixei de tentar entender as pessoas, o melhor é voltar-me para o PAN.

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