Um “novo” Sindicalismo? E um protesto rectroativo!

(Joaquim Vassalo Abreu, 14/12/2018)

Florence

O “velho” Sindicalismo está em crise, escrevem os comentadores e articulistas. Fórmulas velhas e gastas, anquilosadas até, com processos ultrapassados por repetitivos, com bonomia e sem agressividade na forma e com uma redução sensível no numero de novos sindicalizados.

Redução essa que dificulta gravemente a capacidade de angariação de meios financeiros que, para além das despesas de funcionamento, não permitem a constituição de “fundos de greve” que possibilitem que os grevistas possam ser ressarcidos das perdas financeiras que as greves forçosamente implicam.

Para estes liberais tempos, onde o que impera é o safe-se quem puder, o cada um por si e nunca mais o um por todos e todos por um, já não faz sentido negociar Acordos Colectivos de Trabalho, a própria palavra “colectivo” já nem sequer faz parte do léxico dos novos gestores, e a “solidariedade”, essa estranha palavra, nem sequer ensinada lhes foi…Sindicatos? Que trabalhem, mas é…

Isso já não se ensina nem se aprende. Solidariedade? Quem ensina em casa? E nas Escolas? E equidade? E igualdade? Infelizmente o que se aprende é que cada um tem que ser o melhor, seja como for e utilizar todos os meios para atingir esse fim…Mas, mesmo assim, até eles precisam de chefes e de líderes, mas necessariamente formados em dialéctica, demagogia e populismo. Todos eles sem um pingo de decência, outra palavra que certamente desconhecem…

Mas agora cresce impante um “novo” sindicalismo. Um sindicalismo dito independente e feito à pressa, mas destinado à agregação de sectores sociais, hoje pouco politizados e carentes de representação nos seus anseios, e que conseguem, pela agressividade e pela compensação financeira das perdas com as greves, mas com um discurso populista e demagógico, utilizar, para lutas alheias a qualquer moral e ética públicas, classes improváveis como os enfermeiros.

Que não conseguem discernir nem vislumbrar, pesem todos os avisos dos “midia” e redes sociais, que estão a ser utilizados por uma Direita sem princípios e escrúpulos que quer fazer crer, por tantas e tão agressivas greves, estar este país sem rumo, um absoluto caos e o culpado não ser mais ninguém senão o Governo, por inação e incompetência, como não se farta de dizer a Direita parlamentar. E que este Governo tem que ser destituído para eles retomarem o poder, um poder que eles acreditam só a si pertencer, por vontade suprema, como antigamente, sendo eles o repositório dos tempos antigos, os tempos do “Clero, Nobreza e Povo”…Enfim…

E nem os enfermeiros, gente com formação, nem os bombeiros, nem os professores, guardas prisionais, policias municipais e profissões demais, todas elas cientes de que este Governo tem a obrigação de lhes dar, a todos e de uma só vez, tudo o que anteriormente perderam ou não lhes foi dado, sabem ou desconfiam que estão a ser testados, quais ratinhos de laboratório, pelos “Steve Bannons” desta vida  – que anda ele a fazer pela Europa? -, na implantação, depois de EUA, Brasil, Polónia e Hungria, por exemplo, de sistemas neo-fascistas que lhes irão sonegar a liberdade e fazer destas suas lutas tábua rasa. Infelizmente os Povos só depois se arrependem…

Mas voltando ao tempo corrente, a Bastonária dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, membro do Conselho Nacional do PSD, agora travestida de neo-sindicalista, tendo ateado um incêndio e vendo que ele está a tomar um rumo catastrófico e incontrolável, sem que haja pessoas disponíveis para o extinguir, o que quer dizer que não consegue, mesmo com todo o mal que está a causar, que a população aprove o seu gesto e a sua a todos os títulos criticável acção e com ela se solidarize, resolveu dar um passo em frente e, num golpe de esperteza saloia, resolveu escrever uma carta a António Costa.

 A pedir-lhe a sua urgente intervenção, falando-lhe de uma “calamidade e catástrofe sem precedentes …”, tudo isso por culpa de um Governo que não negoceia ( o que para ela significa ceder…) e instando-o a que ele resolva de imediato o problema por ela criado, nomeadamente na criação de carreiras de especialistas etc, porque eles são quase médicos, ela afirma, na contratação de mais Enfermeiros…Sem o que demorará anos e anos a repor a situação e haverá imensos efeitos colaterais…

Mas, pergunto eu, para que serve a requisição civil, quando estão em causa vidas humanas e direitos fundamentais? Será que Rui Rio e Marcelo teriam o desplante de ser contra?

Tamanha “lata”, inconsciência, ausência de sentido de responsabilidade, arrogância, desplante, agressividade e ausência de ética, para além de fazer corar qualquer cidadão deste país que sabe viver em sociedade, ultrapassa tudo o que seja bom senso, mas afirma que está disponível para negociar, já vimos em que basesmas que “não lhes cabe a eles (Enfermeiros) sob o seu mando parar ou recuar” e que, portanto, só cabe ao PM acabar com esta catástrofe. Eu diria antes que compete à PGR parar esta irresponsável!

Quanto ao “Juramento de Florence Nightingale” que, à semelhança do “Juramento de Hipócrates” para os Médicos, por ele juram “dedicar a sua vida profissional ao serviço da pessoa humana…a não participar voluntariamente em actos que coloquem em risco a integridade física e psíquica do ser humano…obedecendo aos princípios da ética e da moral, preservando a sua honra, seu prestigio e suas tradições…”. Para ela isto não passa de letra morta e de certeza que não se lembra de tal ter jurado…

Ela agora conclui que há “uma má fé e preconceito contra os Enfermeiros por parte da Tutela”. Mas, como diz o nosso Coronel Carlos Matos Gomes “ As acções da Tutela deviam ser, isso sim, a instauração de um processo crime por recusa de auxilio ou de humanidade por negligência…e de cessação de actividades na sua Ordem Profissional por violação de deveres deontológicos…”.

Haja decência, haja Humanidade e haja bom senso!


O PROTESTO RECTROATIVO!

Não deixa de ser caricato que no ano e mês em que, passados não sei quantos anos, todos os trabalhadores recebem o seu Subsidio de Natal por inteiro, de uma só vez e na data estipulada; no ano em que deixaram definitivamente de pagar sobretaxas e coisas mais; quando já receberam integralmente tudo que lhes foi retirado pelo anterior governo…haja gente que se queira manifestar, quais coletes amarelos de França, contra os impostos, o aumento do custo de vida e nem sei bem que mais…

Para mim só pode ser um protesto “rectroativo”! Aquele protesto que uma vez irrompeu daquela ideia peregrina do Passos Coelho de querer aumentar a TSU aos trabalhadores para a entregar e imediato ao patronato…Porque, pela retirada dos subsídios, pelo “aumento brutal de impostos” como anunciou e concretizou Vitor Gaspar, mais ninguém protestou…

Eu fico perplexo e só concluo: a nossa Direita já está cansada de tanta justiça, de tanto progresso social e tamanha competência da Esquerda.

Esquerda que tem feito o que eles quereriam fazer, mas não faz o que eles fizeram… E não é portanto por aí que a poderão derrubar! Por isso…

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Um pensamento sobre “Um “novo” Sindicalismo? E um protesto rectroativo!

  1. Mas nem todas as pessoas que têm problemas sérios que implicam cirurgia querem ir para os privados…Não e só a questão de dinheiro!

    Enviado do meu iPad

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