PR – O incorrigível comentador e o SNS

(Por Carlos Esperança, 08/06/2019)

Não lhe bastando para megafones o Conselheiro comentador, os jornalistas solícitos e o clero que lambe em deprimentes beija-mãos, ameaça desbaratar o prestígio que adquiriu por mérito próprio e comparação com o antecessor. Exige ser o mediador, o contrapeso partidário e fiel de uma balança que não lhe pertence, nem lhe cabe equilibrar.

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Ninguém duvida da recandidatura do PR nem da vitória. Invocar a sua necessidade pela debilidade da direita, o que não faria, decerto, se fosse a da esquerda, é o pretexto risível que ameaça o regular funcionamento das instituições e a solidariedade institucional.

Devia recordar-se da crueldade e despropósito das declarações populistas que levaram à demissão da ministra da Administração Interna, apanhada entre fogos, não é metáfora, entre os de Pedrógão e o de Oliveira do Hospital, aguçando as garras aos vampiros que sugaram o sangue das vítimas até às recentes eleições europeias.

Marcelo gosta de embaraçar o PR e, no seu narcisismo, compromete a livre competição partidária, onde a sua ingerência é insensata e perigosa, condicionando o Governo e as decisões da AR.

A sua influência na nova lei de bases do SNS, com a exótica exigência de que deve ser negociada entre os dois maiores partidos, é uma ingerência perniciosa na decisão da AR e numa matéria cujo precedente foi idêntico.

A anterior Lei de Bases foi da autoria dos partidos que votaram contra a criação do SNS e a atual é negociada pelos que o criaram. Esta é a proposta de uma ministra sem pactos com empresas privadas, para dotar o país de um diploma contestado por elas e as IPSSs. Era natural que fosse aprovada pelos herdeiros e contestada pelos ex-opositores do SNS.

O sector do PS mais à direita, tal como sucedeu na criação do SNS, incluindo médicos, é aliado do PR e dos partidos da direita. A Dr.ª Maria de Belém, aceitou coordenar uma comissão de revisão da Lei de Bases da Saúde, apesar do conflito de interesses com os privados, e apresentou um relatório que o Governo rejeitou. É legítimo não o acolher quem o encomenda, surpreendente é o autor sentir-se no direito de o impor.

Maria de Belém está para este Governo como Francisco Assis para a sua formação. Não tirou ilações da candidatura a PR e a dupla ligação, à Igreja e aos interesses privados, parecem determiná-la. Quem perde é o povo português.

As PPPs são pretexto para o combate político. São indispensáveis, a nova Lei de Bases não as enjeita, mas não podem ser hegemónicas e um instrumento para destruir o SNS. 

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A proposta do Governo era equilibrada, viável e honesta, defendida por uma ministra de invejável qualificação, passado impoluto e grande coragem. Se a esquerda não for capaz de se entender sobre o mais emblemático serviço público, não é o Governo que perde, os governos passam, é o povo português que será progressivamente espoliado do melhor dos seus direitos e do mais fecundo dos seus benefícios.

E um dia, demasiado tarde, os portugueses dar-se-ão conta de quem o enganou.

14 pensamentos sobre “PR – O incorrigível comentador e o SNS

  1. Ui?

    «Não lhe bastando para megafones o Conselheiro comentador, os jornalistas solícitos e o clero que lambe em deprimentes beija-mãos, ameaça desbaratar o prestígio que adquiriu por mérito próprio e comparação com o antecessor.»,.mas que belo naco de prosa, mais um!, ó Carlinhos.

    Nota. Não queres alterar qualquer coisinha para que a frase faça algum sentido? Vá lá, um leve corar de vergonha e eu juro que não digo a ninguém,.. ‘stá?

  2. Assim o partido socialista e a legislatura de António Costa começou a ser sabotada logo na imposição de Marcelo pela ala direita do partido como candidato do PS às eleições presidenciais em oposição ao candidato escolhido por Costa, António Nóvoa! As negociatas sempre estiveram em primeiro lugar dentro dos interesses instalados no PS!

  3. …. Só espero que o PS não esqueça como foi aprovada a primeira Lei do SNS e não desonre a memória do SEU “CRIADOR E VERDADEIRO SOCIALISTA António Arnaut….! Cada vez mais me preocupa o peso que uns quantos “socialistas enviesados” continuam a ter nas decisões sobre os serviços públicos….
    NÃO SE PODE DEIXAR A SAÚDE POR CONTA DOS NEGÓCIOS…. Estes podem existir, mas como sector privado…

    • Nota. Ó Senhora Maria: admito que nunca pensei ouvi-la assim tão claramente a criticar o “por conta dos negócios” de tão profundas ressonâncias no Partido Socialista com um pico de bas-fond em que emergiu o breve período em que o José Sócrates fez umas patifarias aos portugueses. Quanto ao SNS estou de acordo consigo, o lobby a que a Maria de Belém dá rosto é de fugir.

      • Adenda, em tempo.

        […]

        Como alternativa, Catarina Martins propôs que as PPP sejam reguladas em lei própria, na próxima legislatura. E juntou-se a uma ideia já proposta pelo PCP nas negociações, a de que sejam revogados os decretos sobre PPP de 2002, aprovados pelo Governo de Durão Barroso. “A nova lei deve ainda revogar o regime jurídico que enquadra as PPP em vigor, aprovado pelo governo de Durão Barroso, garantindo a prazo o fim destas PPP”, defendeu a líder do BE na conferência de imprensa.

        Nota. Bem, hoje o BE pegou numa proposta do PCP que encrava-no-sentido-de-o-Santo-António-clarificar-tudo-e-não-se-esconder-em-frases-manhosas o… PS .

        https://www.publico.pt/2019/06/09/politica/noticia/quer-retirar-ppp-lei-bases-saude-viabilizar-1875911

        No P., há pouco.

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