Rosário Teixeira, afinal, também se preocupa com o que fazem certos jornalistas

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 19/03/2019)

Rosário Teixeira

O juiz Ivo Rosa decidiu impedir o acesso à sala onde decorrem os interrogatórios da fase de instrução da Operação Marquês aos jornalistas que se tinham constituído assistentes do processo. A decisão foi tomada no dia 12 de Março. De lá para cá, quais foram as reacções das “partes interessadas” no processo?

O esgoto a céu aberto fez primeiras páginas e editorais a queixar-se de ter sido amordaçado? A madraça lançou os talibãs contra o juiz? O caluniador profissional pago pelo Público garantiu que era desta que o povo devia pegar em armas? O império do militante nº 1 do PSD usou o episódio para nos dizer que os socráticos são uma ameaça que urge exterminar? O consiglieri de Estado conseguiu relacionar Ivo Rosa com o todo-poderoso Armando Vara? Manuela Moura Guedes, coiso? Nada de nadinha disso. Reina o mais seráfico dos silêncios. E a explicação é esta:

«A presença de jornalistas na sala de audiência onde os acusados e as testemunhas são ouvidas nesta fase do processo – o momento em que os arguidos apresentam as suas alegações contra os argumentos da acusação de forma a tentarem não ser levados a julgamento – foi questionada pelo Ministério Público que alertou para a postura dos assistentes “que exercem a profissão de jornalistas e que não tiveram, ao longo dos autos e até ao presente, qualquer intervenção na conformação do seu objeto, como se têm feito valer dessa mesma qualidade para terem acesso privilegiado à atividade desenvolvida pelos demais intervenientes processuais que de outro modo lhes estaria vedado, com o único propósito de desenvolver peças jornalísticas acerca dos factos em causa nos mesmos e dos atos processuais aqui praticados”.

Perante esta questão a equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira frisa que “importa, pelo menos, vedar o exercício de uma faculdade processual inerente a esse estatuto de assistente, a de assistir a atos de produção de prova, uma vez que se mostra estar a ser exercida de forma manifestamente desviante da função que lhe é inerente em violação dos normativos processuais penais aplicáveis”.»

Fonte aqui.

Recapitulemos. O mesmo procurador, e respectiva equipa, que em Julho de 2014 – sem arguidos constituídos, sem prévia notícia pública de sequer existir tal investigação judicial – teve engenho e arte para colocar na Cofina informações que pretendiam influenciar a votação para secretário-geral do PS e que se revelariam ser o núcleo principal das suspeitas da Operação Marquês à altura da detenção de Sócrates, ou que teve arte e engenho para não o ter impedido, e que meses depois teve engenho e arte para colocar em diversos órgãos de comunicação social informações a respeito da iminente detenção de Sócrates no aeroporto e sobre os argumentos que seriam usados para o prender, ou que teve arte e engenho para não o ter impedido, e que nos dias, semanas, meses e anos após a detenção de Sócrates teve o engenho e arte de cometer caudalosos e sistemáticos crimes de violação do segredo de justiça, ou que teve a arte e o engenho para não o ter impedido, é a mesma equipa e o mesmo procurador que em Março de 2019 quer impedir os jornalistas de relatarem o modo como Ivo Rosa interroga acusados e testemunhas, e o que testemunhas e acusados declaram no tribunal face a face com o juiz. Estamos perante um fenómeno do Entroncamento?

Estamos perante um fenómeno do emporcalhamento. A fazer fé na lógica, parece lógico que a fantástica equipa do procurador-herói terá ficado muito, mas mesmo muito, desagradada com algumas notícias saídas a respeito do que se está a passar na instrução da Operação Marquês. Mas que terá sido? Por exemplo, terá algo a ver com o testemunho de Vasco d’Orey? Ou com as declarações das testemunhas de Sofia Fava? Ou com a descrição de como Ivo Rosa é exaustivo nos interrogatórios? Ou até do que virá aí a caminho e que pode, finalmente, começar a contar uma outra história sobre o que realmente tem estado em causa neste processo infame?

Realmente, para quem passou os últimos anos a ter um serviço editorial onde apenas certas informações, tratadas de certa maneira, apareciam no espaço público, ainda por cima embrulhadas numa campanha de judicialização da política e de politização da Justiça onde se faz o culto de personalidade e o messianismo de certos magistrados vedetas, qualquer brecha na condenação já transitada em julgado é fonte de pânico para quem construiu o primeiro julgamento político após o 25 de Abril.

E a Cofina et alia? Agradecem, penhorados. É assim que esses bravos “jornalistas” gostam de “investigar”, em monopólio e desfrutando de uma intimidade amorosa com alguns agentes ou funcionários da Justiça (provavelmente, empregados da limpeza) que conseguem entrar nas salas dos impolutos e vigilantes procuradores e depois, com as lanternas dos seus telemóveis baratuchos, darem com aquela papelada (ou já serão disquetes de 3,5 polegadas com estupendos 1.44MB cada?) onde estão as “verdades” sobre esses “corruptos” socialistas que há que denunciar, perseguir, achincalhar e enviar para Évora.


Fonte do artigo aqui

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3 pensamentos sobre “Rosário Teixeira, afinal, também se preocupa com o que fazem certos jornalistas

  1. Porra!

    Nota. Que (falta?) de vergonha, ó Manuel G. Vocês dvem ver o Canal Panda, o que para um tipo que passa por aldrabão e doido não me surpreende. Toma lá, em estéreo, o que têm sido os relatos bué da fixes para o menino São José da imprensa. E era o Vara que ia dar cabo da acusação do MP e disto tudo, onde é que anda a Virgínia tal a propósito?

    RFC diz:
    Fevereiro 6, 2019 às 1:27 pm

    […]

    Armando Vara pode ser o mais execrável dos criminosos, mas não teria medo de passar por ele, durante a noite, numa rua escura. Ricardo Salgado é provavelmente, se vierem a provar-se os crimes de que é suspeito, o maior dos criminosos,», ui?

    Nota. Ó Carlinhos andas ainda mais desorientado do que eu pensava, tens de pedir a alguém que saiba ler direito e que consiga manter-te acordado para que te decifre a acusação do MP. Depois disso, pensas o tempo que precisares, pedes para repetir um ou outro parágrafo, e experimentas googlar no computador por “poder político” + “poder económico” + sequestro e, provavelmente, um dos resultados que encontrarás dir-te-á a palavrinha-mágica: corrupção. Voltas, então, até à casa de partida e, no pior dos cenários, ficarás em paranoicamente em pânico se encontrares o Armando Vara numa rua clara ou escura (e não, nunca será o Ricardo Salgado nem o Joaquim Barroca nem o tal holandês do pilim, duh!). É simples, isto (tens de organizar a cabeça).

    RFC diz:
    Fevereiro 6, 2019 às 2:04 pm

    Adenda, em tempo.

    Um milhão, depositado pelo Joaquim Barroca na tal offshore da filha Bárbara. Como foi lá parar, isso interessa? Sim, é esse o ponto importante da acusação. [Primeira parte.] Dinheiro ganho como consultor, quase todo limpinho (e só não o é porque foi recebido em notas, claro, sem rasto documental como diria a outra!, e sem pagar… impostos). Impostos, isso interessa? Népia, e qu’é isso de um ministro e administrador da CGD e do BCP assumir mais estas medalhas no cadastro? Que tal? E provas, entregou-as? Não, já disse, quais papéis ou qual caraças! Três horas a enterrar-se perante o juiz, segue-se o intervalo. Farnel para o almocinho, pizza ou marmita? {Segunda parte.] É a vez do MP, o titular do processo para lealmente fazer o contraditório. Ah, eu com esses tipos não falo… e ficou-se em silêncio! Calou-se, um tipo que foi ministro do PS?! Que caraças, nada tens a dizer, não criticas isto ó Carlinhos Esperança? [Mudança de cenário, terceira parte.] Mas quais foram os trabalhos, afinal?, perguntam os jornalistas. Muitos, não vou estar para aqui a-a-a-a especificar… responde o advogado. E provas, entregou-as? Zzzzzzzzz, advogado. E conclui: acreditem se quiserem! Do melhor.

    O antigo ministro socialista Armando
    Vara admitiu ontem ter recebido elevadas
    quantias em dinheiro vivo enquanto era
    director na Caixa Geral de Depósitos. As declarações
    foram feitas perante o juiz Ivo Rosa, que dirige a
    instrução na Operação Marquês. Armando Vara,
    que não pagou assim quaisquer impostos por esse
    dinheiro que disse ter sido resultado de serviços
    de consultadoria a empresas não especificadas,
    reconheceu o “ilícito fiscal”. (Pág. 17) H.P

    No P. em papel, hoje.

    • Rosário Teixeira, afinal, também se preocupa com o que fazem certos jornalistas
      19 Março 2019 às 13:43 por Valupi 5 Comentários

      Nota. Ai-ai, Valulupi, o qu’as bacocoradas fazem à tua auto-estima! Lá estão os cinco-5-cinco comentários do costume, um balúrdio!, que, na verdade, são apenas três… Nem o José Neves te salva, nada! Aqui tens mais dois, e faz set-7-sete, que, na verdade, são… zero. Sai mais um barril, portanto, e a partir de agora vamos mas é tratar de elogiar o PS do Antonio Costa, schiiiiu disfaçadamente, e as cenas do Mário Centeno. O outro, o famoso e muy hermoso exilado da Ericeira, desculpem, pás, mas já era. Vivós coisos!!!

      Isto é o Diabo
      20 Março 2019 às 9:44 por Valupi 9 Comentários, SÃO NOVE VIRAM BEM?

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