Costas e Ferrões e a Justiça de pelourinho

(Por Estátua de Sal, 21/04/2018, 01h)

COSTA_FERRÃO

Estive a ver a SIC Notícias. O Mano Costa e o Ferrão ao leme no Expresso da Meia-Noite. Pareciam coscuvilheiras e lavadeiras de roupa suja à volta do lavadouro a falar do mau porte da filha da vizinha que andava enrolada aos sábados com o taberneiro e com o padre aos domingos.

Para a SIC, o taberneiro é o Sócrates e o padre é o Ricardo Salgado. A vergonha perdeu-se. A SIC e o Expresso, que à época dos supostos “crimes” beijava a braguilha ao Salgado, agora descobre que afinal o Salgado sempre tinha tido a braguilha murcha, pouco limpa e pouco recomendável.

Em vez de se penitenciar pela criminosa divulgação dos interrogatórios a Sócrates, uma canalhice que devia fazer encher de vergonha qualquer jornalista decente, a SIC chafurda nas escutas, nos vídeos transmitidos à margem da lei e ergue a bandeira da pulhice como lema. É uma novela de pérfido mau gosto.

Que interessa saber se a mulher do Santos Silva não gostava do Sócrates? Que interessa saber se as cortinas do apartamento de Paris eram cor de rosa ou azuis? Talvez numa telenovela mexicana das mais rascas e lamechas isso possa ser relevante, mas nunca para a partir dessas minudências inferir a culpabilidade de quem quer que seja.

Mas, sibilinamente, as lavadeiras foram dizendo ao que vem: atacar o Governo, e nomeadamente o PS. Que o Sócrates tinha um projecto totalitário para o país, disse um deles, queria dominar tudo, a economia, a comunicação social e até a Justiça! E retorquiu o outro: É estranho, que nenhum dos membros deste Governo, que também foram ministros de Sócrates nunca tivesse dado por nada.

E diz outro: – E esta historia do Manuel Pinho e do Salgado, perante ela toda a classe política está calada, nomeadamente o Governo.  E todos concordaram. Amén.

O Mano Costa e o Ferrão parecem o Patilhas e Ventoinhas, inspectores fictícios criados pelos Parodiantes de Lisboa de saudosa memória. Mas já que tem tanto jeito para chafurdar na cusquice eu tenho muito mais casos para lhes entregar: perguntem ao Dr. Ricardo Salgado para quem foi o milhão das luvas envolvidas no negócio dos submarinos e que, nem à família, ele quis identificar. Perguntem ao Dr. Relvas e ao Passos para onde foi o dinheiro que a União Europeia reclama no caso da Tecnoforma, perguntem à Dra. Joana Marques Vidal como puderam ser roubadas crianças às mães, traficadas para os bispos da IURD, com a sua concordância e despacho favorável. E se não vos bastar, ainda tenho mais casos para vos colocar debaixo do nariz.

Mas se é para investigar a porcaria, vistam primeiro escafandros protectores, não vá ela fazer ricochete e sujar a suposta postura justiceira da SIC e do Dr. Balsemão, como sucedeu no caso dos Panamá Papers que, a partir de certo momento, tiveram que ser encerrados na gaveta, longe de olhares indiscretos, para evitar danos colaterais indesejados.

E, já agora, não pisem muito os calos ao Ricardo Salgado; e se o forem incomodar peçam licença, façam vénia e perguntem antes se ele tem disponibilidade na agenda para vos receber. O Alexandre e o Rosário já perceberam isso e tem-no tratado com a deferência que é devida a um banqueiro de velha linhagem porque devem ter percebido o lema, feito aviso, que há uns meses o Dr. Ricardo deixou a pairar sobre as cabeças de muito boa gente deste país: – O leopardo, quando morre, deixa a sua pele.

Pois é. Se o Dr. Ricardo abre a boca, não teremos um caso de polícia, mas um caso de regime. É por isso que Sócrates deve estar a rir-se à grande da inépcia do Procurador Rosário quando atrelou o Salgado e a PT nas fraldas do Marquês. E mais deve estar grato à SIC por lhe ter dado tanto tempo de antena com esta história dos vídeos dos interrogatórios. É que, quem sai como herói da novela é ele, tal a convicção com que se defendeu, e tal o atropelo e a devassa a que foi sujeito.

O Procurador fez figura de inapto e de vilão. As provas ninguém as viu, nem a cores nem a preto e branco. E mesmo muitos dos que sempre acharam que Sócrates é culpado, hesitam hoje na sua condenação, ou pelo menos na sua condenação com estes métodos, e com estes requintes de malvadez e insanidade.

É que, todas as elucubrações da SIC nas peças que construiu a partir dos vídeos, começam invariavelmente com a ladaínha : “A investigação acredita que…. bla… bla… bla…”. Note-se o verbo acreditar. É portanto, uma questão de fé. Nunca é dito que a investigação provou ou demonstrou.

Eu espero que a Inquisição já tenha acabado em Portugal e já não se condene ninguém por autos de fé. O Procurador Rosário acredita. Bom, também eu acredito em muita coisa – em cada vez menos ícones, diga-se de passagem -, mas não acho que isso seja suficiente para acusar seja lá quem for, e muito menos para condenar alguém ao cárcere.

E, em relação à SIC e às sonsas masturbações dos Costas, Ferrões, Ferreiras e quejandos, deixem-me que vos diga que eu não só acredito que tenham cometido um crime como o afirmo com todas as letras, como bem disse hoje, finalmente, a Ministra da Justiça (Ver aqui)  vindo a sofrer por isso a punição devida. Pelo menos eu ainda  quero acreditar nisso.

 

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8 pensamentos sobre “Costas e Ferrões e a Justiça de pelourinho

  1. Tiro o chapéu a este fenomensl artigo
    que vou guardar e partilhar e multiplicar
    às vezes que for possível . Palavras certas, ideias claras, fortes. Expressa exatamente o que sempre me pareceu a má vontade deste jornalista Ricardo vista contra o irmão e o governo PS, de que de resto não voto. Depois pretendo tombem dizer o seguinte:
    Do que me foi dado ouvir, e ver, não vislumbrei um facto, um só, concreto, preciso e localizado no tempo e no espaço, susceptível de aguentar um sopro judicial. Se o juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário
    mandaram JS para a cadeia com base e em tamanhas vacuidades e se a acusação for aquilo que parece ser
    Uma mão cheia de vento, a justiça portuguesa vai sair muito mal. JS vai ser absolvido.

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  2. Eu ainda gostava de perceber como, com 44 anos de democracia, grande parte deste zé- povinho português ainda tem inoculado na mente o vírus do fascismo que nos maltratou durante tantas décadas. É uma vergonha miserável ver seres, garotelhos arrogantes, autenticos bimbos (olhem só para a cara deles), debitarem fel sobre temas e pessoas que não comungam da sua ideologia fascista. Mas o que é notório é que quer seja nos jornais, rádio ou televisão os lugares chave, aqueles de onde podem lançar o veneno estejam ocupados por gente desta estirpe. Esta situação é particularmente perigosa, pois é um púlpito de onde imanam as bacoradas que recebidas por esta pobre gentinha pouco mais que analfabeta se transformam em verdades insofismáveis, condenando à partida quem tenha a desgraça de cair nas suas garras. Hoje já não precisas provas para qualquer julgamento, basta os srs procuradores acreditarem que … ou que quem cabritos vende e cabras não tem…. Nunca pensei poder ouvir semelhantes alarveirices da boca de magistrados, que seriam mais dignas de simples pastores sem qualquer formação jurídica (sem desprimor para estes).

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  3. Perfeito. Merece ser abordado no seu comentário televisivo. E já agora permita-me que lhe sugira um discussão séria sobre os cursos de Direito. Continuo a defender que a incompetência é dos factores que mais contribuem para este verdadeiro terrorismo “jornalístico”, sob o qual se acolhem várias formas de corrupção.

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  4. Vou partilhar, claro… Mas…
    Referindo-se a uma intervenção efectiva por parte da Ministra da Justiça. conclui este excelente artigo com «Pelo menos eu ainda quero acreditar nisso.»…
    Por muita simpatia que a sra. Ministra me mereça, a este respeito aconselharia o autor a sentar-se bem confrtavelmente. Suspeito que tudo isto da «Justiça» em Portugal seja «areia de mais para a camioneta de uma Ministra»…

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  5. Que a pouca vergonha reina em Portugal, já todos nós sabemos! Andemos de salto alto, de SOCAS, feitos burros à procura de ferreiros , de ROSÁRIO na mão, a fugir à velocidade da luz com medo de ser picados, por FERRÕES está claro, e tudo isto até nos doer as costas, não vamos conseguir , nós os pequeninos, porque é que estes palhaços se safam sempre! As coisas são trazidas ao lume, vezes e vezes sem conta, durante mais tempo que a saga do Rock Balboa! Mas mesmo assim continuamos a ouvir até que as orelhas nos doem, as mesmas desculpas. Ficamos a saber sem qualquer engano possivel que a justiça não se trata de factos, mas sim de fé ou acreditar ou até ainda de um ponto de vista! Tudo isto é ilusório, pois enquanto se debater exaustivamente estes pontos importantes mas sem resolução, o povinho na sua ânsia de justiça, mantem-se abstracto das injustiças a que é submetido e a que os tribunais e o governo, são alheios. Sabemos também que de quando em vez, lá é injustiçado algum justo pecador, imperfeito e que decerto a sua culpa não foi um crime, mas apenas uma maneira inocente de contornar a justiça. Tudo isto será um manuscrito antigo pelo tempo que leva nos tribunais e na boca de quem ainda não se cansou de falar no assunto? Será conserteza! Um manuscrito, que fala de escutas, videos, interrogatorios e pissivelmente, como aparece sempre mais, então porque não sexo. Com tal guião possivelmente para a tal novela mexicana que o Sr. Dr. Gameiro fala! Agora deitar o governo a baixo, não me parece! Os homens são sempre os mesmos, as leis tambem. Os ricos são sempre os ricos e claro, os pobres sempre como o mexilhão. Não é? Em vez de sapatos, vou usar ferraduras, porque as socas já me fizeram calos! Ferroadas livo-as todos os dias, principalmente há ano e meio para cá à espera que alguem se lembre dos direitos da CRIANÇA, os rosários nas mãos dos poderosos têm mais poder do que nas minhas mãos, por isso já não acredito! Vou esperar de pé ou sentada? Na verdade e pensando bem, não vou esperar de todo! Desisto!!!!!
    Obrigada Doutor!

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