Tribunais, animais, anormais e outros mais

(Carlos Esperança, 29/04/2018)

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A benevolência com que alguns juízes julgam as agressões a mulheres pode dar início a um novo paradigma jurisprudencial. Nem tudo está parado nas sociedades ou amolecido na consciência que as molda. De vez em quando, um sobressalto cívico torna contagioso o fervor da indignação. Ainda bem.

Espanha está em pé de guerra perante a complacência com que foram condenados cinco violadores de uma jovem de 20 anos, alcoolizada, enquanto os alarves a filmavam. Que raio de machos aqueles, que sentiam prazer na humilhação da mulher indefesa e vaidade na filmagem do crime! Que manada de filhos de uma nota de 5 euros!

Foi preciso que três juízes chamassem ‘abuso sexual’ à violação da «Manada», e que as mulheres reagissem contra as penas, eventualmente de acordo com o código penal, para porem em causa as leis e a jurisprudência, a sociedade machista e a tradição misógina, a violência ancestral e o sofrimento feminino milenar.

Em Portugal, há sentenças que não envergonham apenas os juízes que as proferiram e a sociedade conformada. Ficaram para a história do Portugal reacionário, que habita togas que escondem corpos sem cabeça, no país de agora.

As jovens violadas no Algarve, por se vestirem de forma provocante, seja isso o que for, numa zona de praia, em Albufeira, foram de algum modo incriminadas pela violação de que foram vítimas, na “coutada do macho ibérico”, o que reduziu largamente o crime.

O adultério, tão condenado pela santa Bíblia e por venerandos desembargadores, passou a atenuante de peso para a selvática e premeditada agressão a uma mulher.

Um taxista, perante uma jovem de 16 anos que, tendo fretado o táxi, a conduziu para um pinhal e aí a violou, viu a pena suspensa porque a vítima já tinha obrigação de perceber os riscos que corria ao entrar sozinha num táxi.

É verdade que Paulo de Tarso considerava obscenos o cabelo e a voz das mulheres, um bom motivo para lhes ser impedida a entrada nos templos, sem o véu que as cobrisse, e interdito o canto, para o que a Igreja preferia os “castrati”, jovens a quem castrava para preservar a voz e evitar as mulheres no canto lírico em louvor do Divino, mas isso era o pensamento de quem estava destinado à santidade e não à judicatura.

É verdade que os juízes são pessoas normais, mas os que apavoram são os anormais!

4 pensamentos sobre “Tribunais, animais, anormais e outros mais

  1. Pena de morte para o taxista . E para o autor do texto ? Os juízes aplicam a Lei que é feita pelos legisladores que o autor do texto elege há já 44 anos !… Mas a final de quem é a culpa ? Do autor do texto ?
    A final quem deve ser julgado é o autor do texto … Ainda , dá-me vontade de rir a miopia deste exercito de pseudo intelectuais que navegam ao sabor das “modas caça votos” quando exibem a cátedra da violência domestica . Pretendem acabar com a violência domestica com um (digo 1) artigo penal !… Salazar foi mais esbanjador , pois acabou com a prostituição com 3 artigos … A violência domestica virou moda . Após a publicação daquele artigo a violencia domestica subiu num crescendo assustador . Quanto mais mexem na merda mais mal cheira
    p.s.
    Quer queiram ou não , uma jovem tomar um taxi e ser violada.é totalmente diferente se tomar o taxi nua …
    Ponha ao pescoço um bom e grosso fio de ouro com uma libra e vá para o cais do sodre beber uns copos e vai ver o que lhe acontece .
    Um burlado queixou-se e o MP arquivou por ele ser o culpado por se ter deixado burlar .

  2. Como homem sinto-me envergonhado que outros (supostos) homens tenham tido atitudes como as magistralmente retratadas pelo Carlos Esperança​.
    Sinto-me envergonhado e como homem peço desculpa às Mulheres.

  3. Não acho os juízes normais. Muitos sentem-se deuses, interpretam as leis como querem, dão cabo da vida às pessoas de que não gostam, condenam sem provas. Como em qualquer profissão, antes de serem juízes são pessoas e são péssimas pessoas, salvo honrosas exceções.

  4. Lá está! O erro da MANADA é achar que “juiz” é normal e, ainda pior, que é uma pessoa!

    De certeza que entre aquela escumalha espanhola estavam uns quantos “juízes” que gostariam de ter participado na violação.

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