Porque o PS não vai ter maioria absoluta

(Pedro Adão e Silva, in Expresso, 27/07/2019)

Pedro Adão e Silva

Nas últimas semanas, o cenário de maioria absoluta do PS regressou. Após as europeias, as sondagens foram revelando uma subida dos socialistas e uma estabilização ou mesmo recuo do voto no PSD e no CDS. Na média das sondagens, a diferença entre PS e PSD está em redor dos 15 p.p.

Se recuperarmos a última sondagem do ICS/ISCTE, há mais elementos a favorecer o PS: a avaliação da governação e da situação da economia são positivas e o PS é percecionado como o partido com as melhores respostas para os problemas identificados como prioritários.

Acrescentando a conjuntura política, com o PSD envolvido numa turbulência sistemática (agora em torno das listas de deputados) e com os socialistas com uma imagem de união, percebe-se melhor a tendência de reforço do PS. Mantendo-se tudo o resto estável e acrescentando uma dinâmica de campanha que tende a favorecer quem vai à frente, faz sentido que se fale de maioria absoluta, até porque há uma diferença muito significativa entre primeiro e segundo partido mais votado. Um cenário de 20 pontos de diferença entre PS e PSD, com o CDS também com uma votação baixa, aproximaria 2019 das maiorias de Cavaco Silva, enquanto distanciaria do empate de Guterres e da maioria de Sócrates.

Mas é um equívoco. Dificilmente o PS poderá alcançar uma maioria absoluta e laborar nesse cenário, aliás, fragiliza as condições de governabilidade no pós-6 de outubro.

Se assumirmos que a avaliação da economia é um bom indicador do voto, a verdade é que as perceções subjetivas sobre o estado da economia não são tão positivas como é o próprio comportamento. Há, de novo na sondagem ICS/ISCTE, cerca de 35% dos portugueses que afirmam que a economia está na mesma e 26% que julgam ter piorado. Longe, portanto, de uma dinâmica de maioria absoluta.

Seria muito surpreendente que o eleitorado em Portugal se comportasse em contratendência, reforçando massivamente o voto num partido de centro, quando o padrão europeu tem sido de recuo do centro e de crescente fragmentação partidária. Aliás, ao contrário de 1987 e 1991 (e até 1999 e 2005), mesmo o crescimento do partido mais votado vai coexistir com um Parlamento mais fragmentado (com, pelo menos, o reforço do PAN) e resistência do voto à esquerda do PS. Igualmente importante, a distribuição do voto do PS no território continua marcada por regiões em que os socialistas tendem a ter resultados abaixo da média (área metropolitana do Porto, litoral oeste e ainda o interior centro). Se a isto acrescentarmos os resultados fracos entre os eleitores até aos 35 anos, a margem para uma maioria absoluta é curta.

Tanto mais que, como sempre, sobra a política. O sucesso da ‘geringonça’ dificulta a dramatização em torno da maioria absoluta. Bem pelo contrário, a estabilidade desta legislatura permitirá ao BE e ao PCP alimentar com eficácia uma campanha valorizando os entendimentos e acenando com os perigos de uma maioria absoluta.


7 pensamentos sobre “Porque o PS não vai ter maioria absoluta

  1. Work in progress (a leirura do Pedro Adão e Silva é correcta, mas há mais: a corrupção que é um ferrete para o PS).

    Da série “Fun Family Things To Do In #Lisbon, #Strasbourg, #Brussels, Beja, Barcelos, Castelo Branco, #Braga, Arroios, Penha de França, S. Domingos de Benfica And Campo de Ourique” (especial Eduardo “Fox Aventura” Cabrita)

    «A empresa, propriedade do marido de uma autarca do PS de Guimarães e com atividade na área lúdica em Fafe, garante que o montante cobrado se deveu à urgência na entrega dos produtos e à dimensão da encomenda.», hum.

    Nota. É a cultura de corrupção dos tipos do Partido Socialista, pás.

    _____

    RFC diz:
    Julho 20, 2019 às 6:17 pm

    Ui?

    Nota. Ó Pernalta, meu burro, essa gente ainda é anterior ao José Sócrates e fazem parte duma caderneta Panini sobre a corrupção em Portugal. O tempo passou, o Isaltino esteve preso, o Oliveira e Costa está preso, o Vara está preso, o sucateiro está preso, o Sócrates morreu, o Relvas que foi seu contemporâneo fugiu mas ainda está vivo, o Cavaco Silva reformou-se, o Passos dá aulas na antiga Escola Colonial, o Zeinal Báva fugiu para Londres, o Vale e Azevedo também, o Manuel Pinho fugiu para a China, o Granadeiro não fugiu e foi caçado, o Marx morreu, o Nietzsche morreu, tu andas com essas patas a caminho da cova e-e-e… eu já não me sinto nada bem.

    Da série “Fun Family Things To Do In #Lisbon, #Strasbourg, #Brussels, Beja, Barcelos, Castelo Branco, #Braga, Arroios, Penha de França, S. Domingos de Benfica And Campo de Ourique” (especial #pombinhos ❤️)

    https://estatuadesal.com/2019/06/30/medidas-anticorrupcao-e-poder-judicial/comment-page-1/#comment-14953

    Pedro Costa, o herdeiro.
    Maria Begonha, a que se torne tornou conhcida pois aldrabou o curricilum.
    Diogo Leão, o noivo.
    Eduardo Cabrita
    &etc.

    Queres um draft, pá? Actualiza-o tu qu’isto do PS é um work in progress!

    • […]

      «Já a ANEPC assegurou que a Foxtrot Aventura foi a única que apresentou uma proposta, de um total de cinco empresas que convidou para proporem preços para as golas e os kits de emergência. Sendo que nenhuma delas alguma vez fornecera tais produtos com esta especificidade – uma delas até vende eletrodomésticos.», sublinhado.

      Nota. É tal e qual o mesmo esquema que é usado pelas CM do Distrito de Beja, onde o ex-líder da JS local facturou mais de um milhão de euros em ajustes directos.

      Beja
      Ourique
      Aljustrel
      Almodôvar
      Ferreira do Alentejo
      Portel
      Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL)

      Nota. Em quatro anos as empresas de Jorge Barnabé, ex-líder da JS de #Beja, fizeram 1.103.292 euros (1 milhão!) com autarquias socialistas.

      https://pbs.twimg.com/media/D2cPh1jX4AA78pv?format=jpg&name=900×900

    • «Já a ANEPC assegurou que a Foxtrot Aventura foi a única que apresentou uma proposta, de um total de cinco empresas que convidou para proporem preços para as golas e os kits de emergência. Sendo que nenhuma delas alguma vez fornecera tais produtos com esta especificidade – uma delas até vende eletrodomésticos.», sublinhado.

      No JN, online.

      Nota. É exactamente o mesmo esquema utilizado no Distrito de #Beja, em que Jorge Barnabé, o ex-líder da JS local, facturou mais de um milhão de euros em ajustes directos exclusivamente em CM do PS.

      Beja
      Ourique
      Aljustrel
      Almodôvar
      Ferreira do Alentejo
      Portel
      Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL)

      https://twitter.com/raulfcurvelo/status/1109874108165251073/photo/1

    • Karl Marx, de facto morreu e está enterrado no cemitério Highgate em Londres… Portanto, uma «platitude» (La Palice não diria melhor…). Já quanto às ideias de Marx sobre o Capital, «a ver vamos»… Que há para aí uns países em pleno desenvolvimento que juram que não… Que as ideias do dito «oráculo de Trier» afinal estão vivas e recomendam-se.

  2. Espero bem que não tenha a maioria absoluta.

    Nessa condições o PS fica estranhamente parecido com o PSD…

    A situação que temos agora é o melhor que se pode fazer com o material que temos para conseguir um ersatz de social-democracia.

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